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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

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Elevado demais para a mente carnal! - C. H. Spurgeon




- O SENHOR é a minha porção. (Sl 119.57) -


Observe as suas possessões e compare-as com os bens de seus amigos e contemporâneos. Alguns deles têm o seu viver no campo. São ricos e suas colheitas lhes fornecem aumento de riqueza. Porém, o que significam as colheitas, se comparadas com Deus, que é o Deus da colheita? O que representam os celeiros excessivamente cheios, se comparados ao Deus que alimenta você com o pão do céu? 


Alguns têm o seu negócio na cidade. A riqueza deles é abundante, fluindo até eles proveniente de várias fontes, a ponto de possuírem reservas em ouro. Todavia, o que é o ouro, se comparado com Deus? Você não pode comê-lo. Sua vida espiritual não pode ser sustentada pelo ouro. Aplique-o a um coração desanimado, e observe se o ouro pode cessar um simples gemido ou tornar menor a aflição de alguém. No entanto, em Deus você tem mais do que o ouro ou do que as riquezas podem comprar.



Alguns recebem aplausos e fama. Será que Deus não significa para você mais do que essas coisas? Se você fosse aplaudido por milhares, isto o prepararia para atravessar o Jordão ou o ajudaria a enfrentar o julgamento? Há aflições na vida que a riqueza não pode aliviar. Na hora da morte, existe uma profunda necessidade que nenhuma riqueza pode satisfazer. Em Deus, porém, todas as necessidades são satisfeitas, tanto na vida quanto na morte.



Tendo a Deus como sua porção, você é verdadeiramente rico. Ele suprirá as suas necessidades, confortará o seu coração, aliviará a sua aflição, guiará os seus passos, estará com você no vale escuro e o levará para casa, a fim de que você desfrute dEle para sempre. "Eu tenho muitos bens", disse Esaú (Gênesis 33.9). Esta é a melhor coisa que um homem mundano pode dizer. Todavia, Jacó respondeu: "Deus tem sido generoso para comigo"; isto é muito elevado para a mente carnal entender.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

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Você realmente se alegra em Deus? | C. H. Spurgeon




Tu, que és Rei dos reis e Senhor dos senhores, nós te adoramos.

Perante o trono de esplendor,
Com alegria e louvor,
nós nos prostramos.

Podemos dizer de verdade que nos alegramos em Deus. Houve um tempo em que temíamos a ti, ó Deus, com o temor de um escravo. Agora te reverenciamos, mas tanto quanto te amamos. Pensar em tua onipresença antes era horrível para nós. Dizíamos: "Para onde fugirei da tua face?" (Sl 139.7) e o inferno parecia tornar-se ainda mais pavoroso ao ouvirmos: "Se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também." Porém agora, Senhor, desejamos te encontrar. Ansiamos por sentir a tua presença e é no supremo céu que tu estás. O leito do enfermo se faz macio quando lá estás. O fogo da aflição esfria quando lá estás e a casa de oração torna-se nada menos que a casa de Deus com a tua presença, e é o portão para o próprio céu.

Aproxima-te, Pai nosso, aproxima-te mais dos teus filhos. Alguns de nós somos mui frágeis no corpo e de coração débil. Repousa, ó Deus, tua mão direita sobre nós e dize-nos: "Não temais." Talvez alguns de nós ainda sejam semelhantes ao mundo e por isso somos atraídos por ele. Chega mais perto, Senhor, para pôr fim à influência do mundo com teu poder supremo.

Até a adoração pode não ser fácil para alguns, pois o dragão parece perseguir teus filhos, e a enxurrada que sai da boca dele leva embora a sua devoção. Concede-lhes asas grandes como as da águia, para que cada um possa voar para o lugar preparado para si e descansar na presença de Deus hoje.

Pai nosso, vem agora dar descanso aos teus filhos. Tira o capacete de nossas cabeças, alivia-nos do peso da armadura por um instante, para gozarmos de plena paz, perfeita paz, e termos descanso. Ajuda-nos, Senhor, agora. Como outrora lavaste teu povo na fonte de sangue, tornando-o limpo, lava-nos em água, nesta manhã, da contaminação do pecado. Com uma bacia e com uma toalha, ó Mestre, lava-nos os pés novamente para restaurar-nos o vigor e nos preparar para uma comunhão mais íntima contigo, como os sacerdotes faziam antes de adentrar o santuário.

Senhor Jesus, retira de nós tudo o que possa impedir a comunhão íntima com Deus. Pedimos que removas qualquer desejo ou vontade que seja um empecilho à oração. Tira toda lembrança de tristeza ou preocupação que dificulte a concentração total do nosso amor em Deus. O que temos a ver com os ídolos? Tu nos observas e sabes onde reside nossa dificuldade; ajuda-nos a superá-la, a fim de entrarmos não somente no santuário, mas também no Santo dos santos, onde não nos atreveríamos a entrar se o grandioso Senhor não tivesse rasgado o véu, aspergido a arca da aliança, símbolo da sua presença amorosa, com seu sangue e nos convidado a entrar.

Agora, aproximamo-nos de ti, da luz que brilha entre as asas dos querubins, e falamos contigo como com um amigo. Nosso Deus, a ti pertencemos. E tu pertences a nós. Concentramo-nos no mesmo assunto, estamos ligados pela mesma causa. Tua batalha é também a nossa batalha, e a nossa luta é a tua. Ajuda-nos, te rogamos. Tu, que deste forças a Miguel e seus anjos para expulsarem o dragão e seus anjos, ajuda a nós, que somos só de carne e osso, para que se cumpra em nós a palavra: "O Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás." (Rm 16.20).

Pai nosso, nós somos frágeis. O pior de tudo é que somos mui ímpios, se entregues a nós mesmos, e logo nos tornamos vítimas do inimigo. Por isso carecemos de tua ajuda. Confessamos que, às vezes, quando estamos em oração e mais perto de ti, maus pensamentos nos sobrevêm e desejos impuros. Ah! Que infelizes e tolos nós somos! Ajuda-nos, ó Senhor. Sentimos que agora estamos mais próximos de ti, escondidos sob a sombra das tuas asas. Desejamos nos perder em Deus. Oramos que Cristo viva em nós e se revele em nós e por meio de nós.

Santifica-nos, ó Senhor. Que o teu espírito venha e preencha cada capacidade, contenha cada paixão e use toda a força da nossa natureza para obedecermos a Deus.

Vem, Espírito Santo, nós te conhecemos; muitas vezes nos protegeste. Vem em toda plenitude e toma posse de nós. Diante de ti no santo dos Santos, nossa súplica é por santidade perfeita, consagração completa e purificação total de todo o pecado. Toma os nossos corações, as nossas cabeças, as nossas mãos, os nossos pés e utiliza-os todos para ti. Senhor, toma os nossos bens, não permite que os acumulemos para nós mesmos nem que os gastemos para nós mesmos. Toma os nossos talentos, não deixa que tentemos estudar para termos fama de sábios, mas que cada avanço no conhecimento ainda seja para te servirmos melhor.

Que nossa respiração seja para ti; que cada minuto seja usado para ti. Ajuda-nos a viver ocupados neste mundo como deve ser, pois para isso fomos chamados, e que possamos santificar o mundo para o teu serviço. Que possamos ser pitadas de sal espalhadas na sociedade. Que nosso espírito e comportamento, bem como nossos assuntos de conversa, combinem contigo; que haja uma influência de nossa parte sobre o mundo, que o tenha tornado melhor quando o deixarmos. Ouça-nos, Senhor, nestes pedidos.

E agora que sabemos que nos ouves, pedimos por este pobre mundo em que vivemos. Muitas vezes ficamos assustados com ele, e gostaríamos de não saber nada a seu respeito, para não nos inquietarmos. Ouvimos falar de opressão, roubos e assassinatos e homens que agem como animais selvagens. Senhor, tem misericórdia desta cidade tão imensa e ímpia. O que será de seus milhões de habitantes? O que podemos fazer? Ao menos ajuda cada filho teu a dar o melhor de si. Que nenhum de nós venha a contribuir para o mal, direta ou indiretamente, mas que colaboremos para o Bem.

Temos confiança de poder falar contigo agora sobre isso, pois quando teu servo Abraão esteve diante de ti e conversou contigo com uma maravilhosa intimidade, ele pediu por Sodoma; as- sim também nós pedimos por Londres. Seguindo o exemplo do Pai da Fé, oramos por todas as grandes cidades, e de fato por todas as nações. Que venha o teu reino. Envia a tua luz e a tua verdade. Afugenta o velho dragão do seu trono juntamente com sua corja infernal. Oh, que chegue logo o dia em que sobre toda a terra o Homem-menino, nascido de mulher, governará as nações não com um cajado quebrado, mas com um cetro de ferro, cheio de misericórdia mas também cheio de poder, cheio de graça, mas ainda irresistível. Que o Senhor venha logo! Ansiamos pelo triunfo milenial de sua Palavra.

Enquanto esse dia não vem, Senhor, cinge-nos para a luta, e coloca-nos entre os que "venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram, e mesmo em face da morte, não amaram a própria vida."(Ap 12.11).

Elevamos nossa voz a ti em oração, lembrando também todos os nossos entes queridos. Senhor, derrama a tua bênção sobre os enfermos e cura-os no momento certo para eles. Santifica-lhes tudo o que têm de suportar. Há também amados nossos que estão fracos, alguns mui trêmulos. Abençoa-os. Enquanto a tenda está sendo desarmada, que seu ocupante observe tudo com serena alegria, pois em breve seremos "revestidos da nossa habitação celestial."(2Co 5.2). Senhor, ajuda-nos a nos libertarmos de todas as coisas terrenas. Que vivamos aqui como estrangeiros e não façamos do mundo a nossa morada, mas uma hospedaria onde ceamos e nos alojamos, na expectativa de prosseguir a jornada pela manhã.


Senhor, salva os perdidos, e apresenta-nos, te rogamos, os que dentre eles se converteram mas não confessaram a Cristo. Que a igreja seja edificada por muitos que, tendo crido, são batizados no teu nome sagrado. Pedimos que multipliques os fiéis na terra. Oh, volta novamente os corações dos homens para o evangelho. Teu servo muitas vezes sente o coração pesar por causa dos que se desviam da fé. Traze-os de volta, Senhor; não permitas que Satanás arraste mais nenhuma estrela com sua cauda, mas que os luzeiros de Deus brilhem intensamente. O tu, que andas entre os sete candeeiros de ouro, aponta o pavio, abastece o óleo, e faz a luz brilhar com força e constância. Agora, Senhor, não podemos mais orar embora ainda tenhamos centenas de pedidos. Teu servo não pode mais, mas suplica que recebas esta petição contrita no trono da graça, com esta frase final: oramos no nome de Jesus Cristo, teu Filho. Amém.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

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Cristo morreu por seu povo - C. H. Spurgeon





Quando Cristo morreu por Seu povo na cruz, Ele assumiu todas as conseqüências do pecado dele em Si próprio. Jesus Cristo era o Filho amado de Deus. Mas quando nossos pecados caíram sobre Ele, Ele sentiu que Deus O tinha desamparado, que Ele tinha sido deixado sozinho. Ele clamou: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Mat. 27:46). Não era possível que Jesus Cristo pudesse fruir da presença de Deus quando Ele foi feito pecado por nós. Ele Se encontrava em profundas trevas quando a presença de Seu Pai foi afastada. Não podemos descrever a dimensão incomensurável do sofrimento de Cristo quando Deus fez cair sobre Ele "a iniqüidade de nós todos". A morte é o castigo pelo pecado. Cristo morreu por nós. A Bíblia diz que Cristo, "inclinando a cabeça, rendeu o espírito" (João 19:30); e "... a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz" (Fil. 2:8).


Reflitam agora sobre o que a morte de Cristo significou para nós, Seu povo eleito. Ele pagou nossa dívida. Todas as pessoas pelas quais Ele morreu estão livres. A justiça de Deus está satisfeita. Deus não nos pedirá mais pagamento pelos nossos pecados.


Vamos considerar agora a palavra "nós". "... o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos." Cremos que há um valor infinito na expiação de Cristo. Cremos que, por causa da morte de Cristo, há um convite genuíno a todos os homens: "Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e tua casa" (Atos 16:31). Contudo, devemos crer também que Cristo morreu apenas por aqueles que Deus escolheu, Seu povo eleito. Como seria possível que Cristo fizesse a expiação dos pecados daqueles que nunca creram nEle e que vão para o inferno? Não adianta dizer: "Mas eles não aceitariam a expiação." Pergunto: "A expiação foi satisfatoriamente feita para eles, ou não?" Certamente acontecerá que todos aqueles pelos quais Cristo fez a expiação de fato serão salvos. Ou então a obra de Cristo foi insatisfatória, até que um homem, crendo, lhe dê valor. Isso é inconcebível.


Todo homem que crê em Cristo será salvo. Cristo, pela Sua morte, fez a expiação total por aqueles que crêem. Deus seria injusto se castigasse os crentes quando Eleja castigou Seu próprio Filho pelos pecados de Seu povo. Esta segurança contra o castigo é como uma rocha sobre a qual os cristãos podem se sustentar. É um lugar de repouso seguro para todos aqueles que crêem em Cristo.


Se vocês não crêem em Cristo, devem suportar o castigo por seus próprios pecados. O sangue de Cristo não fez a expiação deles. Vocês rejeitaram o convite de Cristo e perecerão, porque transgre¬diram a lei de Deus e recusaram-se a ser salvos pela cruz de Cristo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

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Por que a verdadeira fé é imortal? | C. H. Spurgeon




Em João 6:47 nosso Senhor disse aos judeus que "Aquele que crê em mim tem a vida eterna". Não precisamos de nenhuma outra passagem além de João 10:28-29: "Dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai que mas deu, é maior que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai".


O Senhor Jesus Cristo irá segurar Seu povo em Suas poderosas mãos. O Pai também irá segurá-lo. Isso deve significar que os santos estão salvos de tudo que tente destruí-los. Portanto os santos estão salvos da apostasia.


Mateus 24:24 é um importante versículo. Fala de falsos cristos e falsos profetas fazendo grandes sinais e prodígios para se possível enganar até os escolhidos. Isto mostra que não é possível para os eleitos de Deus serem enganados. Os servos de Cristo conhecem Sua voz, a voz do Bom Pastor e eles O seguem: "O justo seguirá o seu caminho firmemente".


Outra razão porque os crentes estarão seguros para sempre reside no fato de que Jesus ora por Seu povo. Ele não está morto; ressuscitou e está no céu; Ele intercede ali, continuamente, junto ao Pai por Seu próprio povo. O nome de cada um está escrito em Seu coração. O escritor da carta aos Hebreus diz: "Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Heb. 7:25).


Os filhos de Deus podem ter uma vida muito difícil. Eles podem ser cirandados pra lá e pra cá como farinha numa peneira. Eles podem pecar. Eles podem estar entristecidos. Entretanto as orações do seu Salvador irão impedir que eles percam sua fé. Pedro disse três vezes que não conhecia Cristo. Isso certamente foi pecado; porém seu Senhor e Salvador havia orado ao Pai a favor de Pedro. Ele foi restaurado e testemunhou a outros sobre Cristo, ao invés de negá-lO.


Leia no Evangelho de João, capítulo 17, onde consta a oração do Senhor por Seu povo. Antes de Sua crucificação Ele orou: "Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste..." (João 17:11). Somos muito fracos e se fôssemos deixados sem ajuda perderíamos nossa fé. Todavia, devido Cristo orar por nós, "seguiremos firmemente".

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

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Se há eleitos... há eleição! | C. H. Spurgeon


Ora, se as pessoas são chamadas de eleitas, então deve haver eleição. Se Jesus Cristo e seus apóstolos são acostumados a chamar os crentes pelo título de eleitos, certamente acreditamos que eles o sejam, a menos que o termo nada signifique. Jesus Cristo disse: "Não tivesse o Senhor abreviado aqueles dias, e ninguém se salvaria; mas, por causa dos eleitos que ele escolheu, abreviou tais dias." "Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos." "E ele enviará os anjos e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, da extremidade da terra até à extremidade do céu." (Marcos 13:20, 22, 27) "Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los?" (Lucas 18:7) Em conjunto com mais outras passagens que poderiam ser selecionadas, onde tanto o termo "eleito", ou "escolhido", ou "preordenado", ou "apontado" é mencionado; ou a frase "minhas ovelhas" ou alguma designação similar, mostrando que o povo de Cristo é distinto do resto da humanidade.



Mas vocês têm concordâncias, e eu não vou lhes dar mais problemas com textos. Através das epístolas, os santos são constantemente denominados "os eleitos". Em Colossenses encontramos Paulo dizendo: "... pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia". Quando ele escreve a Tito, ele mesmo se chama, "Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para promover a fé que é dos eleitos de Deus". Pedro diz: "eleitos, segundo a presciência de Deus Pai". E se você vai para João, descobrirá que ele é afeiçoado ao termo. Ele diz: "O presbítero à senhora eleita"; e ele fala da nossa "irmã, a eleita". E sabemos onde isso está escrito: "Aquela que se encontra em Babilônia, também eleita". Eles não se envergonhariam desse termo hoje em dia; não tinham medo de falar disso. Atualmente esse termo tem sido revestido de uma diversidade de sentidos, e as pessoas têm mutilado e estragado a doutrina, e assim transformado-a numa verdadeira doutrina de demônios, tenho que admitir; e muitos do que se chamam crentes, têm que se intitular antinomistas. Não obstante esse fato, por que eu me envergonharia disso, se o homem o corrompe? Amamos a verdade divina tanto na tormenta quanto na bonança. Se há um mártir pelo qual temos amor antes de ele ser torturado, deveríamos amá-lo mais ainda quando ele está livre. Quando a verdade divina é desenvolvida na tribulação, não a chamamos de falsidade. Não a apreciamos para vê-la na tribulação, porque podemos discernir como deveria ser, mutatis mutandis, se ela não tivesse ido para a masmorra e torturada pela crueldade e pelas maquinações humanas. Se você vir a ler algumas das epístolas dos Pais da Igreja, você os descobrirá sempre se referindo ao povo de Deus como "eleito". Realmente, nas conversas do dia a dia, o termo usado entre as igrejas dos cristãos primitivos para uma outra era "eleito". Eles frequentemente usavam o termo para os demais, demonstrando que era geralmente aceito que todo o povo de Deus era manifestamente "eleito".



Mas vamos agora para os versículos que provam a doutrina de modo afirmativo. Abram suas Bíblias em João 15:16, e vejam que Jesus Cristo escolheu seu povo, pelo que diz: "Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda." E no versículo 19: "Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia." E no capítulo 17, versículos 8 e 9: "porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste. É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus".




Vá para Atos 13:48: "Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna." Eles poderiam ter omitido essa passagem, se quisessem, mas ela diz: "destinados para a vida eterna" no original tão patente quanto possível; e não nos importamos sobre os diferentes comentários existentes por aí. Vocês por pouco não precisam ser lembrados de Romanos 8, porque eu acredito que todos já estão bem familiarizados com esse capítulo e atualmente o entendem. Nos versículos 29 e seguintes ele diz: "Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?" Seria desnecessário repetir o contexto do nono capítulo de Romanos. Tão certo quanto aquela [doutrina] se encerra na Bíblia, nenhum homem será capaz de provar o Arminianismo; tão certo quanto aquela [doutrina] está lá escrita, nem as mais violentas deturpações da passagem vão ser capazes de exterminar, das Escrituras, a doutrina da eleição. Permitam-nos ler versos como esses: "E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço." Então leia no versículo 22, "Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão" Então vá para Romanos 11:7: "Que diremos, pois? O que Israel busca, isso não conseguiu; mas a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos" No quinto versículo do mesmo capítulo, lemos: "Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça". Vocês, sem dúvida, vão se lembrar da passagem de I Coríntios 1:26-29: "Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus." Novamente, lembrem-se da passagem de I Tessalonicenses 5:9: "porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo". Então vocês têm meu texto, que creio ser o bastante; mas, se precisam de mais, poderão encontrá-las com mais vagar, se já tiverem removido sua desconfiança de que essa doutrina seja verdadeira.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

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A Caçada! | C. H. Spurgeon



Um pequeno espinho pode causar muito sofrimento. Uma nuvenzinha pode ocultar a luz do sol. Raposinhas destroem vinhas; de modo semelhante, pequenos pecados causam engano ao coração melindroso. 


Os pequenos pecados abrigam-se na alma, deixando-a repleta daquilo que Cristo odeia, de tal modo que Ele não manterá comunhão alegre e intimidade conosco. Um grande pecado não pode destruir um crente, mas um pequeno pecado pode tornar infeliz a vida do crente. Jesus não andará com seu povo, a menos que este povo expulse todo pecado conhecido. Ele disse: "Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço" (João 15.10).


Alguns crentes raramente desfrutam da presença de seu Salvador. Por que isto acontece? Com toda a certeza, estar separado de seu pai é uma grande tristeza para um filho afeiçoado. Você é filho de Deus e mesmo assim tem satisfação em prosseguir sem ver o rosto de seu Pai? Como você pode ser a noiva de Cristo e se contentar em estar sem a comunhão com Ele? Certamente caiu num triste estado, pois a virtuosa esposa de Cristo chora como uma pomba sem seu companheiro, quando este a deixa. Pergunte-se a si mesmo: "O que me afastou de Cristo?"


O mar é composto por gotas e as rochas são compostas por grãos; o mar que separa você de Cristo pode ser cheio das gotas de seus pecados pequenos, e a rocha que quase fez naufragar seu fraco barco pode ter sido feita pelo trabalho diário dos corais de seus pecados pequenos. Se você deseja viver por Cristo, ande com Ele, veja-O, tenha comunhão com Ele, acautele-se das raposinhas que devastam os vinhedos. Nossos vinhedos têm uvas delicadas. O Senhor Jesus o convida a andar com Ele e capturar as raposinhas. Com certeza, Ele, tal como Sansão, as apanhará fácil e imediatamente. Acompanhe-O nesta caçada.


“Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que devastam os vinhedos.” - Cântico dos Cânticos 2.15


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

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Por que um homem vai até Cristo? – C. H. Spurgeon

A Bíblia nos diz que por natureza os homens não são voluntários: "... não quereis vir a mim para terdes vida" (João 5:40). O Senhor Jesus também disse: "Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer" (João 6:40).

Estas passagens do Novo Testamento concordam com nossa passagem do Velho Testamento( “O teu povo se apresentará voluntariamente no dia do teu poder, com santos ornamentos: como vindo do próprio seio da alva, será o orvalho da tua mocidade. " - Salmos 110:3).

Todas elas dizem que o povo de Deus será voluntário no dia do poder de Deus. Pelo fato de nenhum homem ser voluntário por natureza, tem que haver uma obra da graça de Deus no coração de um homem. Somente quando houver esta obra da graça os homens serão voluntários no dia do poder de Deus. O povo de Deus deve ser um povo voluntário. Podemos dizer quem são os filhos de Deus pelo fato de serem voluntários. Prego a muitas pessoas diversas vezes. Falo a elas sobre o inferno. Aviso-as para fugirem dele. Falo a elas sobre Cristo, imploro-lhes que olhem para Cristo para serem salvas. Mas às pessoas não estão dispostas a olhar para Cristo. Ou o dia do poder de Deus ainda não veio ou elas não são o povo de Deus. Seu povo será voluntário no dia do Seu poder. Naquele dia, as pessoas confiarão suas vidas à graça de Deus; confiarão em Cristo que morreu na cruz para salvá-las.

O que tornou essas pessoas voluntárias? A única resposta é que a graça de Deus transformou sua relutância em voluntariedade. Se a vontade do homem é livre para agir certo ou errado, por que as pessoas não se voltam para Deus? A razão é que a vontade do homem não é livre. A graça de Deus deve vir e agir no coração, Somente então um homem será voluntário no dia do poder de Deus.

O povo de Deus deseja ser salvo. Assim, as pessoas desejam trabalhar para Deus. Elas vão voluntariamente à casa de Deus para adorá-lO. Elas dão generosamente quando há necessidade de dinheiro na igreja. Elas servem a Deus de várias formas, com alegria e espontaneidade, no dia do poder de Deus.

Devemos notar o caráter desse povo. Ele "se apresentará voluntariamente no dia do teu poder". Ele "se apresentará voluntariamente... com santos ornamentos". Este povo voluntário estará vestido com santidade. Estará vestido com a justiça, a santidade de Cristo. A graça de Cristo lhe é concedida. O povo de Cristo não tem santidade em si próprio. A santidade que tem lhe é dada por Deus. Deus transforma pecadores em santos. Somente o povo cristão tem verdadeira santidade. O povo de Cristo é um povo voluntário e santo.

As próximas palavras são difíceis de se entender: "...como vindo do próprio seio da alva...". O que elas significam? Algumas pessoas dizem que estas palavras significam que o povo de Deus será voluntário desde o início da vida. A passagem não significa isso. De onde virá o povo de Deus? Como deve ser trazido? Você já viu gotas de orvalho de manhã bem cedo? Há muitas. São belíssimas. De onde vieram? A resposta da natureza é que vieram "do próprio seio da alva". O povo de Deus virá dessa mesma forma. Virá de maneira muito rápida e misteriosa, como se viesse "do próprio seio da alva", como as gostas de orvalho. As gotas de orvalho são algo misterioso. Ninguém realmente sabe como vêm. O povo de Deus também vem misteriosamente. Um pregador pode não ser eloquente ou poderoso. Então, como foram as pessoas convertidas quando este homem pregou? Elas vieram " do próprio seio da alva", misteriosamente. Quem fez as gotas de orvalho? Deus fez a gotas de orvalho. Ele não precisa do homem para ajudá-lO. O povo de Deus é salvo da mesma forma. As pessoas são chamadas por Deus e são trazidas por Deus. Elas são abençoadas por Deus. O povo de Deus vem "do próprio seio da alva".

Vocês já notaram quantas gotas de orvalho há na manhã? Há uma grande quantidade ao mesmo tempo. Todavia tudo é feito silenciosamente. Assim também os filhos de Deus virão "do próprio seio da alva". Nenhuma palavra pode realmente explicar o que isto significa. Vocês podem ficar ao ar livre de manhã cedo, quando o sol está começando a raiar. Os campos estarão brilhando com gotas de orvalho. Vocês perguntarão: "De onde vieram todas essas gotas de orvalho?" A resposta é que vieram "do próprio seio da alva"! Quando muitas pessoas são salvas, quando vocês as vêem vindo de maneira misteriosa e silenciosa, podem compará-las ao orvalho da alva. Vocês perguntam: "De onde vieram essas pessoas remidas?" A resposta é que vieram "do próprio seio da alva."



3. Passemos agora à segunda parte de nosso texto. Na primeira parte, uma promessa foi feita a Cristo sobre Seu povo. Nesta segunda parte, outra promessa é feita a Cristo. "... será o orvalho da tua mocidade". O evangelho é vitorioso porque Cristo tem o orvalho de Sua mocidade. Sempre houve líderes entre os homens. Quando esses líderes eram jovens e fortes, inspiravam os homens com coragem. Então esses líderes envelhecem. Quando estão velhos, não podem mais liderar os homens nas batalhas. O mesmo não acontece com Jesus Cristo. Ele ainda tem o orvalho de Sua mocidade. "Jesus Cristo ontem e hoje é o mesmo, e o será para sempre" (Heb. 13:8). Ele nunca envelhecerá. Nosso líder sempre é um Cristo jovem. Cristo era "sobre todos, Deus bendito para todo o sempre" (Rom. 9:5) em Sua mocidade. Cristo foi então revestido do poder onipotente de Deus. Ele é o mesmo agora. Ele sempre terá o orvalho de Sua mocidade.
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