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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Este Livro é Infalível - C. H. Spurgeon

/ On : 16:05/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.

Se esse livro não for infalível, onde vamos encontrar infalibilidade? Já desistimos do Papa, pois ele já errou muitas vezes e de maneira terrível; mas em seu lugar não estabeleceremos um bando de papazinhos saídos há pouco da universidade. Esses revisores das Escrituras são infalíveis? É certo dizer que nossas Bíblias não estão corretas, mas que seus críticos estão? A prata antiga deve ser depreciada, mas a prata alemã que a substitui deve ser aceita a preço de ouro. Moleques que acabam de ler o último romance lançado querem corrigir os conceitos de seus pais, homens de peso e caráter. Doutrinas que produziram a geração mais piedosa que viveu na face da terra são refutadas e desprezadas como pura tolice.

         Nada é tão odioso para essas criaturas como o que cheira a puritanismo. O narizinho de cada um desses homens se empina celestialmente ao ouvir o som da palavra "puritano", embora seja verdade que se os puritanos estivessem aqui de novo, eles não ousariam tratá-los arrogantemente; pois quando estes lutavam, logo ficavam conhecidos como Ironsides, e seu líder dificilmente poderia ser chamado de tolo, mesmo por aqueles que o estigmatizavam como "tirano". Cromwell e seu seguidores não eram pessoas de mente fraca, não é mesmo? Estranho que tenham sido louvados às alturas pelos mesmos homens que menosprezam seus verdadeiros sucessores, crentes na mesma fé. Mas onde se encontra a infalibilidade? "O abismo diz: 'Em mim não está'" (Jó 28.14), contudo aqueles que não têm nenhuma profundidade querem que imaginemos que está neles ou esperam encontrá-la por meio da mudança perpétua.

         Devemos crer agora que os eruditos possuem a infalibilidade? Ora, fazendeiro Smith, amanhã cedo, depois de ler sua Bíblia e se deleitar com suas promessas preciosas, você deve descer a rua para perguntar ao homem de erudição, lá na casa pastoral, se essa porção da Bíblia pertence à parte inspirada da Palavra ou se é de fonte duvidosa. É bom você saber se foi escrita pelo Isaías original ou pelo segundo dos "dois Obadias". Toda possibilidade de certeza é transferida do homem espiritual para uma classe de pessoas cuja erudição é pretensiosa e nem mesmo simula espiritualidade.

         Aos poucos ficamos tão cheios de dúvidas e críticas, que apenas uns poucos, mais profundos, saberão o que é ou não Bíblia e determinarão todo o resto para nós. Não tenho fé na misericórdia deles nem em sua precisão teórica: eles nos tirarão tudo que estimamos como mais precioso e orgulhar-se-ão desse ato cruel. Não suportaremos esse reinado de terror, pois ainda cremos que Deus se revela a inocentes bebês mais do que aos doutos e prudentes, além de estarmos plenamente confiantes de que nossa versão das Escrituras é suficiente para homens simples em todos os propósitos de vida, e de salvação e de religiosidade. Não desprezamos o saber, mas nunca diremos sobre a cultura ou a crítica: "Eis aí os seus deuses, ó Israel!" (Êx 32.4).

         Você percebe por que os homens querem diminuir o grau de inspiração da Escritura Sagrada a uma quantidade infinitesimal? Porque para eles a verdade de Deus deve ser suplantada. Se você for a uma loja à noite para comprar alguns itens que dependem da cor e da textura, não seria melhor julgá-las à luz do dia? E, quando você entrar, se o comerciante diminui o lume ou tira o lampião, e depois lhe mostra a mercadoria, você fica desconfiado e conclui que ele quer lhe vender um artigo inferior. Tenho mais do que suspeita de que esse é o joguinho dos depreciadores da inspiração bíblica. Sempre que uma pessoa começa a baixar a visão que você tem sobre a inspiração, ela tem uma segunda intenção, um truque que não pode ser feito na claridade. Ele alega ser uma sessão de espíritos maus e pede: "Diminuam a luz". Nós, irmãos, estamos dispostos a atribuir à Palavra de Deus toda a inspiração que lhe possa ser atribuída e, corajosamente, dizemos que se nossa pregação não está de acordo com essa Palavra é por que não há luz nenhuma em nossa pregação. Queremos ser experimentados e testados por isso de todas as maneiras e contamos com os mais nobres de nossos ouvintes, aqueles que examinam as Escrituras diariamente, para ver se as coisas são assim, mas não nos sujeitamos nem por um momento àqueles que depreciam a inspiração.

         Ouço alguém dizer: "Mas você precisa se sujeitar às conclusões da ciência, não é?". Ninguém está mais pronto do que nós para aceitar os fatos evidentes da ciência. Mas o que você quer dizer com ciência? Essa coisa chamada "ciência" é infalível? Será que o nome ciência não é utilizado de forma enganosa? A história da ignorância humana que se denomina a si mesma "filosofia" é absolutamente idêntica à história dos tolos, exceto quando se desvia para loucura. Se outro Erasmo surgisse e escrevesse a história da tolice, ele deveria dedicar vários capítulos à filosofia e à ciência, e esses capítulos seriam mais reveladores do que quaisquer outros. Eu mesmo não ouso dizer que, no geral, os filósofos e cientistas são tolos; mas permitiria que falassem uns dos outros, e no fim eu diria: "Senhores, vocês são menos elogiosos um em relação ao outro do que eu teria sido".

         Deixaria os sábios de cada geração falarem da geração que os antecedeu, ou hoje cada metade de uma geração poderia falar da meia-geração anterior, pois pouca teoria da ciência de hoje sobreviverá por vinte anos e menos ainda verá o século XX. Agora viajamos em tão rápida velocidade que passamos por conjuntos de hipóteses científicas tão depressa como passamos por postes de telégrafo quando viajamos em um trem expresso. Tudo de que estamos certos hoje é o seguinte: aquilo de que os doutos tinham certeza há poucos anos está agora jogado no limbo do esquecimento de erros descartados. Eu creio na ciência, mas não naquilo que é chamado "ciência". Nenhum fato provado na natureza é oposto à revelação. Não podemos reconciliar com a Bíblia as bonitas especulações dos pretensiosos, e não o faríamos se pudéssemos.

         Sinto-me como o homem que disse: "Posso entender em algum grau como esses grandes homens descobriram o peso das estrelas, a distância que têm uma da outra e até como, pelo espectroscópio, descobriram de que materiais são compostas; mas não posso adivinhar como descobriram seus nomes". Apenas isso. A parte fantasiosa da ciência, tão valorizada por tantos, é o que não aceitamos. Essa é a parte importante para muitos--aquela parte que é mera adivinhação, pela qual lutam com unhas e dentes. A mitologia da ciência é tão falsa como a dos pagãos, mas é assim que se faz um deus. Repito, os fatos da ciência nunca estão em conflito com as verdades da Sagrada Escritura, mas as deduções extraídas desses fatos e as invenções classificadas como fatos são opostas à Escritura, e isso por que necessariamente o que é mentira não concorda com a verdade.

         Dois tipos de indivíduos têm forjado grande dano, contudo, nenhum desses deve ser considerado como juiz no assunto: ambos são desqualificados. É essencial que um juiz conheça os dois lados da questão, e nenhum destes tem esse conhecimento. O primeiro é o cientista sem religião. O que ele sabe sobre religião? O que pode saber? Ele está fora de lugar quando a pergunta é: a ciência concorda com a religião? Obviamente, aquele que pode responder essa pergunta precisa conhecer os dois lados da questão. O segundo é um homem melhor, mas capaz de causar mais dano ainda. Refiro-me ao cristão não-cientista que se preocupará em conciliar a Bíblia com a ciência. É melhor que ele deixe isso de lado e não comece seu conserto. O erro foi cometido por homens que ao tentar resolver uma dificuldade distorceram a Bíblia ou a ciência. Essa solução logo foi considerada errônea, e depois ouvimos os clamores de que a Escritura foi derrotada.

         Nada disso; de forma alguma. Isso não passa de um comentário inútil que foi removido como um verniz inútil. Eis aí, um bom irmão escreve um tremendo livro para provar que os seis dias da criação representam seis grandes períodos geológicos e mostra como as camadas geológicas, e os organismos delas, seguem a ordem da história da criação de Gênesis. Pode ser assim ou não, mas se depois de pouco tempo qualquer pessoa mostrar que as camadas não estão em tal ordem, qual seria minha resposta? Eu diria que a Bíblia nunca ensinou que estão nessa ordem. A Bíblia diz: "No princípio Deus criou os céus e a terra" (Gn 1.1). Isso deixa qualquer espaço de tempo para as eras de fogo e períodos de gelo e tudo isso antes do estabelecimento da presente era do homem.

         Depois, chegamos aos seis dias em que o Senhor fez os céus e a terra e descansou no sétimo. Nada é dito sobre longos períodos de tempo, ao contrário, "a tarde e a manhã; esse foi o primeiro dia" (Gn 1.5), e "a tarde e a manhã; esse foi o segundo dia" (Gn 1.8); e assim por diante. Não apresento nenhuma teoria, simplesmente digo que se o grande livro de nosso amigo é todo lorota, a Bíblia não é responsável por isso. É verdade que sua teoria parece ter suporte no paralelismo que descobre entre a vida orgânica das eras e aquela dos sete dias, mas isso pode ser explicado pelo fato de que Deus geralmente segue uma certa ordem, quer opere em longos quer em curtos períodos. Não sei e não me importo tanto com a questão; mas devo dizer, se você derruba uma explicação não pode imaginar que prejudicou a verdade bíblica, que lhe pareceu exigir uma explicação: você só queimou as estacas de madeira, com as quais homens bem intencionados pensavam proteger um forte invencível que não precisava de tal defesa.

         No geral, é melhor deixarmos a dificuldade como está, em vez de criar outra dificuldade com nossa teoria. Por que fazer um segundo furo na chaleira para remendar o primeiro? Especialmente, quando o primeiro furo não está lá e não precisa de nenhum remendo. Creia, não há muita coisa provada na ciência. Não precisa temer que sua fé seja sobrecarregada. Assim, creia em tudo que está dito claramente na Palavra de Deus, quer seja provada por evidência exterior quer não. Nenhuma prova é necessária quando Deus fala. Se ele o disse, isso é prova suficiente.

         Mas nos ensinam que devemos desistir de parte de nossa teologia antiquada para salvar o restante. Viajamos em uma carruagem pelas estepes da Rússia. Os cavalos são impulsionados furiosamente, mas os lobos se aproximam! Você não vê seus olhos de fogo? O perigo é iminente. O que fazer? Propõe-se que joguemos uma criança ou duas. Até que comam a criança, já teremos ganhado um pouco de distância, mas o que faremos se nos alcançarem de novo? Ora, bravo homem, jogue fora sua esposa! 'O homem dará tudo que tem por sua vida'; lance fora quase toda a verdade na esperança de salvar uma. Jogue fora a inspiração, e deixe que os críticos a devorem. Jogue fora a eleição e todo o velho calvinismo; faremos uma festa caprichada para os lobos, e os senhores que sagazmente nos aconselharam ficarão felizes ao ver as doutrinas da graça arrancadas uma por uma. Lance fora a depravação natural, o castigo eterno e a eficácia da oração. A carruagem ficou bem leve. Agora, mais uma coisa para jogar fora. Imole o grande sacrifício! Acabe com a expiação!

         Irmãos, esse conselho é vil, assassino; escaparemos desses lobos com tudo ou estaremos perdidos com tudo. Deve ser "a verdade, toda a verdade e nada além da verdade", ou nada. Nunca tentaremos salvar metade da verdade, lançando fora qualquer parte dela. O "sábio" conselho que nos foi dado envolve trair Deus e desapontar a nós mesmos. Ficaremos firmes, ou tudo ou nada. Dizem que se desistirmos de alguma coisa, os adversários também desistirão de algo, mas não nos importa o que eles farão, pois não temos nem um pouco de medo deles. Eles não são os conquistadores imperiais que pensam ser. Não exigimos clemência pela insignificância deles.

         Temos o pensamento do guerreiro a quem ofereceram presentes para comprá-lo e a quem disseram que se aceitasse tanto ouro ou território, ele poderia voltar para casa em triunfo e se gloriar no ganho fácil. Mas ele disse: "Os gregos não dão valor a concessões. Encontram glória não em presentes, mas em espólio". Com a espada do Espírito manteremos toda a verdade como nossa e não aceitaremos parte dela como concessão dos inimigos de Deus. Manteremos a verdade de Deus como a verdade de Deus, e não a reteremos por que a mente filosófica permite fazer isso. Se os cientistas concordam que creiamos em uma parte da Bíblia, não os agradeceremos por nada: já cremos nela quer queiram quer não. O consentimento deles não tem mais conseqüência para nossa fé que a permissão de um francês para que um inglês defenda Londres, ou que o consentimento da toupeira para que a águia tenha uma visão perspicaz. Deus estando conosco, não cessaremos esse gloriar, manteremos toda a verdade revelada até o fim.

         Mas agora, irmãos, apesar de manter essa primeira parte de meu tema, talvez longa demais, eu lhes digo que crendo nisso, aceitamos a obrigação de pregar tudo que está na Palavra de Deus até onde vemos. Não queremos esquecer voluntaria-mente qualquer porção da revelação de Deus, pois queremos poder dizer no final: "Não deixamos de lhes transmitir todo conselho de Deus". Que mal pode haver em se deixar de fora qualquer porção da verdade ou acrescentar um elemento alheio a ela! Todos os homens bons concordarão quando digo que a adição do batismo infantil à Palavra de Deus--, pois certamente não está lá--é um perigo. Regeneração batismal anda nos ombros do pedobatismo. Agora falo do que conheço.

         Tenho recebido cartas de missionários, não-batistas, mas weslianos e congregacionais que me têm dito: "Depois que estive aqui (não mencionarei as localidades para não pôr os bons homens em dificuldades) encontramos um grupo de pessoas, filhos de ex-convertidos, que foram batizados e, por isso, são chamados de cristãos; mas não são nem um pouquinho melhores do que os pagãos a sua volta. Parecem pensar que são cristãos por causa de seu batismo, mas, ao mesmo tempo, sendo considerados cristãos pelos pagãos, sua vida má é escândalo perpétuo e uma terrível pedra de tropeço". Em muitos casos, isso deve ser verdade. Uso o fato apenas como ilustração.

         Mas supondo que seja algum outro erro inventado ou alguma grande verdade negligenciada, acabará por produzir o mal. No caso das terríveis verdades que conhecemos como "o terror do SENHOR" (2Cr 14.14), sua omissão produz os mais tristes resultados. Um homem bom que não aceitamos que esteja ministrando exatamente a verdade sobre esse assunto sério, não obstante, tem muito fielmente escrito para os jornais repetidas vezes, dizendo que a grande fraqueza do púlpito moderno é ignorar a justiça de Deus e o castigo do pecado. Seu testemunho é verdadeiro, e o mal que ele aponta é incalculavelmente grande. Não se pode omitir essa parte da verdade que é tão obscura e solene, sem enfraquecer a força de todas as outras verdades que pregamos. Você rouba o brilho e a importância premente das verdades que tratam da salvação da ira vindoura.

         Irmãos, não omitam nada. Tenham ousadia suficiente para pregar a verdade indigesta e impopular. O mal que fazemos acrescentando ou tirando da Palavra do Senhor pode não acontecer em nossos dias; mas se chegar à maturidade em outra geração seremos igualmente culpados. Não duvido que, mais tarde, a omissão de certas verdades pela igreja primitiva levou a sério erro, enquanto certas adições na forma de ritos e cerimônias, que pareceram bastante inocentes em si, levaram ao ritualismo e depois à grande apostasia do romanismo! Tenham muito cuidado. Não passem uma polegada além da linha da Escritura, e não fiquem uma polegada aquém dela.

         Conservem-se na linha reta da Palavra de Deus, até onde o Espírito Santo lhe ensinou e não retenham nada que ele lhe tenha revelado. Não seja tão ousado a ponto de abolir as duas ordenanças que o Senhor Jesus estabeleceu, embora alguns tenham se aventurado nessa grave presunção; nem exagere aquelas ordenanças em canais inevitáveis de graça, como supersticiosamente outros têm feito. Mantenha-se na revelação do Espírito. Lembre-se, você terá que prestar contas e não será com alegria se tiver brincado falsamente com a verdade de Deus. Lembre a história de Gilipo, a quem Lisandro confiou sacos de ouro para levar às autoridades da cidade. Os sacos estavam amarrados e lacrados, Gilipo achou que se cortasse a parte de baixo dos sacos poderia tirar uma parte das moedas, depois costurar o fundo de novo, assim os lacres não seriam quebrados e ninguém suspeitaria que o ouro fora tirado. Para seu horror e surpresa, havia um papel em cada saco declarando quanto deveria conter, e assim ele foi descoberto.

         A Palavra de Deus tem cláusulas auto-verificadoras, de modo que você não pode sumir com uma parte dela, sem que o restante do texto o acuse e sentencie. Como você responderá "naquele dia" se tiver acrescentado ou tirado da Palavra do Senhor? Não estou aqui para decidir o que você deve considerar ser a verdade de Deus; mas seja o que você julgar que seja, pregue-a toda, definitiva e claramente. Se formos igualmente honestos, diretos, e tementes a Deus, não devemos discordar em muita coisa. O caminho para alcançar a paz não é o da ocultação de convicções, e sim o da expressão honesta delas no poder do Espírito Santo.

1 comentários:

ulisses disse...

Atualíssimo esse texto!!

Louvado seja Deus.

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