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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

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C. H. Spurgeon - O Arminianismo e a Evangelização





Spurgeon não acreditava na existência de um evangelho que de algum modo possa ser desligado da estrutura geral da teologia bíblica. Ele entendia que a verdade completa tem lugar na evangelização. Mas o que provavelmente deve ser questionado em função das declarações acima, tão distantes da nossa moderna concepção da obra evangelística, é se, afinal, o evangelho pode ser pregado com base numa doutrina como esta. Deve-se admitir desde logo que, se por evangelho queremos dizer que Cristo morreu por todos, que Deus "respeita o dom do livre-arbítrio dado por Ele", e que "uma decisão por Cristo" é o nó da questão da salvação, tal evangelho não é reconhecível nos sermões de Spurgeon. Entretanto, ele expunha incessantemente a grandeza do amor de Cristo pelos pecadores, a gratuidade do Seu perdão e a eficácia da Sua expiação; e procurava persuadir e exortar todos a arrepender-se e a crer em tal Salvador. O ponto em que ele divergia do hipercalvinismo e do arminianismo é que ele se negava a racionalizar sobre como é possível ordenar aos homens que façam o que não está em seu poder.



“A mesma dificuldade é levantada quando se indaga: como é que os homens podem ser responsáveis se perecem em pecado, se só a graça pode impedir tal fim? "Diz alguém : "Mas eu não entendo esta doutrina". Talvez não, porém lembre-se de que, conquanto seja nossa obrigação dizer-lhe a verdade, não é nossa obrigação dar-lhe o poder de entendê-la; e, além disso, este não é um assunto para entender, e sim para crer, porque é revelado na Palavra de Deus. É um dos axiomas da teologia que, se o homem se perder, não se deve culpar a Deus por isso; e é também um axioma da teologia que, se o homem é salvo, a Deus cabe toda a glória disso."



Os arminianos dizem que os pecadores recebem ordem para fazê-lo e que, portanto, têm que ser capazes de fazê-lo; os hipercalvinistas dizem que os pecadores não são capazes disso e, portanto, não podem receber ordem para que o façam. Mas as Escrituras e o calvinismo expõem as duas verdades: a incapacidade do homem e o seu dever, e ambas constituem uma parte indispensável da evangelização - a primeira revela a necessidade que o pecador tem de uma ajuda que só Deus pode dar, e a segunda, que é expressa em exortações, promessas e convites das Escrituras, mostra-lhe o lugar em que a paz e a segurança estão, a saber, na Pessoa do Filho de Deus.

O fato de que a regeneração é obra de Deus certamente nos proíbe dizer aos homens que eles podem nascer de novo no momento escolhido por eles ou pelo pregador, porém isso não impede o evangelista de fazer o seu verdadeiro trabalho, que é mostrar aos homens que eles só podem ser salvos pela graça, por meio da fé, e que a confiança em Cristo é o caminho da paz com Deus. Por mais longe que esteja da capacidade da razão conciliar a ordem aos pecadores para crerem no Filho de Deus para a salvação com a verdade segundo a qual somente a graça pode capacitá-los a isso, não há conflito entre as duas coisas nas Escrituras. Spurgeon tomava essas duas coisas, o dever do homem de crer e a sua pecaminosa incapacidade para cumpri-lo, e as utilizava como as duas mandíbulas de um torno para agarrar a consciência do pecador. Vejam o seguinte exemplo:



"Deus pede que você que creia que, por meio do sangue de Jesus Cristo, Ele pode continuar sendo justo e ainda ser o justificador do ímpio. Ele requer que você confie em Cristo para ser salvo. Acaso você pode esperar que Ele o salve se não confiar nEle? Saiba que a coisa mais razoável do mundo é Ele exigir de você que creia em Cristo. E é isto que Ele exige de você nesta manhã: "Arrependa-se, e creia no evangelho". O amigo, ó amigo, como é triste, como é triste o estado da alma do homem que não quer fazer isso! Podemos pregar-lhe, mas você não quer nunca arrepender-se e crer no evangelho. Podemos meter as ordens de Deus como um machado na raiz da árvore, mas, apesar de razoáveis como são essas ordens, você se recusa a dar a Deus o que Lhe é devido; você quer continuar em seus pecados; não quer vir a Ele para ter vida; e é neste ponto, no dia do Seu poder, que o Espírito de Deus precisa entrar em ação na alma dos eleitos para fazê-los crer. No entanto, em nome de Deus eu o advirto de que, se depois de ouvir este mandado você continuar a recusar obediência a este evangelho tão razoável, como sei que fará sem o Espírito de Deus, verá no fim que o evangelho será mais tolerável para Sodoma e Gomorra do que para você; pois, se as coisas que são pregadas em Londres tivessem sido pregadas em Sodoma e Gomorra, há muito tempo aquela gente teria se arrependido e se teria posto em pano de saco e em cinza. "Ai de vocês, habitantes de Londres!"



Mas ele não abandona os pecadores nesse ponto. Ouçam a maneira pela qual ele conclui o sermão que acabei de citar. Com um grandioso crescendo da verdade, ele veio atacando a consciência dos incrédulos de todas as direções e agora, numa agonia de zeloso fervor, chega a esta tremenda conclusão: "Responsabilizo vocês pelo Deus vivo, responsabilizo vocês pelo Redentor do mundo, responsabilizo vocês pela cruz do Calvário, e pelo sangue que deixou suas marcas no pó do Calvário, obedeçam a esta mensagem divina, e terão a vida eterna; porém, recusem-na, e sobre as suas cabeças estará o sangue de vocês para todo o sempre!"



Além disso, ele não somente exortava os pecadores, mas também freqüentemente falava diretamente a eles. Numa linguagem que parece muitíssimo distante da presente fórmula para encerramento de uma mensagem evangelística, ele aconselhava os homens sobre como buscar a Cristo: "Antes de saírem deste local", diz ele numa tal ocasião, "soprem anelantes uma fervorosa oração a Deus, dizendo: "Ó Deus, sê misericordioso para comigo, pecador que sou. Senhor, preciso ser salvo. Salva-me. Clamo por Teu nome". Juntem-se a mim em oração neste momento, eu lhes imploro. Juntem-se a mim enquanto eu ponho na boca de vocês, e digam-nas por si mesmos - "Senhor, sou culpado, mereço Tua ira. Senhor, eu não posso salvar-me a mim mesmo. Senhor, quero ter um novo coração e um espírito reto, mas, que posso fazer? Senhor, não posso fazer nada; Senhor, por Tua boa vontade, vem e opera em mim o querer e o efetuar.
Só Tu tens poder, bem sei, Para salvar este mísero ser; Para quem ou para onde fugirei, Se de Ti eu correr?


"Mas agora, do fundo do meu coração clamo a Ti, ó Senhor. Confio no sangue e na justiça do Teu amado Filho... Senhor, salva-me esta noite, pelo amor de Jesus".


Outros versos que ele utilizava para dirigir-se aos pecadores era a seguinte estrofe de Charles Wesley:


O íntimo de minh'alma muda,
ó Deus; No fundo do meu tenso coração
Imprime valores eternos;
Dá-me sentir o seu solene peso,
E a tremer em face do destino,
 Desperta-me para a Tua justiça!


Dessa maneira as almas anelantes eram dirigidas a Deus somente, e, embora se esperasse que os membros do Tabernáculo estivessem sempre procurando aqueles que necessitavam de ajuda espiritual, não se requeria nenhum sinal externo dos interessados. É justamente nesse ponto, Spurgeon sabia, que o arminianismo faz estrago chamando a atenção para a ação humana, em vez de para a divina. "Não se abale", ele costumava dizer, "confie em Jesus". "Eu gostaria de ir à sala de perguntas." Imagino que sim, mas não queremos fomentar nenhuma superstição popular. Tememos que nessas salas os homens são induzidos a uma confiança fictícia. Muito poucos são os pretensos convertidos em salas de perguntas que se saem bem. Vá diretamente a seu Deus, aí mesmo onde você está. Lance-se aos cuidados de Cristo, agora, imediatamente, sem se mover uma polegada!" Essas palavras foram proferidas antes da sala de perguntas desenvolver-se chegando ao sistema moderno de apelos e decisões; com que tristeza Spurgeon veria esse desenvolvimento não é difícil imaginar. Ele sabia que tão logo tais coisas se tornassem parte da evangelização, os homens depressa começariam a imaginar que podem salvar-se por fazerem certas coisas, ou que essas coisas ao menos os ajudam a salvar-se - "Deus não designou salvação por meio de salas de perguntas" torna-se uma advertência recorrente em seus últimos sermões.


O homem estabeleceu uma conexão entre vir à frente após um apelo e "vir a Cristo", porém Spurgeon teria repudiado vigorosamente qualquer conexão desse tipo. Não somente esse método evangelístico inexiste nas Escrituras, mas também ele vicia o que as Escrituras ensinam sobre como vir a Cristo:


 "É um movimento do coração rumo a Ele, não um movimento dos pés, pois muitos vieram a Ele no corpo, e, contudo, nunca vieram a Ele em verdade ... a vinda aqui referida é realizada por desejo, oração, assentimento, confiança, obediência". 


Além disso, Spurgeon tinha bastante experiência da poderosa obra do Espírito para saber que a suposta utilidade desses adendos humanos à pregação do evangelho não os justifica; o homem genuinamente convencido pela verdade pode muito bem ser o último a desejar pôr em prática as ações públicas que um "apelo" lhe imporia: "Na maior parte, uma consciência ferida, como uma corça ferida, só se contenta em ficar sozinha para poder sangrar secretamente. É muito difícil pegar um homem que está sob convicção de pecado; ele se recolhe tão fundo dentro de si mesmo que é impossível segui-lo.


A prática levada a efeito no Tabernáculo estava inteiramente em harmonia com estas conexões. No fim dos cultos a congregação de 5.000 pessoas era induzida a inclinar-se em solene serenidade, sem nenhum órgão ou outra música para romper o silêncio, e depois os membros da igreja estavam prontos para falar com quaisquer estranhos que acaso estivessem sentados por perto e desejassem ajuda.


Essas considerações sobre como o arminianismo afeta a apresentação do evangelho levam-nos à razão final pela qual o ensino necessariamente deve ser considerado de maneira séria. E porque esse tipo de evangelização, onde quer que prevaleça, tem a inevitável tendência de produzir uma perigosa superficialidade religiosa.


O arminianismo, devido passar por alto, como já vimos, a contundente verdade de que toda a experiência salvadora tem que começar pela regeneração, e por implicar que os homens chegam à fé e ao arrependimento sem a direta e anterior obra do Espírito Santo, estabelece um modelo de conversão que é inferior ao modelo bíblico. Sob a pregação arminiana o pecador é instruído no sentido de que deve começar a obra tornando-se desejoso, e Deus a completará; ele deve fazer o que pode, e Deus fará o resto. Logo, se for tomada uma "firme decisão por Cristo", a pessoa é imediatamente aconselhada a confiar em que a obra divina também foi realizada, e a considerar textos como João 1:12 como descritivos do seu caso. Todavia a verdade é que o arminianismo erigiu um modelo de conversão que é sub-bíblico e que pessoas não regeneradas podem alcançar. Apresentando o arrependimento e a fé como algo possível aos homens não renovados, ele abre o caminho para uma experiência na qual a vontade própria do pecador, e não o poder de Deus, pode ser a principal característica. As Escrituras apresentam em toda parte a vontade e o poder de Deus em primeiro lugar, não em segundo, na salvação, e um ensino que promete que a vontade de Deus deve seguir a nossa pode ter o efeito de fazer os homens confiarem numa ilusão - uma experiência que absolutamente não é a salvação. E contra essa ilusão que as Escrituras nos advertem muitas vezes. E a premência da advertência surge em parte do fato de haver uma "fé" que pode ser exercida por homens não regenerados e cujo exercício pode até levar a pessoa a sentir gozo e paz. Mas o arminianismo, em vez de acautelar os homens contra esse perigo, inevitavelmente o estimula, pois lança os homens, não aos cuidados de Deus, e sim aos cuidados dos seus próprios atos. A impressão distintivamente dada ao ouvinte do evangelho é que a escolha não é de Deus, mas do referido ouvinte, e que este é capaz, ali e nessa ocasião, de decidir a hora do seu renascimento.



Por exemplo, um opúsculo de grande circulação na evangelização estudantil na atualidade formula "Três passos simples" para se tornar cristão: primeiro, reconhecimento pessoal do pecado, e, segundo, fé pessoal na obra substitutiva de Cristo. Esses dois passos são descritos como preliminares, mas "o terceiro (é) tão final que dá-lo me fará cristão.... Tenho que vir a Cristo e reivindicar a minha participação pessoal naquilo que Ele fez por todos". Esse terceiro passo, absolutamente decisivo, fica comigo, Cristo "espera pacientemente até eu abrir a porta. Então Ele entra...". Uma vez tendo feito isso, imediatamente posso considerar-me cristão. O aconselhamento continua: "Conte a alguém hoje o que você fez".

Nessa base, o homem pode fazer profissão de fé sem nunca ter prejudicada a sua confiança em sua própria capacidade; nada lhe é dito sobre a sua necessidade de mudança da natureza que não está dentro do seu poder, e, conseqüentemente, se ele não experimentar essa mudança radical, ele não sofrerá consternação. Nunca lhe foi dito que isso é essencial, e por isso ele não vê razão para duvidar de que é cristão. Na verdade, o ensino sob cuja influência ele se colocou milita coerentemente contra o surgimento de tais dúvidas. Freqüentemente se diz que o homem que tomou uma decisão com pouca evidência de uma vida transformada pode ser um cristão "carnal", necessitado de instrução sobre a santidade, ou, se o mesmo indivíduo for perdendo aos poucos os seus interesses recém-encontrados, freqüentemente a culpa é atribuída à falta de "acompanhamento", ou de oração, ou a alguma outra deficiência por parte da igreja. A possibilidade de que esses sinais de mundanismo e de extravio sejam decorrentes da ausência de uma experiência salvadora no começo raramente é considerada; se esse ponto fosse encarado, todo o sistema de apelos, decisões e aconselhamento entraria em colapso, porque se colocaria em primeira plana o fato de que a mudança da natureza não está no poder do homem, e que leva muito mais tempo do que algumas horas ou alguns dias para estabelecer se a declarada resposta ao evangelho é genuína. Mas, em vez de encarar isso, declara-se que duvidar de que um homem que "aceitou a Cristo" é cristão equivale a duvidar da Palavra de Deus, e que abandonar os "apelos" e seus adjuntos é desistir completamente da evangelização. Que tais coisas podem ser ditas é uma trágica prova da extensão em que o modelo arminiano de conversão chegou a ser considerado como o modelo bíblico. Tanto assim que, se alguém faz objeção ao uso de expressões antibíblicas como "aceite a Cristo", "abra o coração para Cristo", "deixe que o Espírito Santo salve você", isso geralmente é considerado como mera contestação de palavras.



Spurgeon viu o arminianismo como um afastamento da pureza da evangelização neotestamentária e vê-se que, ao afirmar que a superficialidade religiosa é uma das suas conseqüências subordinadas, ele percebeu o que veio a se tornar tão característico do movimento evangélico moderno. O que o alarmava era que estava desaparecendo a ênfase à necessidade da ação do Espírito e que a longa caudal da conversão estava cedendo lugar a uma atividade apressada. "Vocês sabem", perguntou ele num sermão intitulado "Semeada entre Espinhos", pregado não muito tempo antes da sua morte, "por que tantos cristãos professos são como o terreno cheio de espinhos? É porque têm sido omitidos processos que teriam ido muito mais longe para alterar a condição das coisas. Era dever do dono arrancar os espinheiros ou queimá-los ali mesmo. Há anos, quando as pessoas eram convertidas, esse tipo de coisa era utilizada como meio para a convicção de pecado. O grande e penetrante arado das angústias da alma era utilizado para dilacerar fundo a alma. O fogo também queimava na mente com fortíssimo calor: os homens viam o pecado, sentiam seus resultados terríveis, e o amor ao pecado era queimado e eliminado deles. Mas agora nos dão de comer bazófias de salvações rápidas. Quanto a mim, acredito em conversões instantâneas, e me alegro ao vê-las; mas fico mais contente ainda quando vejo uma completa obra da graça, um profundo sentimento de pecado e um eficaz ferimento feito pela lei. Jamais nos livraremos dos espinhos com arados que raspam a superfície...".

Junto com um rebaixado modelo de conversão veio uma rebaixada concepção da real natureza da experiência cristã, e Spurgeon viu consternado o abandono da aplicação de penetrantes testes bíblicos que deveriam ser aplicados aos que professavam conversão. "Tenho ouvido jovens dizerem: "Sei que estou salvo, porque me sinto tão feliz!" Não se fiem nisso. Muitos se consideram muito felizes, e, todavia, não estão salvos. Sentimento de paz ele não considerava como sinal seguro de conversão veraz. Comentando o versículo, "O Senhor mata e faz viver; ele fere, e suas mãos curam" (cf. Deut. 32;39 e Jó 5:18), ele pergunta: "Mas, como poderá Ele fazer viver os que nunca foram mortos? Vocês, que nunca foram feridos, vocês, que esta noite estão sentados aqui e sorriem em sua tranqüilidade, que é que a misericórdia pode fazer por vocês? Não se congratulem por sua paz". Há uma paz do diabo bem como a paz de Deus. Em todo o seu ministério Spurgeon advertia os homens desse perigo, mas nalguns dos seus derradeiros sermões esta nota de alarme é cada vez mais urgente. Num desses sermões, intitulado "Curados ou Iludidos? Qual?", pregado em 1882, Spurgeon fala do grande número de pessoas enganadas por uma falsa cura. Este pode ser até o caso, ele mostra, daqueles que passaram por um período de ansiedade espiritual: "Convencidos de que precisam de cura, e em certa medida levados a estar ansiosos por encontrá-la, o perigo que correm os despertados é que repousem contentes com uma cura aparente, e percam a verdadeira obra da graça. Estamos perigosamente sujeitos a descansar satisfeitos com uma cura ligeira e, com isso, a perder a grande e completa salvação que só de Deus provém. Desejo falar com o mais zeloso ardor a cada um dos aqui presentes sobre este assunto, pois sinto em minha própria alma a força disso. Para entregar esta mensagem fiz um esforço desesperado, deixando meu leito de enfermidade sem a devida permissão, movido por um perturbador anseio de adverti-los contra as imitações dos dias atuais".




Onde quer que o arminianismo se torne a teologia predominante, a verdadeira religião, para ser promovida, se vê forçada a degenerar, decaindo a uma condição de falsa segurança. Separando a necessidade que o pecador tem de crer da sua necessidade de regeneração, o arminianismo deixa nos fundos o fato de que "a mudança do coração é o cerne e a essência da salvação". É inevitável que ele não dê proeminência a esta última verdade porque ninguém pode fazer com que a sua natureza se divorcie para sempre do amor e do domínio do pecado, e a regeneração não significa nada menos que isso. Ao contrário disso, o arminiamismo descreve a regeneração como algo que está dentro do alcance da escolha do homem, ou como algo que acompanhará a sua decisão, e, ao fazer isso, sua tendência é levar os homens a imaginarem que o novo nascimento é algo inferior ao que de fato é. "A sua regeneração", Spurgeon costumava dizer, "não se deveu à vontade do homem, nem do sangue, nem do berço; se fosse, então deixem que lhes diga, quanto mais cedo vocês se livrassem dela, melhor. A única regeneração verdadeira é da vontade de Deus e pela operação do Espírito Santo."


Iain Murray




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Perfeição Na Fé | Sermão | C. H .Spurgeon




Sermão nº 232. Um sermão proferido na noite de domingo, 02 de janeiro de 1859, por C. H. Spurgeon, na New Park Street Chapel, Southwark.



quinta-feira, 22 de setembro de 2016

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Passos de misericórdia.



( Devocional feito baseado no Sermão nº 905 de C. H. Spurgeon).


“Se com ele, pois, houver um mensageiro, um intérprete, um entre milhares, para declarar ao homem a sua retidão, Então terá misericórdia dele, e lhe dirá: Livra-o, para que não desça à cova; já achei resgate.” - Jó 33: 23-24


Jesus Cristo é realmente um intérprete abençoado. Um intérprete deve entender duas línguas. Nosso Senhor Jesus entende a linguagem de Deus.
Sejam quais forem as grandes verdades da inteligência divina e da infinita sabedoria, muito alta e misteriosa para nós compreendermos ou mesmo discernirmos, Cristo a entende totalmente.


Ele sabe como falar com Deus como o companheiro de Deus Pai, co-igual e co-eterno com Ele. Suas orações são na linguagem de Deus. Ele fala ao coração de Deus. Ele pode tomar os suspiros, gritos e lágrimas de um pobre pecador, e pode assumir o significado perfeito deles, e interpretá-los total e perfeitamente  a Deus.


Ele entende a linguagem divina e, portanto, ele pode se comunicar com Deus. Além disso, Jesus entende a nossa língua, pois ele é um homem como nós, e pode se "compadecer das nossas fraquezas", e sofrer sob as nossas enfermidades.

Ele pode ler o que está no coração do homem, e por isso ele pode dizer a Deus a língua do homem e falar ao homem na linguagem do homem o que Deus diria a ele.


Quão felizes devemos ser por termos tão abençoado interlocutor para pôr a mão sobre ambos – nós e Deus Pai, - que ele possa ser igual a Deus e ainda possa ser irmão com homens pobres e simples mortais como nós!


O melhor de tudo é que nosso Senhor é um intérprete de tal forma que ele não só pode interpretar para o ouvido, mas também para o coração, e isso é um grande ponto. Eu, talvez, possa ser habilitado para interpretar a Escritura para os teus ouvidos, mas quando você ouvir, você pode perder o significado certo, celestial e espiritual. Mas nosso Senhor pode trazer a palavra para casa da tua alma. Ele pode lhe falar da misericórdia de Deus não só em palavras, mas com uma sensação doce de misericórdia derramado em seu coração. Ele pode fazer o pecador sentir o caminho da salvação, bem como o sabemos; ele pode fazê-lo se alegrar nele, bem como ouvi-lo. Oh, abençoado intérprete!


MEDITE:
Na Glória do único mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem (1 Timóteo 2: 5), que é perfeitamente qualificado para esse papel por seu exclusivo conhecimento duplo, tanto de Deus (Mateus 11:27; João 07:29 ; 08:55; 10:15; 17:25), como do homem (Mateus 9: 4; 00:25; Marcos 12:15; Lucas 6: 8; João 2:25; 21:17). Em conhecê-Lo,  conhecemos e vemos o Pai (João 14: 7).

Sugestões de leitura adicional: Hebreus 4: 14-5: 10

Josemar Bessa.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

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Onde tudo começa! | C. H. Spurgeon



20 de fevereiro (Pregado em 21 de fevereiro de 1858)

"Guarda o teu coração com toda a diligência; porque dele procedem as fontes da vida. " - Provérbios 4:23


Se eu tivesse que moldar minhas palavras hoje por um modelo altivo,  eu deveria, esta manhã,  comparar o coração humano com a antiga cidade de Tebas, de cujos cem portões multidões de guerreiros estavam acostumados a marchar.


Como era a cidade, tais eram os seus exércitos. Como era seu interior e força, tais eram aqueles que saíam dela. Eu poderia então instar a necessidade de manter o coração, porque é a metrópole de nossa humanidade, a cidadela e arsenal de nossa humanidade.


Deixe a fortaleza se render ao inimigo, suas filosofias... e a ocupação de todo o resto será uma tarefa fácil. Deixe o principal reduto ser possuído pelo mal, e toda a terra apenas será uma expressão dele.


Em vez disso, no entanto, de fazer desse modo, vou tentar, o que possivelmente eu posso ser capaz de realizar, por uma metáfora humilde e uma figura simples e de fácil compreensão,  tentar estabelecer a doutrina do sábio.


Todos os  problemas de nossa vida fluem a partir do coração, e, portanto, eu me esforço para mostrar a necessidade absoluta de manter o coração com toda a diligência. Você já viu os grandes reservatórios estabelecidos e guardades pelas nossas empresas de água, a partir dos quais a água que é fornecida nesta cidade chega a milhares e milhares de casas? Agora, o coração é apenas o reservatório do homem, aquilo que o homem realmente é, e nossa vida é abastecida todo o tempo do que vem deste grande reservatório. Então a vida que flui dele, flui através de diferentes canos... a mão, o olho, os lábios... tudo tem sua origem a partir da grande fonte e reservatório central, o coração; e, portanto, não há dificuldade em mostrar a grande necessidade que existe de se manter o reservatório a todo instante... manter o coração em um estado e condição adequada segundo o padrão da Palavra de Deus, pois caso contrário, o que flui através dos canos deve ser maculado e totalmente corrupto. Será apenas uma mera expressão da cultura que nos rodeia.


MEDITE: Deus é o único que conhece a maldade natural de nossos corações: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” - Jeremias 17: 9.


Deus é o único que pode renová-los: “Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.” -  Ezequiel 36: 25-26.


Deus e o único que pode produzir algo bom nele e fazer fluir  dele:  “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba.  Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.” – João 7.38.

Sugestões de leitura adicional: Mateus 12: 33-37

Extraído do Sermão nº 179
Tradução: josemarbessa.com


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

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Paz espiritual – C. H. Spurgeon



19 de fevereiro (1860)

" Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou” - João 14:27


Se você deseja manter a paz ininterrupta, Se você deseja manter a sua paz contínua, sempre olhe apenas para o sacrifício de Cristo. Nunca permita que seus olhos se voltem para qualquer coisa, mas Jesus.


Quando você se arrepender, estiver com o coração contrito, mantenha ainda seus olhos na cruz; quando você trabalhar, trabalhe na força do Crucificado.


Tudo que você fizer, seja auto-exame, jejum, meditação ou oração, faça tudo sob a sombra da cruz de Jesus; ou de outra forma, não importa como você viva, sua paz vai se esvair, e quando menos você imaginar; você vai estar cheio de inquietação e de angústia dolorida. Vive perto da cruz e sua paz será contínua.


Outro conselho. Ande humildemente com o teu Deus. A paz é uma jóia; Deus coloca em seu dedo; é um dom, um presente. Se  orgulhe disso, e Ele vai tirá-la novamente. A paz é uma peça de vestuário nobre; orgulhe-se de seu vestido, e Deus vai tirar isso de você.


Lembre-se sempre da caverna,  do poço onde você estava enterrado, a pedreira da natureza bruta de onde foste talhado... e quando você tiver sobre a sua cabeça a coroa brilhante de paz, lembre-se seus pés negros; ou melhor, mesmo quando a coroa estiver lá, cubra e seu rosto ainda com as “duas asas”, o sangue e justiça de Jesus Cristo. Desta forma deve ser mantida a sua paz. E, novamente, ande em santidade, evite toda a aparência do mal. "Não vos conformeis com este mundo." Levante-se para a verdade e retidão diante do mundo. Não permita que as máximas dos homens possam influenciar seu julgamento sobre nada em meio a cultura alienada de Deus em que você vive. Busque o Espírito Santo para que você possa viver como Cristo, e viver perto de Cristo, e sua paz não jamais será interrompida.


MEDITAÇÃO: O cristão tem paz permanente com Deus: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” – Rom 5.1

A paz no poder de Cristo no coração não é suposto para ser um extra opcional: “E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos.” – Col 3.15

Leitura adicional – Efésios 2.11-21

Extraído do Sermão  Nº 300

Tradução:josemarbessa.com

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

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Se deleitando no vale da humilhação! | C. H. Spurgeon


"As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem." João 10:27


Que doce música existe para nós no nome que é dado a nosso Senhor Jesus Cristo: “O bom pastor"! Ele não só descreve o cargo que ocupa, mas estabelece a simpatia que sente, ele mostra a aptidão e a responsabilidade que ele carrega para promover o nosso bem-estar.


E se as ovelhas são fracas, ainda é forte o pastor para proteger seu rebanho do lobo rondando ou o leão que ruge. Se as ovelhas sofrem privações porque o solo é estéril, o pastor é capaz de levá-las a um pasto adequado para elas.


Se eles são tolas em si mesmas, Ele vai adiante delas, incentivando com a sua voz e as governa com a vara de seu comando. Não pode haver um rebanho sem pastor; nem há um pastor verdadeiramente sem um rebanho. Os dois devem ir juntos. Eles são a plenitude do outro.


Como a igreja é "a plenitude daquele que cumpre tudo em todos", de modo que se alegram de lembrar que "de sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça." Que eu sou como uma ovelha fraca e incapaz, é um reflexo muito triste, mas que eu tenha um Pastor cheio de encantos, beleza e poder infinitos, lança longe a tristeza e cria uma nova alegria invencível. Mesmo minha fraqueza se torna uma imensa alegria, para que por ela eu possa contar com sua força, para ser cheio de sua plenitude... admitir que sou, no meu melhor, apenas superficial, me dá uma sagacidade para ser regulado apenas por sua sabedoria. Mesmo a minha vergonha redundará em seu louvor.


Entenda, não é para você! Não é para você ser grande. Não é para você ser poderoso. Não é para você levantar a cabeça e reivindicar para si mesmo qualquer honra... não flui de você a paz. Não flui de você o repouso. Você com coração humilde se deleita no vale da humilhação... e se vê bem baixo em sua própria estima. Então para você, o Salvador se torna caro e totalmente precioso... e somente assim Ele te levará a se “deitar em verdes pastos... para junto das águas do descanso”.


Sugestões de leitura adicional: Salmo 23: 1-6


MEDITAÇÃO: Medite sobre o Salmo 23, um grande Salmo.

Ele fala de grandes posses (v. 1),
grande paz (v. 2),
um grande caminho (v. 3),
grande proteção (v. 4),
grande disposição (v. 5) e
grandes perspectivas (v. 6 ).
Mas há uma grande ressalva - essas bênçãos se aplicam apenas aos que a ouvem e seguem o bom pastor, apenas para aqueles que podem dizer, “O Senhor (Ele é teu Senhor?)  é meu pastor”.


Devocional tirada e adaptada do Sermão n° 995.
As ovelhas e seu pastor - Pregado por C. H. Spurgeon, no Tabernáculo Metropolitano, Newington.

Tradução – Josemarbessa.com e Charleshaddonspurgeon.com


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

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A dança de Spurgeon!




Um desconhecido, não anunciado, não lembrado, inculto, um pregador substituto por circunstâncias imprevisíveis – causou um enorme impacto na Londres vitoriana, no mundo da língua Inglesa inicialmente, e no mundo  todo posteriormente... para além de tudo que ele jamais poderia ter imaginado.


O identidade do jovem que falou naquele dia na pequena capela, foi perdida. Estas verdades simples, ditas por um homem simples e inculto -  que nunca foi reconhecido durante a vida de Spurgeon (vários homens afirmaram ser o pregador, mas não foram reconhecidos, e parece que o verdadeiro pregador se contentou em permanecer não reconhecido). Palavra ditas que revolucionaram a vida de um jovem e o colocaram em um caminho que faria dele sem dúvida um dos maiores pregadores da história da Igreja.


Elas podem mudar a tua vida hoje, se você já está salvo, mas precisa de um sopro refrescante, ou se a tua necessidade é ser regenerado pelo poder soberano de Deus.


Spurgeon:  “Às vezes eu acho que eu poderia ter perecido nas trevas do desespero, se não fosse pela bondade de Deus ao enviar uma tempestade de neve numa manhã de domingo, enquanto eu estava indo para um determinado local de culto. Quando eu podia ir mais além, por causa da tempestade,  eu virei por uma rua lateral e cheguei a uma pequena Capela Metodista Primitiva. Na capela devia ter 12 ou 15 pessoas. Eu tinha ouvido falar dos metodistas primitivos, como eles cantavam tão alto que muitas vezes causavam dor de cabeça nas pessoas; mas isso não tem importância para mim. Eu queria saber como eu poderia ser salvo, e se eles pudessem me dizer isso, eu não me importava o quanto eles fizessem a minha cabeça doer. O pastor não veio naquela manhã; por causa da grande quantidade de neve, eu suponho. Por fim, um homem não devidamente preparado para pregar, subiu ao púlpito. Agora, é bom que os pregadores devam ser instruídos e preparados; mas este homem realmente não era. Ele foi obrigado a ficar com seu texto, pela simples razão de que ele tinha pouco o que dizer. O texto era,


"Olhai para mim, e sereis salvos, todos os confins da terra."


Ele nem sequer pronunciar as palavras corretamente, mas isso não importava. Houve, pensei, um vislumbre de esperança para mim naquele texto. O pregador começou assim: - "Meus queridos amigos, este é um texto muito simples na verdade. Ele diz: “Olhe”.


Agora, olhar não exige grande esforço. Não é preciso erguer o pé, ou sequer um dedo para fazê-lo. É apenas, 'Olhar'. Bem, um homem não precisa ir para a faculdade para aprender a olhar. Você pode ser o maior idiota, e ainda assim, você pode olhar. Nenhum homem precisa de anos de capacitação para ser capaz de olhar. Na verdade, qualquer um pode olhar; até mesmo uma criança pode olhar.


Mas, em seguida, o texto diz: "Olhai para Mim."  “Aí está!", Disse ele...  muitos estão olhando para si mesmos, e o que eles podem encontrar? É inútil olhar para si. Você nunca vai encontrar qualquer conforto em você mesmo. Alguns olham para Deus, o Pai. Não! Olhar para Ele crendo poder ser aceito em você mesmo é inútil. Jesus Cristo diz: "Olhai para Mim”. Alguns dizem: “Temos de esperar pelo trabalho do Espírito”. Você não tem nada com isso – o Espírito trabalha como quer, mas não é para isso que temos que olhar. A ordem não é essa. Olhe para Cristo. O texto diz. "Olhai para Mim."


Então o bom homem seguiu o seu texto da seguinte maneira:  

"Olhai para Mim; Estou suando grandes gotas de sangue. Olhai para Mim; Estou pendurado na cruz. Olhai para Mim; Eu estou morto e enterrado. Olhai para Mim; Eu ressuscitei. Olhai para Mim; subi para o céu. Olhai para Mim; Estou sentado à direita do Pai. Ó pobre pecador, olhai para mim! Olhai para mim!"


Quando ele tinha já falado por cerca de dez minutos, ele estava no limite de suas forças e capacidade. Então ele olhou para mim sob a galeria, e eu ouso dizer que, como havia tão poucos ali, ele sabia que eu era um estranho – talvez o único. Ele fixou seus olhos em mim, como se soubesse o que estava no meu coração, e disse: "Jovem, você tem um olhar muito infeliz."


Bem, eu olhei para ele com certo espanto - eu não estava acostumado a ter observações feitas do púlpito sobre minha aparência pessoal antes. No entanto, foi um bom golpe, atingiu direto no alvo. Ele continuou, "e você sempre será miserável -miserável na vida e miserável na morte, - Se você não obedecer meu texto; mas se você obedecer agora, neste momento, você será salvo."
Então, levantando as mãos, ele gritou, como apenas um antigo Metodista poderia fazer, "Jovem, olhe para Jesus Cristo. Veja! Veja! Veja! Você não tem nada a fazer além de olhar e viver."


Eu vi naquele dia o caminho da salvação. Eu não sei o que mais ele disse: - Eu não me demorei muito em minha atenção sobre ele, - Eu estava tão possesso com aquele pensamento. Como quando a serpente de bronze foi levantada, as pessoas só olharam e foram curadas, então foi comigo. Eu estava esperando para fazer cinquenta coisas para ser salvo, mas quando ouvi essa palavra, "Olhe!" Quão charmosa a palavra me pareceu! Oh! Eu olhei até quase os meus olhos saírem das órbitas. Então a nuvem se foi, a escuridão tinha rolado para longe, e naquele momento eu vi o sol; e eu poderia ter voado naquele instante, e cantado com o mais entusiasta deles, na altura que eles cantavam...  o precioso sangue de Cristo, e a fé simples que leva só a Ele e Sua obra completa e toda suficiente. Oh, que alguém tivesse me dito isso antes,  “Confie em Cristo, e serás salvo.”


. . .que Dia feliz, quando eu encontrei o Salvador, e aprendi a me apegar somente a seus queridos pés, foi um dia que nunca será esquecida por mim.  Um jovem obscuro, desconhecido, sem preparo, pregando por necessidade de improviso por causa de uma nevasca... e eu ouvi a Palavra de Deus -  e que precioso texto me levou para a cruz de Cristo. Posso testemunhar que a alegria daquele dia era absolutamente indescritível. Eu poderia ter saltado naquele culto, eu poderia ter dançado; não havia nenhuma expressão, por mais “fanática”, que estaria fora de sintonia com a alegria de meu espírito naquela hora. Muitos dias de experiência cristã se passaram desde então, muitos anos, quanta coisa inesperada e impressionante aconteceu em minha vida e ministério...  grandes coisas o Senhor tem feito... mas nunca houve um dia de alegria mais plena, de deleite mais espumante do que eu tive naquele primeiro dia. Eu pensei que eu poderia ter saltado do banco onde eu estava sentado, e cantado aos gritos com o mais selvagem dos irmãos metodistas que estavam presentes: "Estou perdoado! Eu sou perdoado! Um monumento da graça! Um pecador salvo pelo sangue! "


Meu espírito viu suas cadeias quebradas em pedaços, eu senti que eu era uma alma emancipada, um herdeiro do Céu, alguém perdoado totalmente, aceito em Cristo Jesus, arrancado do barro, do lodo, para fora da cova da minha morte espiritual... com meus pés firmados em uma rocha inabalável, e meus passos estabelecidos para sempre. Eu pensei que eu poderia dançar em todo o caminho de volta para casa. Eu poderia entender o que John Bunyan quis dizer, quando declarou que ele queria contar até aos corvos sobre a terra arada tudo sobre sua conversão. Ele estava muito cheio dessa graça maravilhosa para segurar tudo dentro dele, ele sentiu que devia dizer a alguém. Assim estava eu.”

Nós sabemos que Spurgeon não se segurou e contou ao máximo de pessoas sobre essa graça soberana... e uma quantidade imensa de homens ouviram, e ainda “ouvem”, a voz de Spurgeon. O mundo tem ouvido a nossa?

Tirado e adaptado de C.H. Spurgeon, Autobiografia de C. H. Spurgeon, Compilado de seu diário, cartas e anotações, por sua esposa e seu secretário particular, 1834-1854, vol. 1 (Cincinatti; Chicago; St. Louis: Curts & Jennings, 1898), 105-108.

By Josemarbessa.com

terça-feira, 28 de julho de 2015

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Quem Crê em Tudo, não Crê em Nada! – C. H. Spurgeon


"Sem fé é impossível agradar a Deus." Se agradamos a Deus, não é por nosso talento, e sim por nossa fé.

Atualmente necessitamos de muita fé na forma de crença fixa. Devemos saber mais do que antes; procuramos desenvolver, mas não como alguns, pois não pertencemos à escola liberal daqueles que creem pouco ou nada com convicção, porque desejam crer em tudo. Alguns não têm credo, ou se o possuem, o alteram tão frequentemente que não lhes serve para nada. Variadas são as crenças e as incredulidades de alguns, um aglomerado de conceitos filosóficos, teorias científicas, resíduos teológicos e invenções heréticas.

Quando tais "eruditos" se referem a nós, manifestam grande desprezo e demonstram crer que somos estúpidos por natureza. Pode ocorrer que alguém esteja se mirando num espelho quando julga estar contemplando o vizinho pela janela. Atrevo-me a dizer que não devemos temer ante a perspectiva de medir forças com os seguidores do "pensamento moderno". Seja assim ou não, a nós nos compete crer. Cremos que quando o nosso Deus fez uma revelação, sabia o que queria e pensava, e Se expressou da maneira melhor e mais sábia, em linguagem que pode ser entendida pelos que são sinceros e desejosos de aprender. Portanto cremos que não necessitamos de nova revelação, e que a idéia que há de surgir outra luz é praticamente incredulidade segundo a luz que já recebemos, visto que a luz da verdade é una. Embora a Bíblia tenha sido distorcida e posta à ridículo por mãos sacrílegas, continua sendo a revelação infalível de Deus. O aspecto mais importante da nossa religião é aceitar humildemente o que Ele tem revelado. Talvez a forma mais elevada possível de adoração é a submissão de todo o nosso ser mental e espiritual ante o pensamento revelado de Deus, o entendimento prostrado, ante aquela sagrada presença, cuja glória faz com que os anjos cubram os rostos. Aqueles que desejarem, adorem a ciência, a razão ou seus próprios raciocínios; contudo nosso deleite é prostrar-nos ante o Senhor Deus e dizer: "Este Deus é o nosso Deus para sempre; Ele será nosso guia até à morte.

Reúnam-se em torno do antigo estandarte. Lutem até à morte pelo evangelho imutável, pois é a sua vida. Que a cruz de Cristo esteja sempre em proeminência, e que todas as benditas verdades que a cercam sejam mantidas com todo o coração.

Precisamos ter fé — não só na forma de credo fixo — mas também na forma de constante dependência de Deus. Se me perguntasse qual a mais agradável disposição de ânimo dentro de toda a gama dos sentimentos humanos, não falaria do poder da oração, ou da abundância de revelação, ou de gozos arrebatados ou vitória sobre os espíritos maus; mencionaria como o mais estranho deleite do meu ser, o estado em que se experimenta uma consciente dependência de Deus. Frequentemente esta experiência tem vindo acompanhada de enormes dores físicas e profundas humilhações do espírito, mas é inexplicavelmente agradável cair passivamente nas mãos do amor e morrer absorvido na vida de Cristo. É um deleite chegar à compreensão de que você não sabe, mas seu Pai celestial sabe; você não pode falar, mas "temos um advogado"; quase não pode levantar a mão, porém Ele opera todas as coisas em você. A absoluta submissão das nossas almas ao Senhor, o pleno contentamento do coração ante a vontade e os caminhos de Deus, a segura confiança do espírito quanto à presença e ao poder do Senhor; isto é o mais próximo ao céu que pode ocorrer conosco. É melhor que o êxtase, pois qualquer um pode permanecer nessa experiência sem esforço ou reação.

"Ah, não ser nada, nada; apenas permanecer aos Seus pés." Não é uma sensação tão sublime como voar em asas de águia; quanto à doçura no entanto, ela é profunda, misteriosa, indescritível e insuperável. É uma bem-aventurança na qual se pode pensar, um gozo que nunca parece ser roubado; pois não resta dúvida de que um pobre e frágil filho de Deus tem direito indiscutível a depender do Pai, direito a não ser nada na presença dAquele que o sustém. Gratifica-me pregar nesse estado de ânimo, como se não fora pregar, mas esperar que o Espírito Santo fale por mim. Presidir dessa maneira as reuniões de oração e da igreja, e toda a espécie de atividades, redundará em sabedoria e gozo para nós. Geralmente cometemos nossos maiores erros nos assuntos mais fáceis, achando tudo tão simples que não pedimos a Deus que nos guie e julgando que nossa própria capacidade será suficiente. Todavia, as graves dificuldades, essas nós levamos a Deus. Bondosamente Ele dá aos jovens prudência e aos simples conhecimento e discrição por meio delas. A dependência de Deus é a fonte inesgotável da eficácia. Aquele verdadeiro santo de Deus, George Muller, me surpreende sempre, por ser uma pessoa que depende tão simples e puerilmente de Deus; mas, lamentavelmente, a maioria de nós se julga demasiadamente grande para que Deus nos use. Sabemos pregar tão bem que fazemos um sermão de qualquer coisa... e fracassamos. Cuidado, irmãos, pois se julgamos que podemos fazer algo por nós mesmos, tudo que obteremos de Deus será a oportunidade de prová-lo. Deste modo, Ele nos examinará, e nos permitirá ver nossa incapacidade. Certo alquimista, que servia ao papa Leão X, declarou que havia descoberto como transformar os metais vis em ouro. Esperava receber grande soma de dinheiro por seu invento, mas Leão não era tão bobo; deu-lhe tão somente uma enorme bolsa para que guardasse o ouro que fizesse. Nesta resposta havia tanto sabedoria como sarcasmo. Isto é precisamente o que Deus faz com os orgulhosos; permite-lhes ter a oportunidade de fazer o que se jactavam de poder fazer. Jamais soube de alguma moeda de ouro que tenha chegado a cair na bolsa de Leão; estou certo de que vocês jamais serão espiritualmente ricos pelo que podem fazer com as próprias forças. Despojem-se das suas próprias vestimentas, e então Deus poderá comprazer-Se em revestir-lhes de honra, mas nunca antes.

É essencial que demonstremos fé em forma de confiança em Deus. Seria grande calamidade que alguém afirmasse de vocês: "Tem um excelente caráter moral e dons notáveis, mas não confia em Deus." Necessidade importante é a fé. O apostolo recomenda: "Tomando sobretudo o escudo da fé." Pena é que alguns vão à luta deixando o escudo em casa. Terrível é pensar num sermão que tivesse todas as qualidades que um sermão precisa possuir e, no entanto, constatar que o pregador não confiasse no Espírito Santo para abençoá-lo de modo a converter almas. Tal mensagem seria vã. Nenhum sermão será o que deveria ser se lhe faltar a fé; equivale a dizer que um corpo está sadio quando a vida já se extinguiu. É admirável ver alguém humildemente consciente da sua própria fraqueza e ao mesmo tempo bastante confiante no poder divino para atuar por meio das suas limitações. Se intentamos fazer grandes coisas, não nos excederemos na tentativa; esperando notáveis feitos, não cairemos desenganados em nossas esperanças. Alguém interrogou a Nelson se não eram perigosos determinados movimentos de seus navios, e a resposta foi: "Pode ser perigoso, mas em assuntos navais nada há impossível ou improvável." Atrevo-me a asseverar que, no serviço de Deus, nada é impossível e nada é improvável. Empreendam grandes coisas em nome de Deus; arrisquem tudo, confiados em Sua promessa, e conforme a sua fé lhes será feito.



Oxalá tivéssemos mais coragem, mais ânimo, mais "garra". Intentemos grandes coisas, porque os que confiam no Senhor vencem acima de todas as esperanças. Este é o tipo de fé da qual necessitamos cada vez mais; confiar em Deus de tal maneira, que em Seu nome ponhamos a mão no arado. É ocioso passar o tempo fazendo planos e modificando-os, sem nada fazer; o melhor plano para executar a obra de Deus é realizá-la. Irmãos, se não creem em mais ninguém, confiem em Deus sem reservas. Creiam plenamente. Crer na Palavra de Deus é o mais razoável que temos a fazer; é seguir o caminho mais simples que devemos tomar; é a norma menos perigosa que podemos adotar, inclusive quanto ao cuidado de nós mesmos, pois Jesus declara: "Qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas o que perder sua vida por minha causa, a achará." Exponhamo-nos a tudo, confiados na fidelidade absoluta de Deus, e jamais seremos envergonhados ou confundidos.
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