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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

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Santificação é efeito e não causa da salvação – C. H. Spurgeon


Quero dizer três coisas sobre a maneira pela qual Deus nos salvou.


(I)  Nossa salvação é completa. O apóstolo diz: "Que nos salvou". Crentes em Jesus Cristo são salvos no momento que colocam sua confiança em Cristo. Eles não esperam que sejam salvos. Deus salvou completamente Seu povo. Ele o escolheu para esta salvação. O preço total da salvação desses pecadores escolhidos por Deus foi pago quando Cristo morreu por eles na cruz. Cristo disse quando pendurado na cruz: "Está consumado" (João 19:30). Estávamos completamente perdidos por causa da desobediência de Adão. Fomos completamente salvos quando Cristo, o segundo Adão, terminou Sua obra redentora por nós.



(II). Meu segundo pensamento é que o texto diz: "Que nos salvou, e chamou". Será que Deus nos salvou antes de nos chamar? O texto diz que Ele assim o fez. Não sabemos que somos salvos até que o Espírito Santo opere em nossos corações, trazendo-nos a Cristo. Entretanto, no propósito de Deus e na redenção de Cristo, somos salvos antes de sermos chamados. O Senhor Jesus Cristo pagou as dívidas do Seu povo quando foi crucificado. Por conseguinte, vocês podem ver que fomos salvos antes de sermos chamados.



(III).  Deus nos chamou para uma vida santa. Aqueles pecadores pelos quais Cristo morreu são chamados pelo poder do Espírito Santo à santidade. Eles deixam seus pecados; tentam ser como Cristo. Antes de serem salvos amavam o pecado. A velha natureza deles amava tudo que era maligno. A sua nova natureza não pode pecar porque é nascida de Deus. Deus chama Seu povo à santidade. O povo de Deus não é santo porque quer que Deus o salve. Deus, através do Espírito Santo, opera a santidade nele. Portanto, o belo fruto espiritual que vemos num crente tanto é a obra de Deus quanto é o resultado da expiação pela qual Cristo o comprou. A salvação de um crente é unicamente pela graça. Deus é o autor dessa graça. Salvação tem que ser pela graça, pois não pode ser adquirida. A seqüência verdadeira é: Deus nos salvou antes de nos chamar.


Esta ordem mostra que nossa santificação não é a causa, e sim o efeito, da nossa salvação.



"Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos" (II Tim. 1:9).

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

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Deus Espírito Santo? | C. H. Spurgeon




Temos recebido o Espírito Santo? Ele está conosco agora? Se esse é o caso, como podemos ter certeza de sua presença no futuro? Como podemos compeli-lo a habitar em nós?

Primeiro, trate-o como deve ser tratado. Adore-o como o Senhor Deus digno de adoração. Nunca trate o Espírito Santo como se fosse um objeto, nem fale dele como se fosse uma doutrina, uma influência ou um mito ortodoxo. Reverencie o Espírito, ame-o, e creia nele com confiança familiar, porém reverente. Ele é Deus,deixe-o ser Deus para você.

Aja em conformidade com a obra dele. O marinheiro que vai para o leste não pode criar os ventos a seu bel-prazer, mas ele sabe quando os ventos alísios sopram e aproveita a estação para imprimir velocidade a sua embarcação. Saia ao mar em santo empreendimento quando o vento celestial está a seu favor. Aproveite a maré sagrada enquanto ela avança. Aumente suas reuniões quando sente que o Espírito de Deus as abençoa. Insista na verdade com mais veemência que nunca, quando o Senhor abre ouvidos e corações para aceitá-la. Você logo aprenderá a conhecer quando há orvalho em volta--valorize a graciosa visitação. O fazendeiro diz: "Trabalha enquanto é dia". Você não pode fazer o sol brilhar; isso está completamente fora de seu alcance; mas você pode usar o sol enquanto brilha. "Assim que você ouvir um som de passos por cima das amoreiras, saia rapidamente" (2Sm 5.24). Seja diligente na estação e fora dela, mas em uma estação cheia de vida seja duplamente laborioso.

Sempre ao começar, continuar e terminar qualquer e toda boa obra, dependa conscientemente e em verdade do Espírito Santo. Até a consciência de sua necessidade dele, ele precisa lhes dar, e as orações com que suplicam por sua presença devem partir dele. Vocês estão empenhados em um trabalho tão espiritual, tão acima de todo poder humano que esquecer-se do Espírito é certeza de derrota. Façam o Espírito Santo ser o sine qua non de seus esforços, e digam a ele: "Se não fores conosco, não nos envies" (Êx 33.15).

Descansem apenas nele e reservem para ele toda a glória. Lembrem-se especialmente disso, porque esse é um ponto delicado para ele: ele não dará sua glória a outro. Tenham o cuidado de louvar o Espírito de Deus do fundo do coração, e gratamente se admirem de que ele aceite trabalhar a seu lado. Agradem-no ao glorificar Cristo. Honrem-no ao ceder sua pessoa aos impulsos dele e ao odiar tudo que o entristece. A consagração de todo seu ser é o melhor salmo que pode fazer em louvor dele.

Há algumas coisas de que gostaria que se lembrassem, depois termino. Lembrem-se, o Espírito Santo tem seus meios e métodos, e há algumas coisas que ele não fará. Lembrem-se, ele não faz nenhuma promessa de abençoar acordos. Se fizermos acordo com o erro ou o pecado, é por nossa conta e risco. Se fazemos qualquer coisa sobre a qual não temos clareza, se manipulamos a verdade ou a santidade, se somos amigos do mundo, se fazemos provisão para carne, se pregamos com desânimo ou fazemos pacto com engana-dores, não temos nenhuma promessa de que o Espírito Santo está conosco. A grande promessa vai em outra direção: "'Saiam do meio deles e separem-se', diz o Senhor. 'Não toquem em coisas impuras, e eu os receberei e lhes serei Pai, e vocês serão meus filhos e minhas filhas', diz o Senhor todo-poderoso" (2Co 6.17,18).

No Novo Testamento apenas em um único lugar, com exceção do Livro de Apocalipse, Deus é chamado de "Senhor todo-poderoso" (2Co 6.18). Se você quer saber que grandes coisas o Senhor pode fazer como Senhor Todo-Poderoso, separe-se do mundo e daqueles que apostatam da verdade. O título "Senhor todo-poderoso" é citado do Antigo Testamento. "El Shaddai", Deus Todo-suficiente, o Deus de muitos ventres. Não conheceremos o poder supremo de Deus para suprir todas nossas necessidades até que cortemos de vez a ligação com tudo que não está de acordo com a mente dele.

Abrão foi grande quando disse ao rei de Sodoma: "Não aceitarei nada"--, uma veste babilônica ou uma cunha de ouro? Não, não. Ele disse: "Não aceitarei nada do que lhe pertence, nem mesmo um cordão ou uma correia de sandália" (Gn 14.23). Esse foi o "corte pela raiz". O homem de Deus não aceita ter nada com Sodoma nem com a falsa doutrina. Se você vir qualquer coisa má, corte-a pela raiz. Afaste-se daqueles que afastaram a verdade. Então você está preparado para receber a promessa, não antes disso.

Irmãos amados, lembrem-se, onde houver grande amor, com certeza, haverá grande ciúme. "Amor é tão forte quanto a morte" (Ct 8.6). O que vem em seguida? "O ciúme é tão inflexível quanto a sepultura". "Deus é amor" (1Jo 4.8,16) e exatamente por essa razão "o SENHOR, o seu Deus, é Deus zeloso; é fogo consumidor" (Dt 4.24). Passe longe de tudo que contamina ou entristece o Espírito Santo; pois se ele estiver aborrecido conosco, logo passaremos vergonha diante do inimigo.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

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Deus Não é Obrigado a ter Misericórdia - C. H. Spurgeon


O privilégio que pertence aos filhos de Deus é que eles foram regenerados, nascidos de novo pelo Espírito Santo, através da Palavra de Deus. "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade" (1 Ped. 1:23). Recebemos muitas bênçãos depois de nascermos de novo. Todas essas bênçãos vêm através da absoluta e graciosa vontade de Deus. Deus não está obrigado a nos abençoar. Ele pode fazer como quiser. Ele pode decidir não nos abençoar de modo algum. Tudo que podemos reivindicar de Deus é justiça, o que significa que Deus deve nos punir pelos nossos pecados.

Estamos nas mãos de Deus, esperando saber o que Ele vai fazer. Se Deus assim desejar, Ele pode salvar toda a humanidade. Ou se Ele quiser, Ele pode decidir não salvar ninguém. Se Deus desejar, Ele pode, na Sua misericórdia, salvar um homem e deixar outro para sofrer a punição pelo seu pecado. Não há injustiça alguma da parte de Deus se Ele assim fizer. É direito soberano de Deus fazer o que Lhe aprouver. Deus diz na Bíblia: "... compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia" (Rom. 9:15-16).

Alguns ficam muito zangados com este ensinamento. A ira deles não muda o fato de que a verdade da soberania de Deus mantém-se firme como uma rocha. Deus não tem que explicar ao homem o que Ele faz. Ele faz o que quer, nos céus e na terra.

A doutrina da soberania de Deus traz grande alegria aos que crêem nEle. Nós nos regozijamos no amor de Deus que nos escolheu para sermos Seus filhos. Deus deixa as pessoas que Ele não escolheu seguirem seus próprios caminhos e perecerem no final. Ele teve misericórdia de nós porque assim o quis, mesmo antes de nós começarmos a orar e procurá-lO. Este propósito eletivo de Deus é precioso. No mundo precisamos pleitear, até com pessoas ricas, antes que elas nos dêem alguma coisa. Não tivemos que implorar a Deus. Todas as coisas preciosas que Ele nos deu, foi "segundo a sua vontade". Deus Se apraz na misericórdia, em dar livremente. O nome de Deus é amor e a natureza de Deus é amor. É natural ao sol enviar luz. É coisa natural Deus enviar a luz de Sua eterna graça.

Louvemos ao Senhor que nos amou quando estávamos mortos em nossas transgressões e pecados. Glorifiquemo-lO pela Sua misericórdia livremente demonstrada a nós. Não merecíamos a misericórdia de Deus. Freqüentemente desprezamos essa misericórdia. Alguns de nós resistimos a misericórdia de Deus por longo tempo. Curvemo-nos então humildemente diante do trono de Deus. Vamos agradecer-Lhe pelas Suas misericórdias que duram para sempre. Quão maravilhoso é que, devido Deus assim o desejar, Ele teve compaixão de nós. O grande privilégio que Deus nos concedeu é que, através do poder divino do Espírito Santo, já nascemos de novo.

Nosso primeiro nascimento foi natural. Deus nos fez e nossos corpos são Sua maravilhosa criação. Nosso segundo nascimento foi espiritual. Nascemos de novo, regenerados pelo poder divino do Espírito Santo. Nosso segundo nascimento é uma obra de Deus, tão grande quanto o nosso primeiro nascimento, nossa criação natural. "Segundo a sua vontade" Deus nos deu uma nova vida, e nos fez novas criaturas. Acaso temos a certeza de que nascemos de novo? Sabemos que somos novas criaturas em Cristo?

Talvez às vezes tenhamos dúvidas se somos nascidos de novo. Mas o homem que nasceu de novo sabe que há uma mudança nele. Há vezes quando até aquelas pessoas que duvidam da sua salvação têm certeza que passaram da morte para a vida. Sonde seu próprio coração. Deixe que esta oração venha de seus lábios e coração: "Sonda-me, ó Deus, e prova-me". Devo advertir-lhes que se nada mais têm do que a natureza pode lhes dar, vocês perecerão. Viver uma vida boa e bem comportada não lhes dará uma entrada para o reino de Deus. "Necessário vos é nascer de novo" (João 3:7). Estas palavras estão no portão do céu. Até mesmo as pessoas mais destacadas na Igreja e na nação devem nascer de novo, para serem admitidas no céu. Não importa se vocês viveram uma boa vida ou se desobedeceram abertamente a lei de Deus — precisam nascer de novo. O Espírito Santo deve operar esta transformação sobrenatural em vocês. Esta mudança é o resultado do eterno propósito, poder e amor de Deus.

Aqueles que têm parte deste precioso privilégio são felizes. Embora estivessem mortos em transgressões e em pecado, agora eles estão vivos. Embora fossem carnais e terrenos, agora são espirituais. Eles estavam distanciados, mas agora foram trazidos para perto de Deus. Todos estes privilégios são exclusivamente devidos à soberana vontade de Deus. Se vocês nasceram de novo, agradeçam a Deus de todo o coração e humilhem-se diante dEle.

A maneira que esta mudança foi operada em nossos corações é claramente expressa: "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade" (Tiago 1:18). Homens são geralmente salvos ao ouvirem o evangelho pregado. Alguns afirmam que a pregação da verdade é eficaz para salvar o homem. Isto não é totalmente verdadeiro. A verdade de Deus pode ser fielmente pregada e ninguém ser convertido. Outros dizem que o Espírito de Deus regenera as pessoas sem se utilizar da Palavra de Deus. Isto também não pode ser verdadeiro. A Bíblia nunca diz que o homem pode ser salvo sem a Palavra de Deus. A Palavra e o Espírito sempre operam juntos. A Bíblia diz: "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes..." (Heb. 4:12). As Escrituras ensinam claramente que o Espírito de Deus opera através da Palavra de Deus. A Palavra não opera sem o Espírito. "Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mar. 10:9). Amigo, você foi salvo pela leitura da Palavra de Deus? A Palavra de Deus é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.

O que é esta Palavra de Deus que traz vida nova à pessoa? A palavra é a pregação da doutrina da cruz. Ninguém jamais nasceu de novo através da pregação da lei. A lei pode tornar um homem mais humilde. A lei pode quebrantar e ferir o homem. Ela poderá mostrar-lhe a punição que receberá como pecador. Contudo, a lei jamais lhe trará vida nova. A Bíblia diz: "... Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados" (II Cor. 5:19). Algumas pessoas removem o sacrifício de Cristo do evangelho. Elas condenam o texto: "... o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado" (I João 1:7). Não deixam nada de evangelho. A palavra "sangue" é uma das mais solenes e importantes palavras em todas as Escrituras. As pessoas não serão salvas se esta doutrina não for pregada.

Se a pregação do evangelho trouxe salvação a você, então pregue-o aos outros. Fale a cada um do fato que Cristo morreu pelos pecadores. Afirme em todo lugar que qualquer um que crer no Senhor Jesus Cristo terá vida eterna. Diga às pessoas que Jesus Cristo foi o substituto dos culpados. Diga-lhes que Ele sofreu pelos pecadores; que a espada da justiça abateu o Pastor para que as ovelhas pudessem ser livres. Declare aos seus ouvintes como o Redentor sofreu a ira de Seu Pai para que os filhos dEle jamais tenham que enfrentar a Sua ira.


Nós crentes em Jesus devemos olhar para trás com gratidão e esperança pelo que Deus fez. "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade".

terça-feira, 11 de novembro de 2014

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Sinais externos não bastam! | C. H. Spurgeon




O rasgar de vestes e outros sinais exteriores de emoção religiosa podem ser manifestados com facilidade e, frequentemente, são hipócritas. Sentir o verdadeiro arrependimento é muito mais difícil e, consequentemente, muito menos comum: “Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes” - Joel 2.13

Os homens atenderão às mais diversas e minuciosas normas de cerimônias religiosas que são agradáveis à carne. Mas a verdadeira fé é bastante humilhante, perscrutadora e completa, e não atrai o gosto carnal dos homens. Alguns preferem algo mais ostentoso, superficial e mundano.

Os ouvidos e olhos são satisfeitos, a presunção é alimentada, e a justiça própria é enaltecida. Todavia, eles estão enganados, porque, na hora da morte e no Dia do Juízo, a alma necessita de algo mais substancial do que cerimônias e rituais em que possa confiar. Oferecida sem um coração sincero, toda forma de adoração é um fingimento e uma zombaria descarada da majestade no céu. O rasgar do coração é uma obra realizada por Deus e experimentada com solenidade. E uma tristeza secreta experimentada pessoalmente, não como um ritual, e sim como uma obra profunda e constrangedora da alma, por parte do Espírito Santo, no coração de todo crente.


Não é uma questão para ser meramente discutida e crida, mas para ser aguda e sensitivamente experimentada em cada filho do Deus vivo. O rasgar do coração é poderosamente humilhante e completamente purificador do pecado; mas, depois, é docemente preparatório para as consolações graciosas que espíritos orgulhosos não podem receber. É distintamente característico, pois pertence aos eleitos de Deus, e para os tais apenas. O versículo de hoje nos ordena a rasgar o coração, mas ele naturalmente é tão duro quanto o mármore.



Como, então, podemos fazer isto? Temos de levar nosso coração até ao Calvário. A voz de um Salvador quase morto rasgou as rochas naquela ocasião e continua tão poderosa agora como o foi naquele dia. O bendito Espírito Santo, faze-nos ouvir os clamores de morte do Senhor Jesus, e nosso coração será rasgado, à semelhança de homens que rasgavam suas vestes no dia de lamentação.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

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Você oraria assim? | C. H. Spurgeon


Esta foi a oração de Davi: “Também da soberba guarda o teu servo” - Salmos 19.13 – Davi orou assim, ele, o homem segundo o coração de Deus (ver Atos 13.22). Se Davi precisou orar desta maneira, nós, bebês na graça divina, temos de orar muito mais! Era como se Davi estivesse dizendo: "Guarda-me ou correrei apressada e impetuosamente para o precipício do pecado". Nossa natureza má, à semelhança de um cavalo mal dominado, é tentada a afastar-se rapidamente do caminho.


Que a graça coloque em nós as rédeas, para que não nos precipitemos no engano. Não é agradável imaginar o que os melhores de nós poderíamos fazer, se não houvesse os limites que o Senhor nos outorga em sua providência e em sua graça! Mesmo as pessoas mais santas precisam ser guardadas das mais vis transgressões. O apóstolo advertiu solenemente os santos contra os mais repugnantes pecados. "Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria" (Colossenses 3.5).



Certamente você tropeçará, se deixar de olhar para Aquele que é capaz de guardá-lo de cair no pecado. Se o seu amor é intenso, a sua fé, constante, a sua esperança, brilhante, não diga: "Eu nunca pecarei"; pelo contrário, você deve clamar: "Não nos deixe cair em tentação". Existe muitas faíscas no coração dos melhores dos homens, faíscas capazes de acender um fogo que arde até ao inferno, a menos que Deus apague as chamas, quando esses homens caírem. Hazael disse: "Que é teu servo, este cão, para fazer tão grandes coisas?" (2 Reis 8.13.) Somos inclinados a fazer esta mesma pergunta cheia de justiça própria. Que a infinita sabedoria nos cure da tolice da autoconfiança.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

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Beijos | C. H. Spurgeon




O s beijos de um inimigo são enganosos. Esteja em alerta quando o mundo lhe mostrar uma face amável, pois ele há de traí-lo com um beijo, assim como o fez ao seu Senhor. “Com um beijo trais o Filho do Homem?” – ( Lc 22.48 )


Sempre demonstra grande reverência pelo cristianismo, o homem que está prestes a apunhalá-lo. Acautele-se da hipocrisia disfarçada que é o escudeiro da heresia e da infidelidade. Reconhecendo a poder de engano da impiedade, seja sábio como as serpentes para detectar e evitar os desígnios do inimigo. O jovem destituído de entendimento foi levado ao erro pelo beijo da mulher estranha (ver Provérbios 7.13).


Que em todo este dia a sua alma esteja tão graciosamente instruída, que "o agradabilíssimo falar" do mundo não terá qualquer efeito sobre você. Espírito Santo, não permita que eu, um débil filho de homem, seja traído com um beijo! O que acontecerá, se você se tornar culpado do mesmo pecado maldito que Judas Iscariotes — o filho da perdição — (ver João 17.12) cometeu? Você foi batizado em nome do Senhor Jesus; é membro da manifesta igreja dEle e participa da Ceia do Senhor. Tudo isto representa os muitos beijos dos seus lábios. Você é sincero neles? Se eu não for sincero, sou um vil traidor. Você vive no mundo de maneira tão descuidada como vivem as outras pessoas e, apesar disso, confessa ser um seguidor de Jesus? Se isto é verdade, você expõe a religião ao ridículo e conduz homens a falar mal sobre o nome santo pelo qual é chamado. Com certeza, você está agindo de modo incoerente. Está sendo um Judas. Seria melhor você nunca ter nascido (ver Marcos 14.21). Eu sou fiel nesta questão? Então, Senhor, mantém-me assim.



O Senhor, torna-nos sinceros e verdadeiros. Preserva-nos de todo caminho falso. Nunca permita que venhamos a trair nosso Salvador. O Jesus, nós Te amamos. E, embora Te entristeçamos com freqüência, desejamos permanecer fiéis até à morte. O Senhor, guarda-me de professar seguramente minha fé e depois cair no lago de fogo, por ter traído meu Mestre com um beijo.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

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Você vê tudo através da cruz? | C. H. Spurgeon



Nós devemos olhar tudo o que há neste mundo sob a luz da redenção, e assim o veremos corretamente. Faz uma diferença maravilhosa se você vê a providência do ponto de vista do merecimento humano ou do pé da cruz. Não vemos nada do modo real enquanto não o vemos através do vidro, o vidro vermelho do sacrifício expiatório. Use esse telescópio da cruz e então verá longe e claramente; olhe os pecadores através da cruz; olhe as alegrias e tristezas do mundo através da cruz; olhe o céu e inferno através da cruz. Veja o quanto era para ser realmente visível o sangue da Páscoa, e então aprenda de tudo isso a dar importância verdadeira ao sacrifício de Jesus--sim, dar-lhe toda a importância, pois Cristo é tudo.


Nós lemos em Deuteronômio, no sexto capítulo, versículo oito, com respeito às ordens da lei do Senhor, o seguinte: "Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa. Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões." Observe, então, que a lei deve ser escrita logo ao lado dos memoriais do sangue. Na Suíça, nas vilas protestantes, podiam ser vistos textos da Escritura nos umbrais das portas. Seria tão bom que tivéssemos esse costume na Inglaterra. Quanto do evangelho poderia ser pregado aos passantes se textos bíblicos estivessem acima das portas dos cristãos! Poderia ser ridicularizado como farisaísmo, mas poderíamos nos acostumar. Poucos são sujeitos, nos dias de hoje, à acusação de serem religiosos demais. Eu gosto de ver textos da Escritura em nossos lares, em todos os cômodos, nas molduras acima das portas, e nas paredes; mas do lado de fora da porta - que beleza de anúncio o evangelho poderia ter por preço tão econômico.


Mas note que, quando o judeu escrevia nas colunas de sua porta uma promessa, um preceito ou uma doutrina, ele tinha de escrever sobre uma superfície manchada de sangue, e quando a Páscoa do ano seguinte chegava, ele tinha de aspergir o sangue com hissopo bem em cima da escrita. Parece-me ótimo pensar na lei de Deus ligada àquele sacrifício expiatório que o engrandeceu e o tornou honrável. Os mandamentos de Deus vêm para mim como homem remido; suas promessas são para mim como homem comprado pelo sangue, seu ensino me instrui como pessoa por quem a expiação já foi feita. A lei na mão de Cristo não é uma espada para nos matar, e sim uma jóia para nos enriquecer. Toda a verdade aceita em relação à cruz é muito incrementada em seu valor. A Santa Escritura torna-se preciosa sete vezes mais quando vemos que ela vem a nós como sendo remidos do Senhor, e traz em cada página marcas daquelas mãos queridas que foram pregadas na cruz por nós.


Agora, é possível compreender como tudo foi feito que bem podia ser pensado de modo que elevasse o sangue do cordeiro pascoal a uma alta posição na estima das pessoas que o Senhor tirou do Egito; e você e eu precisamos fazer tudo que podemos para trazer à frente, e conservar diante dos homens para sempre, a preciosa doutrina do sacrifício expiatório de Cristo. Ele foi feito pecado por nós, embora nenhum pecado conhecesse, para que nele nós pudéssemos ser feitos a justiça de Deus.


E agora quero lhes fazer lembrar da instituição que era ligada à memória da Páscoa. "Quando os seus filhos lhes perguntarem: 'O que significa esta cerimônia?', respondam-lhes: 'É o sacrifício da Páscoa ao Senhor'" (Êx 12.26-27a).


Investigação é coisa que deve ser estimulada na mente de nossas crianças. Ah, se pudéssemos levá-las a fazer perguntas sobre as coisas de Deus! Alguns perguntam bem cedo, outros parecem ter herdado o mal da indiferença que as pessoas mais velhas têm. Temos de lidar com os dois tipos de mente. É bom explicar às crianças a ordenança da Ceia do Senhor, pois isso mostra bem a morte de Cristo em símbolo. Sinto pena de que as crianças não vejam com maior freqüência essa ordenança. Os dois, o Batismo e a Ceia do Senhor, devem ser feitos à vista da geração que surge para que então nos perguntem: "O que significa essa cerimônia?" Ora, a Ceia do Senhor é um perene sermão evangelístico, e fala principalmente sobre o sacrifício do pecado. Você pode banir essa doutrina da expiação do púlpito, mas ela sempre viverá na igreja através da Ceia do Senhor. Você não pode explicar aquele pão partido e aquele copo cheio do fruto da vide sem referência à morte expiatória de nosso Senhor. Não pode explicar "a comunhão do corpo de Cristo" sem incluir, de uma forma ou outra, a morte de Jesus em nosso lugar e posição. Deixe que os seus pequenos, então, vejam a Santa Ceia, e que lhes seja explicado bem claramente o que ela apresenta. E se não a própria Ceia do Senhor--pois isso não é a coisa em si, mas só a sombra do fato glorioso--, demore-se muito e com freqüência nos sofrimentos e morte de nosso Redentor. Deixe que pensem no Getsêmane, e no Gabata (o local do Pretório), e no Gólgota, e que aprendam a cantar em tons melancólicos sobre aquele que deu sua vida por nós. Diga-lhes quem foi aquele que sofreu e por quê. Sim, embora o hino não seja bem ao meu gosto em algumas de suas expressões, gostaria que as crianças cantassem:

Mui longe o monte verde está
Fora dos muros de Jerusalém.

E eu gostaria que aprendessem versos parecidos com estes, de hinos com esta idéia:

Sabia como fomos maus,
Que Deus teria que castigar.
Então Jesus ofereceu
Morrer - em nosso lugar.

E quando a atenção é despertada para o melhor dos temas, estejamos preparados para explicar a grande transação pela qual Deus é justo, e ainda assim, os pecadores são justificados. As crianças podem entender muito bem a doutrina do sacrifício expiatório; a intenção foi mesmo que fosse um evangelho que até o mais novo pudesse apropriar. O evangelho da substituição é uma grande simplicidade, embora seja um mistério. Não devemos nos contentar até que nossos pequeninos conheçam e confiem no Sacrifício completado por eles. Isso é conhecimento essencial, e a chave para todo ensino espiritual. Que nossas queridas crianças conheçam a cruz, e já terão começado bem. Com todas as coisas que aprendem, que possam aprender a compreender isso, e já terão um fundamento bem construído.


Para isso, você deverá ensinar à criança que ela necessita de um Salvador. Você não pode se omitir dessa tarefa. Não bajule a criança com bobagens sobre sua natureza ser boa e precisar ser desenvolvida. Diga-lhe que precisa nascer de novo. Não a encoraje com a imaginação de sua própria inocência, mas mostre-lhe seu próprio pecado. Mencione os pecados infantis aos quais ela se inclina, e ore para que o Espírito Santo trabalhe a convicção no seu coração e na sua consciência.


Lide com os novos como lida com os velhos. Seja completo e honesto com eles. Religião frágil não é boa nem para jovens nem para velhos. Esses meninos e meninas precisam de perdão através do sangue precioso tanto como qualquer um de nós. Não hesite em contar à criança sua situação ruinosa; senão ela não há de querer o remédio. Diga-lhe também qual é o castigo do pecado, e avise-a de seu terror. Seja terno, mas seja verdadeiro. Não esconda do pecador jovem a verdade por mais terrível que possa ser. Agora que chegou aos anos de responsabilidade, se não acreditar em Cristo, ficará numa situação desfavorável com ele no grande dia final. Coloque diante dela o trono do grande julgamento, e lembre-a de que terá de dar contas das coisas feitas no corpo. Trabalhe para acordar a consciência; e ore a Deus pelo Espírito Santo para trabalhar junto a você até que o coração se enterneça e a mente perceba a necessidade da grande salvação.


As crianças precisam aprender a doutrina da cruz para que possam encontrar salvação imediata. Sou grato a Deus porque em nossa Escola Dominical nós cremos na salvação de crianças quando crianças. Quantos meninos e meninas tenho tido a alegria de ver se oferecerem para confessar sua fé em Cristo! E outra vez desejo dizer que os melhores convertidos, os convertidos mais óbvios, mais inteligentes que já tivemos têm sido os novos; e em vez de haver alguma deficiência em seu conhecimento da Palavra de Deus e das doutrinas da graça, geralmente, descobrimos terem um conhecimento encantador das grandes verdades cardeais de Cristo. Muitas dessas preciosas crianças falaram das coisas de Deus com grande prazer de coração e força de entendimento. Prossigam, queridos professores, e creiam que Deus salvará suas crianças. Não se contentem em semear princípios em suas mentes que possivelmente se desenvolvam em anos futuros, mas trabalhem por conversões imediatas. Espere frutos em suas crianças enquanto são crianças. Ore por elas para que não corram para o mundo e caiam nos males do pecado exterior, e depois voltem com ossos quebrados para o Bom Pastor; mas que possam pela rica misericórdia ser guardadas dos caminhos do destruidor, e crescer no aprisco de Cristo, primeiro como cordeiros de seu rebanho, e depois como ovelhas de sua mão.


De uma coisa estou certo: se ensinarmos às crianças a doutrina da expiação em termos inconfundíveis, estaremos agindo de forma muito boa. Às vezes, espero que Deus avive sua igreja e a restaure à antiga fé através de um trabalho da graça entre as crianças. Se ele trouxesse para dentro de nossas igrejas um grande influxo de crianças, como isso poderia apressar o sangue indolente dos preguiçosos. As crianças cristãs tendem a manter a casa animada, viva. Suspiramos por mais delas! Se apenas o Senhor nos ajudar a ensinar as crianças, nós estaremos ensinando a nós mesmos. Não há melhor modo de aprender do que ensinar, e você não sabe nada enquanto não consegue ensiná-la para outra pessoa. Você não conhece nenhuma verdade completamente enquanto não a coloca diante de uma criança para que ela possa vê-la. Ao tentar fazer uma criancinha entender a doutrina da expiação, você conseguirá ter visões mais claras dela, e por isso eu lhe recomendo esse exercício santo.


Que bênção será se nossas crianças forem bem enraizadas na doutrina da redenção por Cristo! Se elas forem avisadas contra os falsos evangelhos desta má era, e se forem ensinadas a descansar na rocha da obra completada de Cristo, poderemos esperar que a geração depois da nossa manterá a fé, e que será melhor do que seus pais foram.



Vejam, suas escolas dominicais são louváveis, mas qual é o propósito delas se vocês não ensinam nelas o evangelho? Vocês reúnem as crianças e as mantêm quietinhas por uma hora e meia, e depois as mandam para casa; mas qual é o proveito disso? Pode dar um pouco de sossego para os pais e as mães, e é por isso, talvez, que eles os mandam para a escola; mas todo o verdadeiro bem está naquilo que é ensinado às crianças. A verdade mais fundamental deve ser colocada como a mais importante, e qual será ela se não for a cruz? Alguma conversa com as crianças sobre ser bons meninos e meninas etc. e tal; isto é, pregam a lei às crianças, embora queiram pregar o evangelho aos adultos. Isso é honesto? É prudente? As crianças precisam do evangelho, do evangelho todo, o evangelho autêntico, sem ser adulterado; devem recebê-lo, e se são ensinadas pelo Espírito de Deus, são tão capazes de recebê-lo como pessoas de idade madura. Ensine aos pequenos que Jesus morreu, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus. Confiante, entrego esse trabalho aos professores. Nunca conheci uma equipe mais nobre de homens e mulheres cristãos, pois são tão sinceros em sua ligação com o velho evangelho como são ansiosos pela salvação de almas. Sintam-se encorajados; o Deus que salvou tantas de suas crianças salvará muitos mais delas, e teremos grande alegria à medida que vemos centenas trazidas a Cristo.
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Pr. Josemar Bessa

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