Contemplai como Deus mostra
Sua Soberania neste fato, que dentro da mesma congregação, aqueles que ouvem o
mesmo ministro, e ouvem a mesma verdade, um é tomado e outro é deixado . Por
que será que numa de minhas ouvintes, sentada nos últimos bancos da capela, e
tendo sua irmã ao seu lado, o efeito da pregação será diferente do que na
outra? Elas têm sido criadas sobre os mesmos joelhos, balançadas no mesmo
berço, educadas sob os mesmos auspícios, ouvem o mesmo ministro, com a mesma
atenção por que uma será salva e a outra
deixada? Longe de nós criar qualquer escusa para o homem que é condenado; não
conhecemos nenhuma; mas também, longe esteja de nós o tomar a glória de Deus.
Afirmamos que é Deus
que faz a diferença que a irmã salva não
terá que agradecer a si mesma, mas a Deus. Haverá também dois homens dados a
bebedice. Algumas palavras faladas transpassarão um deles fora a fora, mas o
outro permanecerá imóvel, embora eles sejam, em todos aspectos iguais, tanto na
constituição como na educação. Qual é a razão? Talvez você diga: porque um
aceitou e o outro rejeitou a mensagem do evangelho. Porém, você voltou à mesma
questão: quem fez com que um aceite-a e o outro a rejeite? Não se atreva a
dizer que o homem fez a diferença por si próprio.
Você deve admitir em
sua consciência que é somente a Deus que pertence este poder. Mas aqueles que
não gostam desta doutrina estão, todavia, armados contra nós; e dizem: como
Deus pode justamente fazer tal diferença entre os membros de Sua família?
Suponha um pai que tivesse um certo número de filhos, e que a um desse todos os
seus favores, e consignasse os outros à miséria não deveríamos dizer que o mesmo era um pai
mau e cruel? Respondo: sim. Mas não é o mesmo caso. Você não tem um pai com
quem tratar, mas um juiz . Você diz: todos os homens são filhos de Deus; eu
exijo que você prove isto. Nunca li isto na minha Bíblia. Jamais me atreveria a
dizer, Pai nosso que estás no céu', até que fosse regenerado. Não posso me
regozijar na paternidade de Deus para comigo até que seja um com Ele, e co-herdeiro
com Cristo. Não ousaria reivindicar a paternidade de Deus como um homem não
regenerado. Não é um pai e um filho porque o filho tem o que reivindicar de seu
pai mas é um Rei e um súdito; e não é
nem mesmo uma relação como esta, porque há uma reivindicação entre súdito e
Rei.
Uma criatura uma criatura pecaminosa, não pode ter nenhuma
reivindicação sobre Deus; porque isto faria a salvação ser pelas obras e não
pela graça. Se os homens podem merecer salvação, então, o lhes salvar é somente
o pagamento de um débito, e não seria dado a eles mais do que deveria ser dado.
Mas afirmamos que a graça deve ser diferenciada, se é para ser graça de alguma
forma. Oh, mas alguns dirão: não está escrito que Ele dá a cada um a medida de graça, para o que
for útil? Bem, se você gosta de repetir
esta maravilhosa citação tão freqüentemente atirada sobre minha cabeça, você é
bem vindo; porque está não é uma citação da Escritura, a menos que seja duma
edição Arminiana.
A única passagem
parecida com esta se refere aos dons espirituais dos santos, e dos santos
somente. Mas digo, admitindo a vossa suposição, que uma medida de graça é dada
a cada um para o que foi útil, todavia, Ele dá alguma medida de graça
particular para que faça aquela proveitosa. Por que o que entendeis por graça,
que possa ser usada para o que for útil? Eu posso entender que seja um
aperfeiçoamento do homem no uso da graça, mas não posso compreender que seja
uma graça que é aperfeiçoada para ser usada pelos homens. Graça não é uma coisa
que eu uso; graça é algo que me usa. Mas as pessoas falam da graça às vezes
como se fosse algo que elas pudessem usar, e não como uma influência que tem
poder sobre eles. Graça não é algo que eu posso aperfeiçoar, mas que me
aperfeiçoa, me usa e opera em mim; e que as pessoas falem sobre a graça
universal, ela é totalmente sem sentido, não existe tal coisa, nem pode
existir. Eles podem falar corretamente das bênçãos universais, porque vemos que
os dons naturais de Deus são espalhados por todo lugar, num maior ou menor
grau, e os homens podem recebê-los ou rejeitá-los. Não é assim, contudo, com a
graça. Os homens não podem tomar a graça de Deus e usá-la para voltar, por si
mesmos, das trevas para luz. A luz não vem para as trevas e diz: me use; mas a
luz vem e dissipa as trevas. A vida não chega ao morto e diz: me use, e seja
restaurado à vida; mas ela vem com um poder de si própria e restaura o morto à
vida. A influência espiritual não chega aos ossos secos e diz: use este poder e
se revistam de carne; mas ela vem e os reveste com carne, e a obra é feita. A
graça é pois uma coisa que vem e exerce uma influência sobre nós.
E dizemos a todos
aqueles que rangem os seus dentes contra esta doutrina, quer saibam quer não,
que seus corações estão cheios de inimizade contra Deus; porque até que você
possa ser trazido ao conhecimento desta doutrina, há algo que você ainda não
descobriu, que te faz se opor à idéia de um Deus absoluto, um Deus livre, um
Deus que não está algemado, um Deus imutável, e um Deus que tem um
livre-arbítrio, o qual você tão profundamente gosta de provar que as criaturas
possuem. Estou persuadido que a Soberania de Deus deve ser sustentada por nós,
se estivermos num estado de mente saudável.
A salvação é do Senhor
somente. Então, dêem toda a glória ao Seu santo nome, a quem toda glória
pertence.

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