Home | C. H. Spurgeon | Log out

Venha para o Metropolitan Tabernacle

SpurgeonTv

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Este menino irá Pregar o Evangelho - A. A. Dellimore

/ On : 13:12/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.

Visto que o pai de Spurgeon estava sempre muito ocupado, a tarefa de criar a família caía em grande parte sobre a mãe. Ela era uma mulher excepcionalmente devota e graciosa, e seu filho James declarou: "Ela foi o ponto de partida de toda a grandeza e bondade que qualquer de nós, pela graça de Deus, acaso tem". Charles a rememora com profunda afeição e gratidão, e fala da leitura das Escrituras que ela fazia para as suas crianças e do seu empenho em que elas se preocupassem com suas almas. "Não me é possível dizer quanto devo às sérias palavras de minha boa mãe...", ele escreveu. "Lembro-me de uma ocasião em que ela orou assim: "Agora, Senhor, se meus filhos forem adiante em seus pecados, não será por ignorância que eles perecerão, e minha alma terá que dar pronto testemunho contra eles no dia do juízo, se eles não se apegarem a Cristo". Pensar em minha mãe dando pronto testemunho contra mim feriu minha consciência. ...Como posso esquecer-me de quando ela dobrava seus joelhos e, com seus braços em torno do meu pescoço, orava: "Oh, que meu filho viva em Tua presença!" Ele também conta que, numa ocasião em que seu pai, quando ia a um culto numa igreja, começou a acusar-se de negligenciar sua família, e então deu meia volta e foi para casa. Não encontrando ninguém no térreo, subiu ao segundo andar, e ali ouviu o som de uma oração. "Ele viu", diz Charles, "que era minha mãe clamando fervorosamente pela salvação de todos os seus filhos, e orando especialmente por Charles, seu voluntarioso primogênito. Meu pai achou que podia ir com segurança cuidar do serviço do seu Senhor, enquanto a sua querida esposa cuidava tão bem dos interesses espirituais dos seus meninos e das suas meninas em casa".
O interesse que Charles tinha começado a ter por Foxe, Bunyan, e outros escritores do gênero destes, ampliou-se durante as horas que agora passava no gabinete do seu pai. Ele conheceu bem vários autores puritanos e se familiarizou com as suas convicções doutrinárias. Além disso, a oportunidade de ouvir fortes discussões teológicas também lhe foi dada em Colchester, pois lhe era permitido estar presente quando seu pai e outros ministros conferenciavam sobre vários assuntos bíblicos. Posteriormente ele declarou: "Posso dar testemunho de que as crianças podem entender as Escrituras; pois estou certo de que, quando ainda não passava de criança, eu poderia ter discutido muitos pontos difíceis de teologia controvertida, tendo ouvido os dois lados da questão francamente expostos entre os que pertenciam ao círculo de amigos de meu pai".
Acresce que, embora seu pai possuísse bom número de livros teológicos, Charles tinha a seu dispor muitos mais, pois verão após verão ele voltava à casa do seu avô, em Stambourne. Sobre aquela saleta do segundo andar, ele disse: "Daquele cômodo escuro eu tirava aqueles velhos autores... e nunca me sentia mais feliz do que quando me encontrava em sua companhia". Não pode haver dúvida de que, quando ele tinha nove ou dez anos, ele lia e entendia algo do que escreveram homens extraordinários como John Owen, Richard Sibbes, John Fiável e Matthew Henry. Ele já captava o sentido de grande parte da argumentação teológica, e podia raciocinar os prós e os contra em sua própria mente.
Charles ainda era criança quando, durante um dos seus verões em Stambourne, foi objeto de uma profecia extra­ordinária.
Seu avô trouxe à igreja um ex-missionário, Richard Knill, para reuniões especiais. Knill tinha passado muitos anos na índia e na Rússia, e nessa época ele servia na Inglaterra. Ele se impressionou muito com o jovem Charles, reconhecendo logo a sua incomum capacidade mental e sua rara clareza de linguagem. Por exemplo, Charles lia as Escrituras diariamente no culto doméstico, e, relatando a experiência, Knill declarou: "Tenho ouvido velhos e jovens ministros lerem bem, mas nunca antes eu ouvira um menino ler tão corretamente".
Dia após dia o missionário falava com Charles sobre a sua alma e orava com ele com grande fervor. Ele acreditava que o menino certamente seria um ministro, e, quando estava se despedindo do lar que o hospedara, estando a família em pé ao redor dele, Knill pôs o menino sobre o seu joelho e fez este pronunciamento: "Este menino um dia vai pregar o evangelho, vai pregá-lo a grandes multidões, e estou per­suadido de que vai pregar na capela de Rowland Hill".
A capela de Rowland Hill era uma das maiores da Inglaterra naquele tempo, e anos depois Charles pregou lá. Contudo, na ocasião em que ele ouviu a profecia, sentiu seu efeito e disse: "Contemplei no futuro o tempo em que eu deveria pregar a Palavra: senti fortissimamente que nenhuma pessoa não convertida deveria ousar entrar no ministério; isso fez com que eu... fizesse o firme propósito de buscar a salvação".
Quando estava com dez anos de idade, Charles foi trans­ferido para outra escola, em Colchester, The Stockwell House School (O Educandário Stockwell). Os padrões acadêmicos dessa escola eram mais altos que os da maioria das instituições educacionais. Um colega de estudos, escrevendo mais tarde, relatou: "O Sr. Leeding era o professor de literatura clássica e de matemática; seu ensino foi da melhor qualidade e em Charles Spurgeon ele tinha um aluno cuja mente era muito receptiva, especialmente quanto ao latim e a Euclides... em ambas estas matérias ele estava muito adiantado".
Charles ficou nessa escola quatro anos. Foram anos de muita disciplina mental e de excelente crescimento em conhecimento. Ele estava sempre à frente da sua classe, exceto durante uma semana ou duas de um inverno, quando ele viu que, por não se sair bem nos estudos, poderia sentar-se mais perto da lareira. Tendo descoberto o seu esquema, o professor inverteu a ordem dos assentos e os dispôs de modo que o menino mais aplicado se assentasse mais perto do calor. Charles melhorou rapidamente o seu trabalho, e reteve o lugar favorecido.
Quando fez catorze anos, seus pais o transferiram para a Escola de Agricultura Sto. Agostinho, na cidade de Maidstone, algumas milhas ao sudoeste de Londres. A provação de estar longe de casa foi abrandada pelo fato de que ele não estava só, pois seu irmão James entrou na escola com ele. Além disso, um dos seus tios era o diretor da escola, e os dois meninos se hospedavam na casa dele.
Durante o ano que ele passou ali, duas vezes Charles manifestou algo da sua audácia nata. O primeiro caso foi numa conversa que ele teve com um clérigo da Igreja da Inglaterra que vinha regularmente à escola ensinar religião. O homem o levou a uma discussão sobre o batismo, e Charles replicou com forte confiança e expressou sua opinião completamente diferente da do clérigo. O segundo caso foi o ato de corrigir um erro de matemática cometido por seu tio - ato pelo qual ele foi disciplinado, tendo que levar seus livros portas afora (fazia calor) e estudar à sombra de um carvalho que havia à beira do rio. Não obstante, o tio reconheceu sua habilidade em matemática e permitiu que ele produzisse um conjunto de cálculos, que redundou em tal benefício que uma firma de seguros de Londres os utilizou durante meio século ou mais.
Foi dessa forma que ele chegou à idade de quinze anos. Era um moço de profunda sensibilidade, mas de maneira nenhuma era reticente, e nunca tinha medo de homem algum. Ele era um rapaz bom em todos os aspectos, inteira­mente íntegro e honesto; tinha imaginação viva e memória incomumente retentiva. As dimensões da sua leitura eram simplesmente espantosas para alguém tão jovem, e ele era especialmente versado nas obras dos seus escritores preferi­dos - os teólogos puritanos.
Seu irmão James o conheceu, talvez, melhor do que ninguém.
Charles nunca fez outra coisa, senão estudar. Eu lidava com coelhos, frangos, porcos e com um cavalo; ele vivia com os livros. Enquanto eu ficava ocupado aqui e ali, mexendo com toda e qualquer coisa que um rapaz conseguia tocar, ele vivia com os livros, e não conseguia parar de estudar.
Mas, apesar de ele não querer nada com outras coisas, era capaz de dizer tudo sobre elas, porque costumava ler a respeito de tudo, com uma memória tão tenaz como um tornínho e tão copiosa como um celeiro abarrotado. 

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts with Thumbnails