Home | C. H. Spurgeon | Log out

Venha para o Metropolitan Tabernacle

SpurgeonTv

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Thomas Watson (1620-1686) por Charles H. Spurgeon

/ On : 10:42/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.

Thomas Watson (1620-1686)

A Body of Divinity  é uma das mais preciosas e inigualáveis obras dos puritanos. Todos os que tiveram contato com esta obra sabem muito bem disso. Watson foi um dos escritores mais objetivos, profundos, sugestivos e elucidativos dentre os célebres teólogos que fizeram da era puritana o período dourado da literatura evangélica. Há uma união muito feliz entre a boa doutrina, a profunda experiência e a sabedoria prática evidentes em todas as suas obras. Este livro é, mais que todos os outros, útil aos alunos e aos ministros.

Embora Thomas Watson tenha escrito muitos livros preciosos, comparativamente pouco se sabe de sua pessoa. Nem mesmo as datas de seu nascimento e morte são conhecidas. (Hoje conhecida – 1620-1686)  Seus escritos são suas melhores memórias. Ele talvez não precisasse de outras e, portanto, a providência evitou o desnecessário. Não devemos tentar descobrir sua ascendência e, como fazem os antiquários, encontrar uma famosa família Wat, à qual esteja ligado, cujo filho se destacou nas cruzadas ou em qualquer empreendimento insano. É de pouca importância se teve ou não sangue azul correndo em suas veias, pois sabemos que foi de semente real redimido pelo Senhor. Alguns homens são seus próprios ancestrais e, pelo que sabemos, a genealogia de Thomas Watson não lhe atribuiu fama, mas todo o seu brilho provém de suas realizações.

Teve a felicidade de ser educado no Emmanuel College, em Cambridge, que naqueles dias merecia ser chamada de a escola dos santos, a grande mãe que alimentou eruditos evangélicos. No Register and Chronicle de Kennet (vol. 1, págs. 933,934) encontra-se uma lista de 87 nomes de ministros puritanos, incluindo-se muitos famosos e queridos pregadores e comentaristas como: Anth. Burgess, W. Jenkyn, Ralph Venning, Thomas Brooks, T. White, Samuel Slater, Thomas Watson, John Rowe, Dr. W. Bates, Stephen Charnock, Samuel Clarke, Nathaniel Vincent, Dr. John Collings, William Bridge, Samuel Hildersam e Adoniram Bifield. Após cada nome havia um comentário que dizia: "A maioria destes homens é mencionada na lista dos sofredores a favor do não-conformismo e aparece no rol dos alunos matriculados no Emmanuel College. Apesar de serem muitos, sem dúvida são da mesma sociedade que produziu pregadores no contexto das infelizes mudanças de 1641",2 etc. Na margem da introdução do livro se encontra a seguinte observação: "Não é impróprio observar quantos jovens estudantes de ambas as universidades, ficaram desanimados em virtude do preconceito de seus diretores e tutores. Por isso, somente Emmanuel College, em Cambridge, produziu mais puritanos e não-conformistas que, talvez, todas as outras sete faculdades ou academias em qualquer uma das universidades". Um fato como esse deveria direcionar as orações de todos os crentes a favor dos nossos seminários e dos nossos discípulos, pois da maneira como essas instituições são conduzidas dependerá, diante de Deus, o futuro bem-estar de nossas igrejas. O seminário Pastors' College, que publica esta obra para o uso de seus alunos, pede insistentemente as orações intercessoras dos santos.

Spurgeon (1834-1892)
Não nos surpreende descobrir que Thomas Watson desfrutou a boa reputação de ser o aluno mais aplicado enquanto estudava em Cambridge. Os grandes autores puritanos devem ter sido muito ativos na universidade, ou nunca teriam se tornado inigualáveis mestres em Israel. O aluno consciente é aquele que muito provavelmente se tornará um pregador de sucesso. Após completar seu curso com honras, Watson se tornou reitor da paróquia de St. Stephen, em Walbrook, onde, no coração de Londres, exerceu fielmente o ofício de pastor por quase dezesseis anos, com grande diligência e devoção. Felizes foram os cidadãos que receberam regularmente as ministrações tão instrutivas e espirituais de Watson. A igreja estava constantemente cheia, pois a fama e a popularidade do pregador eram merecidamente grandes. Envolvendo-se com seu rebanho, cheio de santo zelo pelo destino eterno dele, os anos passaram com muitas alegrias enquanto crescia o respeito por parte de todos os que o conheciam.

Calamy,3 em seu memorial não-conformista, diz o seguinte de Watson:

Ele era tão conhecido na cidade por sua piedade e disposição em ajudar que, embora fosse afamado no Friendly Debate, levou para a sepultura o respeito geral de todas as pessoas sérias. Era um homem culto, um pregador popular, mas sensato (se assim podemos julgá-lo por seus escritos), e conspícuo no dom da oração. Sobre como gostava de orar, segue-se um fato que será prova suficiente.

Uma vez, em um dia de palestra, antes de acontecer o Ato de Bartolomeu,5 ficou sabendo que o bispo Richardson veio ouvi-lo na igreja de St. Stephen. O bispo ficou muito satisfeito com seu sermão, mas especialmente com sua oração ao final, de maneira que o seguiu a fim de lhe agradecer e pedir uma cópia de sua oração. Em resposta, o Sr. Watson disse: "Não posso te dar o que me pedes, pois não escrevo minhas orações. Não é algo estudado, mas espontâneo, pro re nata, como Deus me capacitou, de todo o meu coração e sentimento". O bom bispo foi embora pensativo pelo fato de um homem poder orar daquela maneira extemporaneamente.

Entretanto, a mão que outrora oprimira a igreja se estendia novamente para afligir alguns dos santos. Os mais cultos, santos e zelosos do clero da Igreja da Inglaterra descobriram que o ato da uniformidade não lhes permitiria manter suas consciências puras e seus estilos de vida, por isso se submeteram a perder tudo por causa de Cristo. Thomas Watson não hesitou em relação ao caminho que deveria seguir. Não era um faccioso inimigo da realeza, nem um republicano vermelho, nem mesmo um homem da quinta monarquia. Na verdade, havia sido muito leal à casa de Stuart nos dias do Cromwell. Havia protestado contra a execução do rei e se unido ao plano de Love para conduzir Charles II ao trono. Embora tivesse tudo isso a seu favor, era um puritano e, portanto, não deveria ser tolerado pelos espíritos ressentidos que dominavam o governo da época. Quaisquer que tenham sido as sementes de discórdia semeadas na trágica história do Ato de Bartolomeu, ele não guardou rancor. Mas os resultados finais estavam cheios do inimaginável. A compreensão pode ter atrapalhado a verdade. Os direitos da coroa do rei Jesus poderiam ter sofrido de falta de advogados se os monarcas e os sacerdotes tivessem sido mais tolerantes. Da maneira como aconteceu, homens bons foram forçados a uma posição mais verdadeira do que aquela que, por outro lado, ocupavam, e o começo de uma reforma real estava inaugurado. A partir desse começo sofredor houve muito progresso. A cada dia, a causa dos excluídos empurrava e forçava os adversários em direção à beira do precipício, pois abaixo devem cair todos os levantes contra o reino de Deus.

Com muitas lágrimas e lamentos, a congregação de St. Stephen viu seu pastor ser arrancado de seu rebanho. Com corações doloridos ouviram suas palavras de despedida. Ele mesmo falando como quem está de luto do que mais deleitava seu coração, sofrendo com alegria a perda de todas as coisas, despediu-se deles e saiu "sem saber aonde ia".

Na coleção Sermões de Despedida, há três sermões do Sr. Watson. Dois foram pregados no dia 17 de agosto e o terceiro na terça-feira seguinte. O primeiro deles, pregado um pouco antes do meio-dia, foi baseado no evangelho de João 13.34: "Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros...". O sermão enfoca muito do espírito do evangelho, particularmente ao recomendar amor aos inimigos e perseguidores.

O segundo sermão, pregado à tarde, foi baseado em 2 Coríntios 7.1: "Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus". Na primeira parte do sermão, ele insiste muito nas "... ardentes afeições de um bom ministro do evangelho para com seu povo".

Watson termina essa primeira parte assim:

Eu exerci meu ministério com vocês por quase dezesseis anos. E me regozijo e agradeço a Deus por não ter o direito de dizer de vocês que quanto mais vos amei, menos fui amado. Recebi muitos sinais que demonstram o amor de vocês. Ao passo que outras igrejas tenham mais membros que a nossa, entretanto, eu acredito que nenhuma tem tão forte afeição.
Tenho observado com muita satisfação a reverente atenção que vocês têm à palavra pregada. E esta luz alegra vocês, não por um breve momento, mas até o dia de hoje. Tenho observado em vocês o zelo contra o erro em momentos críticos, e a unidade e a harmonia que vocês têm. Essa é a honra de vocês. Se for necessária uma interrupção de meu ministério nesta igreja, visto que não seja permitido pregar para vós novamente, contudo não deixarei de amá-los e orar por vocês.
Porém, por que deve haver alguma interrupção? Onde está o crime? Alguns, de fato, dizem que somos desleais e rebeldes. Amados, minhas atitudes e sofrimentos por Sua Majestade são de conhecimento de muitos. No entanto, devemos ir para o céu com elogios e críticas. E é bom que possamos chegar à glória, mesmo que lutemos contra baionetas.
Eu me esforçarei para ainda mostrar a sinceridade de meu amor por vocês. Não prometerei que outra vez pregarei para essa igreja, nem direi o contrário. Desejo ser guiado pelo fio de prata da Palavra de Deus e sua providência. Meu coração é vosso. Há, como vós sabeis, uma expressão neste último Ato de Uniformidade dizendo: "que possamos, em breve, ser como que naturalmente mortos". Se eu devo morrer, vou deixar algum legado a vocês.

A seguir, deixou uma lista com vinte orientações admiráveis, dignas do exame fervoroso de cada cristão.

A conclusão das orientações foi a seguinte:

Rogo a vocês que as guardem como as muitas jóias no cofre dos corações. Carreguem-nas por onde forem, serão um antídoto para guardar vocês do pecado e um meio de preservar o zelo da chama da piedade sobre o altar dos corações de vocês. Ainda tenho muito a dizer, mas não sei se Deus me dará outra oportunidade. Minhas forças se extinguem quase de todo. Rogo a vocês que essas coisas produzam uma grande marca em vossas almas. Meditem no que foi dito e o Senhor dará entendimento em todas as coisas.

O último discurso, em 19 de agosto, foi baseado em Isaías 3.10,11: "Dizei aos justos que bem lhes irá; porque comerão do fruto das suas ações. Ai do perverso! Mal lhe irá; porque a sua paga será o que as suas próprias mãos fizeram".

Após sua saída, Watson pregou esporadicamente onde pudesse fazê-lo em segurança. Multas e prisões foram insuficientes para fechar a boca das testemunhas de Jesus. Em barracões, cozinhas, casas de fazendas, vales e florestas, os poucos fiéis se reuniam para ouvir a mensagem de vida eterna. Sem dúvida alguma, as pequenas assembléias secretas eram boas ocasiões para as mentes piedosas: a Palavra do Senhor era preciosa naqueles dias. Pão comido em secreto é proverbialmente doce e a Palavra de Deus na perseguição é especialmente deliciosa. Não podemos imaginar a alegria que antecedia aquelas reuniões ou as memórias inesquecíveis que permaneciam por muito tempo depois que acabavam.

Após o grande incêndio de 1666, quando igrejas foram queimadas, o Sr. Watson e outros não-conformistas prepararam grandes salas para os que desejavam se reunir. Em um tempo de tolerância, em 1672, ele conseguiu uma licença para usar uma grande sala na Crosby House, no lado leste da rua Bishopsgate, que pertencia a Sir John Langham (um não-conformista). Foi uma circunstância em que o digno nobre favoreceu a causa da não-conformidade e que tão distinta câmara estava à sua disposição. Ali, Watson pregou por vários anos. O Rev. Stephen Charnock, B.D. tornou-se seu pastor auxiliar na Sala Crosby, em 1675, e continuou até sua morte em 1680. Dois ótimos pastores para o rebanho. Homens assim, com dons e graças tão extraordinários, dificilmente, se é que isso ocorreu alguma vez, uniram-se em um único pastorado. Ambos se propuseram a escrever um livro sobre fé cristã, e o volume piedoso sobre Os Atributos Divinos foi a primeira pedra colocada pelo pastor Charnock numa estrutura colossal que conseguiu completar. Watson foi mais modesto na tentativa de escrever, e este volume mostra como teve sucesso.

Thomas Watson, depois de um tempo, voltou a Essex, onde morreu repentinamente em seu quarto enquanto orava. Morreu por volta dos anos de 1689 ou 1690. A data de seu nascimento e a de sua morte não são mencionadas em lugar algum.

Na biografia do Coronel James Gardiner há uma citação impressionante:

Em julho de 1719, um sábado, ele havia passado o começo da noite com companhias agradáveis. Dentre elas havia uma senhora casada com quem combinou um encontro amoroso secreto à meia-noite. A reunião de amigos acabou às 23 horas e então, enquanto aguardava dar meia-noite, foi para seu quarto esperar o tedioso tempo passar. Aconteceu que ele pegou um livro religioso, que sua boa mãe ou tia havia colocado em sua sacola. O livro se chamava O Soldado Cristão, escrito pelo Sr. Watson. Pensando, pelo título, que iria achar algumas frases espiritualizadas de sua profissão que pudessem fazê-lo rir, começou a lê-lo. Enquanto aquele livro estava em suas mãos, uma impressão veio sobre sua mente que resultou em uma série de conseqüências muito importantes. De repente, pensou ter visto um brilho incomum de luz cair sobre o livro enquanto o estava lendo e, ao levantar seus olhos, descobriu, para sua perplexidade extrema, que diante dele estava suspensa no ar uma representação de Jesus Cristo na cruz, rodeado de glória. Ficou impressionado como se uma voz lhe dissesse: "Pecador, eu sofri isto por ti e assim me retribuis?" Ele afundou na cadeira e ficou algum tempo sem ação. Então, levantou-se com os sentimentos confusos, andou de um lado para o outro em seu quarto até quase cair pela incomum surpresa e agonia no coração. Isso continuou até outubro do ano seguinte, quando suas ansiedades foram transformadas em alegria indizível.

O Sr. Watson publicou vários livros sobre assuntos práticos e úteis, dentre eles podemos citar os mais importantes: Three treatises: 1. The Christian s Charter; 2. The Art of Divine Contentment; 3. A Discourse of Meditation, ao qual foram acrescentados vários sermões em 1660. Esse volume contém, além dos três tratados, God's Anatomy upon Man s Heart, The Saint's Delight, A Christian on Earth still in Heaven, Christ s Loveliness, The Upright Man s Character and Crown, The One Thing Necessary, The Holy Longing; ou, The Saint's Desire to be with Christ, Beatitudes; ou, A Discourse upon part of Christ s Famous Sermon upon the Mount, 1660, A Body of Practical Divinity, etc., além de alguns sermões: A Divine Cordial, The Holy Eucharist, Heaven taken by Storm, etc.

Porém, sua obra principal foi A Body of Divinity,6 uma coleção de 176 sermões sobre o Breve Catecismo da Assembléia de Westminster, que só apareceu depois de sua morte. Esse livro foi publicado em um volume, em 1692, e acompanhava uma descrição do autor feita por Stuart, além de um prefácio recomendatório feito pelo rev. William Lorimer e 25 outros ministros de destaque da época.

Por muitos anos, esse volume continuou a ensinar teologia ao povo comum e ainda pode ser encontrado em cabanas pobres da Escócia. O Rev. George Rogers, diretor do The Pastor's College, foi quem cuidadosamente organizou o lançamento desta edição atual e escreveu uma nota para nós:

Não conheço outra obra com tanto material para sermão dentro da mesma área. Em Howe, Charnock e Owen geralmente lemos bastante antes de fechar o livro e elaborar um sermão, mas Watson nos ensina a cortar o caminho. Tudo que diz pode ser usado, por isso, penso, seria uma obra de grande valor para todos os nossos alunos que exercem o ministério pastoral. Foi para benefício deles, suponho, que foi feita a reedição. Vários sermões selecionados, que geralmente são relacionados a esta obra, não aparecem aqui, mas aparecerão na obra completa de suas obras na série feita por Nichol.
Este é um trabalho distinto e completo em si. Todas as edições existentes que já verificamos estão cheias de erros e imperfeições. Esta edição foi retificada, não inteiramente, mas conforme o esperado. Nenhuma mudança de posição foi feita, mas cada detalhe do que o autor quis dizer foi cautelosamente mantido. O estilo foi modernizado sem que deturpasse suas características. Sentenças longas foram divididas em duas ou três, quando possível, sem ferir a clareza ou força da significação. Palavras obsoletas foram substituídas por modernas. Citações latinas foram restauradas à forma correta, conforme suas fontes foram confirmadas, e as divisões de assuntos foram organizadas com mais lógica. O todo ficou mais legível e, conseqüentemente, mais atrativo e inteligível, que em nossa opinião sobrepuja todas as supostas vantagens que poderiam se levantar na perpetuação de crueldades e vulgaridades (da linguagem) dos tempos passados conforme parecem agora para nós. Ao se popularizar obras antigas, multiplica-se os leitores de tais obras e suas mensagens podem ser mais rapidamente apreendidas.

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts with Thumbnails