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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Um Jovem que fugiu das Paixões da Mocidade - A. A. Dallimore

/ On : 17:32/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.
O pastorado de Spurgeon em Waterbeach continuou até ele chegar aos dezenove anos de idade. Durante esse período, muito embora tenha manifestado rara maturidade, também teve que aprender muita coisa sobre como conduzir o minis­tério dia a dia.
Essa experiência ficou evidente, por exemplo, em seu preparo do sermão. Ele procurava ser guiado por Deus a alguma passagem das Escrituras, esforçando-se na oração e no estudo para entendê-la completamente. Depois de encher sua alma com a mensagem, ele ordenava as suas verdades, colo­cando-as em forma organizada e deixando-a pronta para a transmissão. Ele via os pontos principais e os secundários que o texto escolhido continha, escrevia-os em duas ou três páginas de anotações, e as levava consigo ao púlpito.
Ainda existem uns duzentos esboços de sermões redigidos em Waterbeach, e eles revelam a natureza da sua pregação inicial. Ele não tocava meramente na superfície das verdades do evangelho, como faziam muitos homens em seus primeiros anos de ministério. Ao contrário, o grande sistema de doutrina que pesava em sua mente desde a sua infância e que, em grande parte, havia constituído o corpo do seu estudo, estava vir­tualmente subjacente a tudo o que ele dizia, e provia a força do seu ministério.
Durante aqueles dias cresceu também a experiência de Spurgeon em seu trato com as pessoas.
Quando o flagelo da vila soltou sua língua sobre ele um dia, ele replicou como se mal a tivesse ouvido e como se tivesse entendido incorretamente as palavras dela. Depois de dois ou três arrancões, ela saiu dizendo: "O homem é surdo como uma porta!"
Certo ministro que o convidou para pregar, vendo que parecia um menino, tratou-o com desprezo. Mas Spurgeon, em seu sermão, replicou citando um versículo de Provérbios que censurava a conduta indelicada do homem, e então pas­sou a pregar tão poderosamente que, terminado o culto, o homem bateu amigavelmente em suas costas e disse: "Você é o cão mais atrevido que já latiu num púlpito!" A ocasião marcou o começo de uma calorosa amizade entre eles.
Havia uma mulher que, embora sendo uma verdadeira santa, era insegura em sua fé cristã. Ela disse a Spurgeon que ela era tão hipócrita que não devia freqüentar a igreja, e que não tinha nenhuma esperança cristã. Conhecendo o zelo dessa mulher e desejando ajudá-la, ele se ofereceu para comprar a sua esperança por cinco libras, ao que ela exclamou: "Oh, eu não venderia a minha esperança em Cristo nem por mil mundos!"
Durante aqueles dias da sua adolescência, Spurgeon revelou muito do caráter que mais tarde brilharia nele tão proeminentemente. Ele era reconhecidamente audaz e destemido, e quem só visse essa característica poderia muito bem supor que ele era insolente. Mas ele era também muito real - não tinha o menor elemento de fingimento, e em seu ministério público, e também em suas relações pastorais, sua inflexível seriedade era manifesta a todos. Seus extraordiná­rios poderes na pregação também eram evidentes - uma voz de tremendo poderio, aliada a entonações suaves e comoventes, e tudo sob constante controle.
Spurgeon exercitava uma autodisciplina inabalável. Para ele, a vida cristã tinha que ser governada totalmente, e ele punha esse ideal em rigorosa prática. Levantando-se cedo, ele enchia o dia de trabalho, estudando, visitando, orando e pregando. Não dava atenção aos esportes e não tinha amizade com membros do sexo oposto, mas todo o seu tempo e todo o seu pensamento eram dedicados ao Senhor.
Em muitos sentidos, embora ainda tão jovem, ele estava muito à frente de muitos ministros mais idosos, quanto a conhecer e realizar a obra desse ofício. Como o seu irmão James o expressou, "ele era um maravilhoso exemplo de pregador que salta etapas, plenamente desenvolvido no púlpito".
Contudo, o pai de Charles não entendeu o seu extra­ordinário progresso na obra do ministério.
John Spurgeon, querendo o melhor para o seu filho, fez planos para colocá-lo no Stepney College, a escola batista de capacitação ministerial. (Fazia muito tempo que as universi­dades tinham sido fechadas para os não membros da Igreja da Inglaterra.) Charles não se alegrou com a idéia de seu pai, mas se dispôs a levá-la adiante, se necessário, e concordou em encontrar-se com o diretor da escola, o Dr. Joseph Angus. A entrevista deveria ocorrer numa residência, em Cambridge -na casa de Daniel McMillan, o proeminente editor. Charles chegou na hora marcada, uma criada lhe mostrou uma sala de estar, e ali ele esperou pelo Dr. Angus. Mas, no fim de duas horas, ele chamou a criada e viu que ela havia levado o cavalheiro para uma sala que ficava no outro lado da casa. Ele também tinha ficado esperando o tempo todo, mas, como tinha que pegar um trem, havia saído da casa momentos antes.
Mais tarde, nesse dia, Spurgeon estava caminhando pelos campos, a caminho de um culto numa aldeia. Quando pensava no estranho acontecimento da tarde, veio-lhe à mente uma esmagadora impressão, quase como se ouvisse uma voz que lhe disse muito definidamente: "Procuras grandes coisas para ti? Não as procures!" Imediatamente alegrou-se com esse conselho e, naquele momento e ali, determinou-se a não entrar na escola. Ele sabia que Deus já o havia feito ministro, e se propôs continuar o modo de vida que tivera nos dois anos passados. A decisão não lhe dava lugar para ambição terrena. Isso marcou outro passo mais na mortificação do ego e no crescimento da sua devoção de alma ao Senhor.
Em anos posteriores Spurgeon referiu-se ao seu desen­contro com o Dr. Angus como "a mão do Senhor por trás do erro cometido pela criada". A escola dava a seus alunos valioso conhecimento da Bíblia e de assuntos teológicos gerais. Provia instrução, em classe, sobre como preparar sermões e pregá-los, e se empenhava em conduzir os jovens a um modo de viver bem ordenado e disciplinado. Mas dificilmente Spurgeon tinha necessidade dessas coisas.
Ele já estava muito além dos alunos e, indubitavelmente, além de muitos membros do corpo docente, em conhecimento teológico e na capacidade de pregar, e já possuía larga expe­riência pastoral. Além disso, embora estritamente sujeito a tudo o que era justo e verdadeiro, nalguns sentidos ele era um espírito livre, sem medo de homem e inteiramente solto dos grilhões das convenções humanas. Ele tinha recebido no nascimento um incomum gênio de espírito, e isso sofreria, se ele entrasse num ambiente onde se fariam esforços para encaixá-lo no molde dos indivíduos comuns. Ele tinha sido preparado para um ministério ordenado por Deus, e não precisava da modelagem feita por mãos humanas.
Depois de Spurgeon estar dois anos em Waterbeach, deu-se um acontecimento que, no plano de Deus, pôs fim a seu ministério ali.
Em novembro de 1853 ele falou numa reunião da União das Escolas Dominicais de Cambridge. Depois dele falaram outros dois ministros que se referiram depreciativamente à sua juventude. Um foi, de fato, ofensivo, e declarou: "É uma pena que meninos não adotem a prática escriturística de permane­cer em Jericó até suas barbas crescerem, antes de tentarem instruir os mais velhos".
Quando o orador concluiu, Spurgeon obteve permissão do Presidente e fez uma réplica. "Lembrei aos ouvintes", diz ele, "que os que foram obrigados a permanecer em Jerico não eram meninos, mas homens já crescidos, cujas barbas tinham sido rapadas por seus inimigos, como a maior indignidade que puderam fazê-los sofrer, e que, por isso, ficaram com vergonha de voltar para casa enquanto suas barbas não crescessem novamente. Acrescentei que o verdadeiro paralelo ao caso deles poderia ser encontrado num ministro que, tendo caído em pecado público e notório, tivesse posto em desgraça a sua vocação e necessitasse sofrer exoneração - até que houvesse alguma restauração do seu caráter".10
Spurgeon não sabia nada sobre o homem que o atacara, mas sem saber descreveu a sua condição - o pobre homem tinha caído em pecado e, como o povo sabia da sua conduta, pode-se imaginar o seu embaraço.
Contudo, essa reunião, embora destituída de qualquer importância especial, foi comprovadamente de central significação na vida de Spurgeon. Ela abriu caminho para que fosse colocada diante dele a suprema oportunidade da sua carreira - a abertura de "uma porta grande e eficaz" - o convite para o pastorado da Igreja Batista da Rua do Novo Parque (New Park Street Baptist Church), em Londres. 

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