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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Até a última gota do cálice da ira – C. H. Spurgeon

/ On : 11:16/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.



Não estejam jamais satisfeitos até que aprendam o mistério das cinco chagas – jamais estejam contentes enquanto não “poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento .(Efésios 3:18)”


O poder de Jesus Cristo para limpar do pecado reside primeiro, na grandeza de Sua pessoa. Não é concebível que os sofrimentos de um simples homem, não importando qual santo ou grande poderá ter sido, expiasse os pecados da multidão inteira do povo escolhido do Senhor. Foi devido a que Jesus Cristo era uma das pessoas da Divina Trindade, devido que o Filho de Maria era nada menos que o Filho de Deus, devido que Aquele que viveu, trabalhou, sofreu e morreu, era o grandioso Criador, sem quem nada do que foi criado, foi feito, que Seu sangue tem tal eficácia que pode lavar e deixar tão limpos aos mais negros pecados, quem ficam “mais brancos que a neve.” A morte do melhor homem que tenha existido jamais poderia fazer uma expiação sequer por seus próprios pecados, muito menos poderia expiar a culpa de outros – mas quando Deus mesmo “esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; (Filipenses 2.7)” e “achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.(v.8) ”, Não se pode colocar nenhum limite ao valor da expiação realizada por Ele.


Nós sustentamos firmemente a doutrina da redenção particular: que Cristo amou a Igreja, e se entregou a si mesmo por ela; mas nós não sustentamos a doutrina do valor ilimitado de Seu precioso sangue. Não pode haver nenhum limite para a Deidade; tem que existir um valor infinito na expiação que foi oferecida por Aquele que é divino. O único limite da expiação está em seu desígnio, e esse desígnio foi que Cristo desse a vida a todos quantos lhe foram dados pelo Pai; porém, em si mesma, a expiação seria suficiente para a salvação do mundo inteiro, e se a raça inteira da humanidade fora conduzida a crer em Jesus, haveria suficiente eficácia em Seu sangue precioso para limpar todo aquele nascido de mulher, de todo pecado que todo o conjunto deles jamais houvesse cometido.


Mas o poder do sangue limpador de Jesus radica também nos intensos sofrimentos que suportou a fazer expiação por Seu povo. Não houve jamais um caso como o do nosso precioso Salvador. No que consiste a Seus sofrimentos físicos, pode ter existido alguns que tenham suportado tanto como Ele, pois o corpo humano só é capaz de certa quantidade de dor e agonia, e outras pessoas junto com nosso Senhor alcançaram esse limite – porém, houve um elemento em Seus sofrimentos que nunca esteve presente em nenhum outro caso. O fato de que Sua morte foi no lugar, posição e em substituição de Seu povo, o único grande sacrifício pela totalidade de Seus redimidos, faz que Sua morte seja inteiramente única, de tal maneira que nem mesmo o mais nobre do exército de mártires pode participar da glória com Ele. Seus sofrimentos mentais também constituíram uma parte vital da expiação: os sofrimentos de Sua alma foram a essência mesma de Seus sofrimentos. Se você pode compreender a amargura da traição que Ele sofreu por um que tinha sido seu seguidor e amigo, e o abandono que experimentou por parte de todos os Seus discípulos, a acusação formal de sedição e blasfêmia diante das criaturas que Ele mesmo tinha criado – se puderem compreender o que foi para Ele, que não cometeu pecado, ser feito pecado por nós, e que fosse colocada sobre Ele a iniquidade de todos nós – se pudessem ter uma ideia de quanto aborrecia o pecado e se apartava dele, poderiam formar uma ligeira ideia do que Sua natureza pura sofreu por nossa culpa.


Nós não nos apartamos do pecado como Cristo o fazia, porque estamos acostumados a ele – uma vez foi o elemento no qual vivíamos, movíamos e existíamos – mas Sua natureza santa rejeita o mal assim como uma planta sensível se recolhe quando é tocada. Porém, Seus piores sofrimentos devem ter sido quando a ira de Seu Pai foi derramada sobre Ele, ao suportar o que Seu povo merecia suportar, mas agora jamais terá que suportar –

“As ondas da crescente dor
Batem contra Seu peito,
Montanhas de ira onipotente
Pesavam sobre Sua alma”


O fato que Seu Pai tenha escondido Seu rosto Dele te tal forma que clamasse em Sua agonia: “Deus meu, Deus meu, por quê me desamparaste?”, deve ter sido um autêntico inferno para Ele. Esse foi o tremendo gole de ira que nosso Salvador bebeu por nós até suas ultimas gotas, para que nosso copo não pudesse jamais ter nem um restinho de ira sequer sobrando. Deve de ter sido uma grande expiação, essa que foi comprada a um preço tão grande.


Podemos pensar na grandeza da expiação de Cristo de outra forma. Tem que ter sido uma grande expiação essa que tem transportado de forma segura a multidões de pecadores ao céu, e que tem salvado a tantos grandes pecadores e os tem transformado em refulgentes santos. Tem que ser uma grande expiação essa que há de levar ainda inumeráveis miríades à unidade da fé e a glória da igreja dos primogênitos, que estão inscritos no céu.


É uma expiação tão grande, pecador, que, se você confia nela, será salvo por ela sem importar quantos e quão graves poderiam ter sido seus pecados. Você tem medo de que o sangue de Cristo não seja potente o suficiente para limpar-lhe? Por acaso teme que Sua expiação não possa suportar o peso de um pecador como você?


Fiquei sabendo, outro dia, sobre uma mulher néscia de Plymouth, que durante um bom tempo não queria passar sobre a ponte de Saltash porque não a considerava segura. Quando, depois de ver o enorme tráfego que passava com segurança sobre a ponte, foi induzida a ter confiança nela, tremia muito por todo o tempo em que passava sobre nela, e não teve tranquilidade mental até que a deixou para trás. Claro que todo mundo riu dessa mulher, por pensar que essa estrutura tão sólida não pudesse suportar seu levíssimo peso.


Poderia ser que exista hoje nesse prédio algum pecador que tenha medo de que a grande ponte que a eterna misericórdia construiu a um custo infinito, através do abismo que nos separa de Deus, não seja suficientemente forte para suportar seu peso. Se for assim, permita-me lhe assegurar que através dessa ponte do sacrifício expiatório de Cristo, já cruzaram milhões de pecadores tão vis e corruptos como esse tal, e a ponte nem mesmo trepidou sob tal peso, e nenhuma de suas partes ao menos trincou ou jamais descolou.


Meu pobre amigo temeroso, sua ansiedade de que a grande ponte da misericórdia não seja capaz de suportar seu peso, me faz lembrar a fábula do pernilongo que pousou sobre a orelha de um touro, e depois estava preocupado porque o forte animal poderia se incomodar com seu “enorme” peso. É bom que você tenha uma vivida compreensão do peso de seus pecados, mas ao mesmo tempo, deve também entender que Jesus Cristo, em virtude de Sua grande expiação, não só é capaz de suportar o peso de seus pecados, mas também pode levar, e verdadeiramente já levou sobre seus ombros, os pecados de todos os que crerão Nele até o próprio fim dos tempos: levou-os à terra do esquecimento, onde jamais serão recordados ou recuperados. O sangue do pacto eterno é tão eficiente que mesmo você, assim sujo como está, pode orar como Davi: “Lava-me, e serei mais branco que a neve.”

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