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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Jovem, isto é para você? Spurgeon - Sermão 2003 - Ano 1888

/ On : 14:46/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.
Logo depois, Jesus foi a uma cidade chamada Naim, e com ele iam os seus discípulos e uma grande multidão. Ao se aproximar da porta da cidade, estava saindo o enterro do filho único de uma viúva; e uma grande multidão da cidade estava com ela. Ao vê-la, o Senhor se compadeceu dela e disse: 'Não chore'.Depois, aproximou-se e tocou no caixão, e os que o carregavam pararam. Jesus disse: 'Jovem, eu lhe digo, levante-se!'. O jovem sentou-se e começou a conversar, e Jesus o entregou à sua mãe. Todos ficaram cheios de temor e louvavam a Deus. Um grande profeta se levantou entre nós', diziam eles. 'Deus interveio a favor do seu povo'. Essas notícias sobre Jesus espalharam-se por toda a Judéia e regiões circunvizinhas" (Lc 7.11-17).
Vejam, caros irmãos, o poder transbordante que flui perpetuamente do Senhor Jesus Cristo. Ele fez uma grande maravilha no servo do centurião, e agora, imediatamente, ressuscita um morto. "Logo depois, Jesus foi a uma ci­dade chamada Naim". Dia após dia declara suas ações de bondade. Jesus salvou ontem um amigo seu? Sua plenitude é a mesma; se você o buscar, seu amor e sua graça fluirão para você. Ele abençoa hoje, e abençoará amanhã. Nunca o Senhor divino é obrigado a parar a fim de renovar suas forças; dele mana poder para sempre. Esses milhares de anos não diminuíram a abundância do seu poder para abençoar.
Vejam, também, a prontidão e o modo natural dos derramamentos do seu poder vivificante. Nosso Salvador estava viajando, e opera milagres ao longo da estrada. "Foi a uma cidade chamada Naim". Foi no transcurso de uma viagem que deu com uma procissão fúnebre (alguém diria "acidentalmente"); mas res­taurou à vida esse jovem morto. Nosso Senhor não estava parado, como se esperasse um chamado profissional; não parece ter chegado a Naim a pedido de pessoa alguma para demonstrar seu amor; aproximava-se da porta da cidade, por algum motivo não registrado. Vejam, meus irmãos, como o Senhor Jesus sempre está disposto a salvar! Curou a mulher que tocou nas suas vestes no meio da multidão, quando ele estava a caminho da casa de uma pessoa bem diferente. Da taça da graça do Senhor, o simples transbordar e gotejar são maravilhosos. Aqui, Jesus dá vida ao morto enquanto está a caminho; distribui sua misericórdia à beira da estrada, e em todo e qualquer lugar seus passos disseminam bênçãos. Em nenhum momento e em nenhum lugar falta a Jesus boa disposição nem capacidade. Quando Baal viaja ou dorme, seus adoradores iludidos não podem esperar receber sua ajuda; mas quando Jesus viaja ou dorme, uma só palavra de pedido de ajuda o achará disposto a conquistar a morte ou a acalmar a tempes­tade.
Foi um incidente notável o encontro entre as duas procissões às portas de Naim. Se alguém com boa imaginação pudesse retratá-lo, quão grande opor­tunidade teria para desenvolver seu gênio poético! Não me aventuro em fazer semelhante esforço. Ali, uma procissão desce da cidade. Nossos olhos espirituais vêem a morte, montada no cavalo amarelo, passando pela porta da cidade em grande exultação. Pegou mais um cativo. Naquele caixão, eis os despojos do conquistador temido! Os enlutados, com lágrimas, confessam a vitória da morte. Como um general, cavalgando em triunfo até o capitólio romano, a morte leva seus despojos até o túmulo. Quem o impedirá? De repente, a procissão é inter­rompida por outra: um grupo de discípulos, acompanhado por muita gente, está subindo pela colina. Não precisamos olhar para a multidão, mas podemos fixar os olhos no que está em pé no centro, um homem em quem a humildade era sempre evidente, porém nunca lhe faltava majestade. Trata-se do Senhor vivo, o único que tem mortalidade, e nele a morte se encontrou com quem a pode destruir.
A batalha é breve e decisiva; não são desferidos golpes, pois a morte já provocara os maiores danos que podia. Com um só dedo, a carruagem da morte é detida; com uma palavra o despojo é tirado do poderoso, e é libertado o cativo -que se rendera. A morte foge, derrotada, das portas da cidade, ao passo que Tabor e Hermom, que contemplaram a cena, regozijam-se no nome do Senhor. Este foi um ensaio, em pequena escala, do que acontecerá no futuro não dis­tante, quando os que estiverem no sepulcro ouvirão a voz do Filho de Deus e viverão: então o último inimigo será destruído. E só deixar a morte entrar em contato com o que é a nossa vida, e ela será obrigada a soltar das suas garras qualquer despojo que tiver apreendido. Em breve, o Senhor virá na sua glória e, então, diante das portas da Nova Jerusalém, veremos a multiplicação de milhares de vezes do milagre diante das portas de Naim.
Assim, como vocês percebem, nosso assunto naturalmente nos conduziria à doutrina da ressurreição dentre os mortos, uma das pedras fundamentais da nossa santíssima fé. Já declarei muitas vezes a vocês essa verdade grandiosa, e assim farei de novo, repetidas vezes; mas nesta ocasião selecionei meu texto visando a um propósito muito prático, que diz respeito à alma de algumas pessoas pelas quais estou muito ansioso. A narrativa diante de nós registra um acontecimento, um fato literal, mas o registro pode ser usado para a instrução espiritual. Todos os milagres do Senhor tinham a intenção de servir como parábolas para nos instruir além de nos impressionar: são sermões para os olhos, como os discursos falados eram sermões para os ouvidos. Vemos aqui como Jesus pode lidar com a morte espiritual, e como pode outorgar vida espiritual segundo sua vontade. Quem dera pudéssemos ver isto sendo feito hoje, no nosso meio!
I. Vou pedir-lhes em primeiro lugar, caros amigos, que reflitam que os espi­ritualmente mortos provocam grande tristeza aos amigos que estão na graça. Se um ímpio é abençoado no sentido de ter parentes cristãos, ele lhes provoca muita ansiedade. Naturalmente, esse jovem morto, que estava sendo levado ao enter­ro, fez o coração da sua mãe explodir de mágoa. Ela demonstrava com as lágri­mas que seu coração transbordava de tristeza. O Salvador lhe disse: "Não chore", pois percebia sua profunda angústia. Muitos dos meus caros jovens amigos po­dem se sentir profundamente gratos por ter amigos aflitos por causa deles. E lastimável que a conduta de vocês seja uma mágoa para eles; mas para vocês também é esperançoso ter a seu redor quem assim se lastima. Se todos aprovas­sem os maus caminhos de vocês, não há dúvida de que continuariam neles, e iriam rapidamente à destruição; mas é uma bênção que vozes de quem quer detê-los estorvem pelo menos um pouco suas maldades. Além disso, ainda é possível que o Senhor escute as orações silenciosas das lágrimas de sua mãe, e que os abençoe por amor a ela. Vejam como o evangelista expressa o fato: "Ao vê-la, o Senhor se compadeceu dela e disse: 'Não chore' ". E depois, disse ao jovem: "Levante-se!".
Existem muitos jovens, em certos aspectos, amáveis e merecedores de espe­rança, mas que, apesar disso, estão espiritualmente mortos, e provocam grande tristeza a quem mais os ama. Talvez seja mais honesto dizer que não é intenção deles provocar tanta tristeza; consideram, de fato, totalmente desnecessário. Nem por isso deixam de ser um fardo diário para quem os ama. Sua conduta é tal que, quando a mãe pensa a respeito deles no silêncio, ela não pode deixar de chorar. O filho dela, quando menino, a acompanhava à casa de Deus, mas agora procura prazer em lugares muito diferentes. Ao se tornar independente, o jovem opta por não acompanhar a mãe. Ela não desejaria privá-lo de sua liberdade, mas lamenta que ele a exercite de modo tão pouco sábio; fica pesarosa porque ele não se dispõe a escutar a Palavra do Senhor, nem a se tornar servo do Deus de sua mãe. Sua esperança é que ele seguisse os passos do pai, e se juntasse ao povo de Deus; mas ele toma um rumo totalmente diferente. Ela tem visto nele, recente­mente, muitos aspectos que lhe aprofundaram a ansiedade: ele forma amizades e outros vínculos tristemente danosos para ele. Sente desgosto pela quietude do lar, e trata a mãe de um modo que a fere. E possível que suas palavras e ações não sejam deliberadamente maldosas; mas é uma grande lástima para o coração que zela por ele com tanta ternura. Ela vê nele crescente indiferença para com tudo o que é bom, e a intenção mal-disfarçada de contemplar o lado malévolo da vida. Ela sabe um pouco, e receia que haja mais, a respeito do estado atual dele, e teme que ele passe de um pecado a outro, a ponto de arruinar-se nesta vida e na futura. Ó amigos, para o coração gracioso é uma mágoa muito grande quando o filho não é convertido; e muito mais quando se trata do único queridinho da mãe, do filho único, sendo também ela uma mulher desolada, cujo marido lhe foi tirado pela morte. Ver a morte espiritual grassando em alguém tão querido é uma tristeza, que deixa muitas mães secretamente enlutadas, e elas derramam a alma diante de Deus. Muitas Anas passaram a ser mulheres de espírito triste por causa do próprio filho. Quão triste é quem deveria ter tornado a mais feliz entre as mulheres, encher a vida dela de amargura! Muitas mães têm sido levadas a lastimar-se tanto a respeito de um filho, quase a ponto de clamar: "Ah, se ele nunca tivesse nascido!". E assim em milhares de casos. Se é o seu caso, caro amigo, aplique minhas palavras a si mesmo, e reflita sobre elas.
Nisto está a causa da mágoa: estamos enlutados porque eles estão em situação semelhante. Na narrativa que temos diante de nós, a mãe estava chorando porque o filho estava morto; e nós estamos tristes porque nossos jovens amigos estão espiritualmente mortos. Existe uma vida infinitamente mais sublime que a que vivifica o corpo material; e quem dera que todos vocês soubessem disso! Vocês, que não estão renovados, nada sabem a respeito dessa vida verdadeira. Oh, como desejamos que vocês o saibam! Parece-nos uma coisa terrível vocês estarem mortos para Deus, para Cristo e para o Espírito Santo. E realmente triste vocês estarem mortos diante das verdades divinas — o deleite da alma; mortos para as moti­vações santas que nos refreiam do mal, e nos incitam à virtude; mortos para as alegrias sagradas que muitas vezes nos levam até bem perto das portas do céu. Não podemos olhar para o morto, e sentir alegria nele, seja quem ele for: um cadáver, por mais finamente vestido, é uma visão triste. Não podemos olhar para vocês, miseráveis almas mortas, sem exclamarmos: "O Deus, será sempre assim? Esses ossos secos não viverão? Tu não os vivificarás?55. O apóstolo falou de quem vivia nos prazeres, e disse: "Está morto enquanto vive??. Muitas pessoas estão mortas para tudo que é mais veraz, nobre e divino; no entanto, nos demais aspectos, estão cheias de vida e atividade. Oh, só pensar que estão mortas diante de Deus, porém tão cheias de animação e energia! Não se maravilhem que este­jamos enlutados por causa delas.
Estamos enlutados, também, porque perdemos a ajuda e consolo que deveriam nos oferecer. Essa mãe viúva estava enlutada pelo filho, também, não somente por estar ele morto, mas porque nele perdera o sustento terrestre. Por certo, ela o considerava o esteio de sua velhice, e o consolo na solidão. Ela era "viúva": duvido que outro tipo de pessoa compreenda toda a tristeza dessa palavra. Po­demos sentir compaixão da situação de quem perdeu o "outro eu", o parceiro da vida; mas a compaixão mais terna não consegue dar plena conta do verdadeiro rompimento envolvido no luto, e a desolação provocada pela perda do amado. A declaração de que ela era viúva soa como um dobre de finados. Apesar disso, já que o sol da vida se fora, ainda existia uma estrela brilhando; ela tinha um filho, muito querido, que prometia ser grande consolo para ela. Ele, sem dúvi­da, supriria suas necessidades, e a animaria na solidão, e nele, o marido viveria de novo, e seu nome permaneceria entre os viventes em Israel. Ela poderia se apoiar nele ao ir à sinagoga; ela o acolheria quando ele chegasse em casa no fim da tarde, depois do trabalho, e cuidaria da pequena casa, e alegraria seu coração.
Lastimavelmente, a estrela foi engolida pelas trevas. O jovem morreu, e era levado para o cemitério. Nós estamos, espiritualmente, na mesma situação, no que diz respeito aos amigos inconversos. Em relação a vocês, mortos nos peca­dos, sentimos falta da ajuda e do consolo que devemos receber de vocês no serviço ao Deus vivo. Queremos novos obreiros em todos os tipos de lugares — na escola dominical, na missão entre as massas, e em todas as formas de serviço ao Senhor que amamos! Nosso fardo é gigantesco, e ansiamos para que nossos filhos venham colocar-se debaixo dele. Aguardávamos ansiosamente por vê-los crescer no temor a Deus e ficar lado a lado conosco na grande guerra contra o mal, e no trabalho santo pelo Senhor Jesus, mas vocês não nos podem ajudar, pois estão do lado errado. Ai de vocês, porque nos prejudicam, fazendo o mun­do dizer: "Vejam como esses jovens se comportam!". Precisamos despender preo­cupações, orações e esforços com vocês, que poderíamos usar com proveito a favor de outras pessoas. Nossos cuidados a favor do mundo grande e tenebroso que jaz lá fora, à nossa volta, são muito prementes, mas vocês não os comparti­lham conosco; há pessoas perecendo por falta de conhecimento, e vocês não nos ajudam no esforço de iluminá-las.
Uma mágoa adicional é a impossibilidade de comunhão com eles. Aquela mãe não podia ter mais comunhão com o filho querido depois de morto, pois os mortos não sabem coisa alguma. Ele nunca poderá falar-lhe, nem ela a ele, pois ele jaz no caixão, morto, sendo levado embora. Ó meus amigos, alguns de vocês têm entes a quem amam, e eles os amam; porém, eles não podem manter nenhuma comunhão espiritual com vocês, nem vocês com eles. Vocês jamais dobram os joelhos em oração particular, nem unem coração a coração na petição dirigida a Deus solicitando fé, no tocante às aflições que espreitam à volta do seu lar. O jovem, quando o coração de sua mãe pula de alegria por causa do amor de Cristo derramado em sua alma, você não consegue entender a alegria dela. Seus sentimentos são mistério para você. Por ser um filho dedicado, nada lhe diz de desrespeitoso no tocante à religião dela, mas você não simpatiza com suas triste­zas e alegrias. Entre sua mãe e você existe, no tocante às coisas mais importantes da vida, um abismo tão grande como se você estivesse literalmente morto no caixão, e ela, chorando perto do seu corpo. Lembro-me de como, na hora da angústia assoberbante, quando temia que minha esposa amada estivesse para ser tirada de mim, eu era consolado pelas orações dos meus dois filhos queridos: tínhamos mútua comunhão, não somente na aflição, mas também na confiança no Deus vivo. Ajoelhamo-nos, derramamos o coração diante de Deus, e fomos consolados. Como eu bendizia a Deus porque meus filhos me davam tão doce apoio! Entretanto, imaginemos que fossem jovens ímpios! Eu teria procurado em vão a comunhão cristã e ajuda diante do trono da graça. Infelizmente, em muitos lares a mãe não pode ter comunhão com o filho ou a filha no assunto vital e permanente, porque estão espiritualmente mortos, ao passo que ela foi vivificada para a novidade da vida pelo Espírito Santo.
Além disso, a morte espiritual não demora a produzir motivos manifestos para a tristeza. Na narrativa que temos diante de nós, chegou a hora em que o corpo do filho precisava ser sepultado. Ela não poderia desejar que o morto ficasse mais tempo em casa com ela. Para nós, um sinal do terrível poder da morte é a conquis­ta e destruição do amor no tocante ao corpo. Abraão amava sua esposa Sara, mas depois de algum tempo teve que dizer aos hititas: "Cedam-me alguma propriedade para sepultura, para que eu tenha onde enterrar a minha mulher" (Gn 23.4). Acontece em alguns casos lastimáveis que o caráter fica tão mau que nenhum consolo pode ser desfrutado na vida enquanto o transgressor estiver no lar. Sabe­mos de pais que consideravam não poder mais acolher o filho em casa, por ele ter se tornado tão bêbado e pervertido. Nem sempre de modo sábio, mas às vezes quase por necessidade, experimenta-se o plano de enviar o jovem incorri-gível a uma cidade distante, na esperança de que, separado das influências perni­ciosas, se comporte melhor. É raro o sucesso de uma experiência tão deplorável! Já conheci mães que não podiam pensar nos filhos sem sentir dores muito mais amargas que as relativas ao parto! Ai de quem provoca semelhante mágoa no coração! Que coisa pavorosa quando as melhores esperanças do amor vão paula­tinamente se reduzindo ao desespero, e as esperanças amorosas finalmente se vestem de luto, a ponto de as orações esperançosas se transformarem em lágri­mas de pesar! Quaisquer palavras de admoestação recebem como resposta tamanha fúria e blasfêmia que a prudência quase as silencia. E assim temos diante de nós o jovem morto sendo conduzido ao sepultamento. Uma voz triste soluça: "Ele está dedicado aos ídolos, deixem-no". Estou me dirigindo agora a alguém que vitima o coração tenro de quem lhe deu à luz? Estou falando com alguém com a conduta externa feita tão deliberadamente iníqua que representa a morte diária para quem lhe deu vida? Ó jovem, você agüenta pensar nisso? Você se transfor­mou em uma pedra? Não posso acreditar que você presencie seus pais com o coração partido sem sentir amargamente o que faz. Não permita Deus que você faça desse modo!
Ficamos enlutados também por causa do futuro dos mortos no pecado. Essa mãe, com o filho tão longe na morte que precisava ser enterrado, fora de vista, tinha o conhecimento adicional de que algo pior lhe aconteceria no sepulcro ao qual era levado. Ela, não podia pensar calmamente a respeito da corrupção que segue os passos da morte. Quando pensamos no que acontecerá a vocês que recusam o Senhor, ficamos horrorizados. "Depois da morte, o juízo." Seria mais fácil pormenorizar a descrição de um cadáver putrefato que contemplar o estado da alma perdida para sempre. Não ousamos nos deter diante da boca do infer­no, mas temos a obrigação relembrar a vocês que existe um lugar "onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga" (Mc 9.44). Existe um lugar onde devem permanecer os que forem expulsos da presença do Senhor, e da glória do seu poder. E difícil suportar a idéia de que vocês sejam "lançados no lago de fogo, que é a segunda morte" (Ap 20.14). Não me admira que quem não é honesto com vocês tenha medo de lhes dizer isso, e que vocês sequer se esforcem para duvidar disso; mas com a Bíblia na mão, e a consciência no íntimo, vocês não conseguem evitar temer o pior, caso fiquem longe de Jesus e da vida que ele oferece livremente. Se vocês continuarem como estão, e perseverarem no peca­do e na incredulidade até o fim da vida, inevitavelmente serão condenados no dia do juízo. As declarações mais solenes da Palavra de Deus lhes garantem: "o que não crê será condenado" (Mc 16.16). Pensar que este é o caso de alguns de vocês preocupa e parte o coração. No colo de sua mãe, você usava a linguagem dos nenês e beijava-lhe o rosto com enlevo de amor; portanto, por que você quer se separar dela para sempre? Seu pai esperava que você assumisse o lugar dele na igreja de Deus, entretanto, sequer o seguirá até o céu? Lembre-se de que virá o dia em que "um será tomado, e o outro deixado" (Mt 24.40). Você re­nuncia a toda a esperança de estar com sua esposa, seu irmão e sua mãe à destra de Deus? Você não poderá desejar que eles desçam ao inferno com você. Não é seu desejo ir ao céu com eles? "Venham, benditos", dirá a voz de Jesus aos que imitaram seu Salvador gracioso; e "malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos" (Mt 25.41) é a sentença pro­nunciada contra todos os que se recusam a serem feitos semelhantes ao Senhor. Por que você terá parte no destino dos malditos?
Não sei se vocês acham fácil me escutar. Acho muito difícil falar-lhes, porque meus lábios não conseguem expressar os sentimentos do coração. Quem me dera ter a linguagem contundente de Isaías, ou as lamentações apaixonadas de Jere­mias, com as quais pudesse despertar suas emoções e seus temores! Mesmo assim, o Espírito Santo pode usar até a minha pessoa, e imploro a ele que assim o faça. Mas já basta, pois estou certo de que vocês percebem que os espiritual­mente mortos provocam grande pesar entre os membros da família vivos em espírito.
II. Agora, deixem-me animá-los ao apresentar a segunda divisão do meu sermão, que é a seguinte: para semelhante pesar existe um só ajudador: mas existe um ajudador. O jovem é levado para o enterro, mas o Senhor Jesus Cristo encon­trou a procissão fúnebre. Reparem com cuidado nas "coincidências", como os céticos as chamam, mas nós as chamamos "providência" segundo a Escritura. Este é um assunto magnífico para outra ocasião. Aqui, examinaremos este caso. Porque o jovem morreu exatamente nessa ocasião? Porque essa hora exata foi selecionada para o enterro? Talvez por ser no entardecer, mas mesmo isso talvez não fixasse o momento exato. Por que o Salvador planejou para aquele dia uma viagem de quarenta quilômetros, para chegar a Naim no entardecer? Porque ele chegava, naquele momento, de uma direção que naturalmente o levasse a entrar pela porta específica por onde o morto seria levado? Vejam: ele sobe pela colina até essa cidadezinha no mesmo momento em que a frente da procissão sai pela porta! Encontra-se com o morto antes de este chegar ao local do enterro. Um pouco mais tarde, ele teria sido enterrado; um pouco antes, estaria em casa, deitado em um quarto escuro, e ninguém teria chamado a ele a atenção do Senhor. O Senhor sabe como dispor todas as coisas; suas previsões são exatas até o tique-taque do relógio. Espero que algum propósito grandioso esteja para se cumprir hoje. Não sei por que você, meu amigo, entrou aqui em um dia em que discurso a respeito deste assunto específico. É possível que nem tenha plane­jado vir, mas aqui você está. E Jesus também veio para cá; está aqui com o propósito de encontrá-lo, e dar-lhe vida nova. Não há nenhum acaso nisso, os decretos eternos dispuseram tudo, logo veremos que é assim. Você, estando espiritualmente morto, tem um encontro com aquele em quem há a vida eter­na.
O bendito Salvador enxergou tudo em um só relance. Do meio da procissão ele selecionou a enlutada principal, e percebeu o íntimo do seu coração. Sempre tratava com ternura as mães. Fixou os olhos naquela viúva, pois sabia que ela o era sem ter sido informado do fato. O morto era seu único filho: Jesus percebe todos os pormenores, e o sente com intensidade. O jovem, Jesus sabe tudo a seu respeito. Nada se esconde de sua mente infinita. O coração de sua mãe e o seu estão abertos diante dele. Jesus, invisivelmente presente aqui, tem os olhos fixos em você neste momento. Ele vê as lágrimas de quem chora por sua causa; percebe que alguns deles se desesperam por você, e desempenham o papel de enlutados no seu enterro, com grande pesar.
Jesus viu tudo isso e, mais importante, entrou no meio de tudo. Oh, como devemos amar o Senhor por perceber tão bem nossas mágoas, e especialmente nossa aflição espiritual a respeito de nosso próximo! Você, caro professor, deseja a salvação de seus alunos: Jesus simpatiza com você por isso. Você, caro amigo, tem sido muito zeloso para ganhar almas. Saibam que em tudo isso vocês são cooperadores de Deus, Jesus sabe tudo a respeito da labuta de nossa alma, e nisto se reúne conosco. Nosso trabalho não é mais que a labuta dele repetida em nós, de acordo com nossos humildes limites. Quando Jesus entra na nossa obra, esta não poderá falhar. Entra, ó Senhor, na minha obra nesta hora, eu te rogo, e abençoa para meus ouvintes esta fraca palavra! Sei que centenas de crentes dizem: "Amém". Como isto me anima!
O Senhor comprovou como participou da situação triste ao dizer, em primeiro lugar, à viúva: "Não chore". Neste momento, ele diz a vocês que oram e ago­nizam a favor das almas: "Não se desesperem! Não se entristeçam como os que estão sem esperança! Minha intenção é abençoá-los. Vocês ainda se regozijarão por causa da vida outorgada aos mortos!". Animemo-nos, e expulsemos todo o medo derivado da incredulidade.
O Senhor foi, em seguida, até o caixão, apenas encostou nele o dedo, e os que o carregavam pararam por conta própria. O Senhor tem um jeito de fazer os carregadores pararem, sem lhes dizer palavra. Talvez hoje, aquele jovem ali seja levado mais para dentro do pecado, pelos quatro carregadores: suas paixões naturais, a infidelidade, as más companhias e o amor às bebidas fortes. Pode ser que o prazer e a soberba, a voluntariedade e a iniqüidade, estejam carregando os quatro cantos do caixão; mas nosso Senhor, pelo seu poder misterioso, consegue fazer os carrega­dores parar. As más influências foram destituídas do seu poder, e o jovem não sabe como.
Quando ficaram totalmente parados, houve silêncio total. Os discípulos fi­carem em pé ao redor do Senhor, os enlutados cercaram a viúva, e os dois gru­pos ficaram frente a frente. Havia um pequeno espaço entre eles, ocupado por Jesus e o morto no meio. A viúva tirou de lado o véu e, olhando por meio das suas lágrimas, queria imaginar o que aconteceria. Os judeus que saíam da cidade pararam, assim como tinham feito os carregadores. Silêncio! Silêncio! O que ele fará? Naquele silêncio profundo, Jesus escutou as orações não faladas daquela viúva. Não duvido que ela, na sua alma, tenha começado a sussurrar, meio espe­rançosa e meio temerosa — "Quem dera que ele ressuscitasse o meu filho!". De qualquer maneira, Jesus ouviu bater das asas do desejo, ou talvez mesmo da fé. Com certeza, os olhos dela falavam enquanto contemplava Jesus, que surgira tão de repente. Aqui, fiquemos quietos quanto à cena diante de nós. Guardemos silêncio por um minuto, e oremos para que Deus ressuscite almas mortas nesta ocasião. (Seguiu-se aqui uma pausa, muitas orações silenciosas, e muitas lágri­mas).
III. Aquela quietude não demorou muito tempo, pois o Grande Vivifica-dor entrou na sua obra graciosa. Esse nosso terceiro tema. Jesus é capaz de operar o milagre da vivificação. Jesus Cristo tem vida em si mesmo, e vivifica a quem quiser (Jo 5.21). Nele há tanta vida que "quem crê nele, ainda que morra, viverá" (Jo 11.25b). O bendito Senhor foi imediatamente até o caixão. O que jazia diante dele? Um cadáver. Não poderia derivar nenhuma ajuda daquela forma sem vida. Os espectadores estavam certos de sua morte, pois o levavam para enterrá-lo. Nenhum engano era possível, pois a própria mãe acreditava que ele estivesse morto, e vocês podem ter certeza de que, se houvesse uma única centelha de vida nele, ela não o teria entregado à garganta da sepultura. Então, não havia mais esperança —da parte do morto, nem da parte de alguém da multidão, quer dos carregadores, quer dos discípulos. Estavam todos igualmente incapacitados. Assim também você, ó pecador, não consegue salvar a si mesmo, nem qualquer um de nós pode salvá-lo (ou todos nós juntos).
Não existe ajuda para você, caro pecador, embaixo dos céus; nenhuma aju­da em si mesmo nem nos que mais o amam. Mas acontece que o Senhor colo­cou socorro em quem é poderoso. Se Jesus precisar da mínima ajuda, você não poderá prestá-la, porque está morto em pecados. Ali jaz você morto no caixão, e nada, senão a onipotência divina, pode colocar vida celestial no seu interior. A sua ajuda deve vir de cima.
Quando o caixão estava parado, Jesus se dirigiu ao jovem morto, falou-lhe pessoalmente: "Jovem, eu lhe digo, levante-se!". Ó Mestre, fala pessoalmente a algum jovem nesta manhã; ou, se quiseres, fala a um idoso, ou fala a uma mulher; mas fala a palavra de modo aplicável a eles. Estamos satisfeitos quando a voz do Senhor fala, seja onde for. Quem dera que ela agora chamasse os que estão a meu redor, pois sinto que existem mortos em todas as partes deste prédio! Es­tou aqui em pé, com caixões a meu redor, cada um com um morto. Senhor Jesus, tu não estás aqui? O necessário é teu chamado pessoal. Fala, Senhor, nós te imploramos!
"Jovem", disse ele, "levante-se!". E fala como se o homem estivesse vivo. O evangelho é desse jeito. Jesus não esperou até ver sinais de vida antes de lhe mandar levantar-se; mas ao morto falou: "Levante-se!". Este é o modelo da pregação do evangelho: em nome do Senhor Jesus, seus servos comissionados falam aos mortos como se estes estivessem vivos. Alguns dos meus irmãos le­vantam objeções contra isso, e dizem que é incoerente e tolo; mas em todas as partes do Novo Testamento a verdade é a mesma. Ali lemos: "Levanta-te dentre os mortos, e Cristo resplandecerá sobre ti" (v. Ef 5.14b). Não tento justificá-lo; para mim, basta assim ler na Palavra de Deus. Devemos mandar as pessoas cre­rem no Senhor Jesus Cristo, embora saibamos de sua morte no pecado, e da fé como obra do Espírito de Deus. A fé nos capacita a ordenar os mortos a viver, e realmente vivem. Mandamos o incrédulo crer em Jesus, e o poder acompanha a Palavra, e os eleitos de Deus realmente crêem. E mediante a palavra da fé que pregamos a voz de Jesus soa entre os homens. O jovem incapacitado de levan­tar-se, por estar morto, nem por isso deixou de levantar quando Jesus assim lhe ordenou. Também, quando o Senhor pronuncia, por meio de seus servos, a ordem do evangelho: "Creia e viva", ela é obedecida e os homens vivem.
Mas o Salvador, vocês observam, falou com autoridade própria: "Jovem, eu lhe digo, levante-se!". Nem Elias nem Eliseu poderiam ter falado assim; mas quem assim falou era verdadeiro Deus de verdadeiro Deus. Embora fosse en­coberto por carne humana e vestido de humildade, foi o mesmo Deus que disse: "Haja luz, e houve luz". Se alguém entre nós pode dizer, pela fé: "Jovem, levante-se!", só o fazemos em nome dele — não possuímos autoridade senão a derivada dele. Jovem, a voz de Jesus pode fazer o que sua mãe não pode. Quão freqüentemente sua doce voz tem tentado atrair você para vir a Jesus, mas ela tentou em vão! Quem dera que o Senhor Jesus falasse com você no recôndito! Quem dera que ele dissesse: "Jovem, levante-se!". Estou esperançoso de que, enquanto falo, o Senhor esteja falando silenciosamente a seu coração. Sinto certeza de que assim acontece. Se for dessa forma, um suave movimento do Espírito está inclinando você ao arrependimento e a entregar o coração a Jesus. Este será um dia bendito para o jovem espiritualmente morto, se ele agora aceitar o Salvador, e se entregar para ser renovado pela graça. Não, meu pobre irmão, eles não vão sepultá-lo! Sei que você tem sido muito mau, e que eles podem muito bem se desesperar por sua causa; mas enquanto Jesus viver, não podemos perder a espe­rança a seu respeito.
O milagre foi operado imediatamente: pois esse jovem, para o maior espanto de todos ao redor, sentou-se. O caso dele era desanimador, mas a morte foi vencida, pois o jovem se sentou. Tinha sido chamado de volta da masmorra interna da morte, da boca da sepultura; mas sentou-se quando Jesus o chamou. Isto não levou um mês, nem uma semana, nem uma hora — nem mesmo cinco minutos. Jesus disse: "Jovem, levante-se". E quem estivera morto sentou-se e começou a conversar. Em um só instante, o Senhor pode salvar um pecador. Antes de as palavras que falo poderem fazer mais que entrar no seu ouvido, o raio divino que concede vida eterna pode ter penetrado no seu peito, e você será uma nova criatura em Jesus Cristo, e começará a viver uma vida renovada a partir desse momento, para não mais se sentir espiritualmente morto, nem mais voltar à corrupção antiga. Você terá nova vida, novos sentimentos, novo amor, novas esperanças, novos convívios, por ter passado da morte para a vida. Oremos a Deus para que assim seja, pois ele nos atenderá.
IV. Já se esgotou o nosso tempo, e embora tenhamos aqui um assunto de amplo alcance, não podemos nos demorar. Preciso encerrar, apenas mencionan­do que isto produzirá resultados muito grandes. Outorgar vida aos mortos não é assunto irrelevante.
O grande resultado se manifestou, em primeiro lugar, no jovem. Vocês gostariam de vê-lo como era? Ousarei puxar de lado o lenço que cobre seu rosto? Veja ali o que a morte fez. Era um jovem excelente. Aos olhos da mãe, era o espelho da varonilidade! Que palidez naquele rosto! Como os olhos estão afundados! Vocês se sentem tristes. Percebo que vocês não conseguem suportar essa visão. Venham, olhem para dentro da sepultura, onde a corrupção adiantou sua obra. Cubram-no! Não podemos suportar olhar para esse corpo em deca­dência! Mas quando Jesus Cristo diz: "Levante-se", que transformação ocorre! Agora, vocês podem olhar para ele. Seus olhos azuis têm a luz do céu; seus lábios têm o vermelho coral da vida; sua testa é linda e cheia de pensamentos. Olhem para suas feições saudáveis, onde a rosa e o lírio concorrem docemente para o domínio. Que aspecto de frescor ele tem, como do orvalho da manhã! Estava morto, mas vive, e não há nele sinal de morte. Que música para os ouvidos de sua mãe! O que ele disse? Ora, isso não lhes sei contar. Fale você mesmo como recém-vivificado, e então escutarei o que disser. Sei o que eu disse. Acho que a primeira palavra que falei ao ser vivificado foi: "Aleluia". Depois, fui para casa, e contei que o Senhor se encontrara comigo.
Nenhuma palavra é citada nessa narrativa. Não importa muito quais foram as palavras, pois elas comprovavam estar ele com vida. Se você conhece o Se­nhor, creio que você falará de coisas celestiais. Não acredito que nosso Senhor Jesus tenha um filho mudo em casa: todos falam a ele, e a maioria fala a respeito dele. O novo nascimento revela-se quando a pessoa confessa a Cristo, e o louva. Posso garantir a você que a mãe, ao ouvi-lo falar, não criticou o que ele disse. Não comentou: "Aquela frase não possui boa gramática". Estava demasiada­mente feliz por ouvi-lo dizer alguma coisa, para examinar de forma crítica todas as expressões empregadas. As almas recém-salvas muitas vezes falam de maneira injustificável depois da passagem dos anos e da experiência. Vocês ouvem mui­tas vezes comentários a respeito de uma reunião de avivamento em que houve bastante emoção, e certos jovens convertidos falaram de modo absurdo. Isso é muito provável; mas se houve graça genuína na alma, e deram testemunho do Senhor Jesus, eu, pelo menos, não os criticaria muito severamente. Fiquem contentes se enxergaram qualquer comprovação do novo nascimento, e notem bem a vida deles a partir de então. Quanto ao jovem da narrativa, iniciara-se nova vida— vida dentre os mortos.
Nova vida também no tocante à sua mãe. Que grande resultado para ela foi a ressurreição do filho! A partir de então ele seria duplamente querido. Jesus ajudou-o a descer do caixão, e o entregou à sua mãe. Não temos registradas as palavras que ele usou; mas estamos certos de que fez essa apresentação muito graciosamente, e devolveu o filho à mãe como alguém que oferece um presente precioso. Com deleite majestoso, que sempre acompanha sua benevolência condescendente, ele contemplou a mulher feliz, e seu olhar para ela era mais brilhante que a luz da manhã, enquanto falava: "Receba o seu filho". A emoção do coração dela era tal que nunca se esquecerá. Observe cuidadosamente que nosso Senhor, ao colocar vida nova nos jovens, não deseja levá-los embora do lar — o local da prática dos primeiros deveres. Aqui e ali, um ou outro é chamado para ser após­tolo ou missionário; mas habitualmente ele deseja que voltem para casa, para seus amigos, e sejam uma bênção para seus pais, e tornem as respectivas famílias felizes e santas. Jesus não apresenta o jovem ao sacerdote, mas o entrega à sua mãe. Não digam: "Estou convertido, por isso já não posso continuar no meu emprego, nem tentar sustentar minha mãe com minha profissão". Tal coisa com­provaria a não-conversão. Você poderá sair como missionário daqui a uns pou­cos anos se estiver capacitado para isso; mas não pode entrar correndo em uma questão para a qual não foi preparado. Por enquanto, volte para casa, para sua mãe, deixe feliz seu lar, e encante o coração de seu pai, e seja uma bênção para seus irmãos e irmãs, e que eles se regozijem porque "ele estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi achado" (Lc 15.32).
Qual foi o resultado? Ora, todos ficaram cheios de temor e louvaram a Deus. Se o jovem que ontem à noite estava no teatro de variedades, e que, há poucas noites, chegou em casa quase bêbado; se o jovem nascer de novo, todos os que com ele convivem ficarão maravilhados disso. Se o jovem que resolveu um problema financeiro por meio da jogatina, ou por algum outro delito, for salvo, poderemos, todos, sentir que Deus está muito perto de nós. Se o jovem que começou a con­viver com mulheres de má fama, e a cair em outras iniqüidades, for levado a ter a mente pura e a ser gracioso, provocará reverente temor em todos os seus conheci­dos. Já desviou muitos outros, e se o Senhor agora o conduz de volta, será grande o rebuliço, e as pessoas procurarão informar-se quanto ao motivo da transfor­mação, e perceberão que há poder na religião. As conversões são milagres que nunca cessam. Esses prodígios de poder no mundo moral são tão notáveis quanto os prodígios no mundo material. Desejamos conversões tão práticas, reais, divi­nas, que quem duvidava não poderá duvidar mais, ao ver nelas a mão de Deus.
Finalmente, notemos que o milagre surpreendeu e impressionou os vizinhos, como os relatos dele espalharam-se por todas as regiões circunvizinhas. Quem sabe avaliar isso? Se alguém se converte nesta manha, o resultado dessa conversão poderá ser sentido durante milhares de anos, se o mundo durar tanto tempo; sim, será sentido depois de mil vezes mil anos terem passado, até mesmo por toda a eternidade. Hoje, com tremor, deixei cair uma pedra lisa no lago. Caiu de uma mão fraca e de um coração sincero. Suas lágrimas demonstram que as águas foram perturbadas. Percebo o primeiro pequeno círculo na superfície. Outros círculos, mais amplos, se seguirão à medida que esse sermão for comentado e lido. Quando você for para casa e contar o que Deus tem feito a favor da sua alma, haverá um círculo ainda maior; e se o Senhor abrir a boca de um dos convertidos neste dia para pregar a Palavra, então ninguém poderá contar qual amplitude o círculo passará a ter. A Palavra se propagará, em círculos cada vez mais amplos, até o ponto de o oceano da eternidade, que não tem praias, sentir a influência da Palavra pregada hoje. Não, não estou sonhando. Segundo nossa fé, assim será. A graça hoje outorgada pelo Senhor a uma única alma poderá afetar a massa total da humanidade. Que Deus conceda a bênção da vida eterna. Orem muito por uma bênção. Meus caros amigos, rogo a vocês que orem muito por mim, por amor a Jesus Cristo. Amém.

FONTE: Shedd Publicações. 

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