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quinta-feira, 31 de julho de 2014

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Nada que Faças te Salvará – C. H. Spurgeon



A natureza humana é tão fraca e desamparada quanto um bebê largado. "Não se apiedou de ti olho algum, para te fazer alguma destas coisas, compadecido de ti; antes fostes lançada em pleno campo, no dia em que nasceste, porque tiveram nojo de ti. Passando eu por junto de ti, vi-te a revolver-te no teu sangue, e te disse: Ainda que estás no teu sangue, vive; sim, ainda que estás no teu sangue, vive." (Ezequiel 16:5-6).

As pessoas não podem fazer nada para se salvar. Por natureza, todos os homens estão mortos em transgressões e pecados. Como podem aqueles que estão mortos trazer a si próprios à vida? Somente Deus pode levantar os que estão mortos em pecado. Se o homem há de ser recuperado, isso terá que acontecer por um milagre. Somente Deus pode operar esse milagre.

Este ensino vem da Palavra de Deus. Se vocês não são cristãos, estão tão perdidos que, por mais desesperadamente que tentem, não se podem salvar. A situação é ainda pior que isso. Por natureza vocês não querem ser salvos. Vocês odeiam a Deus. É terrível dizer que vocês odeiam a Deus, mas é verdade. Somente o Santo Espírito de Deus pode fazê-los conhecer a verdade de que vocês odeiam a Deus. Mas até agora vocês não amam a verdade de Deus. Amam o pecado e não desejam ser libertos dele.

Esta incapacidade de se salvar nunca pode ser usada como uma desculpa para se pecar. Contudo, a incapacidade de fazer o bem torna nossa culpa pior. Tomamo-nos tão perversos que, não importa o que façamos, não podemos tornar-nos bons. Nossas vidas estão repletas de pecado porque nossa natureza é má. É tão natural para nós pecarmos quanto o é para a água descer em correnteza, ou para centelhas de uma fogueira subirem. Como o bebê expulso no campo, os incrédulos estão completamente desamparados.

O texto também ensina que os pecadores não têm amigos. "Não se apiedou de ti olho algum, para te fazer alguma destas coisas, compadecido de ti". Eles não têm nenhum amigo para ajudá-los. Só Deus pode ajudar. Um bom pai ou uma boa mãe pode compadecer-se da criança, porém nenhum pai ou mãe pode mudar a natureza da criança ou tirar seu pecado.


Da mesma forma, há pregadores que derramariam lágrimas se seu pranto trouxesse pecadores até Cristo. No entanto o evangelista mais fervoroso não pode, através de sua própria pregação, trazer vida às pessoas que estão mortas no pecado. Nem mesmo um anjo pode tirá-las de sua condição pecadora. Suas famílias podem chorar por elas, mas esse pranto não pode fazer a expiação do pecado. As lágrimas humanas nunca podem purificar um pecador. O forte desejo de outros para que uma pessoa seja santa não pode revesti-la de retidão. Estamos todos sem amigos, desamparados e arruinados. A lei nos condena. A justiça nos ameaça. Onde podemos ir se Deus recusa-Se a nos acolher?

quarta-feira, 30 de julho de 2014

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O crime contra a Verdade é repugnante | C. H. Spurgeon


Aceitamos a obrigação de pregar tudo que está na Palavra de Deus, de modo definido e distinto. Será que não há muitas pessoas que pregam sem significado claro, manuseando a Palavra de Deus de maneira enganosa? Você frequenta o ministério deles durante anos e não sabe no que creem. Ouvi falar de certo pastor cauteloso, a quem um ouvinte perguntou: "Qual é sua visão da expiação?". E ele respondeu: "Meu caro senhor, justamente isso, eu nunca contei a ninguém, e não vou dizer agora". Essa é uma estranha condição moral para a mente de um pregador do evangelho. Temo que ele não seja o único que tem esse tipo de relutância. Dizem que eles consomem sua própria fumaça, isto é, guardam suas dúvidas para o consumo caseiro. Muitos não ousam dizer no púlpito o que dizem sub rosâ (em particular) em uma reunião particular de pastores. Isso é honesto?


            Temo que aconteça com alguns o mesmo que se deu com um professor de uma cidade do sul dos Estados Unidos. Um grande professor negro antigo, Jasper, ensinara seus alunos que o mundo é plano como uma panqueca, e que o sol o circula todos os dias. Não tivemos essa parte de seu ensino, mas certas pessoas sim, e um deles foi com seu filho até o professor e perguntou: "Você ensina às crianças que o mundo é redondo ou plano?". O professor cautelosamente respondeu: "Sim". O indagador ficou confuso, mas pediu uma resposta mais clara: "Você ensina seus alunos que o mundo é redondo ou que é plano?". A resposta do professor americano foi: "Isso depende da opinião dos pais". Desconfio que aqui em nosso país também, muito depende da tendência do diácono principal, ou do contribuinte principal ou do jovem de ouro da congregação. Se isso acontece, o crime é repugnante.


            Mas se por essa ou qualquer outra razão ensinamos com língua dissimulada, o resultado é extremamente prejudicial. Ouso citar aqui uma história que ouvi de um amado irmão. Um pedinte bateu à porta da casa de um pastor para conseguir dinheiro com ele. O bom homem não gostou muito da aparência do pedinte e lhe disse: "Eu não me interesso por seu caso e não vejo nenhuma razão especial por que você deva vir a mim". O pedinte respondeu: "Estou certo que você me ajudaria se soubesse que grande benefício tenho recebido de seu ministério abençoado". O pastor retrucou: "E qual foi?". O pedinte respondeu: "Ora, senhor, quando eu primeiro vim ouvi-lo não ligava nem para Deus nem para demônio, mas agora, sob seu abençoado ministério, passei a amar os dois". Que maravilha se por causa da fala volúvel de alguns homens, as pessoas viessem a amar tanto a verdade como a mentira! As pessoas dirão: "Gostamos dessa doutrina e da outra também". O fato é que gostariam de qualquer coisa caso um enganador esperto pusesse isso plausivelmente diante deles. Admirariam Moisés e Aarão, mas não diriam uma palavra contra Janes e Jambres.


            Não nos uniremos à confederação que parece visar tal compreensão. Precisamos pregar o evangelho de modo tão distinto que as pessoas saibam o que estamos pregando. "Se a trombeta não emitir um som claro, quem se preparará para a batalha?" (1Co 14.8). Não confunda seu povo com falas duvidosas. Alguém disse: "Bem, eu tive uma ideia nova um dia desses. Não a expandi; joguei-a fora!". Essa é uma coisa boa para fazer com a maioria de suas ideias novas. Lance-as fora, sim, de qualquer maneira, mas veja onde você está quando o faz; porque se você lançá-las do púlpito, podem acertar alguém e ferir a fé da pessoa. Lance fora suas ideias, mas primeiro navegue sozinho em um barco por mais de um quilômetro mar adentro. Depois que você tiver jogado ali suas cruas bagatelas, deixe-as com os peixes.



            Hoje, temos a nossa volta uma classe de homens que pregam Cristo e até o evangelho, mas depois eles pregam muitas outras coisas que não são verdade e assim destroem todo o bem que entregam e levam os homens ao erro. Eles querem ser classificados como "evangélicos" e, na verdade, são antievangélicos. Olhe bem para esses senhores. Ouvi dizer que uma raposa, quando acossada de perto pelos cães sabe fingir que é um deles e corre com a matilha. Isso é o que certos homens visam hoje: as raposas querem passar por cães. Mas no caso da raposa, seu cheiro forte a trai, e os cães logo a descobrem, do mesmo modo, o cheiro da doutrina falsa não é facilmente ocultado, e a presa não a segue por muito tempo. Há ministros que é difícil saber se são cães ou raposas; mas todos os homens devem saber de que espécie somos ao longo de nossa vida e não ter dúvida em relação àquilo que cremos e ensinamos. Não hesitemos em falar nas palavras mais robustas que possamos encontrar e nas sentenças mais claras que pudermos formar aquilo que mantemos como verdade fundamental.



quinta-feira, 24 de julho de 2014

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Até a ira humana há de louvar-te - C. H. Spurgeon



Os homens ímpios hão de sentir-se irados. Temos de suportar a ira deles como o distintivo de nossa chamada, o sinal de nossa separação deles. Se fôssemos do mundo, o mundo amaria o que era seu. Nossa consolação está no fato de que Deus fará a ira do homem redundar em glória para Ele: “Pois até a ira humana há de louvar-te; e do resíduo das iras te cinges.” - Salmos 76.10



Quando em sua ira homens ímpios crucificaram o Filho de Deus, eles estavam involuntariamente cumprindo o propósito divino; e, em milhares de casos, a obstinação dos ímpios está fazendo o mesmo hoje. Eles pensam que são livres, mas, como criminosos em algemas, estão inconscientemente realizando os decretos do Todo-Poderoso.


Os projetos malignos dos ímpios são vencidos por sua própria falta de êxito. Eles agem de maneira suicida e frustram suas próprias maquinações secretas. A ira dos ímpios não poderá fazer nada que nos cause dano genuíno. Quando eles queimaram os mártires, a fumaça produzida pelas fogueiras deixou enfermos muitos papistas, mais do que qualquer outra coisa.



O Senhor tem focinheiras e algemas para os ursos. Ele restringe a ira mais furiosa dos inimigos. O Senhor é como um fazendeiro que represa a água do riacho e a faz fluir em seguida para girar sua roda d'água, que por sua vez movimenta a engrenagem que moi o trigo. Não murmuremos, e sim cantemos. Tudo está bem, apesar de o vento soprar intensamente.

terça-feira, 22 de julho de 2014

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A verdadeira fé é bastante humilhante | C. H. Spurgeon


O rasgar de vestes e outros sinais exteriores de emoção religiosa podem ser manifestados com facilidade e, frequentemente, são hipócritas: “Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes.” - Joel 2.13


Sentir o verdadeiro arrependimento é muito mais difícil e, consequentemente, muito menos comum. Os homens atenderão às mais diversas e minuciosas normas de cerimônias religiosas que são agradáveis à carne. Mas a verdadeira fé é bastante humilhante, perscrutadora e completa, e não atrai o gosto carnal dos homens. Alguns preferem algo mais ostentoso, superficial e mundano.


Os ouvidos e olhos são satis¬feitos, a presunção é alimentada, e a justiça própria é enaltecida. Todavia, eles estão enganados, porque, na hora da morte e no Dia do Juízo, a alma necessita de algo mais substancial do que cerimônias e rituais em que possa confiar. Oferecida sem um coração sincero, toda forma de adoração é um fingimento e uma zombaria descarada da majestade no céu.


O rasgar do coração é uma obra realizada por Deus e experimentada com solenidade. E uma tristeza secreta experimentada pessoalmente, não como um ritual, e sim como uma obra profunda e constrangedora da alma, por parte do Espírito Santo, no coração de todo crente. Não é uma questão para ser meramente discutida e crida, mas para ser aguda e sensitivamente experimentada em cada filho do Deus vivo. O rasgar do coração é poderosamente humilhante e completamente purificador do pecado; mas, depois, é docemente preparatório para as consolações graciosas que espíritos orgulhosos não podem receber. E distintamente característico, pois pertence aos eleitos de Deus, e para os tais apenas.



O versículo de hoje nos ordena a rasgar o coração, mas ele naturalmente é tão duro quanto o mármore. Como, então, podemos fazer isto? Temos de levar nosso coração até ao Calvário. A voz de um Salvador quase morto rasgou as rochas naquela ocasião e continua tão poderosa agora como o foi naquele dia. O bendito Espírito Santo, faze-nos ouvir os clamores de morte do Senhor Jesus, e nosso coração será rasgado, à semelhança de homens que rasgavam suas vestes no dia de lamentação.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

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Duas coisas essenciais! | C. H. Spurgeon


A oração de Moisés era tão poderosa, que todos dependiam dela. As súplicas de Moisés derrotaram o inimigo, mais do que o fizeram a batalha dos exércitos de Josué. No entanto, os dois eram necessários: “Assim lhe ficaram as mãos firmes até ao pôr-do-sol.” -Êxodo 17.12


No conflito espiritual, força e fervor, decisão e devoção, valor e veemência têm de estar juntos. Temos de lutar contra o nosso pecado; porém, a maior parte dessa luta tem de ser realizada estando nós sozinhos, com Deus. Orações como a de Moisés erguem a aliança diante do Senhor. O Senhor não pode negar suas próprias declarações. Levante a vara da promessa e você receberá a sua resposta.


Quando Moisés ficou cansado, seus amigos o assistiram. Quando a sua oração perder a sua vitalidade, permita que a fé mantenha uma de suas mãos levantadas e que a esperança santa levante a outra. Então, a oração, assentando-se sobre a Rocha de nossa salvação, haverá de prevalecer e perseverar. Acautele-se do desânimo na oração. Se Moisés o sentiu, quem pode escapar? E muito mais fácil lutar contra o pecado em público do que orar contra ele em particular.



Josué não se cansou de lutar; Moisés, porém fatigou-se de orar. Quanto mais espiritual for um exercício, tanto mais dificuldade a carne e o sangue encontrarão para mantê-lo. Que o Espírito de Deus, que nos auxilia em nossas fraquezas, capacite-nos a preservar nossas mãos levantadas, à semelhança de Moisés, "até ao pôr-do-sol". Súplicas intermitentes possuem pouco valor. Temos de lutar toda a noite e manter levantadas nossas mãos "até ao pôr-do-sol". Temos de permanecer firmes até que a noite desta vida termine e venha o despontar de um sol melhor, na terra onde a oração se transforma em louvor.

sábado, 19 de julho de 2014

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Você possui um coração de carne? | C. H. Spurgeon



Um coração de carne é conhecido por sua sensibilidade para com o pecado. Satisfazer uma imaginação tola ou permitir que um desejo perverso permaneça por um momento é o suficiente para que um coração se entristeça diante do Senhor. Somente um coração de pedra considera como nada uma grande iniquidade: "Dar-vos-ei coração de carne" Ezequiel 36.26


Um coração de carne é sensível à vontade de Deus. Quando o coração de carne se dedica a Deus, a vontade balança como uma folha de álamo em cada sopro celestial e se curva como um salgueiro em cada brisa do Espírito de Deus. A vontade natural do homem é como o ferro frio e duro que não pode ser martelado para assumir uma forma; mas a vontade nascida de novo, à semelhança de um metal derretido, é logo moldada pelas mãos da graça divina.


No coração de carne, há ternura de afeições. O coração de pedra não ama o Redentor. O coração de carne arde com afeições por Ele. O coração de pedra é egoísta e questiona com insensibilidade: "Por que eu devo chorar por causa do pecado? Por que eu devo amar o Senhor Jesus?" O coração de carne, porém, afirma: "Senhor, Tu sabes que eu te amo. Ajuda-me a amar-te cada vez mais". Este coração renovado está pronto para receber toda bênção espiritual, e cada uma delas lhe sobrevém. O coração de carne produzirá fruto celestial para glória e louvor de Deus; por isso, o Senhor se deleita neste coração.



Um coração sensível ao Senhor é a melhor defesa contra o pecado e a melhor preparação para o céu. Um coração nascido de novo permanece em sua torre de vigia, aguardando a vinda do Senhor Jesus. Você possui este coração de carne?

quarta-feira, 16 de julho de 2014

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No que consiste o verdadeiro arrependimento? - C. H. Spurgeon




O quebrantamento santo que faz um homem lamentar o seu pecado surge de uma operação divina. O homem caído não pode renovar seu próprio coração. O diamante pode mudar seu próprio estado para tornar-se maleável, ou o granito amolecer a si mesmo, transformando-se em argila? Somente aquele que estendeu os céus e lançou os fundamentos da terra pode formar e reformar o espírito do homem. O poder de fazer que da rocha de nossa natureza fluam rios de arrependimento não está na própria rocha: “Olharão para aquele a quem traspassaram” - Zacarias 12.10.


O poder jaz no onipotente Espírito de Deus... Quando Deus lida com a mente do homem, por meio de suas operações secretas e misteriosas, Ele a enche com uma nova vida, percepção e emoção. “Deus... me fez desmaiar o coração” (Jó 23.16), disse Jó. E, no melhor sentido, isso é verdade. O Espírito Santo nos torna maleáveis e nos tornamos receptíveis às suas impressões sagradas... Agora, quero abordar o âmago e a essência de nosso assunto.


O enternecimento do coração e o lamento pelo pecado são produzidos por olharmos, pela fé, para o Filho de Deus traspassado. A verdadeira tristeza pelo pecado não acontece sem o Espírito de Deus. Mas o Espírito de Deus não realiza essa tristeza sem levar-nos a olhar para Jesus crucificado. Não há verdadeiro lamento pelo pecado enquanto não vemos a Cristo... Ó alma, quando você chega a contemplar Aquele para quem todos deveriam olhar, Aquele que foi traspassado, então seus olhos começam a lamentar aquilo pelo que todos deveriam chorar — o pecado que imolou o seu Salvador!Não há arrependimento salvífico sem a contemplação da cruz... O arrependimento evangélico é o único arrependimento aceitável. E a essência desse arrependimento é olhar para Aquele que foi moído pelos pecados... Observe isto: quando o Espírito Santo realmente opera, Ele leva a alma a olhar para Cristo. Nunca uma pessoa recebeu o Espírito de Deus para a salvação, sem que tenha recebido dEle o olhar para Cristo e o lamentar por seus pecados.


A fé e o arrependimento são gerados e prosperam juntos. Ninguém deve separar o que Deus uniu! Ninguém pode arrepender-se do pecado sem crer em Jesus, nem crer em Jesus sem arrepender-se do pecado. Olhe, então, com amor para Aquele que derramou seu sangue, na cruz, por você. Por meio desse olhar, você obterá perdão e quebrantamento. Quão admirável é o fato de que todos os nossos males podem ser curados por um único remédio: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra” (Is 45.22). Contudo, ninguém olhará para Cristo sem que o Espírito de Deus o incline a fazer isso. Ele não conduz uma pessoa à salvação, se ela não se rende às suas influências e não volve seu olhar para Jesus...


O olhar que nos abençoa, produzindo quebrantamento de coração, é o olhar para Jesus como Aquele que foi traspassado. Quero me demorar nisso por um momento. Não é somente o olhar para Jesus como Deus que afeta o coração, mas também olhar para este mesmo Senhor e Deus como Aquele que foi crucificado por nós. Vemos o Senhor traspassado, e, em seguida, inicia-se o traspassamento de nosso coração. Quando o Espírito Santo nos revela Jesus, os nossos pecados também começam a ser expostos...


Venham, almas queridas, vamos juntos à cruz, por um pouco, e notemos quem era Aquele que recebeu a lançada do soldado romano. Olhe para o seu lado e observe aquela terrível ferida que atingiu seu coração e desencadeou um duplo fluxo de sangue. O centurião disse: “Verdadeiramente este era Filho de Deus” (Mt 27.54). Aquele que, por natureza, é Deus e governa sobre tudo, sem o Qual “nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3), tomou sobre Si mesmo nossa natureza e se tornou homem, como nós, mas não tinha qualquer mácula de pecado. E, vivendo em forma humana, foi obediente até à morte, morte de cruz. Foi Ele quem morreu! Ele, o único que possui a imortalidade, condescendeu em morrer! Ele, que era toda a glória e poder, sim, Ele morreu! Ele, que era toda a ternura e graça, sim, Ele morreu! Infinita bondade esteve pendurada na cruz! Beleza indescritível foi traspassada com uma lança! Essa tragédia excede todas as outras! Por mais perversa que tenha sido a ingratidão do homem em outros casos, a sua mais perversa ingratidão se expressou no caso de Jesus! Por mais horrível que tenha sido o ódio do homem contra a virtude, o seu ódio mais cruel foi manifestado contra Jesus! No caso de Jesus, o inferno superou todas as suas vilezas anteriores, clamando: “Este é o herdeiro; ora, vamos, matemo-lo” (Mt 21.38).


Deus habitou entre nós, e os homens não O aceitaram. Visto que o homem foi capaz de traspassar e matar o seu Deus, ele cometeu um pecado horrível. O homem matou o Senhor Jesus Cristo e O traspassou com uma lança! Nesse ato, o homem mostrou o que fariam com o próprio Eterno, se pudesse chegar até Ele. O homem é, no coração, assassino de Deus. Ele se alegria se Deus não existisse. Ele diz em seu coração: “Não há Deus” (Sl 14.1). Se a sua mão pudesse ir tão longe quanto o seu coração, Deus não existiria nem mesmo por mais uma hora. Isto dá ao traspassamento de nosso Senhor uma forte intensidade de pecado: foi o traspassamento de Deus.


Por quê? Por que razão o bom Deus foi assim perseguido? Oh! pelo amor de nosso Senhor Jesus Cristo, pela glória de sua Pessoa, pela perfeição de seu caráter, eu lhe peço — admire-se e envergonhe-se de que Ele foi traspassado! Não foi uma morte comum. Aquele assassinato não foi um crime comum. Ó homem, Aquele que foi traspassado com a lança era o seu Deus! Na cruz, contemple o seu Criador, o seu Benfeitor, o seu melhor Amigo!


Olhe firmemente para Aquele que foi traspassado e observe o Sofredor que é descrito na palavra “traspassado”. Nosso Senhor sofreu severa e terrivelmente. Não posso, em uma mensagem, descrever a história de seus sofrimentos — as tristezas de sua vida de pobreza e perseguição; as angústias do Getsêmani e do suor de sangue; as tristezas de seu abandono, traição e negação; as tristezas no palácio de Pilatos; os golpes de chicotes, o cuspe e o escárnio; as tristezas da cruz, com sua desonra e agonia... Nosso Senhor foi feito maldição por nós. A penalidade do pecado ou o que lhe era equivalente, Ele a suportou, “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1 Pe 2.24). “O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.5).


Irmãos, os sofrimentos de Jesus devem amolecer nosso coração! Nesta manhã, lamento o fato de que não me entristeço como deveria. Acuso a mim mesmo daquele endurecimento de coração que eu condeno, visto que posso contar-lhes essa história sem enternecimento de coração. Os sofrimentos de meu Senhor são indescritíveis. Examinem e verifiquem se já houve tristeza semelhante à de Jesus! A sua tristeza foi abismal e insondável... Se você considerar firmemente a Jesus traspassado por nossos pecados e tudo que isso significa, seu coração se dilatará! Mais cedo ou mais tarde, a cruz desenvolverá todo sentimento que você será capaz de produzir e lhe dará capacidade para mais. Quando o Espírito Santo põe a cruz no coração, o coração se dissolve em ternura... A dureza de coração desaparece quando, com profundo temor, contemplamos a Jesus sendo morto.


Devemos também observar quem foram os que traspassaram a Jesus. “Olharão para aquele a quem traspassaram.” Ambos os verbos se referem às mesmas pessoas. Nós matamos o Salvador, nós que olhamos para Ele e vivemos... No caso do Salvador, o pecado foi a causa de sua morte. O pecado O traspassou. O pecado de quem? Não foi o pecado dEle mesmo, pois Ele não tinha pecado, e nenhum engano se achou em seus lábios. Pilatos disse: “Não vejo neste homem crime algum” (Lc 23.4). Irmãos, o Messias foi morto, mas não por causa dEle mesmo. Nossos pecados mataram o Salvador. Ele sofreu porque não havia outra maneira de vindicar a justiça de Deus e de prover-nos um escape da condenação. A espada, que deveria cair sobre nós, foi despertada contra o Pastor do Senhor, contra o Homem que era o Companheiro de Jeová (Zc 13.7)... Se isso não quebranta nem amolece nosso coração, observemos por que Ele foi levado a uma posição em que poderia ser traspassado por nossos pecados. Foi o amor, poderoso amor, nada mais do que o amor, que O levou até à cruz. Nenhuma outra acusação Lhe pode ser atribuída, exceto esta: Ele era culpado de amor excessivo. Ele se colocou no caminho do traspassamento, porque resolvera salvar-nos... Ouviremos isso, pensaremos nisso, consideraremos isso e permaneceremos apáticos? Somos piores do que os brutos? Tudo que é humano abandonou a nossa humanidade? Se Deus, o Espírito Santo, está agindo agora, uma contemplação de Cristo derreterá o nosso coração de pedra...


Quero dizer-lhes ainda, ó amados: quanto mais olharmos para Jesus crucificado, tanto mais lamentaremos o nosso pecado. A reflexão crescente produzirá sensibilidade crescente. Desejo que olhem muito para Aquele que foi traspassado, para que odeiem cada vez mais o pecado. Livros que expõem a paixão de nosso Senhor e hinos que cantam a sua cruz sempre foram bastante queridos pelos crentes piedosos, por causa de sua influência sobre o coração e a consciência deles. Vivam no Calvário, amados, até que viver e amar se tornem a mesma coisa. Diria também: olhem para Aquele que foi traspassado, até que o coração de vocês seja traspassado.



Um antigo teólogo dizia: “Olhe para a cruz, até que tudo que está na cruz esteja em seu coração”. E acrescentou: “Olhe para Jesus, até que Ele olhe para você”. Olhem com firmeza para o sua Pessoa sofredora, até que Ele pareça estar volvendo sua cabeça e olhando para você, assim como o fez com Pedro, que saiu e chorou amargamente. Olhe para Jesus, até que você veja a si mesmo. Lamente por Ele, até que lamente por seu próprio pecado... Ele sofreu em lugar, em favor e em benefício de homens culpados. Isso é o evangelho. Não importa o que os outros preguem, “nós pregamos a Cristo crucificado” (1 Co 1.23). Sempre levaremos a cruz na vanguarda. A essência do evangelho é Cristo como substituto do pecador. Não evitamos falar sobre a doutrina do Segundo Advento, mas, antes e acima de tudo, pregamos Aquele que foi traspassado. Isso levará ao arrependimento evangélico, quando o Espírito de graça for derramado.
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Pr. Josemar Bessa

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