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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O Nome Eterno! - C. H. Spurgeon

/ On : 12:25/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.



“Subsista para sempre o seu nome.” – Salmo 72:17.

Não há necessidade de dizer a qualquer dos aqui presentes que esse nome é o de Jesus Cristo, o qual “subsistirá para sempre.” Os homens têm dito muitas coisas de suas obras, “elas subsistirão para sempre;” mas quanto eles têm ficado desapontados! Na era que sucedeu ao dilúvio, eles fizeram tijolos, pegaram barro, e quando tinham levantado a velha Torre de Babel disseram: “isso vai durar para sempre.” Mas Deus confundiu-lhes a língua; e eles não terminaram a torre. Ele a destruiu com seus raios, e a deixou como um monumento à loucura deles. Velhos Faraós, monarcas do Egito, levantaram suas pirâmides, e disseram: “elas estarão para sempre de pé,” e assim sem dúvida elas estão de pé; mas o tempo se aproxima em que até essas serão devoradas pela idade. Assim com todas as mais orgulhosas obras do homem, tenham sido elas templos ou monarquias, ele tem escrito “eternas” sobre elas; mas Deus tem ordenado o seu fim, e elas têm ficado no passado. As coisas mais estáveis têm sido evanescentes como sombras, e as bolhas, de uma hora, rapidamente destruídas ao comando de Deus. Onde está Nínive, e onde está a Babilônia? Onde estão as cidades da Pérsia? Onde estão os lugares altos de Edom? Onde está Moab, e a princesa de Amom? Onde estão os templos ou os heróis da Grécia? Onde estão os milhões que passaram pelos portões de Tebas? Onde estão as hostes de Xerxes, ou onde as vastas legiões dos imperadores Romanos? Não se foram todos eles? E mesmo que em seu orgulho eles dissessem: “essa monarquia durará para sempre; essa rainha das sete colinas será chamada a cidade eterna,” seu orgulho está ofuscado; e ela que se sentou sozinha e disse: “eu não ficarei viúva, mas reinarei para sempre,” ela caiu, ela caiu e em um instante afundará como uma pedra de moinho na correnteza, sendo o seu nome usado para maldição e provérbio, e o seu lugar para habitação de corujas e dragões. O homem chama as suas obras de eternas – Deus as chama de efêmeras; o homem se convence de que elas são feitas de rocha – Deus diz: “Não, areia, ou pior que isso – são de ar.” O homem diz que ele as erige para a eternidade – Deus assopra apenas por um momento, e onde elas estão? Como panos soltos de uma aparição passaram e se foram para sempre.

É agradável, portanto, descobrir que há alguma coisa que durará para sempre. Sobre essa alguma coisa é que esperamos falar essa noite, se Deus me habilitar a pregar, e vocês a me ouvirem. “Subsista para sempre o seu nome.” Primeiro, a religião santificada pelo seu nome subsistirá para sempre; segundo, a honra do seu nome subsistirá para sempre; e em terceiro a salvação e a força consoladora do seu nome subsistirão para sempre.

I. Primeiro, a religião do nome de Jesus é para durar para sempre. Quando impostores forjaram as suas ilusões, eles lançaram as esperanças de que em alguma época distante eles poderiam carregar o mundo diante de si; e se vissem uns poucos seguidores agrupados em volta de seu estandarte, que oferecessem incenso em seu santuário, eles sorrindo diriam: “Minha religião excederá o brilho das estrelas, e durará por toda a eternidade.” Mas como estavam errados! Quantos falsos sistemas têm começado e se desvanecido! Porque alguns de nós têm visto, mesmo no curto espaço da nossa existência, seitas que se levantaram como a aboboreira de Jonas, em apenas uma noite, e se foram com a mesma rapidez, nós também temos contemplado profetas se levantarem, que tiveram a sua hora – sim, eles tiveram o seu dia, como todos os cães têm; mas como os cães, o dia deles se foi, e o impostor, onde está ele? E o grande enganador, onde está ele? Banido e cessado. Especialmente eu posso dizer isso de vários sistemas de Infidelidade. Dentro de cento e cinqüenta anos, como tem o alardeado poder da razão sofrido mudanças! Ele faz um amontoado de coisas, e então noutro dia ri do trabalho de suas próprias mãos, derruba seus próprios castelos, constrói outros e no dia seguinte um terceiro. Ele tem milhares de roupagens. Uma vez ele nasceu como um bobo da corte com seus cincerros, alardeado por Voltaire; então ele apareceu como um arrogante intimidador dos mais fracos, como Tom Paine; então ele mudou o seu rumo, e assumiu outro aspecto, até sem dúvida, o termos na base, bestial secularismo dos dias atuais, que nada mais procura além da terra, mantém o seu nariz acima do chão, e como as feras, pensa que o mundo é suficiente; ou procura um outro através da busca neste. Porque, antes que um cabelo nesta cabeça esteja encanecida, o último secularista terá passado; antes que muitos de nós tenhamos cinqüenta anos de idade, uma nova Infidelidade virá, e para aqueles que dizem, “Onde estarão os santos?” nós podemos nos virar e dizer, “Quem é você?” E eles responderão, “Nós mudamos os nossos nomes.” Eles terão alterado os seus nomes, e assumido um novo aspecto, vestiram-se de uma nova forma de mal, mas as suas naturezas serão as mesmas; se opondo a Cristo e procurando blasfemar as suas verdades. Sobre todos os sistemas de religiões que eles praticam, ou não religião – porque isso também é um sistema – pode-se escrever, “Evanescente; efêmero como as flores, passageiro e fugaz como os meteoros, frágil e irreal como o vapor.” Mas da religião de Cristo se dirá, “Seu nome permanecerá para sempre.” Agora deixem-me dizer algumas coisas – não para provar coisa alguma, porque isso eu não quero fazer – mas para dar a vocês algumas sugestões, por onde, possivelmente, eu possa um dia provar a outras pessoas, que a religião de Cristo inevitavelmente tem que durar para sempre.

E primeiro, perguntamos àqueles que pensam que ela desaparecerá: quando foi que ela não existiu? Nós perguntamos então se eles podem apontar seus dedos para um período em que a religião de Cristo fosse uma coisa de que não se ouviu falar? “Sim” Vão responder, “antes dos dias de Cristo e seus apóstolos.” Mas nós respondemos: “Não, Belém não foi o local de nascimento do Evangelho; mesmo tendo Jesus nascido ali, havia um evangelho muito antes do nascimento de Jesus, e um que foi pregado também; ainda que não fosse pregado em toda a sua simplicidade e clareza, como ouvimos agora. Havia um evangelho no deserto do Sinai, apesar de que ele pudesse ter sido confundido com a fumaça do incenso, e somente ser visto através das vitimas sacrificadas; ainda assim, havia um evangelho ali.” Sim, e mais, nós os levamos de volta às belas arvores do Éden, onde os frutos amadureciam perpetuamente, e o verão permanecia sempre, e por entre essas árvores dizemos a eles que havia um evangelho, e deixamos que eles ouçam a voz de Deus, quando ele falou ao homem descrente e desleal, e disse: “A semente da mulher esmagará a cabeça da serpente.” E tendo os levado assim tão longe no passado, perguntamos: “onde nasceram as falsas religiões? Onde foi seu berço?” eles nos apontam Meca, ou viram seus dedos para Roma; eles falam de Confúcio, ou dos dogmas de Buda. Mas nós dizemos, vocês só voltam para uma obscuridade distante; nós levamos vocês à era primeva; nós os dirigimos aos dias da pureza; nó os levamos de volta aos tempo em que Adão pela primeira vez pisou na terra; e então nós perguntamos se não é como aquilo, como o primogênito, também não será o último a morrer? E como nasceu tão cedo. E ainda existe, enquanto milhares de coisas efêmeras se extinguiram, se não parece o mais possível, e quando todos os outros tiverem perecido, como a bolha sobre a onda, somente esse nadará, como um bom navio sobre o oceano, e ainda levará uma miríade de almas, não para a terra das sombras, mas através do rio da morte para as planícies do céu?


E em seguida perguntamos, supondo que o evangelho de Cristo venha a se extinguir, que religião o suplantará? Nós perguntamos ao sábio, que diz que o Cristianismo está para morrer em breve: “diga-me por favor senhor, que religião teremos em seu lugar? Teremos as desilusões dos pagãos, que se inclinam diante de seus deuses e cultuam imagens de madeira e de pedra? Terão vocês as orgias de Baco, ou as obscenidades de Vênus? Vocês veriam suas filhas mais uma vez se inclinando diante de Tamuz, ou desempenhando ritos obscenos como na antiguidade?” Não, não suportariam tais coisas; diriam: isso não tem que ser tolerado por homens civilizados.” Então o que vocês teriam? Teriam o Romanismo e suas superstições? Vocês dirão: “Não, Deus nos acuda, isso nunca.” Eles podem fazer o que quiserem com a Bretanha; mas ela é muito sábia para retomar o velho Papado, enquanto Smithfield durar, e existe um dos sinais dos mártires ali; sim, ali respira um homem que marca a si próprio como um homem livre, e jura pela Constituição da Velha Inglaterra, nós não podemos tornar ao Papado de volta. Ele pode se tornar desenfreado com suas superstições e seu poder sacerdotal; sem sequer um consentimento o meu coração responde: “Nós não teremos o Papado.” Então o que vocês vão escolher? Será o Islamismo? Vocês escolherão aquilo, com todas as suas fábulas, suas fraquezas e libidinosidade? Eu não vou lhes falar sobre isso. Nem vou mencionar a amaldiçoada imposturado do Ocidente que ultimamente tem se levantado. Nós não vamos permitir a poligamia, enquanto se possam achar homens que amem o círculo social, e não pode vê-lo invadido. Nós não iríamos querer, quando Deus deu ao homem uma esposa, que ele se arrastasse entre vinte, como os companheiros daquela uma. Nós não podemos preferir o Mormonismo; nós não vamos querer e não vamos preferir. Então o que teremos no lugar do Cristianismo? “Infidelidade,” vocês gritam, gritam senhores? E vocês teriam isso? E então qual seria a conseqüência? O que muitos deles promovem? Visões comunistas, e a real derrocada de toda a sociedade como estabelecida no presente. Vocês desejariam Reinados do Terror aqui, como tiveram na França? Vocês querem ver toda a sociedade despedaçada, e homens vagando como monstros icebergs no mar, colidindo uns com os outros, e sendo por fim totalmente destruídos? Deus nos livre da Infidelidade! O que é que vocês podem ter então? Nada. Nada existe para suplantar o Cristianismo. Que religião pode suplantá-lo? Não existe uma para ser comparada com ele. Se trilharmos em volta do globo, e procurarmos desde a Inglaterra até o Japão, não será encontrada uma religião, tão legitima com Deus, tão segura para o homem.


Nós perguntamos mais uma vez ao inimigo, suponha que fosse encontrada uma religião que fosse preferível a essa que nós amamos, por que meios vocês destruiriam a nossa? Como vocês escapariam da religião de Jesus? E como vocês extinguiriam o nome dele? Certamente senhores, vocês nunca pensariam na velha pratica da perseguição, pensariam? Vocês experimentariam mais uma vez a eficácia das estacas e das fogueiras, para queimar o nome de Jesus? Vocês nos dariam as botas e instrumento de tortura? Tentem senhores, e vocês não apagarão o Cristianismo. Cada mártir, molhando o dedo no próprio sangue ao morrer, escreveria seu lugar de honra nos céus; e a mesma chama que se elevou ao céu, iluminaria os céus com o nome de Jesus. A Perseguição já foi tentada. Vejamos os Alpes; deixemos que os vales do Piemont falem; deixemos que a Suíça testifique; deixemos que a França, com o seu S. Bartolomeu, e a Inglaterra com todos os seus massacres, falem. E se vocês ainda não o esmagaram, esperarão conseguir isso? Esperarão? Não, pode-se achar mil, e dez mil se fosse necessário, que estão desejosos de marchar para a estaca amanhã; e quando eles forem queimados, se vocês pudessem pegar os seus corações veriam gravados neles os nomes de Jesus. “Subsista para sempre o seu nome.” Porque como poderão vocês destruir o nosso amor pelo nome dele? “Ah! Mas,” vocês diriam, “nós tentaríamos meios mais gentis dos que esses.” Bem, o que é que vocês tentariam? Inventariam uma religião melhor? Nós convida-os vocês a fazer isso, para nós ouvirmos; nós ainda não temos tanto como se acreditava vocês capazes de tal descoberta. E então? Vocês acordariam alguém que nos enganasse e nos levasse a descaminhos? Nós os convidamos a fazê-lo; porque não é possível enganar os eleitos. Vocês podem enganar a multidão, mas os eleitos de Deus não serão levados ao erro. Têm nos tentado. Não nos deram o Papado? Não investiram contra nós com o Tractarianismo? Não estão nos tentando com Arminianismo por atacado? E nós por acaso renunciamos a verdade de Deus? Não: nós tomamos essa frase por nossa moto e por ela nos manteremos em pé: “A Bíblia, toda a Bíblia, e nada a não ser a Bíblia,” ainda é a religião dos Protestantes; e a mesma verdade que moveu os lábios os lábios de Crisóstomo, a velha doutrina que tomou e invadiu o coração de Santo Agostinho, a velha fé que Atanásio declarou, a boa e velha doutrina que Calvino pregou, é o nosso evangelho agora, e se Deus nos ajudar, permaneceremos nele até a nossa morte. Como é que vocês vão apagar isso? Se vocês quiserem fazer, como en¬contrarão os meios? Não está nas suas capacidades. Aha! Aha! Aha! Nos rimos de vocês. Mas vocês vão apagá-lo, não vão? Vão tentar, vocês dizem? E esperam alcançar os seus propósitos? Sim. Vocês sabem que vão, quando vocês tiverem aniquilado o sol; quando tiverem apagado a lua com as gotas das suas lágrimas; quando tiverem bebido o mar até que ele seque. Então vocês o farão. E vocês ainda dizem que farão.

E em seguida, eu lhes pergunto: suponhamos que vocês tivessem feito, em que o mundo se tornaria então? Ah! Fosse eu eloqüente hoje, talvez eu pudesse lhes dizer. Se eu pudesse tomar emprestado o linguajar de um Robert Hall, eu poderia enfocar o mundo em pranto; eu poderia fazer domar o chefe dos pranteadores, com seus cantos fúnebres de ventos uivantes e suas selvagens marchas fúnebres de ondas desordenadas. Eu poderia vestir toda a natureza, não com palavras em tons verdes, mas com vestimentas de sombrio negrume; eu ordenaria aos furacões que bramissem o solene pranto – o grito de morte de um mundo – por que o que seria feito de nós, se perdêssemos o evangelho? Quanto a mim, lhes digo sinceramente, eu choraria, “Deixem que eu me vá!” Eu não teria vontade de estar aqui sem o meu Senhor; e se o evangelho não fosse verdade, eu bendiria a Deus se me aniquilasse neste instante; porque eu não me importaria de viver se vocês destruíssem o nome de Jesus Cristo. Mas isso não seria tudo, que um homem fosse miserável, porque existem milhares e milhares que podem falar como eu. Novamente, em que se tornaria a civilização se vocês pudessem desaparecer com o Cristianismo? Onde estaria a esperança de uma paz perpétua? Onde os governos? Onde a Escola Dominical? Onde todas as nossas sociedades? Onde todas as coisas que melhoram a condição do homem, reformam as suas maneiras, e moralizam o seu caráter? Onde? Deixe o eco responder, “Onde?” Teriam desaparecido, e nem uma raspa deles teria ficado. E onde Homens, estaria a sua esperança do céu? E onde o conhecimento da eternidade? Onde uma ajuda para atravessar o rio da morte? Onde um céu? E onde uma eterna bem-aventurança? Tudo se iria se o nome dele não durasse para sempre. Mas nós temos certeza disso, nós sabemos isso, nós afirmamos isso, nós declaramos isso; nós acreditamos, e sempre acreditaremos, que “subsista para sempre o seu nome,” – sim, para sempre! Deixe quem quiser tentar detê-lo.
Esse é o meu primeiro ponto; eu terei que falar com a respiração ainda mais suspensa sobre o segundo, conquanto eu sinta tão ardente por dentro como por fora, que eu pudesse falar com Deus com toda minha força, com que eu pudesse falar.

II. Mas, em segundo lugar, como a sua religião, então, a honra do seu nome subsista para sempre. Voltaire disse que viveu no lusco-fusco do Cristianismo. Ele quis dizer uma mentira; e falou uma verdade. Ele viveu no lusco-fusco do Cristianismo; mas naquele que precede a manhã – não o do anoitecer, como ele quis dizer; porque a manhã vem quando a luz do sol se espalhará sobre nós em sua verdadeira glória. Os escarnecedores têm dito que em pouco tempo nós devemos ter esquecido de honrar a Cristo, e que um dia ninguém tomaria conhecimento dele. Agora, nós afirmamos novamente, nas palavras do meu texto: “Permaneça o seu nome para sempre,” bem como a honra à ele. Sim, eu vou lhes dizer por quanto tempo ele vai durar. Enquanto nesse mundo houver um pecador que tenha sido reclamado pela graça onipotente, o nome de Cristo durará; enquanto existir uma Maria pronta para lavar-lhe os pés com suas lágrimas e enxugar com os seus cabelos da sua cabeça; enquanto respirar um chefe dos pecadores que tenha se lavado na fonte aberta para o pecado e as impurezas; enquanto existir um Cristão que tenha posto sua fé em Jesus, e encontrado nele o seu deleite, o seu refúgio, sua morada, seu escudo, sua canção e sua alegria, não há receio de que o nome de Cristo deixe de ser ostentado. Nós nunca podemos abandonar esse nome. Nós deixamos que o Unitariano tome o evangelho sem uma trindade nele; nós deixamos que ele negue Jesus; mas nós Cristãos, verdadeiros Cristãos vivermos, enquanto provamos que o Senhor é gracioso, tem manifestações do seu amor, visões da sua face, sopros da sua misericórdia, afirmações da sua afeição, promessas da sua graça, esperanças de suas bênçãos, nós não podemos cessar de honrar o seu nome. Mas se tudo isso tiver terminado – se nós cessássemos de cantar seus louvores, seria o nome de Jesus então esquecido? Não; as pedras cantariam, os montes seriam uma orquestra, as montanhas saltariam como carneiros, e os outeiros como cordeirinhos; pois não é ele o Criador deles? E se esses lábios, e os lábios de todos os mortais se emudecessem de repente, existem nesse mundo criaturas além dessas suficientes. Porque o sol iria reger o coro; a lua tocar a sua harpa de prata, e docemente cantar com a música; estrelas dançariam em seus cursos pré-traçados; as profundezas sem limites do éter se tornariam o lar das canções; e a vazia imensidão explodiria em um grande brado: “Tu és o Glorioso Filho de Deus; grande em sua majestade, e infinito em seu poder.” Pode o nome de Cristo se esquecido? Não; ele está pintado nos céus; ele está escrito nas enchentes; os ventos o sussurram; a tempestade o fala em uivos; os mares o salmodiam, as estrelas fazem-no brilhar; as feras mugem-no; os trovões o proclamam; a terra grita-o e o céu o ecoa. Mas se isso acabasse – se esse grande universo todo desaparecesse em Deus, exatamente como a espuma de um momento desaparece na onda que a leva e se perde para sempre – seria o seu nome esquecido então? Não. Virem os seus olhos para bem alto e distante; enxergam a terra firme do céu? “ quem são aqueles que estão enfileirados de branco, e de onde vieram?” “Estes são os que saíram da grande tribulação; eles lavaram as suas vestes e as embranqueceram no sangue do Cordeiro; por isso estão diante do trono de Deus, e louvam-no de dia e de noite no seu santuário.” E se não houvesse mais essas coisas; se a última harpa do glorificado tivesse sido tocada com seus últimos dedos; se o último louvor dos santos tivesse cessado; se o último aleluia tivesse ecoado pelas então desertadas abobadas celestiais, porque então elas estariam sombrias; se o último mortal tivesse sido sepultado em sua cova, se sepulturas pudessem existir para os mortais – cessaria então o louvor a ele? Não, pelos céus, não! Porque mais além estão os anjos em pé; eles também cantam a glória dele; para ele os querubins e os serafins gritam sem cessar, quando eles mencionam seu nome naquele coro três vezes santo: “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos.” Mas se essas coisas tivessem perecido – se os anjos tivessem sido arrebatados para longe, se as asas de um serafim nunca tivessem se movido no éter, se a voz do querubim nunca tivesse cantado seu chamejante soneto, se as criaturas vivas cessassem seu coro eterno, se as medidas sinfonias de glória fossem extintas em silêncio, estaria então o seu nome perdido? Ah! Não; porque como Deus ele se senta sobre o trono, o Eterno, o Pai, Filho e o Espírito Santo. E se o universo fosse todo aniquilado, seu nome ainda seria ouvido, porque o Pai o ouviria, e o Espírito o ouviria, e profundamente gravado em mármore imortal nas rochas eternas, permaneceria – Jesus o Filho de Deus, co-igual a seu Pai. “Subsista para sempre o seu nome.”

III. E assim também será com o poder do seu nome. Vocês perguntam o que é isso? Deixem que eu lhes diga. Vocês viram aquele ladrão pendurado na cruz? Contemple os demônios aos seus pés, com as bocas abertas; fazendo graças uns para os outros com a doce idéia de que uma outra alma irá lhes dar carne no inferno. Veja o anjo da morte batendo suas asas sobre a cabeça do pobre coitado; a vingança passa e carimba-o para si; fundo no seu coração está escrito : “um pecador condenado;” na sua testa um suor pegajoso, extraído dele pela agonia e morte. Olhe no seu coração; ele está emporcalhado com a crosta de anos de pecado; a fumaça da luxúria está pendurada lá dentro como festões de negrume; todo o seu coração é o inferno condensado. Agora, olhe para ele. Ele está morrendo. Um pé parece já estar no inferno; o outro está pendurado; cambaleando em vida – mantido apenas por um cravo. Há um poder nos olhos de Jesus. Aquele ladrão olha, e sussurra: “Senhor lembra-te de mim.” Vire os seus olhos novamente para lá. Você vê aquele ladrão? Onde está o suor pegajoso? Está lá. Onde está a horrenda angústia? Não está lá. Positivamente há um sorriso em seus lábios. Os demônios do inferno, onde estão? Não há nem um; mas um brilhante serafim está presente, com suas asas estendidas, e suas mãos prontas para apanhar aquela alma, agora, uma jóia preciosa, e carregá-la para cima ao palácio do grande Rei. Olhe dentro do coração dele; está branco de pureza. Olhe para o seu peito; não está escrito “condenado”, mas “justificado.” Olhe no Livro da Vida: seu nome está gravado lá. Sim, uma vez mais, olhe! Vocês vêm aquele que brilha entre os glorificados, mais claro que o sol, e lindo como a lua? Aquele é o ladrão! Esse é o poder de Jesus; e esse poder irá subsistir para sempre. Aquele que salvou o ladrão pode salvar o último homem que vier a existir; porque ainda

“Existe uma fonte cheia de sangue, Que correm das
veias de Emanuel; E os pecadores imersos nessa
corrente Perdem todas as manchas de suas culpas.
O ladrão morrendo se alegrou de ver Essa
fonte em seus dias; Ó possa eu lá, tão vil
como ele, Levar todos os meus pecados embora!
Amado Cordeiro agonizante! Esse precioso sangue
Nunca perderá seu poder,
Até toda a igreja remida de Deus
Seja salva, para não mais pecar.
Seu poderoso “nome subsistirá para sempre.”

Também não é esse todo o poder do seu nome. Deixe-me levá-los a uma outra cena, e vocês irão testemunhar alguma outra coisa. Lá naquele leito de morte está deitado um santo; não há suor em sua testa, nem terror em sua face; fraca porém placidamente ele sorri; ele geme talvez, mas ainda canta. Por vezes olha, mas mais amiúde grita. Fico ao lado dele. Meu irmão, o que o faz olhar para a face da morte com toda essa alegria? “Jesus,” ele sussurra. O que o deixa tão placidamente calmo? “O nome de Jesus.” Vêm? Ele se esquece de tudo! Façam uma pergunta a ele: não pode responder – ele não compreende você. Ainda sorri, sua mulher vem perguntando, “você sabe o meu nome?” Ele responde, “não.” seu mais caro amigo pede-lhe para lembrar-se de sua intimidade. “Eu não te conheço,” ele diz. Sussurra na sua orelha, “Você conhece o nome de Jesus?” e seus olhos relampejam glória, sua face irradia os céus, e seus lábios falam sonetos, e seu coração explode com a eternidade; porque ele ouve o nome de Jesus, e esse nome permanecerá para sempre. “Aquele que elevou um ao céu me elevará até lá. Venha, morte. Eu mencionarei o nome de Cristo lá. Ó sepultura! Essa será a minha glória, o nome de Jesus! Cão do inferno! Essa será a sua morte – porque o aguilhão da morte foi arrancado – Cristo Nosso Senhor.” “Seu nome subsistirá para sempre.”
Eu tenho uma centena de coisas extraordinárias para lhes contar; mas a voz me falha, portanto achei melhor parar. Vocês não vão exigir mais de mim nesta noite; vocês percebem a dificuldade que eu sinto ao pronunciar cada palavra. Possa Deus enviá-las em suas casas para as suas almas! Eu não estou particularmente preocupado quanto ao meu próprio nome, quer ele dure para sempre ou não, contanto que ele esteja registrado no Livro do Meu Mestre. George Whitefield, quando perguntado se iria fundar uma denominação, disse, “Não; o Irmão John Wesley pode fazer como ele quiser, mas deixe que o meu nome pereça; e que o nome de Cristo subsista para sempre.” Amem a isso! Deixe o meu nome perecer; mas que o nome de Cristo subsista para sempre. Eu estarei bastante satisfeito de vocês se irem e me esquecerem. Eu não verei os rostos da metade de vocês novamente, eu ouso dizer que vocês podem nunca ser persuadidos a por os pés para dentro de um local de reunião de certas seitas ilegais; vocês vão pensar talvez que não seja respeitável o suficiente para se tornar uma congregação Batista. Bem, não digo que somos gente muito respeitável; nós não professamos ser; mas isso nós professamos, nós amamos as nossas Bíblias; e se não for respeitável fazer isso, nós não nos importamos de ser tidos em estima ou não. Mas nós não sabemos que somos tão desrespeitáveis apesar de tudo; porque eu creio que se eu posso afirmar a minha própria opinião, que se o Cristianismo Protestante fosse contado para fora daquela porta – não apenas cada Cristão verdadeiro, mas cada um que o professa – eu acredito que os pedobatistas não teriam tão grande maioria de que se gabar. Nós não somos, mesmo assim, uma seita tão pequena e desacreditada. Olhe para nós na Inglaterra, podemos ser, mas veja a América, a Jamaica e as Índias Ocidentais, e inclua aqueles que são Batistas por princípios, ainda que não abertamente, e não seremos menores que ninguém, nem mesmo à Igreja estabelecida deste país, em número. Que, contudo, nós damos pouca importância a isso; porque eu digo do nome de Batista, deixe que ele pereça, mas que o nome de Cristo subsista para sempre. Olhe para frente com prazer, para o dia em que não haverá um Batista vivo. Espero que em breve eles tenham partido. Vocês dirão, “por quê”? Porque quando as demais pessoas virem o batismo por imersão, nós seremos imersos em todas as seitas, e a nossa seita desaparecerá. Dê-nos uma vez a predominância, e não mais seremos uma seita. Um homem pode ser um Churchmam, ou um Wesleyniano ou um Independente, e ainda ser um Batista. É por isso que eu digo, espero que o nome Batista pereça em breve; mas que o nome de Cristo subsista para sempre. Sim, e ainda novamente; tanto como eu amo a querida Velha Inglaterra, não creio que ela jamais venha a perecer, porque a bandeira da Velha Inglaterra está pregada ao mastro pelas orações de Cristãos, pelos esforços da Escola Dominical e seus homens piedosos. Mas, eu digo, deixemos que até mesmo o nome da Inglaterra pereça; deixemos que ela seja absorvida em uma grande fraternidade; não teremos mais Inglaterra, nem França, nem Rússia ou Turquia, mas que tenhamos o Cristianismo; e eu digo do fundo do coração e da alma, que as nações, as distinções nacionais pereçam, mas que o nome de Cristo subsista para sempre. Talvez exista apenas uma coisa no mundo que eu ame mais que a última coisa que eu mencionei, e essa é a pura doutrina do inadulterado Calvinismo. Mas se isso for errado – se houver nela algo que seja falso – eu, por mim digo, deixe que ela pereça também, e que o nome de Cristo subsista para sempre. Jesus! Jesus! Jesus! Jesus! “Coroem-no Senhor de tudo.” Vocês não me ouvirão dizer mais nada. Essas são as minhas últimas palavras no Exeter Hall por agora. Jesus! Jesus! Jesus! Coroem-no Senhor de tudo.

Sermão -  27
27 de maio de 1855, Dia do Senhor.


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