Home | C. H. Spurgeon | Log out

Venha para o Metropolitan Tabernacle

SpurgeonTv

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Como era a Inglaterra em que Spurgeon pregou - I. Murray

/ On : 14:58/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.



É impossível avaliar a significação da vida de C. H. Spurgeon sem conhecer algo das condições do país no tempo em que o seu ministério começou, em meados do século dezenove. O cristianismo protestante era mais ou menos a religião nacional; o domingo era observado rigorosamente; as Escrituras eram respeitadas; e, fora os milhares de pessoas não sensibilizadas de algumas das maiores cidades, a freqüência à igreja era costume geral. Essas coisas eram aceitas tão comumente e, segundo se via, tão entrincheiradas, que as mudanças que daí em diante varreram a nação eram tão remotas para a mente vitoriana média como os automóveis e os aviões. Contudo, não é preciso demorar muito num exame para ver no cristianismo que prevalecia na década de 1850 alguns sinais muito pouco parecidos com o que vemos no Novo Testamento - era muito elegante, muito respeitável, e estava em demasiada paz com o mundo. Era como se textos semelhantes ao que diz "o mundo inteiro jaz no maligno" (1 João 5:19, ARA) já não fossem certos.


A Igreja não tinha falta de riqueza, nem em homens, nem em dignidade, mas lamentavelmente lhe faltavam unção e poder. Havia a tendência geral de esquecer a diferença entre o saber humano e a verdade revelada pelo Espírito de Deus. A eloqüência e a cultura não eram raras nos púlpitos, porém era marcante a ausência da espécie de pregação que quebranta o coração dos homens. Talvez o pior de todos os sinais fosse o fato de que poucos estavam despertos para essas coisas. A Igreja era exteriormente próspera, o bastante para contentar-se em manter a rotina dos anos passados. Um escritor contemporâneo, lamentando esse formalismo insípido, observou: "O pregador fala durante o seu tempo habitual; o povo fica sentado pacientemente quanto necessário, talvez; canta-se o número de estrofes usuais, e assim se termina a atividade do dia; em geral não há nada mais que isso. Ninguém pode negar que esta é, nem mais nem menos, uma simples exposição do real estado em que se encontra a maioria das nossas igrejas na atualidade. Se o pregador deixar cair seu lenço no seu hinário, ou der um murro um pouco mais forte do que o comum com o punho eclesiástico, isso será notado, lembrado e comentado, ao passo que haverá nada menos que o total esquecimento do assunto e a natureza do tema discutido".


Spurgeon logo se pôs a atacar, numa linguagem mais direta, esse tradicionalismo sem vida. "Vocês pensam que porque uma coisa é antiga, por isso deve ser venerável. Vocês são amigos de antiqualha. Vocês não consertam a estrada porque o seu avô dirigia a carroça pelo sulco que lá está. "Deixem-na lá como sempre esteve", vocês dirão, "deixem-na assim, como sulco fundo até o joelho." Seu avô não passava por lá quando o sulco, cheio de lama, dava nos joelhos? E por que vocês não fariam o mesmo? Era suficientemente bom para ele; é suficientemente bom para vocês. Vocês sempre se acomodaram bem em seus bancos na capela. Nunca viram um avivamento; e não querem vê-lo".


Os segmentos evangélicos (bíblicos) não escaparam às tendências dominantes na época. A obra de Whitefield e a de Wesley eram admiradas, mas pouco seguidas. As lâminas cortantes da verdade evangélica tinham sido abrandadas aos poucos. As ásperas doutrinas metodistas, que tinham aba­lado o país um século antes, não foram abandonadas - e uns poucos ainda as apregoavam fervorosamente - porém o sentimento geral era que na era vitoriana necessitava-se de uma apresentação mais refinada do evangelho. 


Com essa generalizada maneira de ver as coisas, era inevitável que a precisa e forte teologia reformada da Inglaterra dos séculos 16 e 17 não gozasse nenhum favor. O historiador da Reforma Merle d'Aubigné, de Genebra, em visita a este país em 1845, declarou que se viu forçado a perguntar a si mesmo: o puritanismo "ainda existe na Inglaterra? Não terá caído sob a influência dos desenvolvimentos nacionais e do escárnio dos romancistas? Seria necessário, enfim, voltar ao século 17 para encontrá-lo? Não obstante, é verdade que alguns dos líderes evangélicos do país, particularmente os mais velhos, estavam profundamente preocupados com as condições espirituais das igrejas. John Angell James, por exemplo, que fora ministro da famosa Igreja Congregacional de Carr's Lane, Birmingham, a partir de 1805, escreveu em 1851: "O estado da religião em nosso país é baixo. Creio que nunca preguei com menos resultados salvadores desde quando me tornei ministro; e essa é a situação de muitos outros. Essa é uma queixa geral". Se essas coisas eram verdadeiras com relação ao país em geral, eram particularmente verdadeiras com relação a Lon­dres, e a Capela Batista da Rua do Novo Parque, situada numa "obscura e suja" região, próxima da margem sul do Tâmisa, em Southwark, não era exceção. Os membros da igreja tinham uma grande história, que se estendia até ao século 17, todavia agora os restantes eram como os barcos largados ali perto, na lama, na maré baixa. Durante alguns anos estiveram em declínio, e o grande e bem adornado edifício, construído para acomodar cerca de mil pessoas sentadas, tinha três quartos dos seus bancos vazios. Esse foi o cenário com o qual se defrontou o jovem de Essex, com dezenove anos de idade, quando subiu pela primeira vez ao púlpito da Capela da Rua do Novo Parque na fria e sombria manhã de 18 de dezembro de 1853. Foi a primeira vez que se ouviu a voz de Spurgeon em Londres, porém quase imediatamente ele foi chamado para iniciar um pastorado que haveria de continuar por trinta e oito anos, até sua morte, em 31 de janeiro de 1892.  

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts with Thumbnails

Pr. Josemar Bessa

ReformedSound

CONTATO

CONTATO

Marcadores

5 Pontos do Calvinismo A. A. Dallimore Adoração Aflição Alegria Amor Amor a Deus Amor a Palavra Amor as trevas Amor Divino Amor incondicional Ansiedade antropocentrismo Apostasia Arma Espiritual Arrependimento Artigo Artigos em Vídeo Artigos Teológicos. Char Ascenção Atributos Divinos Autoridade de Cristo Avivamento Ações de Graça Batalha Espiritual Beleza Divina Bem-aventurança Biografia Bondade Divina Buscar a Deus Bíblia C. H. Spurgon C.H.Spurgeon Calvinismo Caráter Cegueira Espiritual Ceia Chamado Eficaz Ciência Comentário Comunhão Coneitos Falsos Confiança Confisão Conforto Conhecendo Cristo Consolo Contrição Conversão Convicção Coragem Corrupção Crescendo na Verdade Crescimento Crianças Cuidado Divino Cura Espiritual d Depravação Total Depressão Descanso Despertamento Desânimo Devocionais Devocional Vídeo Devocional Áudio Dia do Juízo Direção Divina Disciplina Discipulado Doutrinas da Graça Dúvida Dúvidas Eleição Encarnação Encorajamento Enganos Escravidão Moral Escrituras Esperança Espiação. Espírito Santo Eternidade Evangelho Exaltação Expiação Expiação Eficaz Expiação Limitada Falsificações Falso Evangelho Falsos Mestres Família Fidelidade Fidelidade de Deus Filhos Fraqueza Espiritual Frieza Espiritual Fé Salvadora Glorificação Glória de Deus Grande Mandamento Gratidão Graça Herança Heresia Hipocrisia História Honra Humildade Humilhação Iain Murray Ide Iluminação Imperfeição Impiedade Imutabilidade Inabilidade Humana Incapacidade Humana Incredulidade Incredulidade. Inerrância das Escrituras Infância Ingratidão Iniquidade Integridade Ira Ira Divina Jesus Cristo Julgamento Justificação Justiça Juízo Juízo Divino Lamento Lei Libertação Livre-arbítrio Louvor Mansidão Maturidade Meditação Medo Mensagem Mensagem da Cruz Messias Milagre Ministério Misericórdia Misticismo Mistério Divino Mordomia Cristã Morte Espiritual Morte Física Mortificação Mundanismo Murmuração Máritres. Sofrer pela Verdade Natal Negação do Ego Nova Aliança Nova Vida Novo Nascimento O Alfabeto de Ouro Obediência Obstinação Onisciência Oração Orgulho Paciência Paixões Mundanas Pastorado Paz Pecado Perdão Perfeição Perseverança Perseverança dos Santos Perseverança Eterna Plenitude Poder Poder da Palavra Predestinação Pregando toda a verdade Pregar a Verdade Pregação Preservação Promessas Provação Purificação Rebelião Reconciliação Redençao Redenção Regeneração Regozijo Responsabilidade Ressurreição Restauração Resurreição Riqueza espiritual Sabedoria Salmos Salvação Salvação. C. H. Spurgeon Santidade Santificação Segurança Seguraça Sermã áudio Sermão Sermão em vídeo Sermão em áudio Servir Soberania Soberania de Cristo Socorro Divino Sofrimento Sola Scriptura spurgeontv Substituição Suficiência Divina Superstição Sword and the Trowel Temor Temor do Senhor Temore Tentação Teocentrismo Teologia Testemunhas Testemunho Transcendência Tribulação Trindade Tristeza Verdade Verdade Bíblica Vida Cristã Vigiar Vitória Vitória sobre a Morte Vontade Divina Vídeo ´Comunhão Ódio ao Pecado