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terça-feira, 30 de junho de 2015

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Tua covardia diante do mundo é puro desprezo a Deus! - C. H. Spurgeon





Lembrem-se, o Espírito Santo tem seus meios e métodos, e há algumas coisas que ele não fará. Lembrem-se, ele não faz nenhuma promessa de abençoar acordos. Se fizermos acordo com o erro ou o pecado, é por nossa conta e risco. Se fazemos qualquer coisa sobre a qual não temos clareza, se manipulamos a verdade ou a santidade, se somos amigos do mundo, se fazemos provisão para carne, se pregamos com desânimo ou fazemos pacto com engana-dores, não temos nenhuma promessa de que o Espírito Santo está conosco. A grande promessa vai em outra direção: "'Saiam do meio deles e separem-se', diz o Senhor. 'Não toquem em coisas impuras, e eu os receberei e lhes serei Pai, e vocês serão meus filhos e minhas filhas', diz o Senhor todo-poderoso" (2Co 6.17,18).

         No Novo Testamento apenas em um único lugar, com exceção do Livro de Apocalipse, Deus é chamado de "Senhor todo-poderoso" (2Co 6.18). Se você quer saber que grandes coisas o Senhor pode fazer como Senhor Todo-Poderoso, separe-se do mundo e daqueles que apostatam da verdade. O título "Senhor todo-poderoso" é citado do Antigo Testamento. "El Shaddai", Deus Todo-suficiente, o Deus de muitos ventres. Não conheceremos o poder supremo de Deus para suprir todas nossas necessidades até que cortemos de vez a ligação com tudo que não está de acordo com a mente dele.

         Abrão foi grande quando disse ao rei de Sodoma: "Não aceitarei nada"--, uma veste babilônica ou uma cunha de ouro? Não, não. Ele disse: "Não aceitarei nada do que lhe pertence, nem mesmo um cordão ou uma correia de sandália" (Gn 14.23). Esse foi o "corte pela raiz". O homem de Deus não aceita ter nada com Sodoma nem com a falsa doutrina. Se você vir qualquer coisa má, corte-a pela raiz. Afaste-se daqueles que afastaram a verdade. Então você está preparado para receber a promessa, não antes disso.

         Irmãos amados, lembrem-se, onde houver grande amor, com certeza, haverá grande ciúme. "Amor é tão forte quanto a morte" (Ct 8.6). O que vem em seguida? "O ciúme é tão inflexível quanto a sepultura". "Deus é amor" (1Jo 4.8,16) e exatamente por essa razão "o SENHOR, o seu Deus, é Deus zeloso; é fogo consumidor" (Dt 4.24). Passe longe de tudo que contamina ou entristece o Espírito Santo; pois se ele estiver aborrecido conosco, logo passaremos vergonha diante do inimigo.

         A seguir, observe que ele não faz nenhuma promessa à covardia. Se você permitir que o temor do homem o governe e desejar se salvar do sofrimento ou ridículo, encontra pouco conforto na promessa de Deus: "Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá" (Mt 16.25). As promessas do Espírito Santo para nós, em nossa guerra, são para aqueles que se portam como homens e pela fé são tornados corajosos na hora do conflito. Desejo que cheguemos a esse ponto, desprezando o ridículo e a calúnia.

         Ah, esquecer de si mesmo como aquele mártir italiano de quem Foxe fala! Condenaram-no a ser queimado vivo, e ele ouviu a sentença calmamente. Mas queimar mártires, por mais deleitável que seja também é caro; e o prefeito da cidade não tinha interesse em pagar pela lenha, e os sacerdo-tes que o haviam acusado também queriam fazer o trabalho sem ter despesa. Por isso, tiveram uma briga feia, e lá estava de pé e quieto o pobre homem para quem essa lenha era destinada, ouvindo as mútuas recriminações daquelas autoridades. Vendo que não podiam resolver o assunto, ele disse: "Senhores, acabarei com sua disputa. É pena que qualquer dos senhores precisem gastar tanto com lenha para me queimar, assim, por amor a meu Senhor, pagarei pela lenha que me vai queimar, se me permitem."

         Eis um lindo exemplo de escárnio, bem como de mansidão. Não sei se teria pago aquela conta; mas tenho me sentido inclinado a sair um pouco do caminho para ajudar os inimigos da verdade, para que encontrem combustível para suas críticas contra mim. Sim, sim; serei ainda pior, lhes darei mais para reclamar. Por amor a Cristo, vou até o fim com a controvérsia e nada farei para aquietar a ira deles. Irmãos, se vocês adornarem um pouco, se tentarem salvar um pouco de sua reputação junto aos homens da apostasia, isso é ruim para vocês. Aquele que se envergonha de Cristo e de sua Palavra nesta geração má verá que, no fim, Cristo se envergonha dele.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

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Você tem medo de más notícias? – C. H. Spurgeon





Cristão, você não deve temer a chegada de más notícias; porque, se você está angustiado por elas, o que dizer dos outros homens? Os outros homens não têm o seu Deus a quem recorrer; eles nunca provaram sua fidelidade como você provou, e não é de surpreender que eles estejam ajoelhados com alarma e encolhidos de medo. Mas você professa ser de outro espírito; você foi gerado novamente para uma viva esperança, e seu coração vive no céu, e não nas coisas terrenas.


Pois bem, se você for visto confuso como os outros homens, onde está o valor daquela graça que você professa ter recebido? Onde está a dignidade daquela nova natureza que você alega possuir?


Novamente, se tiver de ficar alarmado, como os outros ficam, você será levado, indubitavelmente, aos pecados tão comuns aos outros sob circunstâncias penosas. Os incrédulos, quando são surpreendidos por más notícias, rebelam-se contra Deus; murmuram e pensam que Deus os trata com aspereza. Você cairá neste mesmo pecado? Você provocará o Senhor como eles fazem?


Além disso, os homens não-convertidos geralmente correm para os meios errados a fim de escapar das dificuldades, e você certamente fará o mesmo se a sua mente ceder à pressão atual. Confie no Senhor e espere pacientemente por Ele. Seu procedimento mais sábio é fazer como Moisés fez no mar Vermelho: "Aquietai-vos e vede o livramento do Senhor." Pois, se você ceder ao medo quando ouvir as más notícias, será incapaz de enfrentar o problema com aquela calma compostura que estimula para o dever e sustenta sob a adversidade.


Como pode você glorificar a Deus, se age como o covarde? Os santos têm muitas vezes cantado os altos louvores de Deus com ardor, mas sua dúvida e desalento, como se não tivesse ninguém para ajudá-lo, exaltaria o Altíssimo? Portanto, tenha coragem, respaldado em segura confiança da fidelidade de seu Deus da aliança, "não se turbe o seu coração, nem se atemorize".

"Não se atemoriza de más notícias." - Salmo 112.7


quinta-feira, 25 de junho de 2015

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Por que as aflições são necessárias? - C. H. Spurgeon


Está perguntando a razão disto, crente? Olhe para cima, para o seu Pai celestial, e contemple-o puro e santo. Sabe que será um dia semelhante a Ele? Que será completamente conformado à sua imagem? Não demandará muito refino na fornalha da aflição para purificar-se? Não será coisa difícil livrar-se das suas corrupções e fazer-se perfeito, assim como seu Pai que está no céu é perfeito?


Em seguida, cristão, volte seus olhos para baixo. Conhece quais são os inimigos que tem embaixo de seus pés? Você uma vez foi servo de Satanás, e nenhum rei deseja perder seus súditos. Acha que Satanás vai deixá-lo em paz? Não, ele quer estar sempre com você, pois "anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar". Cristão, espere, pois, tormentos quando olhar abaixo de si. Então olhe em derredor. Onde está? Está em um país inimigo, como estrangeiro e hóspede, O mundo não é seu amigo.


Se for, então você não é amigo de Deus, pois aquele que é amigo do mundo é inimigo de Deus. Saiba que encontrará homens inimigos em toda parte. Quando dormir, pense estar descansando sobre o campo de batalha; quando caminhar, suspeite de uma emboscada em cada canto. Como se diz que os mosquitos picam mais os estrangeiros do que os nativos, assim as provações da terra serão mais dolorosas para você. Por fim, olhe para dentro de si, em seu próprio coração, e observe o que há. O pecado e o eu estão ainda ali. Ah! se não tem nenhum demônio para tentá-lo, nenhum inimigo a combater, e o mundo não o ilude, ainda assim achará em você mal suficiente para ser um doloroso tormento, pois "enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto" (Jeremias 17.9).



Espere, pois, aborrecimentos, mas não se desespere por causa disto, pois Deus está com você para ajudá-lo e fortalecê-lo. Ele disse: "Na sua angústia eu estarei com ele, livrá-lo-ei e o glorificarei" (Salmo 91.15).

"No mundo, passais por aflições." - João 16.33

quarta-feira, 24 de junho de 2015

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A Família mais problemática do mundo - C. H. Spurgeon


Oh, é possível eu estar aqui nesta manhã, quando penso nos pecados que cometi e nos crimes que cruzaram meus maus pensamentos? Sim, estou aqui, não consumido, porque o Senhor não muda. Oh, se Ele tivesse mudado, seríamos consumidos de uma dúzia de formas diferentes; se o Senhor tivesse mudado, vocês e eu deveríamos ter sido consumidos por nós mesmos; pois, afinal de contas, o "senhor eu" é o pior inimigo que um cristão pode ter. Teríamos sido assassinos de nossas próprias almas; teríamos preparado o copo de veneno para os nossos próprios espíritos, se o Senhor não tivesse sido um Deus imutável e tirado o copo das nossas mãos quando estávamos a ponto de bebê-lo. Então o próprio Deus deveria ter nos consumido se Ele não tivesse sido um deus imutável. Chamamos Deus de "Pai"; mas não há um pai neste mundo que não teria matado todos os seus filhos há muito tempo, caso fosse provocado por eles, ou se tivesse tido metade dos problemas que Deus teve com Seu povo. Ele tem a família mais problemática de todo o mundo incrédula, ingrata, desobediente, esquecida, rebelde, desviada, murmurante e endurecida. Bem, é por que Ele é paciente; senão já teria não só usado a vara, como também a espada contra vários de nós há muito tempo. Devido não haver nenhuma razão para que merecêssemos amor, muito menos existe razão agora.

John Newton contava uma história engraçada e ria disso também, de uma boa senhora que disse a respeito da doutrina da eleição: "Ah senhor, o Senhor deve ter me amado antes que eu nascesse, ou então Ele não teria visto nada em mim para amar depois". Estou certo que isso é verdade em meu caso e também com respeito à maioria dos filhos de Deus; pois existe muito pouco para amar neles depois de nascerem, que, se Ele não os tivesse amado antes disso, Ele não teria visto razão nenhuma para escolhê-los depois; porém, desde que Ele os amou sem terem feito nada, Ele ainda continua amando-os sem obras; desde que suas boas obras não Lhe despertaram a afeição, obras más não podem apagar esse afeto; desde que a retidão deles não ligou o amor dEle a eles, assim a maldade deles não poderá romper os vínculos dourados. Ele os amou segundo Sua graça soberana e ainda os amará. Todavia deveríamos ter sido consumidos pelo diabo e por nossos inimigos - consumidos pelo mundo, por nossos pecados, por nossas tentações e por outras centenas de modos diferentes, se Deus alguma vez tivesse mudado.

Bem, agora o tempo nos é insuficiente e não posso dizer muito mais. Eu abordei este texto apenas superficialmente. Entrego-o agora a vocês. Que o Senhor possa ajudá-los, "os filhos de Jacó", a levarem para casa esta porção de alimento; digiram-na bem e alimentem-se dela. Que o Espírito Santo aplique docemente essas coisas gloriosas que estão escritas aqui! E que vocês possam ter "um banquete de coisas saborosas e de vinhos bem refinados"! Lembrem-se que Deus é o mesmo, não importa o que aconteça. Seus amigos podem ser infiéis, seus pastores podem ser levados embora, tudo pode mudar, mas com Deus isso não acontece. Seus irmãos podem mudar e podem lançar seu nome na lama, porém Deus ainda amará vocês. O quinhão de vocês na vida pode mudar e suas propriedades podem ser perdidas; suas vidas podem ser abaladas e vocês podem ficar fracos e doentes; tudo pode desvanecer - existe um lugar onde as mudanças não podem colocar suas mãos; existe um nome no qual a mutabilidade não estará presente; existe um coração que nunca mudará; é o coração de Deus - esse nome é Amor.


"Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos." - Malaquias 3:6



segunda-feira, 22 de junho de 2015

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Todos os filhos de Deus perseveram até o fim – C. H. Spurgeon

A esperança que enchia o coração do apóstolo Paulo a respeito dos crentes de Corinto, conforme já sabemos, estava repleta de consolação para aqueles que se mostravam temerosos quanto ao futuro dos membros da igreja em Corinto. Por que o apóstolo acreditava que os crentes de Corinto seriam confirmados até ao fim?

Devemos observar que ele apresentou as suas próprias razões.

“Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo”. (1 Coríntios 1.9)

Paulo não disse: “Vós sois fiéis”. A fidelidade do homem é bastante desconfiável; é pura vaidade. O apóstolo também não disse: “Vós tendes ministros fiéis para guiar-vos e instruir-vos. Por isso, creio que estais seguros”. Não! Se somos guardados pelos homens, na realidade nunca seremos guardados. Paulo afirmou: “Deus é fiel”. Se somos fiéis, isto acontece porque Ele é fiel. Toda a nossa salvação descansa na fidelidade de nosso Deus da aliança. Nossa perseverança se fundamenta neste glorioso atributo de Deus. Somos instáveis como o vento, frágeis como a teia de aranha, volúveis como a água.

Não podemos depender de nossas qualidades naturais ou de nossas aquisições espirituais. Mas Deus permanece fiel. Ele é fiel em seu amor: não conhece qualquer variação, nem sombra de mudança. Deus é fiel aos seus propósitos: não começa uma obra e a deixa inacabada. Ele é fiel em seus relacionamentos: como Pai, não abandonará seus filhos; como amigo não negará seu povo; como Criador, não esquecerá a obra de suas mãos. Deus é fiel à sua aliança, que estabeleceu conosco em Cristo Jesus e ratificou com o sangue de seu sacrifício. Deus é fiel ao seu Filho e não permitirá que o sangue dEle tenha sido derramado em vão. Deus é fiel ao seu povo, ao qual Ele prometeu a vida eterna e do qual jamais se afastará.

Esta fidelidade de Deus é o fundamento e a pedra angular de nossa esperança de perseverança até ao final. Os crentes hão de perseverar em santidade, porque Deus se mantém perseverante em graça. Ele persevera em abençoar; por conseguinte, os crentes perseveram em serem abençoados. Deus continua guardando seu povo; conseqüentemente, os crentes continuam guardando os mandamentos dEle. Este é o solo firme e excelente sobre o qual podemos descansar. Portanto, é o favor gratuito e a infinita misericórdia que retinem no alvorecer da salvação; e estes mesmos sinos continuam retinindo melodiosamente durante todo o dia da graça.

Podemos observar que as únicas razões para esperarmos que seremos confirmados até ao fim e que seremos achados inculpáveis se encontram em nosso Deus. Mas nEle estas razões são abundantes.

Primeiramente, elas se fundamentam no que Deus têm feito. Ele decidiu nos abençoar e não retrocederá. Paulo nos recorda que Deus nos chamou “à comunhão de seu Filho, Jesus Cristo”. Deus realmente nos chamou? A chamada não pode ser revertida, “porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11.29). O Senhor jamais retrocede da chamada eficaz de sua graça. Romanos 8.30 diz: “E aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” — esta é a norma invariável do procedimento de Deus. Existe uma chamada comum, sobre a qual as Escrituras dizem: “Muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Mt 22.14). No entanto, a chamada sobre a qual agora estamos pensando é outro tipo de chamada; é uma chamada que prenuncia amor especial e envolve a posse daquilo para o que fomos chamados. Nesse caso, acontece com os chamados o mesmo que ocorreu com a descendência de Abraão, sobre a qual o Senhor declarou: “A quem tomei das extremidades da terra, e chamei dos seus cantos mais remotos, e a quem disse: Tu és o meu servo, eu te escolhi e não te rejeitei” (Is 41.9).

Naquilo que o Senhor fez, temos poderosas razões que nos asseguram nossa preservação e glória futura, porque Ele nos chamou “à comunhão de seu Filho, Jesus Cristo”. Isto significa o companheirismo com o Senhor Jesus Cristo. Desejo que você considere atentamente o que isto significa. Se Deus já o chamou por sua graça, você já veio à comunhão com o Senhor Jesus, para se tornar, juntamente com ele, possuidor de todas as coisas. Então, aos olhos do Altíssimo, você é um com o Senhor Jesus. Os seus pecados foram levados pelo Senhor Jesus, que os carregou sobre Si mesmo, em seu próprio corpo, na cruz, tornando-se maldição em seu lugar. Ao mesmo tempo, o Senhor Jesus tornou-se a sua justiça, de modo que você está justificado nEle.

Assim como Adão é o representante de todos os seus descendentes, assim também o Senhor Jesus é o representante de todos os que estão nEle. Assim como a esposa e o esposo são um, assim também o Senhor Jesus é um com aqueles que, pela fé, estão unidos a Ele; são um por meio de uma união que nunca poderá ser desfeita. E, mais do que isso, os crentes são membros do corpo de Cristo; são um com Ele por meio de uma união de amor, permanente e viva. Deus nos chamou a esta união, esta comunhão e este companheirismo; por essa razão, Ele nos deu o sinal e penhor de que seremos confirmados até ao fim. Se fôssemos considerados como estando separados de Cristo, seríamos criaturas infelizes, destinadas a perecer; logo seríamos destruídos e lançados na eterna perdição. Mas, visto que somos um em Cristo, participamos de sua natureza e possuímos sua vida imortal. Nosso destino está vinculado ao de nosso Senhor; e, como Ele não pode ser destruído, não é possível que venhamos a perecer.

Pense demoradamente nesta união com o Filho de Deus, à qual você foi chamado, porque toda a sua esperança está nesta união. Você nunca será pobre, enquanto Jesus for rico, visto que você está em uma união firme com Ele. A necessidade nunca pode assaltá-lo, porque, juntamente com Ele, que é o Possuidor, você é co-proprietário dos céus e da terra. Você nunca pode falir, pois, embora um dos sócios da firma seja tão pobre como um rato de igreja e em si mesmo esteja em completa ruína, incapacitado de pagar o menor de seus imensos débitos, o outro sócio é excessiva e inconcebivelmente rico. Neste companheirismo, você é levantado a uma posição que supera a depressão dos tempos, as mudanças do futuro e o colapso do fim de todas as coisas. Deus o chamou à comunhão de seu Filho, Jesus Cristo, e por meio desta chamada o colocou no lugar de segurança infalível.


Se você é um verdadeiro crente, é um com o Senhor Jesus e, por isso, está seguro. Você não percebe que tem de ser assim? Se você já foi realmente feito um com o Senhor Jesus, por meio de um ato irrevogável de Deus, então você tem de ser confirmado até ao fim, até ao dia da manifestação dEle. Cristo e o pecador convertido estão no mesmo barco. Se Jesus não pode afundar, o crente também nunca sucumbirá. Jesus tomou seus redimidos e os uniu de tal modo a Si mesmo, que, antes de qualquer outra coisa, Ele tem de ser destruído, vencido e desonrado, para que, então, os seus redimidos sejam injuriados. O Senhor Jesus é o titular da firma, e, até que Ele desonre seu próprio nome, estamos seguros contra todos os temores de falência.



Portanto, com ousada confiança, prossigamos em direção ao futuro que ainda desconhecemos, unidos eternamente a Jesus. Se os homens do mundo perguntam: “Quem é esta que sobe do deserto e que vem encostada ao seu amado?” (Ct 8.5), confessamos com alegria que realmente nos encostamos em Jesus e que pretendemos nos unir a Ele cada vez mais. Nosso Deus fiel é um manancial transbordante de deleites, e nossa comunhão com o Filho de Deus é um rio transbordante de regozijo. Sabendo estas coisas gloriosas, não podemos nos desencorajar. Pelo contrário, clamamos juntamente com o apóstolo: “Quem nos separará... do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”? (Rm 8.35-39).

sábado, 20 de junho de 2015

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O Entretenimento na igreja é uma lepra - C. H. Spurgeon




No final do século XIX, Spurgeon vislumbrou essa tendência de se trazer diversão para dentro da igreja. Na medida em que se alastrava a Controvérsia do Declínio, em 1889, a saúde de Spurgeon se tornava precária, e, por isso, ele deixou de pregar em vários domingos. Mas, em uma quinta-feira à noite, no mês de abril, Spurgeon pregou no Tabernáculo uma mensagem na qual ele afirmou:

“Creio não estar procurando erros onde o erro não existe; mas não consigo abrir os olhos sem ver coisas sendo feitas em nossas igrejas que, há trinta anos, não eram nem sonhadas. Em termos de diversão, os professos têm avançado no caminho do relaxamento. O que é pior, as igrejas agora pensam que sua responsabilidade é entreter as pessoas. Discordantes que costumavam protestar contra a ida a um teatro, agora fazem com que o teatro venha a eles. Muitos [templos de igrejas] não deveriam receber licença para exibir peças teatrais? Se alguém fosse sério em exigir obediência às leis, não teriam de obter uma licença para que suas igrejas funcionassem como teatros?

Tampouco ouso falar a respeito do que tem sido feito nos bazares, jantares beneficentes, etc. Se estes fossem organizados por pessoas mundanas decentes, não poderiam alcançar melhores resultados? Que extravagância ainda não foi experimentada? Que absurdo tem sido grande demais para a consciência daqueles que professam ser filhos de Deus e que não são deste mundo, mas chamados a andar com Deus em uma vida de separação?

O mundo considera as altas pretensões de tais pessoas como hipocrisia; e, de fato, não conheço outro termo melhor para classificá-las. Imaginem aqueles que gostam da comunhão com Deus brincando de tolos, com roupas teatrais! Falam acerca do lutar com Deus na oração em secreto, mas fazem malabarismo com o mundo em uma jogatina irreconciliável. Será que isto está correto? O certo e o errado trocaram de lugar? Sem dúvida, existe uma sobriedade de comportamento que é coerente com a obra da graça no coração, e existe uma leviandade que indica que o espírito maligno está em supremacia.

Ah! senhores, pode ter havido uma época em que os cristãos eram por demais precisos, mas não é assim em meus dias. Pode ter existido uma coisa espantosa chamada rigidez Puritana, mas eu nunca a vi. Agora estamos bem livres desse mal, se é que ele existiu. Já passamos da liberdade para a libertinagem. Ultrapassamos o dúbio e caímos no perigoso, e ninguém pode profetizar onde haveremos de parar. Onde está a santidade da igreja de Deus hoje?... Ela não passa de algo turvo, tal qual um pavio que fumega; é mais um objeto de ridicularização do que de reverência.

Será que o grau de influência de uma igreja não pode ser medido por sua santidade? Se grandes hostes daqueles que professam ser cristãos fossem, quer em sua vida familiar, quer em seus negócios, santificados pelo Espírito, a igreja se tornaria uma grande potência no mundo. Os santos de Deus poderão lamentar juntamente com Jerusalém, ao perceberem que sua espiritualidade e santidade estão em níveis baixíssimos! Outros podem considerar isto como algo que não trará qualquer consequência; porém, nós o vemos como o irromper de uma lepra.” ( Fim da citação )


Eis o desafio para a igreja de Cristo: "Purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus" (2 Co 7.1). Não é a engenhosidade de nossos métodos, nem as técnicas de nosso ministério, nem a perspicácia de nossos sermões que trazem poder ao nosso testemunho. É a obediência a um Deus santo e a fidelidade ao seu justo padrão em nosso viver diário.

Precisamos acordar. O declínio é um lugar perigoso para ficarmos. Não podemos ser indiferentes. Não podemos continuar em nossa busca insensata por prazer e auto-satisfação. Somos chamados a lutar uma batalha espiritual e não poderemos ganhá-la apaziguando o inimigo. Uma igreja fraca precisa se tornar forte, e um mundo necessitado precisa ser confrontado com a mensagem de salvação; e talvez haja pouco tempo para isso. Como Paulo escreveu à igreja em Roma: "Já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto do que quando no princípio cremos. Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz" (Rm 13.11,12).

sexta-feira, 19 de junho de 2015

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Terrível Convicção -Gloriosa Conversão – C. Spurgeon



No verão de 1849 Charles entrou em mais outra escola, esta na cidade de Newmarket. Embora mal tivesse completado a idade de quinze anos, ele não veio apenas como aluno, mas também como um professor de tempo parcial - posição conhecida como de "Monitor".

Não muito longe dele situava-se a grande e transformadora experiência, a sua conversão. Esse evento por muito tempo tem sido do conhecimento comum entre os cristãos evangélicos, muitas vezes narrado do púlpito e relatado em livros e revistas.

Mas esse evento foi precedido por uma longa e amarga convicção de pecado e um anseio pela salvação, fato geralmente não mencionado. Todavia, Spurgeon considerava essa experiência tão importante que, não somente falava dela com freqüência em sua pregação, mas também em sua Autobiografia dedicou um capítulo inteiro a ela.

Além disso, este mestre da descrição parece quase perdido, em sua tentativa de estabelecer palavras suficientemente severas para retratar a agonia que ele sofreu. "Eu preferiria", diz ele, "passar por sete anos da mais debilitante enfermidade, a ter que passar de novo pela terrível descoberta do mal do pecado".

Essa amarga experiência começou quando ele ainda era muito jovem. Como já vimos, ele tinha só três anos de idade quando se distraía com as figuras de O Peregrino, de Bunyan, com o fardo nas costas, e pouco tempo depois ele soube do seu significado - que se tratava de um fardo de pecado. Quando aprendeu a ler, o seu material de leitura era, em grande parte, a Bíblia e as obras de alguns dos grandes escritores puritanos. Ele ouvia com aguda atenção as discussões teológicas, e na época em que ele tinha mais ou menos dez anos de idade, havia adquirido considerável conhecimento da doutrina cristã. Ele era um menino honesto e íntegro, mas tinha visto algo do que o pecado é aos olhos de Deus. Ele sabia que, como o Peregrino, estava levando em seus lombos o medonho fardo, e que ele próprio não podia removê-lo.

Durante uma das suas visitas de verão a seu avô, a passagem das Escrituras um dia falava do "poço do abismo" (VA: "poço sem fundo" (Apocalipse 9:1,2), e Charles tinha inter-rompido, perguntando como poderia existir um lugar "sem fundo". O avô respondeu de algum modo, mas a sua resposta não satisfez o menino, e desse ponto em diante fixou-se em sua mente a certeza de que era possível a uma pessoa não justificada caminhar, eternamente, cada vez mais longe de Deus e de tudo quanto era reto e bom.

Ademais, embora ele soubesse tão bem como qualquer outro que "Cristo morreu por nossos pecados", não via nenhuma aplicação dessa verdade a si próprio. Tentava orar, mas, diz ele: "A única oração completa era: "O Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" O esmagador esplendor da majestade de Deus, a grandeza do Seu poder, a severidade da Sua justiça, o caráter imaculado da Sua santidade, e toda a sua terrível magnificência - essas coisas deixavam minha alma acabrunhada, e eu caía em completa prostração de espírito".

Apesar dos seus muitos esforços, sua convicção de pecado aumentou. Ele conta que, através dos vários anos da sua meninice, ele estava constantemente cônscio das exigências universais da lei de Deus. "Aonde quer que eu fosse", diz ele, "a lei fazia uma exigência aos meus pensamentos, às minhas palavras, ao meu levantar e deitar". E em meio às suas lutas para sobrepujar essa terrível percepção, ele se defrontou com a verdade afim, qual seja, a espiritualidade da lei. Embora ele nunca tenha cometido os pecados da carne, sentia-se culpado deles no espírito, e clamava: "Que esperança tinha eu de evitar uma lei como esta, a qual me cercava por todos os lados com uma atmosfera da qual eu não tinha a mínima possibilidade de escapar!"

Freqüentemente, depois de despertar de uma noite conturbada, ele recorria a livros tais como, Admonition to Unconverted Sinners (Admoestação aos Pecadores Não Convertidos), de Alleine, e Call to the Unconvertedl (Um Chamado aos Incrédulos), de Baxter. Mas as obras que tinham sido tão úteis para outros, só reforçaram o que ele já sabia - que estava perdido e precisava ser salvo. Esses livros o deixaram com um amargo anseio por saber como se poderia receber essa grande salvação, e ele continuava buscando e sofrendo.

No meio dessas circunstâncias, embora raramente ouvisse uma blasfêmia e muito menos a proferisse, todas as maneiras de maldizer Deus e o homem começaram a entrar em sua mente. Isso foi acompanhado por fortes tentações para negar a própria existência de Deus e, por sua vez, estas o levaram a um esforço para dizer a si mesmo que ele se tornara um livre pensador e, virtualmente, um ateu. Ele até insistia em duvidar da sua própria existência, mas todas essas tentativas foram inúteis.

Finalmente ele disse a si mesmo: "Tenho que sentir algo; tenho que fazer algo". Ele gostaria de poder oferecer suas costas para ser açoitado, ou de fazer alguma peregrinação difícil, se por meio de tais esforços pudesse ser salvo. Contudo, admitiu: "Quanto ao ponto mais simples de todos - crer em Cristo crucificado, aceitar Sua obra de salvação, consumada, não ser nada e deixar que Ele seja tudo, não fazer nada, mas confiar no que Ele fez - eu não conseguia apossar-me disso".

Essa penosa busca prosseguiu através dos anos em que ele freqüentou a escola, tanto em Colchester como em Maidstone, e se tornou mais ardente durante o tempo que passou em Newmarket. Como já vimos, seu trabalho acadêmico era sempre excelente, mas ele estava angustiado interiormente. Em anos posteriores, quando rememorou esse período terrível, disse: "Eu achava que seria melhor que eu fosse uma rã ou um sapo, e não um homem. Eu achava que a criatura mais corrupta... era melhor que eu, pois eu tinha pecado contra Deus, o Todo-poderoso".

Depois de ir para Newmarket, ele freqüentou, primeiro uma igreja, depois outra, esperando ouvir algo que o ajudasse a remover o fardo. "Um homem pregou sobre a soberania divina", diz ele, "mas, que era essa sublime verdade para um pobre pecador que queria saber o que ele tinha que fazer para ser salvo? Havia outro homem admirável que sempre pregava sobre a lei, mas, de nada adiantava cuidar de um terreno que ainda precisava ser semeado. Outro era um pregador prático... mas era muito semelhante a um oficial em comando ensinando manobras de guerra a um grupo de homens sem pés... O que eu queria saber era: "Como posso ter perdoados os meus pecados?", e eles não me disseram isso.

Durante o mês de dezembro de 1849, houve uma epidemia de febre na escola de Newmarket. O educandário foi fechado temporariamente, e Charles foi para casa, para Colchester, para estar lá durante o tempo do Natal.

Essa mudança das circunstâncias foi empregada por Deus para levar o jovem inquiridor à salvação. A história da conversão de Spurgeon é amplamente conhecida, mas pode muito bem ser repetida, e não pode ser contada melhor do que com as palavras com as quais ele próprio a apresentou.

Às vezes penso que eu poderia ter continuado nas trevas e no desespero até agora, se não fosse a bondade de Deus em mandar uma nevasca num domingo de manhã, quando eu ia a um certo local de culto. Dobrei uma esquina, e cheguei a uma pequena Igreja Metodista Primitiva. Umas doze ou quinze pessoas estavam ali presentes. Eu tinha ouvido falar dos metodistas primitivos, e que eles cantavam tão alto que davam dor de cabeça às pessoas; mas isso não me importou. Eu queria saber como poderia se salvo.

O ministro não tinha vindo nessa manhã; suponho que foi impedido pela neve. Por fim, um homem muito magro, um sapateiro, ou alfaiate, ou algo do gênero, subiu ao púlpito para pregar. Pois bem, é bom que os pregadores sejam instruídos, mas esse homem era realmente ignorante. Ele foi obrigado a ficar grudado no texto pela simples razão de que tinha muito pouco para dizer. O texto era - "OLHAI PARA MIM, E SEREIS SALVOS, VÓS, TODOS OS TERMOS DA TERRA" (Isaías 45:22).

Ele nem sequer pronunciou corretamente as palavras, mas isso não teve importância. Ali estava, pensei eu, um vislumbre de esperança para mim nesse texto.

O pregador começou assim: "Esta passagem é de fato muito simples. Ela diz: "Olhai". Ora, olhar não custa nada. Ela não manda, levantar o pé ou o dedo; é só "Olhai". Bem, ninguém precisa cursar faculdade para aprender a olhar. Você pode ser o maior tolo, e, todavia, pode olhar. Ninguém precisa ganhar mil (libras) por ano para olhar. Qualquer um pode olhar; até uma criança pode olhar.

Mas depois o texto diz: "Olhai para Mim". "Ai!", disse ele no linguajar comum de Essex, "muitos de vocês ficam olhando para si mesmos, mas não adianta olhar ali. Vocês nunca encontrarão conforto em si mesmos. Alguns dizem que olham para Deus o Pai. Não, olhem para Ele posteriormente. Jesus Cristo diz: "Olhai para Mim". Alguns de vocês dizem: "Temos que esperar pela operação do Espírito". Vocês não têm que fazer nada disso neste momento. Olhem para Cristo. O texto diz: "Olhai para Mim".

Depois o bom homem seguiu o seu texto desta maneira: "Olhai para Afim; eu estou suando grandes gotas de sangue. Olhai para Mim; eu estou pendurado na cruz. Olhai para Mim; eu estou morto e sepultado. Olhai para Mim; ressuscitei. Olhai para Mim; subi ao céu. Olhai para Mim; estou sentado à direita do Pai. O, pobre pecador, olha para Mim). Olha para Mim!"

Tendo conseguido esticar sua fala por uns dez minutos, acabou--lhe a corda. Então ele olhou para mim, embaixo da galeria e, posso dizer, havendo tão poucas pessoas presentes: ele sabia que eu era um estranho.

Fixando seu olhar em mim, como se conhecesse todo o meu coração, disse: "Jovem, você parece estar em miseráveis condições". Bem, eu estava miserável, mas não estava acostumado a ouvir do púlpito observações sobre a minha aparência pessoal. Contudo, foi um golpe certeiro, atingiu o alvo. Ele continuou: "E você estará sempre em miserável situação - miserável na vida e miserável na morte - se não obedecer ao meu texto; mas, se lhe obedecer agora, neste momento, será salvo". A seguir, levantando as mãos, gritou como só um metodista primitivo o poderia fazer: "Jovem, olhe para Jesus Cristo. Olhe! Olhe! Olhe! Você não tem que fazer nada senão olhar e viver!"

De pronto enxerguei o caminho da salvação. Não sei o que mais ele disse - não prestei muita atenção nisso - eu estava por demais possuído por aquele só pensamento.

Eu estivera esperando ter que fazer cinqüenta coisas, mas quando ouvi aquela palavra, "Olhe!", que encantadora palavra me pareceu! Oh, olhei quanto pude, até parecer ter perdido meus olhos!

Ali e naquela hora a nuvem sumiu, as trevas foram embora rolando, e naquele momento eu vi o sol. Eu bem que poderia ter me levantado naquele instante e cantado com o mais entusiasta deles sobre o precioso sangue de Cristo e sobre a fé singela que olha somente para Ele. Oh, se alguém me tivesse dito isto antes: "Crê em Cristo, e serás salvo"! Contudo, tudo isso fora ordenado sabiamente, e agora posso dizer -

"Desde que pela fé as ondas vi,
Supridas por Teu sangue, a escorrer,
O amor que redime, este é meu tema,
E o será até quando eu morrer...".

Que dia feliz, quando encontrei o Salvador e aprendi a agarrar-me aos Seus amados pés, dia jamais esquecido por mim!... Ouvi a Palavra de Deus, e aquele precioso texto me levou à cruz de Cristo. Posso testificar que a alegria daquele dia é totalmente indescritível. Eu podia ter saltado, eu podia ter dançado; não houve, contudo, nenhuma expressão fanática, o que estaria fora da preservação da alegria daquela hora. Muitas ocasiões de experiência cristã têm ocorrido desde aquela, mas nunca houve uma que tivesse aquela hilaridade, o esplendente deleite que aquele dia teve.

Achei que poderia ter saltado do assento em que estava sentado e ter gritado com o mais frenético daqueles irmãos metodistas... "Estou perdoado! Estou perdoado! Um monumento da graça! Um pecador salvo pelo sangue!" Meu espírito viu suas cadeias feitas em pedaços, senti que eu era uma alma emancipada, que eu era um herdeiro do céu, um pecador perdoado, aceito em Jesus Cristo, arrancado do barro imundo e do horrível poço, com meus pés firmados sobre uma rocha e com o meu andar estabelecido...

Entre as dez e meia, hora em que entrei naquela capela, e meio dia e meia, quando estava de volta em casa, que mudança tinha ocorrido em mim! Simplesmente por olhar para Jesus eu tinha sido libertado do desespero, e fui levado a um estado mental tão jubiloso que, quando me viram em casa, disseram-me: "Aconteceu alguma coisa maravilhosa com você", e eu estava ansioso para contar-lhes tudo. Oh, houve alegria naquela casa aquele dia, quando todos ouviram que o filho mais velho tinha encontrado o Salvador e que sabia que fora perdoado"!

A conversão de Spurgeon foi o grande ponto divisor da sua vida. Ele era de fato uma nova criação. O terrível sentimento de pecado, tão longamente experimentado, já se fora, e tudo era novo diante dele.

Contudo, o sofrimento pelo qual ele tinha passado teve um efeito duradouro sobre ele. O reconhecimento do medonho mal do pecado tingiu profundamente sua mente e o levou a detestar a iniqüidade e a amar tudo quanto é santo. A falha dos pregadores que ele ouvira, não apresentando o evangelho, e ao apresentá-lo não o fazendo de maneira franca e direta, fez com que ele, através de todo o seu ministério, dissesse aos pecadores, em todos os sermões, e de maneira a mais franca e compreensível, como serem salvos.

Além disso, essas lições não eram só para o futuro. Tal era seu amor por Cristo que, apesar de ainda estar com apenas quinze anos de idade, não pôde ficar esperando para depois fazer alguma coisa por Ele, mas teve que procurar os meios pelo qual pudesse servi-lo, e servi-lo imediatamente.




 Arnald. A. Dallimore
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