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sábado, 30 de janeiro de 2010

A Astronomia e a Verdade Divina - Spurgeon

/ On : 13:57/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.

Começarei com a ASTRONOMIA. E de início vocês entenderão que não vou fazer uma preleção astronô­mica, nem mencionar todos os grandes fatos e as minú­cias dessa fascinante ciência. Mas tenciono simplesmente utilizar a astronomia como um dos muitos campos de ilus­trações que o Senhor providenciou para nós. Permitam-me dizer, contudo, que esta ciência propriamente dita deve re­ceber muita atenção de todos nós. Ela se relaciona com muitas das maiores maravilhas da natureza, e o seu efeito sobre a mente é verdadeiramente maravilhoso. Os temas sobre os quais versa a astronomia são tão grandiosos, as maravilhas desvendadas pelo telescópio são tão subli­mes, que, muitas vezes, mentes incapazes de receber conhe­cimento por outros canais, tornam-se notadamente recep­tivas quando estudam esta ciência. Há o caso de um irmão que estudou nesta escola, e que parecia um pateta ter­rível. Nós realmente achávamos que ele não ia aprender coisa nenhuma, e que, perdidas as esperanças, teríamos que desistir dele. Mas eu lhe apresentei um pequno livro inti­tulado, O Jovem Astrônomo (The Young Astronomer). Mais tarde ele me disse que, quando o leu, sentiu como se algo tivesse estalado dentro de sua cabeça, ou como se um nervo tivesse arrebentado. Tomou posse de tão amplos pensamen­tos, que eu creio que o seu crânio experimentou de fato uma expansão que devia ter ocorrido em sua infância, e que veio a ocorrer graças à maravilhosa força dos pensamentos suge­ridos pelo estudo, não obstante elementar, da ciência astro­nômica.

Esta ciência deveria constituir o especial deleite dos ministros do evangelho, pois certamente nos leva a uma liga­ção com Deus mais íntima do que o faz qualquer outra ciência. Tem-se dito que um astrônomo incrédulo é louco. Eu diria que qualquer homem incrédulo é louco — padecendo do pior tipo de loucura. Mas, certamente, aquele que se familia­rizou com os astros dos céus e que, todavia, não viu o grande Pai das luzes, o Senhor que os fez a todos, só pode estar atacado de uma loucura horrível. Apesar de todo o seu conhe­cimento, deve ter sido ferido por uma incapacidade mental que o coloca quase abaixo do nível dos animais que perecem. Kepler, o grande astrônomo matemático, que tão bem explicou muitas das leis que governam o universo, conclui um dos seus livros, Harmonias (Harmonics), com esta reve­rente e devota expressão dos seus sentimentos: "Dou-te graças, Senhor e Criador» por me haveres dado alegria por meio da Tua criação, pois fui arrebatado pela obra das Tuas mãos. Revelei a humanidade a glória das Tuas obras, na medida em que o meu espírito limitado pôde conceber a infinidade delas, Se apresentei alguma coisa indigna de Ti, ou se procurei a minha fama pessoal, se propício em Tua graça perdoar-me". E vocês sabem como o vigoroso Newton, verdadeiro príncipe entre os filhos dos homens, continuada-mente se punha de joelhos, quando elevava os olhos aos céus e descobria novas maravilhas na amplidão estrelada. Portanto, a ciência que tende a levar os homens a inclinar-se com humildade perante o Senhor deve ser sempre um dos estudos favoritos para nós, cuja ocupação consiste em inculcar reverência para com Deus em todos os que venham a estar sob a nossa influência.

Jamais a ciência da astronomia se nos tornaria acessível em muitos dos seus pormenores extraordinários, não fora a descoberta ou invenção do telescópio. A verdade é gran­diosa, mas não nos afeta salvadoramente enquanto não nos familiarizamos bem com ela. O conhecimento do evangelho, como nos é revelado na Palavra de Deus, torna-o verdadeiro para nós; e muitíssimas vezes a Bíblia é para nós o que o telescópio é para o astrônomo. As Escrituras não criam a verdade, mas a revelam de um modo pelo qual o nosso pobre e frágil intelecto, quando iluminado pelo Espírito Santo, pode apreendê-la e compreendê-la.

Num livro ao qual sou devedor por muitas citações nesta preleção, aprendi que o telescópio foi descoberto desta singular maneira: "Um fabricante de óculos de Middleburg tropeçou na descoberta devido ao fato de que os seus filhos chamaram a atenção dele para a aparência ampliada do cata-vento de uma igreja, quando acidentalmente visto através de duas lentes de óculos, seguras entre os dedos a alguma distância uma da outra. Foi esse um dos atos inadvertidos da infância; e raramente se tem visto um exemplo paralelo de potentes resultados provirem de uma circunstância trivial assim. É estranho refletir nas jocosas travessuras da meni­nice como ligadas em seu desfecho, e em data não distante, ao alargamento dos limites conhecidos do sistema planetá­rio, dando solução à nebulosa do Órion e revelando a riqueza do firmamento". De maneira semelhante, um incidente sim­ples tem sido muitas vezes o meio de revelar as maravilhas da graça divina. O que certo indivíduo pretendia que fosse mera brincadeira com as coisas divinas, Deus tornou-o na salvação da sua alma. Entrou para ouvir um sermão corno poderia ter ido ao teatro ver uma peça. Mas o Espírito de Deus levou a verdade para dentro do seu coração, e lhe revelou as coisas profundas do Reino, e o seu interesse pessoal por elas.

Acho que o incidente da descoberta do telescópio pode­ria ser empregado beneficamente como ilustração da cone­xão entre causas pequenas e grandes resultados, mostrando como a providência de Deus continuadamente faz com que coisas pequenas sejam meios de produzir maravilhosas e importantes revoluções. Muitas vezes pode acontecer que aquilo que nos parece coisa de puro acidente sem nada de notável a seu respeito, tenha realmente o efeito de alterar todo o curso da nossa vida, e de influir também na mudança das vidas de muitos outros para uma direção completamente nova.

Uma vez descoberto o telescópio, o número, a posição e os movimentos das- estréias tornaram-se crescentemente visíveis, até que no presente podemos estudar os esplen­dores do céu estelar, e aprender continuadamente mais e mais das maravilhas manifestadas pela mão de Deus. O telescópio revelou-nos muito mais do sol, da lua e das estrelas do que jamais poderíamos ter descoberto sem o seu auxílio. Por causa do freqüente uso que o dr Livingstone fazia do sextante quando viajava pela África, era referido pelos  nativos  como  o  homem   branco  que  poderia  trazer para baixo o sol e levá-lo debaixo do braço. É isso que o telescópio fez por nós, e é isto que a fé no evangelho fez por nós nos céus espirituais: ela nos trouxe à terra o Pai e o Filho e o Espírito Santo, e nos deu os bens elevados e eternos para serem nossa possessão atual e a nossa perpétua alegria.

Assim, vocês vêem, o telescópio mesmo pode ser levado a fornecer-nos muitas ilustrações valiosas. Também podemos transformar em algo proveitoso as lições a serem apren­didas pelo estudo dos astros com vistas à navegação. O marinheiro, ao cruzar o mar sem pistas, pode, fazendo obser­vações astronômicas, dirigir-se com precisão para o porto desejado. Conta-nos o capitão Basil Hall, no livro que citei anteriormente, que "uma vez velejou partindo de San Blas, na costa ocidental do México; e, depois de uma viagem de oito mil milhas, que durou oitenta e nove dias, arribou ao Rio de Janeiro, tendo nesse Intervalo passado pelo Oceano Pacífico, rodeado o Cabo Horn e cruzado o Atlântico sul, sem avistar terra, e sem ver uma única vela, exceto um baleeiro americano. Quando estava a uma semana de viagem do Rio, procurou seriamente determinar, mediante observa­ções lunares, a posição do seu navio, e depois estabeleceu a sua rota segundo aqueles princípios comuns de navegação que podem ser empregados com segurança para curtas dis­tâncias entre um lugar conhecido e outro. Tendo chegado dentro do que, segundo as suas computações, considerava quinze ou vinte milhas da costa, deteve o barco às quatro horas da manhã, para esperar o romper do dia, e depois partiu, prosseguindo com cautela por causa do nevoeiro es­pesso. Quando este se desvaneceu, a tripulação teve a satis­fação de ver o grande rochedo chamado Pão de Açúcar, que se ergue a um lado da entrada da baía, com o rumo quase perfeito, de modo que não foi preciso alterar o curso mais que um grau para acertar com a entrada do porto. Esta era a primeira terra que os tripulantes viam em quase três meses, após terem cruzados muitos mares e de terem sido levados para trás e para diante por inumeráveis correntes e ventos borrascosos. Q efeito sobre todos a bordo foi eletrizante, e, dando vazão à sua admiração, os marinheiros saudaram o comandante com vigorosos aplausos.

De semelhante maneira, também navegamos com a orientação dos corpos celestes, e por longo período não avista­mos terra, e às vezes não vemos sequer uma vela a passar; e, contudo, se fizermos as nossas observações corretamente e seguirmos a pista que elas nos indicam, teremos, quando estivermos para terminar a viagem, a grande bênção de ver, não o grande rochedo Pão de Açúcar, mas o Belo Porto da Glória, diretamente diante de nós. Não teremos que alterar o nosso curso nem um só grau; e, quando estivermos nave­gando para o interior da baía celestial, que cânticos de júbilo elevaremos, não glorificando a nossa própria habili­dade mas em louvor do prodigioso Capitão e Piloto que nos guiou pelo tormentoso mar da vida, e nos capacitou a navegar com segurança, mesmo onde não podíamos enxergar o nosso caminho!

Kepler faz uma sábia observação, ao falar sobre o sis­tema matemático pelo qual o curso de um astro pode ser predito. Depois de descrever o resultado de suas observa­ções, e de declarar sua firme crença em que a vontade do Senhor é o supremo poder nas leis da natureza, diz: "Mas, se houver algum homem obtuso demais para receber esta ciência, aconselho-o a que, deixando a escola de astronomia, siga o seu caminho e desista desse peregrinar pelo universo; e, alçando os seus olhos naturais, com os quais somente ele pode ver, derrame o seu coração em louvor de Deus o Criador, tendo certeza que não dá a Deus menos culto do que o astrônomo, a quem Deus deu visão mais clara com os olhos interiores, e que, por aquilo que ele próprio desco­briu, pode e quer glorificar a Deus".

Essa é, acho eu, uma ilustração muito bonita daquilo que você, irmão, poderia dizer a qualquer pobre iletrado da sua igreja. Por exemplo: "Bem, meu amigo, se você não pode compreender este sistema de teologia que lhe expli­quei, se estas doutrinas lhe parecem inteiramente incom­preensíveis, se não consegue acompanhar-me na minha exe­gese crítica do texto grego, se não pode captar a idéia poética que tentei dar-lhe agora mesmo, que à minha mente causa tanto enlevo, no entanto, se você sabe apenas que a Bíblia é verdadeira, que você é pecador, e que Jesus Cristo é o seu Salvador, siga o seu caminho, e preste culto, e adore, e imagine Deus como puder. Não se preocupe com os astrô­nomos, os telescópios, as estrelas, o sol e a lua; cultue a Deus à sua própria maneira. Completamente à parte do meu conhecimento teológico e da minha explicação das doutrinas reveladas nas Escrituras, a Bíblia mesma, e a preciosa ver­dade que você recebeu em sua alma, mediante o ensino do Espírito Santo, serão inteiramente suficientes para fazer de você um aceitável adorador do Deus Altíssimo".

Suponho que todos vocês estão cientes de que entre os velhos sistemas de astronomia havia um que colocava a Terra no centro, e fazia o sol, a lua e as estrelas girarem ao redor dela. "Os seus três princípios fundamentais eram a imobilidade da Terra, a sua posição central, e a revolução diária de todos os corpos celestes ao redor dela em órbitas circulares."

Agora, de modo similar, há uma maneira de fazer um sistema de teologia do qual o homem é o centro, pelo que fica implícito que Cristo e Seu sacrifício expiatório são só por amor do homem, que o Espírito Santo é simplesmente um grande Obreiro trabalhando em favor do homem, e que mesmo o grande e glorioso Pai deve ser visto apenas como existindo com o fim de tornar feliz o homem. Bem, esse pode ser o sistema adotado por alguns; mas, irmãos, é preciso que não caiamos nesse erro, pois, assim como a Terra não é o centro do universo, o homem não é o maior de todos os seres. Aprouve a Deus. exaltar altissimamente' o homem; mas precisamos lembrar-nos de como o- salmista fala dele: "Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites?" Noutro lugar diz Davi: "Senhor, que é o homem, para que o conheças, e o filho do homem, para que o esti­mes? O homem é semelhante à vaidade; os seus dias são como a sombra que passa"
O homem não pode ser o centro do universo teológico. É um ser por demais insignificante para ocupar tal posição, e o esquema de redenção deve existir para algum outro fim que o de meramente tornar feliz o homem, ou mesmo o de fazê-lo santo, A salvação do homem certamente deve ser primeiro que tudo para a glória de Deus; e vocês terão descoberto a forma certa da doutrina cristã quando tiverem encontrado o sistema que mostra Deus no centro, exercendo governo e controle de acordo com o beneplácito da Sua voutade. Não apequenem o homem de molde a fazer parecer que Deus não cuida dele, pois, se o fizerem, estarão calu­niando" a Deus. Dêem ao homem a posição que Deus lhe atribuiu. Fazendo-o, vocês terão um sistema de teologia em que todas as verdades da revelação e da experiência se moverão em gloriosa ordem e harmonia em torno do grande astro central, o divino e soberano Governador do universo, o Deus que é sobre todos, bendito para sempre.
Vocês podem, entretanto — qualquer um de vocês — cometer outro erro, imaginando-se a si próprios como o centro de um sistema. Essa noção estulta é uma boa Ilus­tração, eu acho. Há alguns homens cujos princípios fundamentais são os seguintes: primeiro, a sua própria imobili­dade, pois o que são, sempre haverão de ser, e estão certos, e ninguém pode mexer com eles. Segundo, a sua posição é central; o sol se levanta e se põe para eles, e a lua cresce e mingua. Para eles as suas esposas existem; para eles nascem os seus filhos; para eles tudo é colocado onde apa­rece no universo de Deus; e eles julgam todas as coisas de acordo com esta regra: "Como isto irá beneficiar-me?" Esse é o princípio e o fim do seu grande sistema, e eles esperam que se dê a revolução diária, se não de todos os corpos celestes, certamente de todos os corpos terrestres, ao redor deles. O sol, a lua e as onze estrelas devem fazer-lhes mesuras.

Bem, irmãos, essa é uma teoria reprovada, no que diz respeito à terra, e não há verdade nessa noção com referência a nós. Podemos nutrir essa idéia errônea; mas o público em geral não o fará, e quanto mais depressa a graça de Deus a expelir de nós, melhor, de sorte que assumamos nossa posição apropriada num sistema muito mais elevado do que qualquer daqueles em que podemos ser o centro.

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