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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Aos que Amam as Escrituras - C.H.Spurgeon (Sl 119.1).

/ On : 16:34/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.



Bem-aventurados os impolutos em seus caminhos, que andam na lei do Senhor.(Sal 119.1)




Bem-aventurados. O salmista se sente tão arrebatado pela lei do Senhor, que considera como estando conformado a ela seu mais elevado ideal de bem-aventurança. Ele está olhando admira­do para as belezas da lei perfeita; e, como se nesse versículo en­contrasse a suma e resultado de todas suas emoções, ele exclama: "Bem-aventurado é o homem cuja vida é a transcrição prática da vontade de Deus." A religião genuína não é apática nem árida; ela tem suas exclamações e êxtases. Não só julgamos ser a guarda da lei de Deus uma atitude sábia e correta, mas nos sentimos arden­temente extasiados ante sua santidade, e clamamos em extasiante adoração: "Bem-aventurados são os imaculados!" Significando com isso que ardentemente desejamos tornar-nos assim. Nosso desejo por felicidade não é maior que o de sermos perfeitamente santos. E possível que o escritor tenha laborado sob o senso de sua própria falha, e portanto invejado a bem-aventurança daqueles cuja vida havia sido mais perfeita e santa que a dele; aliás, a própria contemplação da lei perfeita do Senhor na qual ele agora tem ingresso fosse suficiente para levá-lo a deplorar suas imperfeições pessoais e a suspirar pela bem-aventurança de um viver sem mácula.


A religião genuína é sempre prática, pois ela não nos permite deleitar-nos numa regra perfeita sem excitar em nós profundo anelo de conformar a essa regra nossa conduta diária. Uma bênção per­tence aos que ouvem, lêem e entendem a Palavra do Senhor; não obstante, uma bênção ainda maior advém da real obediência a ela e concretiza em nosso andar e conversação o que aprendemos em nosso exame das Escrituras. A mais genuína bem-aventurança consiste na pureza de nosso caminho e de nossa caminhada.


Este primeiro versículo constitui não só um prefácio a todo o Salmo, mas pode também ser considerado como o texto sobre o qual o resto é um discurso. E semelhante à bênção do primeiro Salmo, o qual é o próprio cabeçalho de todo o livro: há certa se­melhança entre este Salmo 119 e o Saltério, e este é só um ponto dele, que começa com uma bênção. Neste também vemos algumas prefigurações do Filho de Davi, que começou seu grande sermão como Davi começou seu grande Salmo. E bom abrir nossa boca com bênçãos. Quando não podemos concedê-las, podemos apon­tar o caminho de sua obtenção; e ainda quando nem mesmo as possuamos, pode ser proveitoso contemplá-las, para que nossos desejos sejam excitados e nossas almas movidas a buscá-las. Se­nhor, se não sou ainda tão abençoado ao ponto de não ser ainda contado entre os imaculados em teu caminho, contudo meditarei intensamente na felicidade que desfrutam, e a porei diante de meus olhos como uma ambição a ser concretizada em minha vida.


Do modo como Davi começa seu Salmo, os jovens deveriam começar suas vidas; os recém-convertidos deveriam iniciar sua profissão de fé; todos os cristãos deveriam começar cada dia. As­sentem em seus corações como primeiro postulado e sólida regra da ciência prática que santidade é sinônimo de felicidade; que nossa sabedoria consiste em primeiramente buscar o reino de Deus e sua justiça. O bom começo já é meio triunfo. Começar com uma idéia veraz de bem-aventurança é importante além de toda medida. O homem começou sendo bem-aventurado em sua inocência; e se nossa raça caída visa a ser bem-aventurada outra vez, então ela deve encontrar a bem-aventurança onde ela a perdeu no prin­cípio, ou seja, conformando-se com os mandamentos do Senhor.


Os impolutos em seu caminho. Estão no caminho; o caminho reto; o caminho do Senhor; e guardam o caminho, andando com santa prudência e lavando seus pés diariamente, para que não sejam maculados pelo contato com o mundo. Desfrutam de grande bem-aventurança em suas próprias almas; aliás, já sentem uma prelibação do céu, onde a bem-aventurança é absolutamente impossível de ser maculada; e onde poderão prosseguir plena e perfeitamente sem mancha; na verdade, devem viver já seus dias celestiais na terra. O mal externo pouco nos feriria se fôssemos inteiramente isentos do mal do pecado, cuja obtenção, mesmo para o melhor dentre nós, ainda se encontra na região do desejo, o qual ainda não se concretizou plenamente, ainda que tenhamos uma visão bem nítida do que consideramos ser bem-aventurança propria­mente dita, e portanto nos precipitamos avidamente em sua direção.


Bem-aventurado é aquele cuja vida é, no sentido evangélico, impoluta, sem mácula, porque jamais lhe seria possível alcançar esse ponto se infindas bênçãos ainda não lhe houvessem sido der­ramadas. Somos por natureza impuros e extraviados do caminho; e por isso temos que ser lavados no sangue expiador para que a impureza seja removida, e temos que ser convertidos pelo poder do Espírito Santo, do contrário não nos ingressaremos na vereda da paz, nem seremos íntegros em seu percurso. Mas isso não é tudo, pois faz-se mister que o poder contínuo da graça mantenha o cristão na vereda direita e o preserve da poluição. E preciso que todas as bênçãos do pacto sejam, em certa medida, derramadas sobre aqueles que, dia a dia, são capacitados a aperfeiçoar sua santidade no temor do Senhor. Sua vereda é a evidência de serem eles os bem-aventurados do Senhor.


Davi fala de um elevado grau de bem-aventurança; pois há aqueles que já se encontram no caminho e que são genuínos ser­vos de Deus; todavia se acham ainda maculados de diversas for­mas e ainda atraem sobre si muitas máculas. Outros andam envoltos em luz mais plena e mantêm comunhão mais íntima com Deus, e são aptos a manter-se imunes das impurezas do mundo, os quais desfrutam de mais paz e alegria do que seus irmãos menos vigilan­tes. Sem dúvida, quanto mais profunda é nossa santificação, mais intensa é nossa bem-aventurança. Cristo é o nosso caminho, e não só estamos vivos em Cristo como também devemos viver nele. O lamentável é que nós salpicamos sua santa vereda com nosso ego­ísmo, nossa vangloria, nossa obstinação e nossa carnalidade, per­dendo com isso, em grande medida, a bem-aventurança que se acha nele como nosso caminho. O cristão que erra continua salvo, porém deixa de experimentar a alegria de sua salvação; continua redimido, porém não enriquecido; muitíssimo disposto, porém não muitíssimo abençoado.


Quão facilmente pode sobrevir-nos impureza, mesmo em nos­sas coisas santas, sim, até mesmo no caminho! E até mesmo pos­sível achegarmo-nos para o culto público ou privativo maculados em nossa consciência, quando ainda nos achamos de joelhos. Não havia assoalho no tabernáculo, mas apenas areia; daí os sacerdo­tes, para o serviço junto ao altar, careciam constantemente de la­var seus pés; e, pela bondosa provisão de seu Deus, o lavatório lhes estava sempre à disposição para que se purificassem. Quanto a nós, nosso Senhor ainda se dispõe a lavar nossos pés, para que estejamos totalmente limpos. E assim nosso texto preanuncia a bem-aventurança dos apóstolos no cenáculo, quando Jesus lhes assegura: "Vós já estais limpos."


Que gloriosa bem-aventurança aguarda os que seguem o Cor­deiro para onde quer que ele vá, e são preservados do mal que impregna o mundo de luxúria! Estes atrairão a inveja de toda a humanidade "naquele dia". Ainda que agora sejam menospreza­dos como fanáticos e puritanos, os mais prósperos dos pecadores então desejarão que possam trocar de lugar com eles. O minha alma, busca tua bem-aventurança em seguir os passos de teu Se­nhor, o qual foi santo, inculpável, imaculado; pois se até aqui desfrutaste de paz, haverás de desfrutá-la para todo o sempre.

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