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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Um Sermão de Despedida - C. H. Spurgeon (1859)

/ On : 11:09/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.
(11 de dezembro, Domingo de manhã)
"Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos; porque nunca deixei de anunciar-vos todo o conselho de Deus "   - (At. 20:26-27).
Por ocasião de separar-se de seus amigos efésios que tinham vindo a Mileto a fim de despedir-se dele, Paulo não esperou deles cumprimentos por seu labor, nem solicitou elogios por sua fervente eloqüência, conhecimento profundo ou capacidade de pensamento. Sobejamente reconhecia que, mesmo que pudesse merecer parabéns por tudo isso, ainda assim poderia figurar como um reprovado. Por isso Paulo requeria um testemunho que fosse válido no tribunal celeste e de valor na hora da morte. Daí sua solene declaração: "Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos; porque nunca deixei de anunciar-vos todo o conselho de Deus". Estas palavras do apóstolo não continham egoísmo algum; ele havia pregado a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade, tal e como lhe foi ensinada pelo Espírito Santo, e a tinha recebido no seu coração. Oh, se todos os ministros de Cristo pudessem honestamente lançar o mesmo desafio!
Nesta manhã, com a ajuda do Espírito de Deus, me proponho fazer duas coisas. Primeiramente falarei sobre a solene declaração do apóstolo ao despedir-se; em seguida, em poucas e solenes palavras, lhes darei minha mensagem de despedida pessoal

I. Inicialmente, pois, consideraremos AS PALAVRAS DO APÓSTOLO AO DESPEDIR-SE: "Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos; porque nunca deixei de anunciar-vos todo o conselho de Deus". O que aqui primeiro nos chama a atenção é a afirmativa do apóstolo com respeito às doutrinas que havia pregado. Havia anunciado todo o conselho de Deus. E por isso devemos entender que ele havia proclamado aos efésios todo o evangelho. Não havia desenvolvido uma única doutrina, e excluído as demais, porém que em todo o momento se esforçou por apresentar todas as verdades do evangelho de acordo com a analogia da fé. Ele não tentou engrandecer desproporcionadamente uma verdade e diminuir outra até à insignificância; mas ele se esforçou em combiná-las conjuntamente, como as cores do arco-íris, e formar assim um todo harmônico e sublime. Como homem inspirado por Deus, seus escritos são isentos de erro. Mas como simples homem, jamais reivindicou para si infalibilidade; antes, pelo contrário, como qualquer outro indivíduo, Paulo também tinha de confessar seus pecados e lamentar-se de muitas faltas perante Deus. Talvez em mais de uma ocasião, ao pregar a Palavra, não a apresentou com a clareza que desejava. Talvez também em mais de uma ocasião lhe faltou o zelo desejado para fazê-lo. No entanto, pelo menos, Paulo podia reclamar para si que jamais havia escondido voluntariamente a mínima parte da verdade tal como está em Jesus.
Agora devemos estudar a declaração do apóstolo em relação com a pregação atual. Se na verdade nos anima o desejo de apresentar todo o conselho de Deus, devemos, primeiramente, pregar as doutrinas do evangelho. Precisamos apresentar aquela grandiosa doutrina do amor do Pai para com o Seu povo, ainda antes da fundação do mundo, e ao mesmo tempo, proclamar com voz de trombeta Sua eleição soberana, os propósitos do Seu pacto referentes àqueles incluídos nele, e as promessas por Ele promulgadas. Ainda mais, o verdadeiro evangelista não deve deixar nunca de apresentar toda a beleza que irradia da Pessoa de Cristo, a glória e perfeição da Sua obra, e sobretudo a eficácia do Seu sangue. Seja o que for que omitirmos nalguma ocasião, essas verdades precisam ser proclamadas energicamente vez após vez. Mensagem sem Cristo não é evangelho, e a idéia moderna de pregar A verdade em vez de Cristo, é um perverso estratagema do diabo. Entre­tanto, ainda não concluímos, pois do mesmo modo que há três Pessoas na Deidade, nós, em nosso ministério, devemos ter cuidado para que as três recebam a honra que Lhes é devida. Portanto, a obra do Espírito Santo na regeneração, na santificação e perseverança dos santos, deve ser exaltada em nossos púlpitos. Sem o poder dEle o nosso ministério seria uma carta morta, e não podemos esperar que Ele o manifeste a não ser que O honremos todos os dias.
No que temos afirmado até aqui todos estamos de acordo, por conseguinte me referirei a outros pontos doutrinários sobre os quais há divergência; por isso merecem estudo mais diligente, porquanto habitualmente se corre o perigo de ocultamos. Inicialmente, pois, direi que o pastor que não proclama a doutrina da predestinação, com toda a sua solenidade e certeza, como uma das verdades reveladas por Deus, não prega todo o conselho de Deus. Da mesma forma, a doutrina da eleição. É a obrigação do ministro, iniciando por este manancial de origem, assinalar todas as correntes doutrinárias que se derivam dela - a da chamada eficaz, a da justificação pela fé, e a da perseverança segura e firme do crente, etc.
Precisa, além disso, o ministro de Deus, deleitar-se na proclamação daquele glorioso pacto no qual estão inseridas todas estas coisas; coisas que são garantidas para todos os esco­lhidos, comprados com o sangue de Cristo. Atualmente existe a tendência de empurrar toda a verdade doutrinária para a sombra. Muitos são os pregadores que se ofendem com a austera verdade dos pactuários e que os puritanos testificaram no meio de uma geração licenciosa. Dizem-nos que os tempos mudaram; que devemos modificar as assim chamadas velhas doutrinas calvinistas e adaptá-las aos tempos modernos. Tais doutrinas, eles afirmam, devem ser diluídas, já que o homem alcançou tal nível intelectual que é absolutamente necessário recortar as arestas de nossa religião, suprimir os aspectos mais polêmicos, e desse modo, de um quadrado, fazer um círculo. Qualquer um que procede assim, conforme julgo, deixa de declarar todo o conselho de Deus. Com referência a todas essas doutrinas, o fiel ministro deve ser claro, simples e direto. Não deve haver nenhuma dúvida quanto à sua crença nessas doutrinas. Ele deve pregar de tal modo que os ouvintes possam saber imediatamente se lhes anuncia um plano de salvação arminiano ou um plano de salvação segundo o pacto da graça ou, noutras palavras, se lhes proclama salvação pelas obras ou salvação através do poder e da graça de Deus.
Mas, irmãos, alguém pode pregar essas doutrinas em toda a sua plenitude e ainda assim não declarar todo o conselho de Deus. Existe um elemento de atividade e luta na vida do cristão; aquele que é discípulo fiel terá que enfrentar uma batalha. Pregar apenas doutrina não basta; devemos pregar também o dever. Devemos insistir fielmente e com firmeza na vida prática. Enquanto não pregar nada mais que doutrina, o ministro se encontrará com certa gente de intelecto pervertido que o admirará, porém logo que começar a dar ênfase à responsabilidade humana, a dizer que se um pecador se perde é por culpa própria, e que se perecer no inferno é também por culpa própria - então imediatamente clamarão: "Inconsistência! Como podem ser harmonizadas essas duas coisas?" Inclusive surgirão bons cristãos que não podem suportar toda a verdade, e portanto se oporão ao servo de Deus que não se contenta com fragmentos, aquele que honestamente apresenta todo o evangelho de Cristo. Essa é uma das provas que o ministro fiel tem que sofrer. Com toda a solenidade afirmo que não é fiel a Deus, nem tampouco à sua consciência, aquele que simplesmente prega a soberania de Deus e deixa de insistir sobre a doutrina da responsabilidade humana. E creio firmemente que todo homem que termina no inferno somente terá de culpar a si mesmo. A cada um que entrar pela porta chamejante ser-lhe-á dito: "Você não quis". "Não escutou nenhum dos Meus avisos. Foi convidado à ceia, mas não veio. Eu o chamei, porém recusou; estendi Minha mão, e não fez caso. Então agora zombarei das suas calamidades e Me rirei dos seus temores." O apóstolo se atreveu a enfrentar a opinião pública e pregou, por um lado, a responsabilidade humana e, por outro, a soberania de Deus. Quando prego sobre a soberania divina, gostaria de possuir asas de águia para poder transportar-me às alturas desta doutrina. Deus tem absoluto e ilimitado poder sobre o homem para fazer dele o que deseja, do mesmo modo que o oleiro determina o que executará com o barro. Que não discuta a criatura com o Criador, pois Deus não tem obrigação de justificar Suas ações a ninguém. Mas ao pregar sobre o homem, e ao referir-me à sua responsabilidade, me esforço para dar toda a ênfase possível sobre o tema. Confesso que sou, se alguém quiser chamar-me, homem de doutrina vulgar, uma vez que como fiel mensageiro de Cristo devo usar Suas próprias palavras e dizer: "Quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do Filho unigênito de Deus".  Não vejo como possa ser apresentado todo o conselho de Deus, a menos que esses dois pontos, aparentemente contraditórios, sejam salientados e claramente expostos.
Para pregar todo o conselho de Deus, é necessário declarar a promessa de salvação em toda a sua espontaneidade, segurança e riqueza. Se o conteúdo do versículo bíblico se refere a essa promessa, de modo algum o ministro de Deus deve temer pregar sobre ele. Se se trata de uma promessa incondicional, o servo de Deus deveria fazer dessa incondicionalidade um dos traços mais proeminentes da sua mensagem. Seja o que for que o Senhor tenha prometido ao Seu povo, o ministro deve pregá-lo irrestritamente. Se em vez de uma promessa, o conteúdo do texto bíblico se referir a um mandato ou a uma ordem, o ministro não deve hesitar, deve proclamá-lo com todas as forças e com idêntica confiança que o faria com a promessa. O servo de Deus deve exortar e repreender com toda a mansidão. Deve sempre sustentar que a parte preceptiva do evangelho é tão valiosa como a que se refere à promessa - cujo valor é inestimável. Ele precisa insistir com firmeza que os crentes "pelos frutos serão conhecidos" e "se a árvore não der bons frutos, será cortada e lançada ao fogo".
Constantemente devemos insistir numa vida de santi­dade, tanto como numa vida feliz. Para anunciar todo o conselho de Deus - isto é, para reunir-se dez mil coisas em uma só - creio ser necessário que o pregador, após ter encontrado o seu texto, pregue sobre ele com toda a fidelidade e integridade. Há muitos pregadores que tomam um versículo e o cortam em pedaços! Primeiramente o torcem, depois o saturam de noções vazias e por fim o oferecem como alimento espiritual a mentes de baixo nível intelectual. Todo aquele que não permite que a Palavra de Deus fale por si mesma, na sua linguagem pura e simples, não prega todo o conselho de Deus. Se num dia deparar com um versículo como este: "Assim que não é do que quer, nem do que corre, mas de Deus que tem misericórdia", o pregador fiel o desenvolverá e apresentará em toda a sua ampli­tude. E se no dia seguinte, o Espírito Santo puser em seu coração o texto: "E não quereis vir a mim para terdes vida" ou aquele apelo que insiste: "Quem quiser, tome de graça da água da vida", o fiel pregador o desenvolverá tão integralmente como o primeiro. Não fugirá da verdade. Ele ousará contemplá-la de frente e então a apresentará do púlpito, dizendo: "Fala, Palavra de Deus, e que somente tu sejas ouvida! Não permitas, Senhor, que eu perverta ou interprete falsamente Tua própria verdade enviada do céu". Requer-se simples honestidade à Palavra de Deus por parte daquele que trata de anunciar todo o Seu conselho.
Isso, no entanto, ainda não é tudo. Para anunciar todo o conselho de Deus, o pregador deve assinalar, de maneira bem particular, os terríveis pecados da hora presente. O verdadeiro pregador não condena o pecado de maneira geral, porém distingue separadamente os pecados; não atira a esmo, e sim coloca a flecha na corda do arco para que o Espírito Santo a dispare à consciência do indivíduo. O servo que é fiel ao Senhor não contempla a congregação como um aglomerado de pessoas, mas como um conjunto distinto de indivíduos, e portanto se esforça para ajustar o seu discurso às suas consciências, de modo que percebam que está falando diretamente a eles, como indivíduos. Comenta-se de Rowland Hill que seus sermões eram tão pessoais que mesmo uma pessoa sentada à distância, numa janela ou nalguma outra parte, não deixaria de dizer: "Esse homem está falando comigo". E o verdadeiro pregador sempre fala de maneira que os seus ouvintes sintam que há algo proveitoso para eles - uma reprovação, uma exortação ou uma orientação. Se houver algum vício que deve ser abandonado, algum erro que deve ser evitado, ou algum dever para ser cumprido, e no entanto nada disso foi mencionado no púlpito, então o pregador tem falhado em anunciar todo o conselho de Deus. Havendo predominância de certo pecado numa comunidade, ou pior ainda, numa congregação, se o ministro não se atrever a condená-lo por temer ofender a alguém, podemos dizer que o tal não terá sido fiel à sua vocação, nem sincero diante de Deus. Não há maneira melhor de descrever-lhes o homem que anuncia todo o conselho de Deus, do que conduzir--lhes às Epístolas do apóstolo Paulo. Nelas encontrarão doutrina e preceito, experiência e prática. Ele nos fala de corrupção interna e de tentações externas. Toda a vida espiritual está exposta e as orientações que precisamos são dadas. Nelas encontraremos palavras que caem como chuva e refrescam como orvalho, mas também frases que batem como trovões e resplandecem como relâmpagos. Nelas observarão o apóstolo, agora com o cajado na mão e guiando gentilmente o rebanho aos verdes pastos; mais tarde vê-lo-ão coma espada desembainhada combatendo aos inimigos de Israel. Quem desejar ser fiel, e pregar todo o conselho de Deus, tem que imitar ao apóstolo Paulo e pregar como ele escreveu.
Existiria algo capaz de tentar o servo de Deus, de modo a que se afaste da direção certa e seja induzido a não pregar todo o conselho de Deus? Irmãos meus, vocês pouco compreendem qual seja a posição do ministro, se nalguma ocasião não sentiram a grande responsibilidade que pesa sobre ele. Identifiquem-se apenas com um aspecto da verdade e serão elogiados até às alturas. Limitem-se a um calvinismo que lhes permita usar apenas metade da Bíblia, de modo a perder de vista a responsabilidade humana, e encontrarão pessoas que os aplaudirão e gritarão: "Aleluia!" Sobre as costas eles lhes levan­tarão para um trono e chegarão a ser nada menos que príncipes no Israel deles. Por outro lado, comecem a pregar mera moralidade, prática sem doutrina, e verão que serão conduzidos nos ombros de outros homens; todavia, se pregarem todo o conselho de Deus,  ambos os  grupos  se lançarão  sobre o pregador. Uns o acusarão de arminianismo exagerado, enquanto outros o taxarão de hipercalvinista. Ora um homem não gosta de estar entre dois fogos. Existe sempre a inclinação de satisfazer a um ou a outro grupo, ou seja, para aumentar o número de adeptos, a fim de conseguir um grupo de ferrenhos seguidores. Pobres de nós, se nos deixarmos influenciar por seus gritos! Logo abandonaríamos o caminho estreito, a senda da justiça, verdade e retidão. Há tantos ministros sob a influência de pessoas ricas! Habitualmente o pregador pensa: "Mas...que dirá o Sr. Fulano, editor de tal jornal, no seu artigo da próxima segunda-feira?" "Que dirá a Senhora Tal, na próxima vez que encontrá-la?" Se todas estas coisas acrescentam um pouco de peso à balança, e se o pregador não permanece firme pelo poder do Espírito Santo, tudo isso fará com que se afaste um pouco do caminho estreito, no qual só pode permanecer se ele declarar todo o conselho de Deus. Certamente aquele que adota a opinião da gente contrária, receberá honras; enquanto o pregador que permanece sob o puro estandarte da verdade, talvez encontrando-se só e lutando contra toda a maldade, tanto no mundo como na igreja, será objeto de vergonha e desonra. Portanto, não era um vulgar testemunho que o apóstolo reivindicava para si ao afirmar que não havia deixado de anunciar todo o conselho de Deus.
Mesmo que exista a tentação de não pregar todo o conselho de Deus, ainda assim o verdadeiro servo de Cristo sente-se impulsionado a proclamar toda a verdade, porque ela, e somente ela, pode satisfazer às necessidades do homem. Quantas maldades não são vistas neste mundo como resultado de um evangelho distorcido e feito em pedaços pelos moldes humanos! Que prejuízo tão terrível se tem causado a muitas almas por pessoas que têm pregado apenas uma parte e não a totalidade do conselho de Deus! Meu coração sangra ao refletir sobre    famílias    onde    a    doutrina    antinomiana       está predominando. Eu poderia contar muitas histórias tristes de famílias mortas em pecado, cujas consciências são cauterizadas, devido à pregação fatal que ouvem. Já vi convicções suprimidas e desejos sufocados pelo sistema destruidor que retira umbridade do homem e o torna tão irresponsável como um bovino. Não posso imaginar um instrumento mais útil nas mãos de satanás para arruinar as almas dos homens, do que o ministro que diz aos pecadores que não precisam se arrepender dos seus pecados nem de crer em Cristo. Esse homem é tão arrogante que se chama um ministro do evangelho - mesmo quando ensina que Deus odeia certos homens infinita e imutavelmente, por nenhuma outra razão do que a de que Ele simplesmente decide assim fazer. Oh irmãos, que o Senhor os livre da sedução do encantador e os conserve sempre surdos à voz do erro.
Inclusive em famílias cristãs, quantos males não tem ocasionado um evangelho falsificado! Tenho visto o recém--convertido andando em humildade diante de Deus, vivendo cheio de gozo as primeiras fases da vida cristã. Mas logo o maligno se introduziu na sua vida disfarçado como manto da verdade. Com o dedo da cegueira parcial lhe tocou os olhos e agora ele pode ver apenas uma doutrina. Pode ver a soberania, porém não a responsabilidade. O pastor, que por um tempo, foi amado, agora é aborrecido; por um tempo foi considerado como fiel na pregação do evangelho, todavia agora veio a ser como o lixo. E qual foi o resultado final? Nada menos que tudo o que é contrário ao bom e à benignidade. O fanatismo tomou o lugar do amor; a amargura fez morada onde antes existia um caráter nobre. Eu poderia apresentar-lhes inúmeros exemplos para provar que onde se insistiu demasiadamente numa doutrina particular, o resultado foi excessivo fanatismo e rancor. E quando alguém chega a cair no fanatismo, facilmente sucumbirá a outros pecados para os quais satanás o arrastará. É necessário, pois, que se pregue todo o evangelho; doutro modo, inclusive os espíritos dos cristãos serão danificados e mutilados.
Tenho conhecido homens que eram diligentes na obra de Cristo e que trabalhavam com afinco para ganhar almas, mas de repente se identificaram com uma só doutrina, e não com a verdade total, e acabaram caindo em apatia espiritual. Por outro lado, quando as pessoas tomam apenas o lado prático da verdade e negligenciam o aspecto doutrinário, então com freqüência caem no legalismo; falam como se a salvação dependesse das obras e chegam quase a esquecer a graça pela qual foram chamadas. São semelhantes aos gaiatas; têm sido fascinados pelo que ouviram. O crente só pode conservar-se puro em doutrina e simples e humilde em caráter, se está sob a influência de uma pregação que abrange toda a verdade como está no Senhor Jesus. E com referência à salvação de pecadores, queridos ouvintes, não podemos esperar que Deus abençoe nossos esforços para a conversão de almas, a menos que preguemos a totalidade do evangelho. Se eu pregar sempre sobre um só aspecto da verdade e excluir todos os outros, de modo algum poderei esperar a bênção do meu Mestre. Contudo, se eu pregar como Deus quer que pregue, então Ele abençoará a mensagem e porá na pregação o selo do Seu testemunho vivo. Se penso que posso melhorar o evangelho ou torná-lo mais consistente, que posso revesti-lo de modo a aparecer mais atraente, então logo perceberei que o Mestre me abandonou e que a palavra "Icabod" foi escrita nas paredes do santuário. Quantas pessoas são mantidas na escravidão porque negligenciam os convites do evangelho. Elas anseiam pela salvação. Sobem à casa do Senhor anelando ser salvas, mas só ali encontram a predestinação. Por outro lado, quantas multi­dões são aprisionadas nas trevas por meio da pregação do dever. É fazer!  Fazer!  Fazer!  Nada senão fazer!  E as pobres almas saem da igreja dizendo: "Que valor tem isso? Não posso fazer nada. Oxalá alguém me mostrasse o caminho da salvação".
A respeito do apóstolo Paulo, verdadeiramente podemos afirmar que nenhum pecador que o ouviu deixou de receber o consolo que flui da cruz de Cristo; nem tampouco algum santo foi turbado em espírito por lhe ter sido negado o pão do céu, ou por haver ele omitido aspectos preciosos da verdade. De maneira alguma, sob a pregação de Paulo, o cristão prático chegou a ser tão prático que caiu no legalismo, nem o cristão imerso só em doutrina chegou a abandonar por completo o aspecto prático. Sua pregação possuía tal consistência e riqueza espiritual, que aqueles que o ouviram, sendo abençoados pelo Espírito Santo, tornaram-se cristãos em espírito e vida, refletindo em tudo a imagem do seu Mestre.
Não creio que posso expor mais demoradamente este versículo. Nestes dois últimos dias me tenho sentido tão doente que os pensamentos que esperava apresentar-lhes de forma mais clara, têm saído dos lábios desordenadamente.


II. Agora devo deixar o apóstolo Paulo, a fim de que eu possa dirigir-lhes UMAS FERVOROSAS, SINCERAS E AFETUOSAS PALAVRAS DE DESPEDIDA. "Portanto, eu vos protesto no dia de hoje que estou limpo do sangue de todos, porque jamais deixei de anunciar-vos todo o conselho de Deus." Nada desejo dizer que seja de recomendação ou de exaltação própria; não quero testificar da minha própria fidelidade, porém apelo a todos vocês e por isso lhes protesto no dia de hoje, que não deixei de lhes anunciar todo o conselho de Deus. Com grande debilidade subi muitas vezes a este púlpito, e em muitas outras ocasiões desci dele com profunda tristeza, por não haver pregado com o ardor que desejei. Devo confessar os meus muitos erros e omissões, especialmente certa carência de fervor ao orar por suas almas.    Não obstante, nesta manhã minha consciência me absolve duma acusação, e estou seguro de que também todos me absolverão - a de não ter deixado de anunciar todo o conselho de Deus. Se nalguma coisa tenho errado, foi um erro de juízo; mas naquilo que se refere à verdade, posso dizer que nem o temor à opinião pública, ou particular, me fez abandonar aquilo que mantenho ser a verdade do meu Senhor e Mestre. Eu lhes preguei as coisas preciosas do evangelho. Esforcei-me, tanto quanto possível, a proclamar-lhes a graça do Senhor em toda a sua plenitude. Conheço por experiência o grande valor dessa doutrina; e que o Senhor faça que eu nunca pregue nenhuma outra. Se não formos salvos pela graça, jamais poderemos ser salvos. Se desde o princípio até o final a obra da graça não dependesse de Deus, nem um de nós poderia aparecer diante dEle com plena aceitação. Proclamo esta doutrina da graça, não por escolha própria, mas por ser uma absoluta necessidade, pois se esta doutrina não for verdadeira, então somos todos perdidos; nossa fé é vã, nossa pregação é inútil, ainda estamos em nossos pecados e neles permaneceremos até o fim.
Por outro lado, posso acrescentar que não tenho deixado de exortar, de convidar e de implorar. Tenho convidado o pecador a vir a Cristo. Pediram-me que não o fizesse, porém não pude obedecer. Com as entranhas a suspirar por pecadores que perecem, não podia concluir as mensagens sem antes suplicar: "Vem a Jesus, pecador, vem". Às vezes com lágrimas nos olhos me sentia movido a apelar aos pecadores para irem a Jesus. Sem este elemento de convite, não posso de forma alguma pregar doutrina. Se alguém não recorre a Cristo, não será por falta de chamada, nem porque eu não tenha chorado por seus pecados nem me tenha esforçado pelas almas dos homens. A única coisa que devo pedir-lhes é esta: testifiquem, dêem testemunho de que neste aspecto estou limpo do sangue de todos, porque tenho anunciado tudo o que sei sobre o conselho de Deus. Há algum pecado que eu não tenha censurado? Retive em segredo alguma das doutrinas nas quais creio? Existe alguma parte da Palavra de Deus, seja doutrinária ou prática, que conscientemente lhes tenha escondido? Longe estou de ser perfeito, e novamente, com lágrimas, devo confessar minha inutilidade; não tenho servido a Deus como devia, nem demonstrado pelo rebanho o fervor que desejaria. Agora que meu pastorado neste lugar terminou, desejaria iniciar de novo para assim poder ajoelhar-me perante todos e rogar-lhes que atentem para as coisas que se relacionam com a sua paz. Mas aqui outra vez repito, que embora quanto ao ardor e ao zelo me considero culpado, em troca, em relação à verdade e à sinceridade posso apelar ao tribunal de Deus, aos anjos eleitos e a todos vocês, de que não tenho falhado em anunciar todo o conselho de Deus.
Se alguém o deseja, é fácil não pregar sobre uma doutrina polêmica; basta não mencionar os textos que a ensinam. Uma doutrina polêmica, você imagina, poderia perturbar o seu ensino anterior. Tal atitude pode ser mantida com êxito por algum tempo; talvez decorram anos antes que a congregação perceba isso. Entretanto, se há uma coisa que tenho tentado fazer, é a seguinte: tenho tentado apresentar-lhes alguma verdade que anteriormente eu havia descuidado; e se até esta data tenho omitido a menção de alguma verdade, minha oração será que daqui por diante tal verdade ocupe preeminência em minha pregação, e desta maneira possa ser vista e entendida por todos. No momento só lhes peço que neste dia de despedida sejam testemunhas de minha pergunta, e se caio num pouco de egoísmo, ou chego a "ser néscio em gloriar-me", não é por amor à vangloria, e sim por motivo mais elevado que lhes dirijo a pergunta. Talvez sobrevirão tristes provas a muitos. Dentro de pouco tempo talvez alguns estejam freqüentando lugares onde o evangelho não é pregado.   Outros talvez adotem um evangelho falso. Apenas uma coisa lhes solicito: sejam testemunhas de que não o foi por minha culpa, testifiquem que tenho sido fiel e jamais deixei de anunciar-lhes todo o conselho de Deus. Em pouco tempo, alguns que até aqui têm freqüentado este lugar de culto, ao ver que seu pastor se retirou, talvez não vão a nenhum outro local. Talvez se tornem indiferentes. Quem sabe se no próximo domingo permaneçam em casa ociosos e dissipando o dia. Mas tenho algo a perguntar-lhes antes que tomem a resolução de não assistir à casa de Deus outra vez: são testemunhas de que tenho sido fiel? Pode ser que alguns "tenham corrido bem" enquanto estiveram sob a pregação da Palavra, porém de agora em diante talvez o abandonem totalmente; quem sabe se retornarão plenamente ao mundo, aos vícios, às blasfêmias ou algo parecido. Deus não permita tal coisa! Todavia lhes rogo que, se de novo se afundarem no pecado, pelo menos façam o seguinte em favor de quem não desejou outra coisa senão a sua salvação: digam dele que foi sincero com todos e que jamais deixou de lhes anunciar todo o conselho de Deus. Oh, meus amados! Talvez dentro de muito pouco tempo alguns de vocês se encontrem no leito de morte. Quando o pulso se tornar fraco e os terrores da horrível morte o rodearem, se ainda não for convertido, eu lhe suplico que, mesmo nesses momentos acrescente algo à sua ultima vontade, ao seu testamento - a exclusão deste pobre ministro, que hoje está à sua frente, de toda participação nessa desesperada loucura que o levou ao descuido da sua própria alma. Porventura não o chamei em altas vozes para que se arrependa? Não o exortei a que o fizesse antes que a morte o surpreendesse? Não o aconselhei a fugir da ira vindoura e a refugiar-se na Rocha da Salvação? Ao atravessar o rio da perdição, ó pecador, não me culpe de homicida, pois no seu caso posso dizer: "Lavo as mãos na inocência; sou limpo do seu sangue".
Aproxima-se o momento quando todos nós nos reuni­remos outra vez. Esta grande assembléia se verá absorvida por outra muito maior, semelhante a uma gota d’água que se perde no oceano. Naquele dia terei de comparecer diante do tribunal de Deus. No caso de eu não lhe ter avisado, ali serei acusado de sentinela infiel e seu sangue será requerido de minhas mãos; se não lhe tiver pregado a Cristo e apelado a que busque refúgio nEle, então, ainda que pereça, sua alma me será requerida. Ainda que tenha rido de mim e rejeitado a minha mensagem; mesmo que menospreze a Cristo e aborreça a Seu evangelho; ainda que se afunde na condenação, todavia lhe rogo que me absolva do seu sangue. Eu vejo alguns aqui presentes que só me ouvem ocasionalmente, e no entanto posso dizer que eles têm sido o assunto das minhas orações, como também das minhas lágrimas, quando eu os vejo continuando nas suas iniqüidades. Bem, solicito de vocês só uma coisa e, como pessoas honestas, não me podem negá-la. Se vocês querem os seus pecados, se querem ser perdidos, se não querem vir a Cristo, pelo menos, no meio dos trovões do dia do juízo, quando eu estarei diante do tribunal de Deus, absolvam-me de haver destruído as suas almas.
E que mais posso dizer? Como posso pleitear com vocês? Tivesse eu língua de anjo e o coração do Salvador, talvez então pudesse fazê-lo; mas não sou capaz de fazer mais do que tantas vezes tenho feito. No nome de Deus lhes rogo que recorram a Cristo para refúgio. Se o que até aqui lhes tenho dito não foi suficiente, que Deus faça com que o seja agora. Venha, pecador culpado, apresse-se em vir Aquele cujos braços estão estendidos para receber a toda alma que com arrependimento e fé se achega a Ele. Um pouco mais de tempo e este pregador estará em seu leito de morte. Mais uns poucos dias de reuniões solenes, mais uns poucos sermões, mais algumas reuniões de oração, e já me verei no meu quarto rodeado de amigos, pela última vez. Aquele que pregou a grandes multidões, agora precisa de consolo. Aquele que confortou a muitos na hora da morte, agora ele mesmo atravessa o rio. Meus amigos, acaso verei alguns de vocês junto a meu leito de morte a me acusar de não ter sido fiel? Acaso os meus olhos serão perseguidos por visões de homens aos quais tenho entretido e divertido, mas em cujos corações jamais lancei a semente da verdade? Estando eu em meu leito de morte, ocorrera que numa visão horrorosa desfilarão ante os meus olhos as grandes multidões que perante minha face se congregaram, que um após outro dos que me escutaram me amaldiçoarão por haver sido infiel? Que Deus não o permita! Espero que todos me façam este favor: ao jazer no meu leito de morte, testifiquem de que sou limpo do sangue de todos e que jamais recusei de anunciar-lhes todo o conselho de Deus. Vejo—me naquele grande dia do juízo como prisioneiro em pé perante o tribunal. Que farei diante de uma acusação como a seguinte: "Você teve muitos ouvintes, milhares se agregaram para ouvir as palavras dos seus lábios; todavia, você os iludiu, você os enganou, propositadamente você defraudou essas pessoas". Trovões, tais como nunca se ouviu antes, passarão por cima da minha cabeça, e relâmpagos mais terríveis do que já cairam sobre o diabo rasgarão este coração, se eu tiver sido infiel a vocês. Uma vez que tenha pregado às multidões, a minha posição será a mais terrível no universo todo, se eu for achado infiel. Oh, que Deus tire da minha cabeça o pior dos males - a infidelidade! E agora, neste momento, faço o meu último apelo: "Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus". Entretanto, se não quiserem fazer isso, peço-lhes este único favor - e acho que não mo negarão -culpem-se a si mesmos pela sua ruína, pois estou livre do sangue de todos os homens, porquanto não deixei de anunciar-lhes todo o conselho de Deus.
Isso é o bastante quanto ao testemunho que peço de vocês. Agora me dirijo a vocês com uma petição. A todos que aqui se acham presentes desejo pedir-lhes um favor. Se em algo encontraram proveito, se em algo obtiveram consolo, se de algum modo as pregações que aqui escutaram serviram para conduzi-los a Cristo, rogo-lhes nesta ocasião, que talvez seja a última, que me apresentem em oração diante do trono de Deus. Graças às orações dos crentes nós pregadores vivemos. Os ministros devem mais do que podem imaginar às orações das suas respectivas congregações. Amo a minha congregação, entre outras coisas, pelas incessantes orações que fazem por mim. Nunca houve um ministro pelo qual se orasse tanto como acontece comigo. E é por isso que peço a todos quantos, por razão de distância e por outras causas, se separam de nós, a que continuem apresentando-me em seus pensamentos diante de Deus, e a que gravem meu nome em seus corações tantas vezes quantas se acheguem ao trono da graça. Pouco é o que lhes peço; simplesmente que supliquem: "Senhor, ajuda a Teu servo a ganhar almas para Cristo". Roguem que o Senhor o faça mais útil do que tem sido até agora; se nalguma coisa está equivocado, ensine-lhe o que é verdadeiro. Se não tem confor­tado suas almas, peçam que possa fazê-lo no futuro; mas se tem sido honesto com vocês, orem para que o seu Mestre o guarde nos caminhos da santidade. E o que solicito para mim, o peço para todos quantos pregam a verdade do nosso Senhor Jesus Cristo. Irmãos, orem por nós. Desejamos trabalhar em seu favor como servos que um dia terão de dar contas. Ah, não é uma tarefa insignificante o ser ministro quando se deseja ser fiel ao chamado. A alguém que pensava ser o ministério coisa fácil, Baxter disse: "Desejaria, senhor, que ocupasse o meu lugar e que se certificasse". Se agonizar em oração com Deus e inquietar-se pelas almas humanas, é tarefa fácil; se sofrer em silêncio toda espécie de abusos, e experimentar desprezo e calúnias, constitue um trabalho ameno, então façam vocês, porque eu de boa vontade cederia o meu lugar.    Peço que orem por todos os ministros de Cristo, para que recebam ajuda, sustento e apoio e a fim de que não lhes faltem as forças em todas as tarefas a desempenhar.
Havendo-lhes, portanto, dirigido esta petição com refe­rência a mim mesmo, e talvez nisso me possa culpar de certo egoísmo, ainda me resta fazer um apelo a determinado setor de meus ouvintes. Não posso afastar da mente o fato de que ainda há muitos que depois de ter ouvido inúmeras vezes a Palavra de Deus aqui, ainda não tenham entregado seus corações a Cristo. Alegro-me de vê-los neste recinto, mesmo que seja pela última vez. E é movido pelo pensamento de que não voltem mais a dirigir-se aos sagrados átrios da casa de Deus, e nem tampouco a ouvir a Sua Palavra outra vez, nem aos insistentes convites e solenes advertências contidas nela, que nesta ocasião lhes dirijo uma súplica. Notem: não é apenas um pedido, e sim uma súplica. E esta é de tal natureza, que se tivesse de suplicar pela minha própria vida, não o faria com mais força e insistência como ao dirigir-lhes este apelo. Pobre pecador, pare por uns momentos e raciocine. Você tem ouvido o evangelho, mas não se beneficiou dele; quando estiver às portas da morte, que pensará das muitas oportunidades de salvação que rejeitou? Que dirá ao ser lançado no inferno e estas palavras forem repetidas aos seus ouvidos: "Ouviu o evangelho, porém o rejeitou"? Que dirá quando, rindo diante de sua face, os demônios lhe dirão: "Nos nunca rejeitamos a Cristo nem depreciamos Sua Palavra"? Que dirá quando o empurrarem para um inferno mais profundo ainda do que eles jamais sofreram? Imploro-lhe que se detenha e pense sobre isso. Valeria a pena viver nos prazeres deste mundo? Acaso não é este mundo lugar árido e sem brilho? Oh, que o Senhor lhe revele o mal que reside no pecado! Você está nos seus pecados, e ainda não foi perdoado. E enquanto perdurar esta situação, não poderá ser feliz aqui nem na vida vin­doura. Minha súplica é que se recolha ao seu lar, reconheça-se culpado e faça uma plena confissão a Deus dos seus pecados. Peça que Ele lhe manifeste Sua misericórdia por amor de Jesus -e Ele não a negará. Sim, Ele o atenderá e lhe concederá o que pedir; removerá os seus pecados, o receberá e o tornará Seu filho. E então não somente será mais feliz nesta vida, como também no mundo vindouro. Rogo-lhes, homens e mulheres cristãos, que implorem a operação do Espírito Santo, que Ele conduza a muitos dos que estão reunidos aqui a uma confissão sincera, a uma oração verdadeira, e a uma fé humilde. Que Ele faça com que muitos que nunca se arrependeram antes, voltem-se para Cristo agora. Ó pecador, a vida é breve e a morte se avizinha. Seus pecados são muitos, e se o julgamento possui pés de chumbo, possui também mão firme e pesada. Volte, eu lhe imploro, volte! Oh, que o Espírito Santo mude o rumo de sua vida! Diante dos seus olhos o Senhor Jesus está sendo levantado. Volte-se para Ele, eu lhe rogo, e contemple as feridas que padaceu em seu lugar. Olhe para Ele e viverá. Confie nEle e será salvo, porque todo aquele que crê no Filho do homem tem vida eterna, e não verá a condenação nem a ira de Deus descerá sobre ele.
E que agora o Espírito de Deus nos outorgue Sua bênção permanente: a vida eterna, por amor de Jesus. Amém.
Observação: Ao iniciar a reunião, Spurgeon afirmou: "O culto desta manhã terá muito o caráter de uma reunião de despedida e também de um sermão de despedida. Ainda que muito me doa ter de separar-me de tantos de vocês, cujos rostos tenho visto inúmeras vezes entre a multidão dos meus ouvintes, sem dúvida, por amor a Cristo e à verdade, nos vemos obrigados a nos retirarmos deste lugar (Surrey Gardens Music Hall), e no próximo domingo pela manhã esperamos estar louvando a Deus em Exeter Hall. Em duas ocasiões, como os nossos amigos bem sabem, nos foi proposto abrir esta casa à noite para realizar diversões mundanas, entretanto conseguimos impedi-lo ao declararmos aos proprietários do prédio que se assim o fizessem, deixaríamos o lugar. Mas nesta última tentativa deles nossa palavra não bastou. Compreendem, portanto, que eu seria um covarde perante a verdade e incongruente com as minhas próprias afirmações, se me submetesse às suas demandas. Em fazê-lo, meu nome deixaria de ser Spurgeon. Não posso ceder, nem jamais cederei em nada sobre o qual sei que estou certo. Em defesa do santo dia do Senhor, devemos dizer com Jesus: "Levantai-vos e vamo-nos daqui". 

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