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domingo, 20 de outubro de 2013

É sujeira, não fatalidade – C. H. Spurgeon

/ On : 10:06/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.


“Lava-me” – Tudo estava tão sujo... a negrura era de um tipo peculiar, que necessitava de um milagre.


“Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais branco do que a neve.” - Salmos 51:7


Se considerarmos o caso de Davi, quando escreveu esse Salmo, veremos que estava muito enegrecido. Tinha cometido o horrível pecado de adultério, que é um pecado tão vergonhoso que só podemos nos referir a ele contendo a respiração. É um pecado que envolve muita infelicidade para outras pessoas, além também das que o comentem. É um pecado que, ainda que os culpados se arrependam, não se pode reverter. É um crime sobremaneira repugnante e atroz contra Deus e contra o homem, e aqueles que o tem cometido, verdadeiramente precisam ser lavados.

Porém, o pecado de Davi era ainda muito mais grave devido ás circunstâncias nas que ele se encontrava. Ele era como o proprietário de um grande rebanho, que não tinha nenhuma necessidade de tomar a única cordeirinha de seu vizinho, já que tinha muitas ovelhas. Em seu caso, o pecado era completamente inescusável, pois Davi sabia muito bem qual grande era esse mal. Ele era um homem que tinha se deleitado na lei de Deus, e meditava nela dia e noite. Portanto, conhecia o mandamento que expressamente proibia esse pecado. Assim que, quando pecou dessa forma, pecou como quem toma um gole de veneno, não por erro, mas sabendo muito bem quais seriam as consequências ao bebê-lo. Tratava-se de uma maldade intencionada por parte de Davi, para a qual não podia ter nem o mais mínimo atenuante.

Há, todavia, algo pior – Davi não só conhecia a natureza do pecado, também conhecia a doçura da comunhão com Deus, e deve de ter tido um claro sentido do que significaria para ele perdê-la. Sua comunhão com o Altíssimo tinha sido tão estreita, que ele era chamado “Um varão conforme o próprio coração de Deus”. Como cantou docemente de seu deleite no Senhor! Vocês sabem que, em seus momentos mais felizes, quando vocês querem louvar ao Senhor com todos seus corações, não podem usar melhores expressões do que as que Davi lhes deixou em seus Salmos. Quão horrível é que o homem que esteve no terceiro céu da comunhão com Deus, tenha pecado dessa forma tão detestável.

Mais ainda, Davi tinha recebido das mãos do Senhor muitas misericórdias providenciais. Não era mais que um pastorzinho que alimentava o rebanho de seu pai, como quando Deus o tomou e o fez rei sobre Israel. O Senhor também o livrou das garras do leão e do urso – capacitou-lhe para vencer e matar o gigante Golias, e para escapar da maldade de Saul, quando esse lhe caçava como a uma perdiz nos montes. O Senhor o preservou de muitos perigos e, ao fim o estabeleceu firme no trono. No entanto, depois dessas libertações e misericórdias, esse homem tão grandemente favorecido pelo Senhor caiu nesse tão vil pecado.

Também constituía um agravo adicional que o pecado de Davi fosse cometido contra Urias. Se vocês lerem a lista dos valentes de Davi encontrarão ao fim, o nome de Urias, o heteu – ele esteve com Davi quando esse foi proscrito por Saul, e acompanhou a seu líder em suas fugas, participou em seus perigos e privações. Assim que, foi uma vergonhosa retribuição da parte do rei que roubasse a esposa de seu fiel seguidor, que estava naquele preciso momento, combatendo contra os inimigos do rei. Pesquisando ao longo de toda a Escritura, ou pelo menos em todo o Antigo Testamento, não sei onde exista algum registro de um pior pecado cometido por alguém que foi, não obstante, um verdadeiro filho de Deus. Assim, Davi tinha uma boa razão para implorar ao Senhor “lava-me”, pois de verdade estava negro com uma negrura especial e peculiar.

Porém, agora, deixemos Davi, e consideremos nossa própria negridão aos olhos de Deus. Será que não existe, meu querido amigo, alguma negridão peculiar em torno de seu caso como pecador diante de Deus? Eu poderia esboçar essa negrura, mas eu lhe peço que a relembre agora para que sua alma possa ser humilhada devido à lembrança. Talvez você seja filho de pais cristão, ou tenha sido alvo de jovens impressões religiosas, ou, quem sabe, que tenha sido favorecido especialmente por Deus de outras formas. No entanto, pecou contra Ele, tem pecado contra a luz e o conhecimento, pecou contra as lágrimas de uma mãe e as orações de um pai; pecou contras as admoestações e advertências de um pastor. Uma vez, esteve muito doente, e pensou que ia morrer, mas o Senhor perdoou sua vida, e lhe restaurou a saúde e o vigor – porém, você voltou outra vez para seus pecados, como o cão volta a seu vômito, ou a porca lavada a revolver-se em seu lamaçal. Possivelmente, se alarmou com um súbito sentido de culpa, de tal maneira que não pode desfrutar de seus pecados, mas, no entanto, não pode romper com eles. Gastou seu dinheiro naquilo que não era pão, e gastou seu esforço no que não lhe satisfaz, e, ainda assim, prosseguiu desperdiçando seu dinheiro em uma vida desenfreada até chegar à mendicância; porém, mesmo nessa condição, não detestou seu pecado. Na casa de Deus, recebeu muitas solenes advertências, e uma e outra vez regressou para casa resoluto a arrepender-se, mas suas resoluções logo se desvaneceram, assim como a névoa da manhã e o orvalho da alva, deixando-lhe mais endurecido que nunca

Eu me lembro de John B. Gough, no Exerter Hall, descrevendo-se em seus dias de embriaguez, como montou num cavalo selvagem que o levava apressadamente à sua destruição, até que uma mão mais poderosa que a sua tomou as rédeas, fez o cavalo se assentar sobre suas ancas, e resgatou o temerário cavalheiro. Era um quadro terrível, mas era uma representação fiel da conversão de alguns de nós. Como espancávamos esse selvagem cavalo, e o colocávamos a uma maior velocidade em sua louca corrida até que parecesse como se fossemos cavalgar por cima desse Ser clemente que tinha resolvido nos salvar! Isso era pecado, em verdade, não só contra os ditados de uma consciência iluminada, e contra as advertências que nos eram dadas de contínuo, mas antes, era o que o apóstolo chama de “pisotear ao filho de Deus, considerar o sangue do pacto como uma coisa profana, e desprezar ao Espírito de graça.”

Irmãos, antes que passem dessa página negra, permita-me exortá-los que a estudem diligentemente, e que tratem de compreender a negridão de seus corações e a depravação de suas vidas. Essa falsa paz que vem de considerar ligeiramente o pecado, é a obra de Satanás – desfaçam dela já, se ela infundiu-se em vocês. Não tenham medo de olhar para seus pecados – não fechem seus olhos ante eles, pois ocultar seus rostos para não vê-los poderia ser sua ruína, mas Deus ocultando Sua face deles, será sua salvação. Olhem para seus pecados e meditem neles, até que os conduzam até mesmo ao desespero.

“Como?” dizem alguns, “até que me conduzam a desesperar?” Sim – eu não me refiro a essa desesperação que brota da incredulidade, mas sim a essa que é quase semelhante à confiança em Cristo. Quanto mais Deus os capacite para ver o vazio de vocês, mais ávidos estarão de se valerem da plenitude de Cristo. Eu sempre comprovei que, conforme cresceu minha confiança em mim mesmo, minha confiança em Cristo diminuiu – e conforme minha confiança em mim mesmo diminuiu, minha confiança em Cristo aumentou. Então, eu exorto-lhes a que tenham uma visão honesta de sua própria escuridão de coração e de suas vidas, pois isso lhes fará que orem com Davi: “Lava-me, e serei mais branco que a neve.” Pesem-se nas balanças do santuário que nunca erram nem no mais mínimo grau. Não precisam exagerar nem um só elemento de suas culpas, pois tal como são, encontrarão mais pecado dentro de vocês se o Espírito Santo os capacite para se verem como vocês são realmente.

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