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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Regeneração - C. H. Spurgeon - Sermão nº 130

/ On : 17:01/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.

- O Púlpito da Capela New Park Street –
Regeneração - Sermão pregado na manhã de domingo, 3 de Maio de 1857 por Charles H. Spurgeon
No Music Hall, Royal Surrey Gardens.

Fonte – Spurgeon.org
Equipe – Charleshaddonspurgeon.com


Se alguém não nascer de novo,não pode ver o reino de Deus (Jo 3.3).
No dia-a-dia nossos pensamentos estão sempre ocupados com coisas que são necessárias à nossa existência. Nin­guém reclama quando o preço do pão é discutido com freqüên­cia em tempos de escassez, porque todos sabem que o assunto é de máxima importância para a população. Por isso ninguém reclama da menção constante do tema nos discursos e em artigos de jornal. Posso trazer a mesma desculpa, portanto, por trazer a vocês esta manhã o tema da regeneração. Ele é de importância vital e absoluta, o ponto central do evangelho, o item sobre o qual a maioria dos cristãos concorda, todos os que são cristãos em verdade e sinceridade. Esse assunto é a pró­pria base da salvação, o alicerce das nossas esperanças pelo céu. Assim como numa construção tomamos todos os cuidados necessários com a fundação, devemos nos certificar com cui­dado se realmente nascemos de novo, tomando as providênci­as para toda a eternidade. Há muitos que acham que são nascidos de novo e não são. E bom, portanto, que nos analise­mos com freqüência, e é obrigação do pastor levantar as ques­tões que levam ao auto-exame e tendem a sondar o coração e testar os controles dos filhos dos homens.
A princípio farei algumas observações sobre o novo nascimento; em segundo lugar, direi o que significa que alguém não pode ver o reino de Deus se não nasceu de novo; depois disso veremos por que "se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus"; por último exortarei as pessoas, como embaixador de Deus.
I. Primeiro, então, a questão da regeneração. No es­forço de explicá-la, devo destacar antes de tudo a ilustração que é usada. Nos é dito que as pessoas têm de nascer de novo. Não posso ilustrar isso melhor do que imaginando um caso. Imagine que na Inglaterra fosse aprovada uma nova lei do acesso à corte real: o atendimento nas repartições públicas e qualquer privilégio na nação só seria dado a quem tivesse nascido na Inglaterra — que o nascimento neste país se tornasse condição sine qua non, e que fosse declarado definitivamente que, não importa o que as pessoas fossem ou fizessem, se não tivessem nascido como súditos ingleses, não poderiam entrar na presen­ça de Sua Majestade, usufruir dos serviços do Estado nem qual­quer privilégio dos cidadãos. Acho que, se vocês puderem ima­ginar um caso como este, poderei ilustrar a diferença entre as mudanças e reformas que as pessoas fazem em si mesmas e a verdadeira obra de ser nascido de novo. Imaginemos, então, que um estrangeiro — um índio, por exemplo — viesse a esse país e se esforçasse por obter os privilégios de um cidadão, bem sabendo que a regra é absoluta e não pode ser alterada, que os privilégios são só para os súditos nascidos aqui. Imagi­nemos que ele diga: "Vou mudar meu nome; adotarei o nome de um inglês. Entre os sioux tenho uma posição muito impor­tante, um nome como Filho do Grande Vento do Oeste ou algo assim, mas adotarei um nome inglês, cristão, súdito do rei." Vocês acham que ele será aceito? Você o vê se aproximando dos portões do palácio e solicitar admissão. Ele diz:
Adotei um nome inglês.
Mas você é um inglês que nasceu e cresceu aqui?
Não, não sou.
Então as portas precisam ficar fechadas para você, porque a lei é absoluta. Mesmo que você tivesse o nome da família real, se não nasceu aqui, você fica fora.
Essa ilustração se aplica a todos nós que estamos aqui
presentes. Quase todos nós usamos o nome de cristãos professos; vivendo na Inglaterra, você consideraria uma desgraça se não fosse chamado de cristão. Você não é pagão, não é infiel, não é nem muçulmano nem judeu. Você acha que o nome cristão lhe é devido, e você o assumiu. Pois você pode ter certeza de que ser chamado de cristão não equivale a ter natureza de cristão, e que o fato de ter nascido num país cristão, e ser conhecido como alguém que professa a religião cristã, não é garantia nenhuma se não lhe for acrescentado mais alguma coisa — ser nascido de novo como súdito de Jesus Cristo.
   Mas — diz o índio, — estou disposto a renunciar às minhas roupas típicas para vestir-me como um inglês. Vou me adaptar em tudo; você não verá nenhuma diferença em relação à maneira usual neste país. Quando eu tiver me vestido como manda a etiqueta, poderei vir à presença do rei? Veja, não vou brandir a machadinha, vou tirar estas penas e roupas de couro, vou jogar fora meus mocassins para sempre. Sou inglês de nome e na maneira de ser.
Ele se aproxima do portão vestido como um inglês, mas este continua fechado, porque a lei exige que ele tenha nascido neste país; sem isto, não importa como ele se veste, ele não pode entrar no palácio. Assim também, quantos de vocês, além de assumir o nome de cristão, também adotaram um comportamento cristão? Vocês vão às suas igrejas e cape­las, freqüentam a casa de Deus, cuidam que sua família siga alguma forma de religião; seus filhos não ficam sem ouvir o nome de Jesus! Até aí tudo bem. Deus não permita que eu diga alguma palavra contra isso. Mas lembrem: isso não vale nada se vocês não vão além. Tudo isso não serve de nada para granjear admissão no reino do céu se não for acompanhado de — ser nascido de novo. Sim! Vocês podem se vestir com a pompa da vida cristã, colocar o chapéu da benevolência, cingir-se de integridade, vestir os sapatos da perseverança e ca­minhar pela terra como pessoas honestas e direitas; mas lem­brem-se, se não forem nascidos de novo, "o que é da carne é carne", e você, que não tem o Espírito atuando em você, ainda tem as portas do céu fechadas porque não nasceu de novo.
     Está bem — diz o índio, — não só adotarei a ma­neira de vestir, mas aprenderei a língua. Deixarei minha lín­gua, o dialeto que eu falava nos campos e florestas da minha terra. Não usarei mais o xu-xu-gá e os outros nomes estranhos com que chamava os pássaros selvagens e os animais, e vou falar como vocês falam e agir como vocês agem. Vou vestir-me como vocês se vestem, adotar suas maneiras, falar do mesmo jeito, aprender seu sotaque e a gramática certa; então, pode­rei entrar? Fiquei completamente anglicizado; não posso ser recebido?
— Não — diz o guarda na porta, — só admitimos pes­soas nascidas neste país; você não pode entrar.
O mesmo acontecerá com alguns de vocês. Vocês falam como cristãos, talvez com um tom um pouco forçado. Vocês começaram a imitar tão bem que se consideram espirituais até um pouco mais que os outros, e vocês se esforçam tanto que exatamente por isso podemos perceber a falsificação. Mas para as pessoas em geral vocês parecem ser o tipo certo de cristão. Vocês estudaram biografias, e às vezes contam histórias sobre sua experiência com Deus. Vocês as copiaram das biografias de bons cristãos; vocês andaram com cristãos e sabem como eles falam. Talvez vocês até têm um jeito puritano; vocês andam pelo mundo como professores; quem os observasse, não perceberia a diferença. Vocês são membros da igreja, foram batizados, parti­cipam da Ceia do Senhor, talvez até sejam diáconos ou presbíteros, estendem o cálice para os outros. Vocês são tudo o que cristãos podem ser, só que não têm um coração cristão. Vocês são sepulcros caiados, cheios de podridão por dentro, mesmo que bem enfeitados por fora. Tomem cuidado! É impressionante como um pintor pode chegar perto da expressão da vida, e mesmo assim a tela está morta e sem movimento; é igualmente impres­sionante como alguém pode chegar perto de ser cristão e ser excluído do céu pela regra absoluta, por não ser nascido de novo. Com toda sua profissão de fé, com toda a pompa da sua alegada vida cristã e com todas as plumas esplêndidas da experiência, ele tem de ser afastado dos portões do céu.
"Você não tem compaixão, Sr. Spurgeon." Não me im­porto com o que você está dizendo. Não quero ter mais compai­xão do que Cristo. Não fui eu quem disse essas coisas: foi Cristo. Se você tem algum problema com ele, resolva-o aqui. Não sou eu quem fiz esta verdade, apenas sou seu porta-voz. Eu achei isto escrito: "Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus."
Observe agora a maneira de se obter a regeneração. Creio que aqui não há ninguém tão estúpido, que eu tenha atraído alguém tão sem cérebro, que ainda creia na doutrina da regenera­ção pelo batismo. Sim, tenho de mencionar isto rapidamente. Há pessoas que ensinam que algumas gotas de água aspergidas sobre a cabeça de um bebê o regeneram. Imaginemos que seja assim, e eu encontro estes regenerados vinte anos depois. O ganhador do prêmio da loteria é um homem regenerado. Sim, regenerado por­que foi batizado na infância. Você consegue ouvi-lo praguejando e blasfemando de Deus? Ele está regenerado, creia em mim; o pas­tor pôs alguns pingos de água na sua testa. Você está vendo o bêbado cambaleando pela rua, a peste da vizinhança, brigando com todo mundo e batendo em sua esposa, pior que um selvagem — ele é regenerado! Observe a multidão reunida na rua. A forca foi levantada, está para ser executado um homem cujo nome de­veria ser banido por toda a eternidade, de tão maligno. Ele é rege­nerado, sim, porque foi batizado na infância. Ele estava regenera­do enquanto misturava seu veneno e o administrava em pequenas doses, para causar dor infinita e uma morte lenta. E claro que ele é regenerado! Se isto é regeneração, não vale a pena sê-lo; se é isso que nos liberta para o reino do céu, então o evangelho é realmente licencioso; não há mais nada a dizer sobre ele. Se este é o evangelho, que todas estas pessoas são regeneradas e serão salvas, só podemos dizer que seria obrigação de qualquer pessoa no mundo rejeitar esse evangelho, porque é tão incoerente com os princípios mais comuns de moral que não pode ser de Deus; deve ser do diabo.
Em seguida podemos dizer que ninguém é regenerado por seu próprio esforço. Uma pessoa pode mudar bastante, e isto é muito bom; que todos o façam, Uma pessoa pode rejeitar todos os maus hábitos, esquecer os vícios em que andava e controlar suas ações más; ninguém no mundo, porém, pode fazer-se nascer de Deus. Por mais que ele se esforce, jamais conseguirá realizar o que transcende o seu poder. E preste atenção, se alguém conseguisse fazer nascer a si próprio de novo, ainda assim não entraria no céu, porque há outro detalhe da condição que ele teria quebrado: "Quem não nascer do Espírito não pode entrar no reino de Deus." O maior esforço da carne não atingirá este patamar, de nascer do Espírito de Deus.
Agora podemos dizer que a regeneração consiste em que este Deus, o Espírito Santo, de maneira sobrenatural — veja, com a palavra "sobrenatural" quero dizer simplesmente o que o termo significa, mais que natural — age sobre os corações das pessoas, que, pela atuação do Espírito divino, ficam regeneradas. Sem o Espírito isso é impossível de acontecer. Se esse Deus, o Espírito Santo, que "efetua em nós tanto o querer como o realizar", não agir sobre a vontade e a consciência, a regeneração é absoluta­mente impossível, de modo que não há salvação. "0 quê?", diz alguém, "você está querendo dizer que Deus intervém absoluta­mente na salvação de cada pessoa, para regenerá-la?" Exatamen­te. Na salvação de cada pessoa há uma manifestação real do po­der de Deus, pela qual o pecador morto é avivado, o pecador renitente se torna dócil, o pecador desesperadamente endurecido fica com a consciência sensível, e aquele que rejeitou Deus e des­prezou a Cristo é levado a lançar-se aos pés de Jesus. Há quem queira chamar isso de doutrina fanática, mas nada posso fazer a esse respeito; para nós basta que a doutrina é bíblica. "Quem não nascer  do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito."

II Agora devemos nos voltar para o segundo ponto. Confio haver explicado o que é a Regeneração, de tal forma que todos possam saber exatamente o que ela é. Agora, O QUE SIGNIFICA A EXPRESSÃO: VER O REINO DE DEUS?” – Quero dizer duas coisas. Ver o reino de Deus na terra é ser um membro da igreja mística e invisível, é gozar os privilégios e da liberdade dos filhos de Deus.Ver o reino dos céus significa ter pode em oração, ter comunhão com Cristo, ter comunhão com o Espírito Santo, e produzir e gerar todos esses abençoados frutos que são um efeito da regeneração.
Em um sentido mais sublime, “ver o Reino de Deus”, significa ser admitido no céu. O que não nascer de novo, não pode saber nada acerca das coisas celestiais aqui na terra, e não pode gozar da benções celestiais na terra; “não pode ver o reino de Deus”.


III. Creio que devo passar pelo segundo ponto sem comentá-lo e ir para o terceiro: por que, "se alguém não nas­cer de novo, não pode ver o reino de Deus'? Limitarei mi­nhas observações ao reino de Deus no mundo futuro.
Bem, ele não pode ver o reino de Deus porque no céu ele estaria deslocado. Alguém que não nasceu de novo não se sentirá bem no céu. Existe um empecilho em sua natureza que o impede de ter prazer em qualquer uma das bênçãos do para­íso. Talvez você pense que o céu consiste naqueles muros de jóias, nos portões de pérolas, nas ruas de ouro. Não é assim; o céu é lá, mas este não é o céu. O céu é um estado interior, no coração, criado pelo Espírito de Deus dentro de nós. A não ser que Deus o Espírito nos renovou e fez nascer de novo, não podemos nos alegrar nas coisas do céu. E uma impossibilidade física que um porco dê uma aula de astronomia. Qualquer pessoa percebe claramente que é impossível que uma lesma construa uma cidade. Da mesma forma é impossível que um pecador não transformado possa ter prazer no céu. Não haverá nada lá que o atraia; se ele pudesse ser levado para o lugar onde está o céu, ele se sentiria muito mal. Ele iria gritar: "Deixem-me sair, deixem-me ir embora! Quero sair desse lugar miserável!" Quero apelar a vocês, par quem muitas vezes um sermão é longo demais, cantar louvores a Deus é um esforço maçante e árido, ir à casa de Deus é tédio. O que vocês vão fazer onde se louva a Deus sem parar? Se o breve discurso aqui já cansa, o que dizer da conversa eterna dos redimidos sobre as maravilhas do amor redentor? Se a companhia dos justos aborrece, como a suportar por toda a eter­nidade? Eu acho que muitos de vocês estão dispostos a confessar que cantar salmos não é muito do seu gosto, que você não se importa muito com as coisas espirituais; sentar-se com uma garra­fa de vinho e divertir-se, isto é céu para você! Bem, um céu assim ainda não foi feito, e por isso não há céu para você. O único céu que existe é o céu das pessoas espirituais, o céu do louvor, o céu do prazer em Deus, o céu dos que foram aceitos entre os amados, o céu da comunhão com Cristo. Disso você não entende nada; você não se alegraria nele se o tivesse; você não tem capacida­de para tanto.
Todavia, há ainda outras razões:

Imoralidade, pecado, vergonha
Fecham os portões sagrados para sempre.

Há outras razões, além daquelas dentro de você, por que você não pode ver o reino de Deus se não nascer de novo. Pergunte aos espíritos que estão diante do trono:
Anjos, principados e potestades, vocês concordari­am que pessoas que não amam a Deus, que não crêem em Cristo, que não nasceram de novo, morem aqui? — Eu os vejo olhando aqui para baixo e respondendo:
Não! Nós já lutamos contra o dragão e o expulsa­mos daqui porque nos tentou para o pecado; não precisamos e não queremos ter os maus aqui. Estes muros de alabastro não devem ser maculados por dedos sujos e lascivos; o pavimento limpo do céu não deve ser manchado e sujados pelos pés pro­fanos de pessoas que não pertencem a Deus. Não!
Vejo milhares de lanças levantadas, e os rostos temíveis de uma miríade de serafins vigiando por cima dos muros do para­íso:
     Não, enquanto estes braços tiverem força e estas asas poder, nenhum pecado entrará aqui.
Dirijo-me ainda aos santos no céu, já redimidos pela gra­ça soberana:
   Filhos de Deus, vocês concordam que os maus entrem no céu assim como estão, sem nascerem de novo? Vocês que amam a todos, digam, vocês acham que eles devem ser admitidos em seu estado atual?
Vejo Ló levantar-se e exclamar:
   Admiti-los no céu?! Nunca! Terei de suportar nova mente as conversas dos sodomitas?
Vejo Abraão vir à frente e dizer:
   Não; não posso tê-los aqui. Já tive o suficiente deles enquanto estive na terra; seus gracejos e zombarias, suas palavras tolas, suas conversas fúteis nos incomodaram e entristeceram. Não os queremos aqui.
Apesar de serem celestiais e terem espírito amoroso, não há nenhum santo no céu que não se ressinta com indignação su­prema que alguém de vocês se aproxime das portas do paraíso, se não estiverem santos e não nasceram de novo.
Isso, porém, não é tudo. Talvez conseguíssemos escalar as defesas do céu, se fossem protegidas somente pelos anjos, e arrombar as portas do paraíso se só os santos as guarnecessem. Mas há outra razão que nos impede de entrar — foi o próprio Deus quem disse: "Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." Qual pecador quererá conquistar as trincheiras do paraíso se Deus está pronto para jogá-lo no inferno? Você tentará enfrentá-lo descaradamente? Foi Deus quem disse, com voz de trovão: "Não vereis o reino de Deus." Será que podemos lutar com o Altíssimo? Podemos derrotar o Onipotente? Podemos medir forças com o Todo-Poderoso? Verme do pó! Você quer ven­cer seu Criador? Inseto que só vive uma hora, trêmulo com os relâmpagos que riscam o céu longe lá em cima, você quer testar a mão de Deus? Você quer aventurar-se a desafiar a sua face? Ora, ele riria de você. Assim como a neve derrete com o sol, como a cera escorre ante a ferocidade do fogo, você se desfaria quando a sua fúria o alcançasse. Não pense que você pode enfrentá-lo. Ele fechou a porta do paraíso para você, e não há como entrar. O Deus da justiça diz: "Não irei recompensar os maus junto com os justos; não permitirei que meu bom paraíso seja profanado por pessoas más e rebeldes. Se se converterem, terei misericórdia deles; mas se não se converterem, tão certo como eu vivo, vou fazê-los em pedaços, e não restará ninguém."
Agora, pecador, podes sustentar seus argumentos contra Deus? Podes lançar seus dardos contra o escudo do Senhor? Acaso tentarás escalar e subir ao céu, quando a flecha está esticada sobre o arco direcionado ao teu coração e quando a espada reluzente está prestes a matá-lo? Se esforçará para se opor ao seu Criador? Podes lutar contra teus semelhantes, guerrear contra teus irmão; mas espero que não tentes lutar contra  o Deus Onipotente. Ele diz que você não entrará em Seu reino, exceto se nasceres de novo.
Além disso te digo, não discutas comigo, eu só entrego a mensagem do Senhor. Vá, não creia nisso se ousares, mas se és alguém que crÊ nEle, não se volte contra minhas palavras, pois se trata da mensagem de Deus, que eu proclamo a ti com amor, para que não te percas nas trevas se estás longe do Senhor, não caminhes com teus olhos vendados a tua própria perdição eterna.

IV. Agora, meus amigos, uma pequena exortação, e depois adeus. Ouço alguém dizer: "Está bem, estou entenden­do. Espero nascer de novo depois da morte. Meu senhor, creia em mim, você será um tolo miserável em meio às suas dores. Quando alguém morre seu estado final já está definido:
Depois que a gente falecer 
É tarde para arrepender.

Nossa vida é como a cera que foi derretida para servir       de lacre: a morte põe nela o seu carimbo, depois ela esfria, e a marca não pode mais ser mudada. Hoje vocês são como o metal incandescente que escorre da fornalha para o molde: a morte esfria vocês no molde, e vocês conservam esta forma por toda a eternidade. A voz da condenação ressoa sobre o morto: "Que o santo continue santo, que o ímpio continue ímpio, que o imundo continue imundo." Os condenados estão perdidos para sempre. Não podem mais nascer de novo. Con­tinuam malditos e maldizendo, eternamente lutando contra Deus e sendo pisados sob seus pés. Estarão para sempre zombando e sendo ridicularizados por sua zombaria. Estarão sempre se rebelando e sendo torturados com os açoites da consciência porque não param de pecar. Não podem ser regenerados por­que estão mortos.

"Bem", diz outro, “tomarei cuidado de ser regenera­do antes de morrer." Moço, repito que você é um tolo falando assim; como você sabe se vai continuar vivendo? Você fez um contrato de aluguel por sua vida como o fez com sua casa? Você pode garantir o sopro em suas narinas? Você pode dizer com certeza que seus olhos verão a luz amanhã? Você pode saber se seu coração já não está tocando a marcha fúnebre em direção ao túmulo, e você morrerá onde está parado ou senta­do agora? O homem! Se seus ossos fossem de ferro, seus tendões de bronze e seus pulmões de aço, então você poderia dizer: "Vive­rei." Mas você é feito de pó; você é como a flor no campo; você pode morrer a qualquer momento. Olhe! Estou vendo a morte parada ali, afiando a foice com sua pedra. Ela vai brandir a foice para alguns de vocês hoje — ela ceifa os campos, e vocês caem um a um. Vocês não devem e não podem viver. Deus nos leva como uma enchente, como um navio num redemoinho, como um galho na correnteza arremessando-se para a cachoeira. Não há como parar nenhum de nós. Todos estamos morrendo! E você ainda diz que quer ser regenerado antes de morrer! Meus senho­res, vocês estão regenerados agora? Porque se não, esperar para amanhã pode ser muito tarde. Amanhã vocês podem estar no inferno, com o destino gravado em diamante para sempre.
"Veja", exclama outro, "não me importo muito com isso; não faço caso de ser excluído do paraíso." Meu senhor, você fala do que não entende. Você sorri agora, mas chegará o dia em que sua consciência será mais sensível, sua memória estará viva, seu julgamento será às claras e você pensará muito diferente do que agora. Os pecadores no inferno não são tolos como na terra; no inferno não riem do fogo eterno; no abismo não desprezam as palavras "fogo eterno". O verme que nunca morre devora todas as piadas e risadas. Você pode estar desprezando a Deus e a mim pelo que estou dizendo agora, mas a morte mudará sem tom de voz. Queridos ouvintes, se fosse só isso, eu o suportaria. Vocês podem desprezar a mim; mas eu imploro, não desprezem vocês mesmos! Não sejam idiotas para irem assobiando para o inferno, rindo para o abismo; quando chegarem lá, vocês verão que é bem diferente do que sonham agora. Quando virem as portas do para­íso fechadas para vocês, vocês descobrirão que isto é mais impor­tante do que julgam agora. Vocês vieram hoje ouvir-me pregar, como vão à ópera ou ao teatro; acharam que eu deveria entretê-los. Longe de mim essa intenção. Deus é minha testemunha que vim solene e seriamente para lavar minhas mãos do sangue de vocês. Se algum de vocês for condenado, não será por falta de aviso.
Senhoras e senhores, se vocês perecerem, minhas mãos estão lavadas na inocência; pois tenho lhes falado sobre a condenação que está sobre vocês. Clamo de novo: Arrependa-se, arrependa-se, arrependa-se, pois “se não te arrependeres, igualmente perecereis”  Vim aqui decidido esta manhã a usar palavras duras para os homens, porque as coisas que dizemos e para o teu bem. Nós advertimos para que vocês não pereçam.

Mas, ah! Alguém entre vocês diz: Eu não entendo este mistério, te rogo que me expliques. “Néscio, néscio tu és; vês aquele fogo? Nos levantamos assustados de nossas camas, há luz em nossas janelas, descemos correndo as escadas, as pessoas correm de um lado para o outro, multidões estão na rua correndo das casas em chamas. Os bombeiros estão fazendo o seu serviço, um rio de água está sendo derramado sobre a casa; mas espere, olhe! Olhe! Há um homem no segundo andar da casa, tem pouco tempo e é difícil escapar. Ouve-se um grito: Fogo! Fogo! Fogo! O homem se aproxima da janela, uma escada é colocada. Uma mão forte se introduz pela janela – O que está fazendo este homem todo o tempo? O quê! Está deitado na cama? Por acaso é alguém aleijado? Um espírito mau o está prendendo? Não, não, não! Ele sente que o chão está aquecendo sob seus pés, a fumaça começa a sufocá-lo, as chamas ardem ao seu redor, e ele sabe que só há escape por aquela escada. Mas o que ele está fazendo? Está sentado – não acredito, está sentado dizendo:  “A origem deste incêndio é muito muito misteriosa;  e me pergunta como há de ser descoberta. Como vamos entender isso? Bem, você ri dele, mas estão findo de si mesmos.  Vocês estão buscando obter respostas de uma questão ou outra enquanto sua alma corre perigo do fogo do eterno.
Ah! Quando forem salvos, vocês terão tempo para fazer todas as perguntas; mas estando na casa em chamas, e correndo perigo de destruição, não tem tempo de estar confuso sobre o livre-arbítrio, decretos eternos e a predestinação absoluta.
Todas estas questões são importantes a serem feitas depois que estamos salvos. Que o homem esteja em terra firme para depois estudar a causa da tempestade. Sua única tarefa agora é perguntar: “Que devo fazer para ser salvo? Como posso escapar da terrível condenação que me espera?

Meus amigos, eu não posso falar como gostaria. Esta manhã acho que me sinto como Dante quando escreveu seu Inferno. As pessoas diziam que ele estivera no inferno; pelo me­nos ele tinha a aparência de quem esteve. Ele pensou tanto nisso e falou com seriedade e terror tal que disseram: "Ele esteve no inferno." Oh, se eu pudesse, também falaria como ele. São só mais alguns dias, e eu os verei face a face. Posso olhar além do espaço de alguns anos até você e eu estarmos perante o tribunal de Deus: "Vigia, vigia", diz uma voz, "você os advertiu? Você os advertiu?" Algum de vocês dirá que não? Não, mesmo os mais despreocupados dirão naquele dia: "Nós rimos, nós zombamos, nós não nos importamos; ó Senhor, somos obrigados a falar a verdade: o homem falava sério, falou-nos de nossa condenação, ele está limpo." É isto que vocês dirão? Eu sei que sim.

Quero acrescentar este comentário: Ser achado fora do céu é algo terrível. Alguns de vocês tem seus pais lá; tem amigos mui queridos ali; eles tomaram suas mãos quando estavam morrendo e disseram: “Adeus, até nos encontrarmos em breve” – Mas se você não enxergar o Reino de Deus, não poderão vê-los nunca mais. “Minha mãe”, disse alguém – “dorme em um cemitério; eu vou a sua tumba colocar algumas flores, em recordação do amor que ela me deu;... mas eu não vou vê-la nunca mais? Não, nunca mais, NUNCA, a menos que nasça de novo.
As mães que tem bebês que partiram para o céu desejam ver toda sua família ao redor do trono; mas nunca mais verão seus filhos, a não ser que nasçam de novo. Quer dizer adeus neste dia imortal? Dirás isso a seus amigos glorificados no Paraíso? Eles lhe diriam que deves se converter.
Deve vir a Cristo imediatamente, e confiar em Deus e seu Espírito para te regenerar, pois do contrário, hás de olhar para o céu e dizer:

“Coro dos bem-aventurados! Haverei de vê-los cantando para sempre; os meus amados pais, guardiões da minha infância, eu os amo, mas entre nós está posto um grande abismo; eu estou fora e vocês estão salvos”.

Oh! Eu lhes imploro que pensem sobre estas questões; e quando saírem, não devem esquecer delas. Se alguns de vocês foram tocados esta manhã, não descarte esta comoção, pode ser o seu último aviso; seria algo terrível estar perdidos com os ecos do evangelho em seus ouvidos, e perecer mesmo estando sob o ministério da verdade. 

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