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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Não são do mundo como Eu não sou! – (Sermão) C. H. Spurgeon

/ On : 11:06/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.


“Eles não são desse mundo como também eu não sou.”

Jo 17:16.


A oração de Cristo foi por um povo especial. Ele declarou que não fazia uma intercessão universal. “É por eles que eu rogo;” ele disse. “não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.” Lendo essa bela oração do começo ao fim, apenas uma pergunta ocorre às nossas mentes: quem são as pessoas descritas como por “eles” ou “elas”? Quem são esses indivíduos favorecidos, que partilham uma oração do Salvador, são reconhecidas por um amor do Salvador, têm seus nomes escritos nas pedras de seu precioso peitoral, e têm seus caráteres e suas condições mencionadas pelos lábios do Sumo Sacerdote diante do trono nas alturas? A resposta a essa questão é fornecida pelas palavras do nosso texto. O povo por quem Cristo ora, não é um povo deste mundo. Eles são um povo de algum modo acima do mundo, inteiramente diferentes dele. “Eles não são do mundo como eu também não sou.”

Eu vou tratar o meu texto antes de tudo, doutrinariamente; em segundo lugar experimentalmente; e em terceiro pelo modo prático.

Primeiro, tomaremos o texto e o contemplaremos DOUTRINARIAMENTE.

A sua doutrina é que, o povo de Deus são pessoas que não são desse mundo, até como Cristo não era desse mundo. Não é tanto que eles não sejam desse mundo, como que eles “não sejam desse mundo, como Cristo também não era desse mundo.” Essa é uma distinção importante, porque se pode encontrar certas pessoas que não são desse mundo, e ainda não são Cristãos. Entre esses eu mencionaria os sentimentalistas – pessoas que estão sempre chorando e gemendo de maneiras sentimentais afetadas. Elas têm o espírito tão refinado, seus caráteres tão delicados, que elas não poderiam cuidar de negócios comuns. Elas achariam muito degradante para a sua natureza espiritual, ocupar-se de qualquer coisa ligada ao mundo. Elas vivem muito na atmosfera de romances e novelas; adoram ler coisas que trazem lágrimas aos seus olhos; elas gostariam de viver continuamente em um chalé junto a uma floresta, ou morar em uma caverna silenciosa, onde pudessem ler “A Solidão” de Zimmerman” para sempre; porque elas sentem que “não são do mundo.” O fato é que existe alguma coisa fina por demais

quanto a elas suportarem o desgaste desse mundo pecaminoso. Elas são tão preeminentemente boas que elas não podem imaginar fazer como nós pobres criaturas humanas fazemos. Eu ouvi sobre uma jovem, que se achava tão mentalmente espiritualizada que não podia trabalhar. Um ministro muito sábio disse a ela, “Isso é bastante correto! Você é tão mentalmente espiritualizada que nem pode trabalhar; muito bem, você é tão mentalmente espiritualizada que não deve comer a menos que trabalhe.” Isso a trouxe de volta de sua grande mentalização espiritual. Existe um sentimentalismo tolo dentro do qual certas pessoas se aconchegam. Elas lêem uma parcela de livros que intoxica os seus cérebros, e então fantasiam que têm um destino elevado. Essas pessoas “não são do mundo,” verdadeiramente; mas o mundo não as quer, e o mundo não sentiria muita falta delas se elas se fossem para sempre. Existe essa coisa como “não ser do mundo,” a partir de um elevado tipo de sentimentalismo, e ainda não sendo um Cristão apesar de tudo. Porque não é tanto “não ser desse mundo como “não ser do mundo, assim como Cristo não era do mundo.” Existem outros também, como os nossos monges, e aqueles outros feitos indivíduos da Igreja Católica, que não são desse mundo. Eles são tão pavorosamente bons, que não poderiam de modo algum conviver conosco, criaturas pecaminosas. Eles têm que ser inteiramente diferenciados de nós. Eles não podem usar é claro, uma bota que de algum modo se aproxime de um calçado mundano, mas têm que calçar uma sola com duas ou três tiras de couro, como o de longe afamado Pai Inácio. Não se poderia esperar deles que usassem paletós e coletes mundanos; eles devem ter vestimentas peculiares cortadas em certo estilo, como os Passionistas. Eles devem usar vestimentas particulares, roupas particulares, hábitos particulares. E nós sabemos que alguns homens “não são desse mundo,” pela pronúncia peculiar que dão a todas as suas palavras – o tipo de sabor doce, agradável e amanteigado que eles dão ao idioma, porque eles se acham tão eminentemente santificados que chegam a fantasiar que seria errado permitir qualquer coisa a que um comum dos mortais se permite. Tais pessoas são, contudo, lembradas que, o elas “não serem desse mundo,” nada tem a ver. Não é “não ser desse mundo,” tanto como “não ser desse mundo, assim como Cristo não era desse mundo.”

Essa é a marca que distingue – ser diferente do mundo naqueles aspectos em que Cristo era diferente. Não nos fazendo singulares em pontos irrelevantes, como aquelas pobres criaturas fazem, mas, sendo diferentes do mundo naqueles aspectos, nos quais Cristo o Filho, de Deus e o Filho do Homem, Jesus Cristo, não era da natureza do mundo; que ele não era desse mundo novamente, em missão; e acima de tudo, ele não era desse mundo em seu caráter.

Primeiro, Cristo não era desse mundo em natureza. O que existia sobre Cristo que fosse mundano? Em um ponto de vista a sua natureza era divina; e como divina, era perfeita, imaculada, sem uma mancha, não podia se rebaixar a coisas terrenas e o pecado; em um outro sentido ele era humano; e sua natureza humana, que era nascida da Virgem Maria, foi gerada pelo Espírito Santo, e, portanto, era tão pura que nela nada restou que fosse terreno. Ele não era como os homens comuns. Todos nós somos nascidos com mundanismos em nossos corações. Salomão bem diz: “A estultícia está ligada ao coração da criança.” Não é somente ali, a estultícia está presa nela; ela está amarrada em seu coração, e é difícil de remover. E assim é com cada um de nós; quando éramos crianças, as coisas desse mundo e a carnalidade estavam ligadas às nossas naturezas. Mas Cristo não foi assim. Sua natureza não era uma natureza do mundo; ela era essencialmente diferente da de qualquer outra pessoa, ainda que ele se sentasse e conversasse com elas. Anote a diferença! Ele ficou lado a lado com um Fariseu; mas qualquer um podia ver que ele não era do mundo do Fariseu. Ele se sentou junto a uma mulher Samaritana, e ainda que ele tenha conversado com ela muito livremente, quem é que falha em ver que ele não era do mundo da mulher Samaritana – não um pecador como ela? Ele se misturou com os Publicanos, não, ele se sentou na festa dos Publicanos, e comeu com Publicanos e pecadores; mas vocês poderiam ver pelas santas ações e gestos peculiares que ali ele levava consigo, que ele não era do mundo dos Publicanos ainda que tenha se misturado com eles. Havia alguma coisa tão diferente em sua natureza, que você não poderia ter encontrado um indivíduo em todo o mundo que pudesse ter sentar ao lado dele e dito: “Aí está! Ele é do mundo desse homem.” Não, nem mesmo João, ainda que ele tenha aprendido no seu peito e participado muito do Espírito de seu senhor, seria exatamente daquele mundo ao qual Jesus pertencia; porque mesmo ele, uma vez, com espírito irado, disse palavras com esse efeito, “mande que venha fogo do céu e consuma a esses,” – algo que Cristo não pode suportar por um momento, e por aí ficou provado que ele era alguma coisa além até, do mundo de João.

Bem amados, em algum sentido o homem Cristão não é desse mundo até mesmo em sua natureza. Eu não quero dizer em sua natureza corrupta e decaída, mas em sua nova natureza. Existe em um Cristão, alguma coisa declarada e inteiramente distinta daquela de qualquer outra pessoa. Muitas pessoas acham que a diferença entre um Cristão e um mundano consiste nisso: um vai a Igreja duas vezes no Domingo, o outro não vai mais que uma vez ou até nenhuma; um deles toma o sacramento, o outro não; um presta atenção às coisas santas, o outro presta muito pouca atenção a elas. Mas, ah, amados, isso não faz um Cristão. A distinção entre um Cristão e um mundano não é meramente externa, mas interna. A diferença é de natureza e não de ações.

Um Cristão é diferente de um mundano como uma pomba o é de um gralha, ou um cordeiro de um leão. Ele não é do mundo até em sua natureza. Vocês não poderiam fazer dele um mundano. Vocês podiam o que quisessem; vocês poderiam causar a sua queda em algum pecado temporário; mas não poderiam fazer dele um mundano. Vocês poderiam causar-lhe a apostasia; mas não poderiam fazer dele um pecador, como ele era antes. Ele não é do mundo pela sua natureza. Ele é um homem nascido pela segunda vez; nas suas veias corre o sangue da família real do universo. Ele é um nobre; ele é um filho nascido no céu. A sua liberdade não é daquelas meramente compradas, mas ele tem a sua liberdade em sua natureza de nascido de novo; ele é essencial e inteiramente diferente do mundo. Existem pessoas agora nesta capela que são mais completamente distintas umas das outras do que vocês podem até mesmo conceber. Eu tenho uns aqui que são inteligentes, e alguns que são ignorantes; alguns que são ricos, e alguns que são pobres; mas eu não me refiro a essas distinções: elas se dissolvem e viram em nada, naquela grande distinção – morto ou vivo, espiritual ou carnal Cristão ou mundano. E oh! se vocês são o povo de Deus, então vocês não são do mundo nas suas naturezas; se vocês “não são deste mundo, assim como Cristo não era deste mundo.” Novamente: vocês não são do mundo em suas missões. A missão de Cristo nada tinha a ver com as coisas mundanas. “Sois então um rei?” Sim, eu sou um rei; mas o meu reino não é deste mundo. “Sois um sacerdote?” Sim: eu sou um sacerdote; mas o meu sacerdócio não é o sacerdócio que eu em breve porei de lado, ou que será interrompido como aqueles de outros têm sido. “Sois um mestre?” Sim; mas as minhas doutrinas não são as doutrinas da moralidade, doutrinas que dizem respeito relacionamentos terrenos de homem para homem simplesmente; a minha doutrina vem dos céus. Portanto, Jesus Cristo, nós dizemos, “não é deste mundo.” Ele não tinha uma missão a que pudesse ser dado o nome de mundana, ele não tinha objetivo que fosse de algum modo mundano. Ele não buscava o seu próprio aplauso, sua própria fama, sua própria honra; sua missão não era deste mundo. E, Oh! crente! Qual é a sua missão? Você não tem nenhuma afinal? Porque, sim homem! Você é um sacerdote junto ao Senhor teu Deus; sua missão é oferecer um sacrifício de oração e louvor a cada dia. Pergunte a um Cristão o que ele é. Diga a ele: “Qual é a sua posição oficial? O que você é por missão?” Bem, se ele responder a você com propriedade, ele não vai dizer “eu sou lojista, ou farmacêutico,” ou qualquer coisa desse tipo. Não, ele vai dizer, “eu sou um sacerdote junto ao meu Deus. A missão para a qual eu sou chamado, é ser o sal da terra. Eu sou uma cidade construída sobre um monte, uma luz que não pode ser escondida. Essa é a minha missão. Minha missão não é uma missão do mundo.” Quer seja a sua missão a de ministro, ou de diácono, ou membro da Igreja, não ser desse mundo é a sua missão, assim como Cristo não era desse mundo; a sua ocupação não é uma ocupação mundana.

Novamente, vocês não são do mundo no caráter; porque este é o ponto principal no qual Cristo não era deste mundo. E agora irmãos, eu terei de algum modo de sair da doutrina para a prática antes de ir diretamente a este parte do assunto; porque eu tenho que reprovar muitas das pessoas do Senhor, que elas não manifestam suficientemente que não são do mundo no caráter, mesmo como Cristo não era deste mundo. Oh! quantos de vocês existem, que irão se reunir em volta da mesa na Ceia do seu Senhor, que não vivem como o seu Salvador. Quantos de vocês existem que, se unem às nossa Igrejas e andam conosco, e ainda não são dignos de seu chamado e profissão. Marquem todas as igrejas nas redondezas, e deixem que os seus olhos lacrimejem, quando vocês se lembrarem de que de muito de seus membros não pode ser dito, “vocês não são deste mundo,” porque eles são do mundo.

Oh! meus ouvintes, eu receio que muitos de vocês sejam mundanos, carnais e cobiçosos; e vocês ainda se juntam às igrejas, e têm uma boa posição com o povo de Deus através de uma profissão de fé hipócrita. Oh! vocês sepulcros caiados! Vocês enganariam até os próprios eleitos! Vocês lavam o exterior do copo e do prato, mas a sua parte interior é pura perversidade. Oh! que uma voz pudesse assim falar aos seus ouvidos: “aqueles a quem Cristo ama não são deste mundo,” mas vocês são do mundo; portanto não podem ser dele, ainda que professem ser; porque aqueles que O amam não são como vocês. Olhem para o caráter de Jesus; como é diferente do de qualquer outro homem – puro, perfeito, sem mácula, tal como devia ser a vida do crente. Eu não pleiteio pela possibilidade de uma conduta sem pecado para os Cristãos, mas eu tenho que afirmar que a graça faz o homem ser diferente, e que o povo de Deus será muito diferente de outros tipos de pessoas. Um servo de Deus será um homem de Deus em todos os lugares. Como farmacêutico ele não pode ceder a qualquer truque que esses homens podem aplicar com suas drogas; como dono de mercearia – se não for só história que se fazem essas coisas – ele não pode misturar folhas de ameixeira com chá ou zarcão na pimenta; se ele praticasse qualquer outro tipo de negócio, não poderia por um momento condescender com essas substituições mesquinhas, chamadas “métodos de comércio.” Para ele não é o que é chamado “negócio;” é o que é chamada de Lei de Deus, ele sente que não é desse mundo, consequentemente ele vai contra seus modismos e máximas. Uma história singular é contada de um certo Quaker. Um dia ele estava se banhando no Tâmisa, e um aguadeiro o chamou: “Há! Lá vai um Quaker.”

 “Como você sabe que eu sou um Quaker?” “Porque você está nadando contra a correnteza; é o que os Quakers sempre fazem.” Isso é o que os Cristãos deveriam fazer sempre – nadar contra a correnteza. O povo do Senhor não devia acompanhar o resto em suas coisas mundanas. Seus caráteres deveriam ser visivelmente diferentes. Vocês deviam ser homens que seus companheiros pudessem reconhecer sem qualquer dificuldade, e dizer, “Este homem é um Cristão.” Ah! Amados, seria para confundir o próprio anjo, Gabriel, dizer se alguns de vocês são Cristãos ou não, se ele fosse enviado ao mundo para escolher os justos de entre os perversos. Ninguém a não ser Deus poderia fazer isso, porque nestes dias de religiões mundanas eles são muito parecidos. Foi um mau dia para o mundo quando os filhos de Deus e as filhas dos homens se misturaram: e são todos maus dias agora, quando Cristãos e mundanos estão tão misturados, que não se pode dizer a diferença entre eles. Deus nos guarde de um dia de fogo que possa nos devorar em conseqüência disso! Mas Oh! Amados! Os Cristãos serão sempre diferentes do mundo. Essa é uma grande doutrina, e ela será encontrada em eras vindouras como nos séculos que se passaram. Olhando para traz na história, lemos essa lição: “Eles não são do mundo, assim como eu não sou do mundo.” Nós os vemos levados às catacumbas de Roma; nós os vemos caçados como perdizes; e onde quer que na história vocês encontrem servos de Deus, vocês podem reconhecê-los pelos seus distintos e invariáveis caráteres – eles não são do mundo, mas eram um povo cheio de cicatrizes e esfolado; um povo inteiramente distinto das nações. E se nessa era, não existe gente diferente, não há quem seja achado diferente de outras pessoas, não existem Cristãos; porque os Cristãos sempre serão diferentes do mundo. Eles não são do mundo; assim como Cristo não é do mundo. Essa é a doutrina.

Mas agora para tratar este texto EXPERIMENTALMENTE.

E nós, queridos irmãos, sentimos essa verdade? Já esteve ela repousando em nossas almas, de modo que pudéssemos sentir que ela é nossa? “Eles não são do mundo, assim como eu não sou do mundo.” Alguma vez já sentimos que não somos do mundo? Talvez haja um crente sentado em um banco da igreja nesta noite que diga: “Bem senhor, eu não posso dizer que me sinta como não sendo do mundo, porque acabei de chegar da minha loja, e coisas mundanas continuam balançando à minha volta.” Outro diz: “Eu tenho estado em dificuldades e a minha mente está muito atormentada – eu não posso sentir que seja diferente do mundo: eu estou com medo de que eu seja do mundo.” Mas, amados, nós não devemos julgar a nós mesmos duramente, porque exatamente nesse momento não discernimos a marca dos filhos de Deus. Deixem-me que lhes diga, existem sempre alguns momentos de teste quando se pode dizer de que estofo um homem é feito. Dois homens vão andando. Uma parte do caminho eles vão lado a lado. Como você diz qual homem está indo para a direita e qual homem está indo para a esquerda? Quando eles chegarem à encruzilhada. Agora, nesta noite não é uma encruzilhada, porque estamos sentados com pessoas do mundo aqui, mas em outras vezes nós podemos distinguir.

Deixe-me dizer-lhes uma ou duas encruzilhadas, quando todo Cristão sentirá que ele não é deste mundo. Uma é quando, ele se vê em grandes dificuldades. Eu acredito e afirmo, que nós nunca nos sentimos tão por fora deste mundo como quando nós nos vemos mergulhados em dificuldades. Ah! Quando alguma criatura do nosso agrado foi levada, quando alguma benção preciosa se desvaneceu aos nossos olhos, como o lindo lírio arrancado pelo talo; quando alguma misericórdia desapareceu, como a aboboreira de Jonas em uma noite – é isso que o Cristão sente: “Eu não sou do mundo.” Sua capa é rasgada dele, e o vento frio assobia quase através dele; e então ele diz: “Eu sou um estranho no mundo, como todos os meus pais foram. Senhor, tu tens sido o local da minha habitação em todas as gerações.” Vocês têm tido por vezes tristezas profundas. Agradeçam a Deus por elas! Elas são momentos de testes. Quando a fornalha está quente é que o ouro é melhor testado. Vocês sentiram nesses momentos que vocês não são deste mundo? Ou então vocês têm se sentado e dito: “Oh! eu não mereço esse aborrecimento.” Vocês se deixaram quebrar debaixo deles? Se inclinaram diante e deixaram que os esmagassem enquanto amaldiçoavam o seu Criador? Ou os seus espíritos, mesmo debaixo de sua carga, ainda se levantou para ele, como um homem todo deslocado no campo de batalha, cujos membros estão decepados, mas que ainda se levanta o melhor que pode, e olha por sobre o campo para ver se existe um amigo se aproximando. Vocês fizeram assim? Ou vocês se deitaram em desespero e ansiedade? Se vocês fizeram isso eu penso que não são Cristãos; mas se houve um levantar, foi um momento de teste, e provou que vocês “não eram do mundo,” porque vocês podiam dominar a aflição; porque vocês podiam pisá-la debaixo dos pés, e dizer:

“Quando todas as correntes criadas se secam,
Sua bondade é a mesma:
Com isso eu estou bem satisfeito,
E glória ao seu nome.”
Mas outro momento de teste é a prosperidade. Oh! tem havido alguns do povo de Deus, que têm sido mais tentado pela prosperidade que pela adversidade. Dos dois julgamentos, o julgamento da adversidade é menos severo para o homem espiritual que o da prosperidade. “Como o crisol para a prata assim é o homem para o seu louvor.” É uma coisa terrível ser próspero. Vocês têm necessidade de orar a Deus, não somente para ajudá-los em suas dificuldades, mas para ajudá-los nas suas bênçãos. O Sr. Whitefield uma vez recebeu um pedido para orar por um jovem que tinha – pare, vocês vão pensar que era por um jovem que tivesse perdido seu pai ou sua propriedade. Não! “As orações da congregação porque ele tem necessidade de muita graça para mantê-lo humilde no meio das riquezas.” Esse é o tipo de oração que devia ser feito; porque a prosperidade é uma coisa difícil de se levar. Agora, talvez vocês tenham se intoxicado com os prazeres do mundo, mesmo sendo Cristãos. Tudo vai bem com vocês; vocês têm amado e são amados. Seus negócios são prósperos; seu coração se regozija, seus olhos brilham; você pisa a terra com a alma feliz e um semblante alegre você é um homem feliz, porque descobriu que até mesmo nas coisas mundanas, “religiosidade com contentamento é um grande lucro.” Vocês já sentiram que, - “Essas nunca podem satisfazer; Dê-me Cristo, ou então morrerei.”

Vocês alguma vez sentiram que esse consolo era nada a não ser as folhas da árvore, e não o fruto, e que vocês não podiam viver de meras folhas? Vocês sentiram que eles eram apesar de tudo nada além de cascas? Ou vocês não se sentaram e disseram, “Agora alma, tranqüilize-se; tens bens acumulados para muitos anos; coma, beba e regale-se?” se vocês imitaram o rico tolo, então vocês eram do mundo; mas se o seu espírito subiu acima da sua prosperidade de modo que ele ainda vivesse perto de Deus, então você provou que era um filho de Deus, porque não era do mundo. Esses são pontos de teste; tanto a prosperidade como a adversidade.

Novamente: vocês pode testarem-se desta maneira a sós e acompanhados. A sós você pode dizer se você é ou não do mundo. Eu me sento, levanto a janela, olho lá fora as estrelas, e penso nelas como os olhos de Deus olhando para baixo sobre mim! E oh! Não parece glorioso algumas vezes considerar os céus quando podemos dizer: “Ah! Além daquelas estrelas na minha casa não feita por mãos; aquelas estrelas são marcos da distância na estrada para a glória, e eu em breve pisarei o caminho resplandecente, ou serei carregado pelos serafins para longe além delas, e estarei lá!”

Você já sentiu estando a sós que você não é deste mundo? E a mesma coisa novamente em acompanhado. Ah! Amados, acreditem-me, companhia é um dos melhores testes para um Cristão. Você é convidado para uma festa à noite. Várias diversões são providenciadas que não são consideradas exatamente pecaminosas, mas que certamente não podem vir sob o nome de diversões piedosas. Você se senta lá com os demais; existe um consenso de conversa fiada acontecendo, você seria considerado puritano se protestasse. Você não veio – e não obstante tudo ter sido muito agradável, e os amigos também – você não esteve inclinado a dizer: “Ah! Isso não é para mim; seria melhor que eu estivesse em uma reunião de oração; eu poderia estar com o povo de Deus, ao invés de nessas finas salas com todas as finuras e delicadezas que poderiam ser providenciadas sem a companhia de Jesus. Pela graça de Deus vou procurar me afastar de todos esses lugares tanto quanto possível.” Esse é um bom teste. Você irá provar deste modo que não é do mundo. E você pode fazer o mesmo de muitas outras maneiras, as quais eu não tenho tempo de mencionar. Você sentiu essa experiência, tanto que possa dizer: “Eu sei que eu não sou do mundo, eu sinto isso; eu experimentei.” Não fale de doutrina. Dê-me doutrina fundamentada em experiência. A doutrina é boa; mas a experiência é melhor. A doutrina experimental é a verdadeira doutrina que conforta e que edifica.

E agora, finalmente, nós devemos aplicar isso na PRÁTICA. “Eles não são do mundo assim como eu não sou do mundo.” E primeiro, me permitam, homem ou mulher, aplicar isso a você. Você que é do mundo, cujas máximas, cujo comportamento, cujos sentimentos, de quem todas as coisas são mundanas e carnais, ouça isso. Talvez você tenha feito a profissão de alguma religião. Ouça-me então. Sua jactância sobre religião é tão vazia como um fantasma, e se irá quando o sol se levantar, como os fantasmas dormem em suas sepulturas ao cantar do galo. Você tem algum prazer nessa religião que você professa por meio da qual você é exibido, e que você carrega por aí como um disfarce, e usa como camuflagem para os seus negócios, e uma rede para apanhar as honras do mundo, e você ainda é mundano como, igual aos outros homens. Então eu lhe digo: se não existe distinção entre você e o que é do mundo, a condenação do que é do mundo será a sua condenação. Se você fosse marcado e vigiado, seu vizinho comerciante agiria como você, e você agiria como ele; não há distinção entre você e o mundo. Então me ouça, é a verdade solene de Deus. Você não é nem um dele. Se você é como o resto do mundo, você é do mundo. Você é um bode, e com os bodes será amaldiçoado; porque o carneiro pode sempre ser diferenciado dos bodes pela sua aparência. Oh! vocês homens mundanos! Vocês que professam a carne, vocês que lotam as nossas igrejas, e enchem os nossos lugares de adoração, isso é a verdade de Deus! Deixem-me dizê-lo solenemente. Se eu fosse dizer como devia, estaria chorando lágrimas de sangue. Vocês estão, com toda a sua profissão de fé, “na bile da amargura;” com toda a sua jactância, vocês estão “nos grilhões da iniqüidade;” porque vocês agem como os outros e chegarão onde outros chegam; e será feito com vocês como com os mais notórios herdeiros do inferno. Existe uma velha história que uma vez foi contada sobre um ministro Dissidente. O velho costume era que, um ministro podia se hospedar em uma pousada, e não teria que pagar nada pela cama e mesa; e quando ele fosse de um lugar para outro para pregar, nada lhe era cobrado pelo transporte em que ele viajasse. Mas numa ocasião, um certo ministro parou em uma hospedaria e foi dormir. O proprietário ficou ouvindo e não ouviu orações; assim quando ele desceu pela manhã, apresentou-lhe a conta. “Oh! eu não vou pagar isso porque eu sou ministro.” “Ah!” disse o proprietário: “você foi para a cama ontem a noite como um pecador, e vai pagar nesta manhã como um pecador; não deixarei você ir.” Agora, isso me incomoda, que esse será o caso de alguns de vocês quando chegarem ao tribunal de Deus. Ainda que você finja ser um Cristão, você agiu como um pecador, e cairá também como um pecador. Suas ações eram injustas; elas eram distantes de Deus; e você terá uma porção com aqueles cujo caráter eram como o seu. “Não vos enganeis;” é fácil ser enganado. “Com Deus não se brinca,” ainda que nós sempre o sejamos, tanto ministros como pessoas. “Com Deus não se brinca; o que o homem semear isso também ceifará.”

E agora queremos aplicar isso a muitos verdadeiros filhos de Deus que estão aqui, por precaução. Eu digo , meu irmão Cristão, você não é do mundo. Não vou falar dura¬mente com você, porque você é meu irmão, e em falando a você eu falo a mim mesmo também, porque eu sou tão culpado quanto você. Irmão, não temos sido freqüentemente muito parecidos com o mundo? Algumas vezes em nossas conversações nós não conversamos muito iguais ao mundo? Vem, deixe eu perguntar a mim mesmo, não existem muitas palavras ociosas no que eu digo? È, existem. E eu por vezes não dou ocasião ao inimigo de blasfemar, porque eu não sou tão diferente do mundo como devia ser? Venha irmão; confessemos juntos os nossos pecados. Não temos sido muito mundanos? Ah! Temos. Oh! deixemos que esse solene pensamento cruze as nossas mentes: suponhamos que depois de tudo nós não fossemos dele! Porque está escrito: “Vocês não são do mundo.” Oh! Deus! Se nós não estamos certos, corrija-nos; onde estivermos um pouco certos, faça-nos ainda mais certos; e onde estivermos errados, corrija-nos! Permitam-me que lhes conte uma história; eu a contei quando estava pregando na terça feira passada pela manhã, mas vale a pena contar de novo. Existe um grande mal em muitos de nós sendo muito leve e frívolo em nossa conversação. Certa vez uma coisa muito solene aconteceu. Um ministro tinha estado pregando em uma vila no interior, muito determinada e fervorosamente. No meio da congregação havia um jovem que estava profundamente impressionado com um sentimento de pecado subjacente ao sermão; ele então buscou pelo ministro quando ele saiu, na esperança de acompanhá-lo até em casa. Eles andaram até chegar a casa de um amigo. No caminho o ministro tinha falado de qualquer coisa, exceto o assunto sobre o qual ele havia pregado, ainda que ele tivesse pregado com muita determinação, e até com lágrimas nos olhos. O jovem pensou consigo mesmo: “Oh! eu queria poder descarregar meu coração e falar para ele; mas não posso. Ele não diz agora qualquer coisa sobre o que falou no púlpito.” Quando eles estavam jantando naquela noite, a conversa estava muito longe do que ela deveria ser, e o ministro cedeu em todo tipo de anedotas e ditos jocosos. O jovem tinha entrado na casa com os olhos cheios de lágrimas, se sentindo como um pecador devia se sentir; mas tão logo ele estava do lado de fora, depois da conversa, ele bateu o pé no chão, e disse: “É uma mentira do começo ao fim. Aquele homem pregou como um anjo; e agora ele conversou como um demônio.” Alguns anos depois o jovem foi tomado por uma enfermidade, e mandou chamar esse mesmo ministro. O ministro não o reconheceu. O Sr. Se lembra de ter pregado em tal e tal vila?” perguntou o jovem. “Lembro.” “Seu texto foi muito profundamente depositado no meu coração.” “Graças a Deus por isso,” disse o ministro. “não se apresse tanto para agradecer a Deus,” disse o jovem. “Você sabe do que falou naquela noite após, quando eu fui jantar com você?. Sr. Eu vou ser condenado! E eu vou acusar você diante do trono de Deus de ser o autor de minha condenação. Naquela noite eu senti o meu pecado; mas você foi o elemento de dispersão de todas as minhas impressões.” Isso é um pensamento solene irmão, e nos ensina como devemos restringir as nossas línguas, especialmente aqueles que ficam tão alegres depois de cultos solenes e pregações fervorosas, que não devíamos trair leviandade. Oh! vamos nos conscientizar de que nós não somos do mundo, até como Cristo não era do mundo.


E Cristãos, finalmente, através da prática, deixe-me confortá-los com isso. Vocês não são do mundo porque o seu lar é no céu. Estejam contentes de estar aqui por um pouco, vocês não são do mundo, e irão à sua cintilante herança. Um homem em viajem vai a uma hospedaria; é bastante desconfortável, “Bem,” diz ele, “eu não vou ter que ficar aqui muitas noites; eu tenho que dormir aqui apenas essa noite, eu estarei em casa pela manhã, assim eu não me importo de um pernoite ser um pouco desconfortável.” Portanto Cristão, esse mundo nunca é muito confortável; mas lembre-se: você não é deste mundo. Este mundo é como uma pousada; você está apenas se hospedando aqui por um pouco de tempo. Se acomode com alguma pequena inconveniência, porque você não é do mundo, assim como Cristo não é do mundo; e pouco a pouco, muito além, você será reunido na casa de seu Pai, e descobrirá que lá existe um novo céu e uma nova terra providenciados para aqueles que “não são do mundo.”

Sermão (nº. 0078)
Manhã de Domingo, 22 de novembro de 1855,

Tradução: Claudino Marra Jr.


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