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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Buscando de todo Coração - C. H. Spurgeon

/ On : 14:31/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.

“Bem aventurados os que guardam seus testemunhos, e que os buscam de todo o coração” (Sl 119.2)The Golden Alphabet

Atribui-se bem-aventurança aos que entesouram os tes­temunhos do Senhor; no quê está implícito que eles examinam as Escrituras, que adquirem compreensão delas, que as amam e en­tão passam a praticá-las. Primeiro temos que adquirir uma coisa antes de podermos guardá-la. A fim de guardá-la bem, é preciso que nos apoderemos firmemente dela. Não podemos guardar no coração aquilo que não abraçamos sinceramente pelas afeições. A palavra de Deus é sua testemunha ou que comunica o testemunho e importantes verdades que dizem respeito a ele e a nossa relação com ele. Isso devemos desejar conhecer; conhecendo-o, devemos crer nele; crendo-o, devemos amá-lo; e amando-o, devemos retê-lo com firmeza contra todos os que se opuserem. Há uma obser­vância doutrinai da palavra quando nos dispomos a morrer em sua defesa, e uma observância prática dela quando realmente vive­mos sob seu poder. A verdade revelada é preciosa como diaman­tes, e deve ser guardada ou entesourada na memória e no coração como jóias num escrínio, ou como a lei era guardada na arca; isso, contudo, não basta; pois ela se destina ao uso prático, e por isso deve ser guardada ou seguida, como os homens se mantêm no caminho ou seguem uma linha de negócios. Se guardarmos os testemunhos de Deus, eles por sua vez nos guardarão; nos mante­rão retos na opinião, confortáveis no espírito, santos na conversa­ção e esperançosos na expectativa. Se foram sempre de real valor, e nenhuma pessoa sensata põe isso em dúvida, então são dignos de ser guardados; seu efeito designado não é uma conquista tem­porária, mas vem por uma perseverante posse deles: "em os guar­dar há grande recompensa".

Somos obrigados a guardar a Palavra de Deus com todo cui­dado, porque ela são seus testemunhos. Ele no-los deu, mas ainda são dele. E preciso que os guardemos como um vigilante guarda a casa de seu patrão; como um mordomo administra os bens de seu senhor; como um pastor guarda o rebanho de seu proprietário. Somos obrigados a prestar contas, porquanto o evangelho nos foi confiado, e ai de nós se formos encontrados infiéis. Não podemos combater o bom combate, nem concluir nossa carreira, a menos que guardemos a fé! Com este alvo em vista, o Senhor nos guarda­rá; somente aqueles que são guardados pelo poder de Deus, para a salvação, é que serão capazes de guardar seus testemunhos. Por­tanto, que bem-aventurança se evidencia e se testifica mediante meticulosa convicção na Palavra de Deus e uma contínua obe­diência a ela! Deus os tem abençoado, os está abençoando e os abençoará para sempre. A bem-aventurança que Davi visualizou em outros, ele a concretizou em si, pois ele diz no versículo 168: "Tenho guardado teus preceitos e teus testemunhos"; e nos versí­culos 54 a 56, ele associa seus cantos jubilosos e suas felizes me­mórias a esta mesma observância da lei, e confessa: "E isto eu fiz, porque guardei teus mandamentos." As doutrinas que ensinamos a outros, antes devemos experimentar em nós mesmos.

E que os buscam de todo o coração. Os que guardam os tes­temunhos do Senhor se asseguram de que vão em busca deles mesmos. Se sua Palavra é preciosa, podemos estar certos de que ele mesmo é ainda mais precioso. O tratamento pessoal com um Deus pessoal é a aspiração de todos quantos se asseguram de que a Palavra do Senhor tenha seu pleno efeito sobre eles. Uma vez tenhamos experimentado realmente o poder do evangelho, é mis­ter que busquemos o Deus do evangelho. Nosso sincero clamor será este: "Oh, que eu saiba onde posso encontrá-lo!" Veja o de­senvolvimento que essas frases indicam: primeiro, no caminho; então, no transpô-lo; em seguida, descobrindo e guardando o te­souro da verdade; e, acima de tudo, ir após o Senhor da maneira como ele preceitua. Note também que, à medida que uma alma avança na graça, mais divinas e espirituais são suas aspirações: o andar externo não satisfaz à alma agraciada, nem mesmo os teste­munhos entesourados; no devido tempo, ela se entrega a Deus pessoalmente, e quando, em certa medida, o encontra, ainda o deseja muito mais, e continua a buscá-lo.

Buscar a Deus significa o ardente desejo de ter comunhão com ele de maneira mais íntima, segui-lo mais plenamente, manter a mais perfeita união com sua mente e vontade, promover sua glória e compreender plenamente tudo o que ele é para os corações san­tos. O homem abençoado já possui a Deus, e por esse motivo ele o busca. Isso pode parecer contraditório; mas é apenas um paradoxo.

Deus não é buscado genuinamente pelas frias ponderações do cérebro; é preciso que o busquemos com o coração. O amor se manifesta amando; Deus manifesta seu coração no coração de seu povo. E vão esforçarmo-nos em compreendê-lo através da razão; é preciso compreendê-lo através da afeição. O coração, porém, não deve ser dividido entre muitos objetos, se porventura o Se­nhor é buscado por nós. Deus é um só, e não o conheceremos até que nosso coração seja um com o dele. Um coração quebrantado não necessita de ser dominado pela angústia, porque nenhum co­ração é tão íntegro em sua busca por Deus como o coração que­brantado, do qual cada fragmento suspira e clama pelo rosto do grande Pai. E o coração dividido que a doutrina do texto censura, e, por estranho que pareça, na fraseologia bíblica um coração pode estar dividido sem estar quebrantado, e pode estar quebrantado, porém não dividido; e no entanto pode ser quebrantado e estar curado, e nunca pode estar curado antes de ser quebrantado. Quan­do nosso coração inteiro busca o Deus santo em Cristo Jesus, en­tão ele se chega para aquele de quem está escrito: "Tantos quantos o tocavam, ficavam perfeitamente curados”.

O que o salmista admira neste versículo ele reivindica no déci­mo, onde diz: "De todo meu coração te busquei” Fica tudo bem quando a admiração de uma virtude leva à obtenção da mesma. Os que não crêem na bem-aventurança de buscar o Senhor provavelmente não terão seus corações estimulados para a desejarem; mas aquele que acena para outro bem-aventurado por cau­sa da graça que nele vê, está no caminho de granjear para si a mesma graça.

Se os que buscam o Senhor são bem-aventurados, o que di­zer daqueles que realmente habitam com ele e sabem que ele lhes pertence?

"Quão bondoso és para com os Que caem!
Quão benigno, para com os Que te buscam!
Mas, o Que dizer daqueles Que te acham?
Ah! isto nenhuma língua nem pena pode expressar:
O amor de Jesus - o Que é,
Ninguém, senão seus amados, pode saber."
[v. 3]
Também não praticam iniqüidade, mas andam em seus caminhos.
Também não praticam iniqüidade. Aliás, bem-aventurados devem ser todos aqueles de quem se pode isso afirmar sem reserva e sem explicação: Teremos atingido a região da perfeita bem-aventurança quando cessarmos totalmente de pecar. Os que seguem a Palavra de Deus não amam a iniqüidade; a regra é perfeita, e se ela for constantemente seguida não haverá erro. Ávida, para o obser­vador do lado de fora, consiste em atos; e aquele que, em suas atividades, nunca se desvia da eqüidade, quer em relação a Deus, quer em relação aos homens, realmente tomou o caminho da per­feição, e estejamos certos de que seu coração é íntegro nele. Então notamos que um coração íntegro se desvia do mal, porquanto o salmista diz: "Que o buscam de todo o coração. Também não pra­ticam iniqüidade." Receamos que ninguém tenha como alegar ser absolutamente destituído de pecado; todavia nutrimos confiança de que existam muitos que podem alegar que intencional, voluntá­ria, consciente e continuamente fogem de fazer o que é perverso, ímpio ou injusto. A graça conserva a vida íntegra, mesmo quando o cristão se põe a deplorar as transgressões do coração. Conside­rados como seres humanos, julgados por seus semelhantes de acor­do com as normas que os homens impõem aos homens, o genuíno povo de Deus não pratica iniqüidade: são honestos, íntegros e cas­tos e, no que tange à justiça e moralidade, são inculpáveis. Portan­to são bem-aventurados.

Andam em seus caminhos. Inclinam-se não só para os gran­des princípios da lei, mas também para os mínimos detalhes de preceitos específicos. Uma vez que fogem de perpetrar qualquer pecado de comissão, assim também esforçam-se por se ver livres de todo pecado de omissão. Não lhes basta ser inculpáveis, também desejam ser ativamente justos. É possível que um ermitão fuja para a solidão a fim de não praticar a iniqüidade; um santo, toda­via, vive em sociedade a fim de servir a seu Deus andando em seus caminhos. Precisamos ser justos tanto positiva quanto negativa­mente: jamais teremos a posse do segundo, a menos que tomemos posse do primeiro; pois os homens terão que percorrer um cami­nho ou outro, pois se não seguirem a vereda da lei de Deus, logo estarão praticando a iniqüidade. A mais segura maneira de abster-se do mal é vivendo totalmente ocupados na prática do bem. Este versículo descreve os cristãos como existem entre nós: embora se­jam falhos e frágeis, todavia odeiam o mal e não se permitirão viver nele; amam as veredas da verdade, da justiça e da genuína piedade, e habitualmente andarão nelas. Não alegam ser absoluta­mente perfeitos, exceto em seus anseios, nos quais são de fato puros; pois anseiam ser guardados de todo pecado e de ser guia­dos a toda a santidade. Gostariam de andar sempre segundo o anseio de seus corações renovados, de seguir o Senhor Jesus em cada pensamento, palavra e ação; sim, gostariam que todo seu ser fosse a encarnação da santidade. 

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